1.Estrela Cadente
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"Meteoro, chamado popularmente de estrela cadente ou estrela fugaz, designa o fenômeno luminoso observado quando da passagem de um meteoroide pela atmosfera terrestre".
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Sinto algo soprar contra mim, arrepiando, despertando-me. As pálpebras pesam não facilitando em nada a agonia que me consome, pisco sendo cegada pela claridade. As últimas horas são um flash em minha mente, embaralhadas com o gosto metálico na ponta da língua. Estico o braço trazendo um pouco de sombra, um alivio momentâneo; os raios do sol parecem formigar minha pele, como se água quente fosse derramada sobre a mesma.
Levanto em um pulo sendo agarrada insistentemente pelo lençol que se enrola em minha perna derrubando-me contra o chão frio em um banque surdo. Chuto o tecido tentando me livrar de seu laço, encaro a enorme janela francesa, flores desabrocham no parapeito, partículas dançam no ar sobre elas. Engulo em seco, um sopro de vento joga as cortinas para longe deixando o sol mergulhar sobre a cama, em vez de branco e travesseiros sem graça, cores vibrantes dominam o quarto,isso com certeza não é um hospital.
— Ahh — Resmungo me livrando do lençol, olho ao redor, eu não deveria conseguir mexer o pescoço dessa forma? vagas lembranças me entregam a dor que sentia antes, trazendo calafrios com elas — Estou morta?
Ouço o farfalhar das árvores, firmo minhas mão na cômoda ao lado, meus dedos se perdem em meio a bagunça de colares e maquiagem espalhada, levantando sem dificuldade ao contrário do que esperava, um passo de cada vez tenho mais certeza que estou tendo um sonho lúcido. Pinheiros cobrem a visão da janela se estendendo pelas montanhas, nunca pensei presenciar com meus próprios olhos algo tão belo.
— Ainda não esta pronta, Alice? — Questiona uma voz sem suavidade, rígida.
Me afasto da janela com o susto, sem notar viro rápido demais quase tropeçando em meus próprios pés, seus olhos se chocam contra os meus, dourados como mel. A loira mantém uma postura reta impecável, em um piscar ela desaparece pela porta a deixando aberta, ando devagar tentando não enlouquecer.
Espio o corredor vazio, isso é um sonho mesmo? talvez eu esteja em coma nesse momento em meus últimos minutos de vida. Alucinando...
— Não pode ser real — Sussurro pulando o tapete para o corredor, um quadro enorme decorra o branco das paredes, chapéus de formatura em tons azuis estão presos pela moldura.
Dois passos pra frente, sou tomada pelo cheiro tentador adocicado que vem lá de baixo, sigo o aroma descendo as escadas contando os degraus. Seguro o corrimão tentando não cair de frente com o chão, não consigo entender, mas pareço mais ágil que antes, como se meus movimentos fossem instantâneos.
— Carlisle, não é muito arriscado? — Uma voz sussurra, porém não há ninguém perto de mim. — Ele ainda é um novo vegetariano... — Declarou ela roubando o silêncio.
Atravesso o pequeno corredor dando de cara com uma enorme sala; O homem mais velho sorriu cochichando com a outra que se encolhe pensativa em um quanto da cozinha, mas as vozes deles são como gritos em meus ouvidos.
— Alice, esqueceu seus sapatos. — Alerta a loira de antes, era estranho, mas eles parecem tão familiares.
Minha cabeça doí com o pensamento, estendo minha mão pegando o sapato marrom por fim me dando conta que aquela não era minha pele, tão translúcida e pálida como uma boneca de porcelana. Enfio meus pés um de cada vez nas sapatilhas, sem conseguir desviar o olhar dela.
Dou um passo pro lado deixando a garota passar apressada, ágil demais, em um vultou ela atravessa a sala se juntando ao casal, estranhamente suas vozes somem ao som alto de pássaros cantando, melodias se misturam, sendo levadas pelo vento que assobia, ergo os braço tampando os ouvidos. Tento identificar de onde vem o barulho, mas nada parece fazer sentido.
Me aproximo do sofá ignorando a sede constante, meu estômago resmunga como nunca antes. Uma coisa estava clara, isso não é um sonho e sim um pesadelo. Afundo na maciez, apertando a cabeça afastando o ruído continuo. Ouço o ronco do motor, passos pesados seguidos do farfalhar da lareira no outro lado da sala.
— Vamos! quero colocar meu bebê na estrada. — Rosnou como um trovão cortando, distraindo me de tudo ao redor, voltando ao barulho calmo do silencio.
— Eu dirijo Emmett — Afirmou a loira, mesmo com seus saltos ela escapou rapidamente dele girando as chaves entre os dedos com um sorriso brincalhão.
