→Quatro←


Ainda esperando, mãos tremendo
Talvez a costa desapareça
Mas essas vozes, esses ruídos estranhos
Eles me seguiram aqui

Panic Room - Au/ra


Capítulo 04 - Indefeso

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A rosa caiu no chão enquanto eu ainda segurava o bilhete com a minha mão trêmula. Que merda de brincadeira de mal gosto é essa?

Respirei fundo e olhei para minha janela que se encontrava aberta, assim como a janela da casa ao lado. Corri até ela fechando-a o mais rápido que eu consegui e me escorei sobre a mesma respirando fundo.

Quem havia feito isso? E como conseguiu abrir minha janela? E o mais importante, de quem era aquele sangue?

Eu estava perdida em pensamentos quando de repente ouvi um barulho vindo do banheiro me assustando. Olhei para a porta do banheiro que estava fechada e ouvi novamente um barulho de algo batendo na porta do lado de dentro.

Corri assustada até a porta tentando sair do meu quarto, mas me desesperei quando notei que ela estava trancada. Quem trancou ela? Senti meu coração acelerar enquanto ainda conseguia ouvir os barulhos de algo batendo na porta do banheiro.

Droga, o que eu faço agora?

Olhei para o lado encontrando o taco de beisebol que eu roubei do Nate e agradeci mentalmente o fato de eu ser uma pessoa paranóica e sempre andar protegida. Caminhei em passos lentos até o banheiro e quanto mais eu me aproximava dele, mais as batidas aumentavam.

Assim que parei em frente a porta, eu respirei fundo e segurei o taco com mais força enquanto abria a porta devagar olhando em volta. Não havia ninguém no banheiro, mas às portas do box estavam fechadas e parecia que havia algo alí. Senti meu coração errar uma batida, e abri o box com tudo e gritei de susto quando algo pulou em cima de mim.

Olhei para baixo tentando encontrar algum assassino, mas apenas me deparo com o cachorrinho das gêmeas tremendo.

- Willy! Você me assustou! - gritei com o cachorrinho que se encolheu ainda mais - Como você foi parar aqui, hein? - perguntei pegando ele no colo e direcionei meu olhar para o box e me assustei com o que eu vi.

Havia sangue no chão, mas de onde veio aquele sangue? Foi quando olhei para o pequeno cachorrinho no meu colo e percebi que a patinha do mesmo estava sangrando.

(...)

- Mas o que houve com o Willy? - Alice perguntou fazendo carinho na cabeça do cachorrinho enquanto ele dormia no colo da Olívia com uma faixa em sua pata.

- Acho que ele se arranhou em algum lugar. - Nate deu de ombros se sentando ao meu lado no sofá - Havia um pequeno corte na pata dele.

O sangue que estava na rosa, não era apenas um sangue artificial como eu inicialmente achei que era, era o sangue do cachorrinho das gêmeas. Como alguém tem coragem de brincar com uma coisa dessas? Ele é apenas um cachorrinho indefeso. Essa pessoa que está brincando com isso, é uma pessoa completamente louca!

- Zafira? Zafira? - sinto a Olívia me balançar pelos braços.

- Oi?

- Você está bem?

- Estou.

- Você parece estranha. - Alice fala e voltando a fazer carinho no Willy.

- Parece? Ela é estranha. - Nate falou rindo me fazendo revirar os olhos.

- Eu não estou me sentindo muito bem, eu vou dormir. - falei me levando do sofá.

- Você quer companhia? - Olívia perguntou me olhando preocupada.

- Não, podem ficar aqui, o Willy precisa de vocês agora. - falei deixando um beijo na testa de cada uma das gêmeas - Deixei o salgadinho de cada uma embaixo do travesseiro.

Subi as escadas com desânimo e ainda me sentindo um pouco assustada, eu entrei no meu quarto e tive que ter muita coragem para presenciar aquele cenário novamente, mas consegui ir até o banheiro para limpar aquele sangue e aproveitar para tomar um banho longo, certificando várias vezes a tranca da porta, enquanto me perdia novamente em pensamentos.

Sai do banho vestindo um pijama qualquer e voltei para o quarto encontrando aquela rosa ainda sobre minha cama, peguei ela a amassando e joguei ela longe. Me escorei na janela fechada e respirei fundo ouvindo a porta abrir e o quarto ser preenchido por um perfume familiar.

- O que faz aqui? - perguntei sem me virar ainda querendo encontrar alguém na casa ao lado, mas como sempre, as cortinas escuras me impediam de ver qualquer coisa.