— Da última vez você abandonou o carro no meio do nada, sem gasolina! — Argumenta a massa de músculos como um adolescente — Rosalie, não estou brincando, devolva as chaves! — Estava nítido pelo seu tom que não era sério.
Com rapidez sobre humana ela se coloca ao meu lado, puxando meu braço, levantando meu peso como se não fosse nada. Sou guiada pelos seus passos, atravessamos a sala para o hall de entrada, Rosalie liberta-me se pondo de frente ao enorme espelho pendurado sobre o aparador rústico; O desenho da madeira se destaca, junto com cada falha. Sou arrancada de meus pensamentos ao ser hipnotizada pelo rosto delicado, pisco junto dela, seus olhos dourados seguem os meus, repuxo os lábios.
— N-não pode ser. — Gaguejo sem perceber.
— O que foi? — Questiona, passando lentamente o batom sobre os lábios com perfeição.
— E-eu n-não — Isso não pode ser real! porque a garota do espelho está repetindo meus gesto?
Minha cabeça doí embaçando minha visão, respiro fundo percebendo porque todos eles parecem tão familiares, em cada pagina, filme todos eles carregam os traços e olhos dourados pertencentes ao universo fictício de Crepúsculo, estou ficando louca ou realmente estou dentro da minha saga favorita?
— Está tendo outra de suas visões? — Rosalie segura meus ombros fazendo focar nela, em seu semblante preocupado.
— Segunda chance. — Sussurro ao perceber que não foi um delírio. — Estrela... — Aquela estrela cadente realmente passou pelo céu, minha última esperança.
Não sei porque, mas em vez de me sentir feliz, lagrimas brotam, transbordando, gritando enquanto meu peito aperta. Sou envolvida pelos braços fortes dela, tudo parece rápido demais. Encosto minha testa em seu ombro segurando um soluço, eu não deveria estar morta? de certa forma é irônico pois estou morta.
— Alice? viu alguma coisa? — Sussurrou alarmada em meu ouvido, passando a mão em minha cabeça como se tenta-se acalmar um cachorro, sem pratica alguma.
Não consigo falar, tudo parece tão surreal, encaro o espelho atrás dela, olhos dourados brilham com intensidade fascinante, mordo o lábio. São agora meus olhos, como ouro transbordando sobre a luz fraca que entra pelas janelas.
Ouço os passos, sei que os três estão nos observando sem entender. Me afasto de Rolasie que ainda segura meus ombros com medo que eu fosse desabar.
— Filha.. — Esme dá um passo á frente, logo sendo impedida pelo loiro que parece analisar qualquer detalhe em minha face tentando encontrar a resposta para as lágrimas que escapam, molhando minhas bochechas.
Encaro a mulher de cabelos onduladas, um toque de seu tempo. Suas sobrancelhas franzem em preocupação, porém nada vejo em seus olhos tão melancólicos.
— T-tive uma visão. — Falo a primeira coisa que vem a cabeça.
— Algum perigo eminente — Proferiu Emmett dando um passo á frente — Os Volturi? — Questiona tentando parecer calmo, mas era nítido que não estava.
Tento pensar em algo, mas tudo o que me vem a mente é o desespero dos meus pais se perguntando onde estou, provavelmente a polícia vai relatar minha morte e a faculdade será cancelada quitando as dívidas. Minha gata vai se alinhar no sofá, não poderei mais deslizar meus dedos pelos seus pelos branquinhos.
— Ela está em estado de choque. — Rosna Carlisle fazendo meu coração bater mais forte com a surpresa — Venha, precisa se alimentar. — Com rapidez sobrenatural parou na minha frente, estendendo a mão.
—...
Não consigo raciocinar direito, deixo que me guia pelo corredor sendo seguida por Rosalie, que bate seus saltos contra o chão irritando meus ouvidos. Me perco novamente nas cores tão distintas, quadros e relevos tão cheios de detalhes que não são vistos pelo olho humano. Não sou mais humana, penso segurando as lágrimas.
— Sente-se aqui, Rosalie vá buscar — Ele é interrompido com o vulto batendo a porta, seguindo suas ordens.
Escoro as costas contra a poltrona almofada, me concentro no jaleco branco pendurado ao lada da escrivania, remédios decorando as prateleiras, meros inventes. O homem em minha frente passa a mão pelos cabelos alinhados em um loiro pálido. Parece pensativo demais, algo estava errado.
— O que viu? — Questiona erguendo uma lanterna em direção aos meus olhos — Nunca chorou assim antes. — Apaga a luz, colando seus dedos gélidos em minha testa — Está doendo?.
— D-deveria doer? — Gaguejo sem entender.
Deveria doer, eu não deveria estar viva. Encaro o dourado de seus olhos, me perdendo neles, isso não é real. Entreabro os lábios, mas as palavras não saem, se contar a verdade vão achar que estou louca. Sinto a pressão de suas mãos uma de cada lado da minha cabeça, fazendo focar totalmente na palidez sobrenatural em sua pele.
— Não. — Desliza o polegar limpando uma lágrima fugitiva. — Não se preocupe essa visão não vai se tornar realidade. — Sorri confiante, perto demais.
Engulo em seco, de alguma forma sinto que posso contar qualquer coisa pra ele. Porém minha voz não sai, essa é uma realidade alternativa... uma segunda chance, meu coração bate se estabilizando, algo não muito normal em um vampiro. Pisco tentando ouvir o dele, batendo, estendo a mão tocando seu peito.
Pulsando devagar, quase imperceptível mesmo com a audição ampliada, leve e constante. Meus dedos são presos pelos dele, levanto a cabeça mergulhando nas íris tão fascinantes, parecem absorver todo o panico que me domina.
— E-eu não. — Minhas palavras se prendem conforme estou presa pelo medo, não sou a Alice, nenhuma visão vai se tornar verdade, porque não as tive.
Ouço seu coração, sua mão pressiona a minha contra o próprio peito como se tenta-se acalmar uma criança que acordou de um pesadelo.
— Está tudo bem. — Declara tão baixinho que mal consigo ouvir, talvez não acredite nas próprias palavras.
A frieza de sua pele é igual a minha, puxo a mão, escapando entre seus dedos o fazendo endireitar a postura em segundos, dá um passo para trás me olhando de forma estranha, deve ter notado que não sou a Alice de sempre, porque não consigo parar de pensar sobre o que aconteceu, no sangue manchando o asfalto e o pior de tudo era saber que aquilo foi por puro descuido. O passado não pode ser mudado, firmo minhas mãos no apoio da poltrona levantando rápido demais por meu gosto.
Tento me convencer que fiz o pedido certo, que ficarão melhor sem mim, mas meu coração diz o contrário. Carlisle sorri vacilante, parece preocupado com as visões de Alice, mordo o lábio evitando um suspiro.
— A visão n-não vai acontecer. — Afirmo mentindo — Desculpa, acabei sendo absorvida pelas emoções. — Tropeço nas palavras andando devagar, contando os passos para não correr sem perceber.
Pareceu que saiu um enorme peso de suas costas, com um sorriso gentil vi pequenas presas, pontudas, escondidas na fileira de dentes brancos. Passo a língua pelos meus caninos enquanto ele se vira para a porta sendo arrombada por Rosalie, em suas mãos uma garrafa térmica se encontra, puxo o ar sentindo o cheiro inebriante de sangue tão doce, foi isso que senti ante de descer as escadas.
— A visão de Alice. — Começa Carlisle logo sendo interrompido pela loira.
— Algo ruim vai acontecer? — Sussurra como se fosse um segredo, mas estava óbvio que todos nessa casa podem ouvir qualquer minimo ruido, se quiserem ouvir.
— Ela disse que não vai acontecer, sabe como o futuro é incerto e muda o tempo todo. — Dialogou como um palestrante tentando acalmar a multidão furiosa.
Os dois me olharam com os mesmos olhos quentes, faiscantes e desprovidos de humanidade.
Lembro do livro mergulhado em meu sangue, a dor adormecendo meus sentidos, roubando minha sanidade, mesmo nos meus últimos momentos eu sabia que havia desperdiçado minha vida, que não faria diferença ficar ou não, todo o estudo e noites em claro foram recompensados com a morte.
Mas no céu uma estrela cadente atendeu meu pedido, ela poderia atender outro? Respiro fundo sem precisar de fato, de acordo com os livros, posso segurar a respiração e mergulhar no desconhecido. No entanto não sou mais uma adolescente apaixonada. "Segunda chance" dizem que a estrela realiza seu mais profundo desejo, não achei que ela fosse realmente atender meu pedido, que fosse real.
Rosalie joga a garrafa para mim ainda desconfiada, porém mais calma. Sem hesitar giro a tampa engolindo o conteúdo de uma vez, desce quente, e estou faminta novamente. Deixo a mesma em cima da mesinha de centro, máscaras antigas decoram a parede contrária a janela fechada pela cortinas pesadas. Algo estava errado de tantas formas, mas segurei a vontade de voltar ao passado, não conseguiria parar de chorar se lembra-se de tudo que deixei.
— Nada, só fui muito precipitada, desculpa não queria — incomodar, tento falar, mas a vaga lembrança de um certo vampiro ledor de mentes clareia minhas ideias. — Onde está Edward?
Se existe alguém capaz de acreditar em mim com certeza é ele, mas talvez isso não seja o certo a fazer ou será que é?
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Notas:
Deixem aquela estrelinha de voto! Pois isso me motiva muito S2
Não se esqueça de adicionar a Fanfic na sua biblioteca S2
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