- Eu vi que você não estava muito bem. - Nate falou se aproximando de mim e parou ao meu lado na janela - O que aconteceu?

- Estou com dor de cabeça. - menti passando a mão entre meus cabelos.

- Tomou algum remédio?

Nate me puxou pelo braços, me virando para ele e colocou sua mão sobre minha testa para ver se eu estava com febre.

- Tomei. - menti novamente me livrando dos seus braços e logo voltei a olhar para casa ao lado.

- Essa casa é estranha, não é?

- Muito estranha. - resmunguei e fechei os olhos apoiando minha cabeça no ombro do meu irmão - Nate.

- Fala.

- Você por acaso também está com uma sensação estranha?

- Que sensação?

- Não sei, uma sensação de estar sendo observado?

- Observado? Eu sempre estou sendo observado. - ele falou rindo.

- Sério? - perguntei o encarando surpresa. Se ele também se sente assim, como ele pode achar graça disso?

- Claro, as garotas não resistem ao meu charme e ficam me observando. - piscou para mim me fazendo revirar os olhos.

- Não, idiota - dei um soco no seu ombro fazendo ele resmungar um palavrão - Estou falando sério! De ser observado mesmo, por um louco ou algo assim.

- Isso é coisa da sua cabeça, Zafi.

- Talvez seja mesmo, porque eu realmente sinto que tem alguém me observando. - encolhi os ombros pensando se eu deveria ou não contar sobre o bilhete para o Nate.

- Tipo quem?

- Eu não sei!

- Ai, Zafi! Você só está pensando nessas coisas porque você realmente não gosta de estar aqui. - ele falou dando de ombros - E está querendo arrumar desculpas para voltar para nossa antiga casa.

- Não é por causa disso! - exclamei me sentindo ofendida com a acusação dele. Eu nunca brincaria com uma coisa dessas, embora eu não goste desse lugar, inventar algo assim, é baixo.

- Vai dormir, Zafi, amanhã falamos sobre isso. - ele deixou um beijo na minha testa e logo saiu do meu quarto.

Assim que ele fechou a porta, eu me sentei na cama e encolhi os pés abraçando meus joelhos. E se isso realmente for coisas somente da minha cabeça? E se não houver realmente alguém me perseguindo e eu só estou assustada com as histórias que essa cidade carrega?

Meu olhar caiu sobre o bilhete na cama e eu o peguei, lendo ele mais uma vez. Definitivamente aquilo não era coisa da minha cabeça! Aquilo era real! Isso é real! Existe realmente alguém me observando e eu vou provar!

Ouvi barulhos vindo da minha janela e não pensei duas vezes antes de sair correndo do quarto trancando o mesmo para em seguida correr até o quarto do Nate. Entrei em seu quarto encontrando o mesmo jogado de qualquer jeito em sua cama.

- Nate. - chamei o balançando pelos ombros e ele se virou para mim me olhando um pouco desnorteado.

- O que foi, Zafi?- ele resmungou voltando a afundar seu rosto no travesseiro.

- Posso dormir com você? - perguntei e olhei para trás me certificando de que eu havia trancando a porta do seu quarto.

- Não.

- Mas, Nate! Eu estou com medo.

- Que saco, Zafira! Não precisa ter medo! Não tem ninguém te observando! Já falei que isso é coisa da sua cabeça!

- Nataniel, por favor, eu estou com medo. - sussurrei com a voz trêmula e escutei ele bufar.

- Tá legal, vem logo. - ele falou abrindo espaço na cama e eu rapidamente me deitei ali logo sentindo ele me abraçar - Se você me acordar no meio da noite com seus roncos, eu te arremesso pela janela.

- Também te amo. - sussurrei fechando os olhos finalmente me sentindo segura.

(...)

Acordei ouvindo os roncos altos do Nate que se encontrava deitado nas minhas costas. "Depois sou eu que ronco igual um porco" pensei enquanto tentava tirar ele de cima de mim.

Empurrei ele, fazendo seu corpo cair para o lado e como esperado isso não abalou o sono pesado do meu irmão, me levantei saindo do seu quarto indo em direção ao meu.

Assim que entrei no quarto, a primeira coisa que noto é que em cima da escrivaninha havia uma foto, franzi as sobrancelhas confusa e me aproximei da escrivaninha pegando a foto e a olhando com mais atenção.

Era uma foto minha, uma foto minha e do Nate dormindo em seu quarto e junto com a foto havia outro bilhete.

"Ei, minha jóia... Senti sua falta ontem, não tente se esconder por trás do seu irmão, viu? Eu não pouparei ninguém para tê-la"

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