Diálogos

Hey, angel!

Para alguns é o mocinho e para outros é o vilão. Diálogo. O que ele é para você?

Pra mim até certo tempo foi o vilão, não posso mentir. Se for ao primeiro livro que publiquei aqui no watt (PNA) verá que eu evitava os diálogos e focava na narração.

Com o passar do tempo e depois de estudar sobre isso, claro, percebi que tudo bem os dois jeitos. Mas tenho que ficar ciente de que existem leitores que gostam de uma forma e leitores que gostam de outra forma.

Também fui me soltando, arriscando, e agora vou te passar algumas dicas que me ajudaram muito na parte dos diálogos.

Junta com a Joy!

1° Diga o necessário.

O tal do "oi", "bom dia", "boa tarde" pode ser cortado já de primeira. Como no primeiro capítulo, nesse vou retomar a fala: SÓ DIGA O NECESSÁRIO. Sei que não está nas palavras exatas, mas tem a mesma finalidade.

Pelo amor que você tem por mim, angel, não gaste palavras em algo só para preencher espaço. Você tem criatividade suficiente para por num parágrafo a ideia do cumprimento, ou algo do tipo, que não agregue à estória.

Tente pensar em outras formas de preencher o vazio, com certeza terá alguma coisa no enredo que pode ser colocado no seu diálogo.

2° Aproxime o personagem do leitor.

A finalidade dos diálogos, para mim, é saber mais sobre o personagem, segredos dele e da estória. E claro, por entre as linhas dá pra jogar algumas coisas óbvias pra você, mas que o leitor só descobrirá mais para frente.

Tá na dúvida sobre o que escrever no seu diálogo? Revise seu livro. Releia ele todo, ou pelo menos o resumo do livro ou do capítulo. Pense no porquê daquela conversa, veja a cena por outro ponto de vista, se imagine como o crítico mais crítico do mundo.

Só não jogue algo para tomar espaço (sim, vou bater nessa tecla). Memorize essa frase:

"Tudo tem um motivo no livro."

Nada é por acaso, nada é jogado, nada é por não ter ideia ou para encher linguiça.

Você precisa saber sobre o que está escrevendo, precisa seguir essa linha e lembrar disso o tempo todo, inclusive nas cenas com diálogos.

3° Evite diálogos muito longos.

Só por eu ter dito que precisa escrever o que é realmente importante, não quis dizer que precisa ter um parágrafo de vinte linhas, nem uma conversa de quatro páginas. A não ser que seja EXTREMAMENTE necessário.

Caso tenha uma bomba mas é muita coisa, te indico escreve-la primeiro num rascunho. Depois edite, ou como gosto de falar, dê uma lapidada no seu texto.

Edite.

Lapide.

Edite.

Lapide.

4° Leia em voz alta.

Antes de aprender isso no curso de escrita minha mãe já me aconselhava isso. Sim, minha mãe! E já deixo claro que ela não é escritora; nem perto disso.

Sempre que tenho alguma dúvida ela aconselha ler em voz alta tudo o que escrevo, não apenas os diálogos. Eu não sabia até fazer o curso que isso ajuda na fluidez, coerência e pontuação do texto.

Então, leia em voz alta! Assim você verá facilmente se tem algum erro e se parece com uma conversa realista. Dessa forma também pode perceber se está seguindo a personalidade e as características dos personagens.

Lembre que cada um fala de uma forma diferente, gesticula, bate o pé, tem alguma mania no rosto ou nas mãos... Enfim, várias outras coisas que os tornam o que são.

E isso nos leva direto ao próximo ponto;

5° Deixe o diálogo realista.

Angel, você já observou a conversa de outras pessoas? Ou mesmo a sua? O jeito de falar, como o rosto fica, se gesticula ou não e o corpo por completo?

Pois é, angel, o corpo também conversa.

E é muito importante procurar saber e descrever nos seus diálogos. Quando fizer isso verá uma grande mudança. Seu diálogo ficará mais realista e, dependendo do que quer passar, até profundo.

Lembra da empatia e da imersão? Então! Quem está lendo precisa se sentir lá dentro do livro, e descrevendo um diálogo realista você consegue prender seu leitor.

Isso nos leva ao grau de proximidade. Lembre disso quando estiver escrevendo, angel;

Com quem seu personagem está conversando?

Qual é o assunto?

Se forem parentes ou amigos e a conversa informal, vale colocar gírias e deixar o ar mais leve. Lembre que isso varia de gênero, assunto e coerência com o momento da estória e todo o enredo.

Por último, mas tão importante quanto todos:

6° Evite verbos dicendi.

Isso eu aprendi no curso, já vi numa crítica e em várias dicas na internet. E angel, é muito importante variar quando for descrever o que o personagem fez. Mas antes vou explicar o que é esse verbo.

Verbos dicendi, de acordo com o Google:

"Os verbos dicendi ou "de dizer" são aqueles que usamos para introduzir um diálogo.

Geralmente é utilizado em entrevistas jornalísticas, contos de ficção, como romances e prosas.

Alguns exemplos de verbos dicendi: afirmar, falar, gritar, declarar, ordenar, perguntar, exclamar, pedir, concordar etc."

Você pode falar: "Ah, Joy, é difícil!"

E angel, como eu sei...

Por isso deixo uma aba do meu chorme aberto num site de sinônimos e vou consultando enquanto escrevo.

Variar esses verbos é a chave para seu diálogo chegar perto da perfeição. Mas claro, terão vezes que você não encontrará outra palavra com o mesmo sentido, e não verá outra solução. E tudo bem, acontece!

Mas não fique só no "disse". Fuja o quanto conseguir, isso pode afastar o leitor por ser repetitivo e consequentemente cansativo. Lembre da parte "parecer uma conversa realista" e tente imaginar alguma outra coisa que o personagem faria, o contexto e linguagem corporal.

Lembre sempre disso: Só coloque o que for necessário.

Agora, antes de terminar esse capítulo, precisamos treinar. Vou trazer um enredo e com base nele você constrói um diálogo com as dicas que dei.

Use sua criatividade, angel, e não tenha medo de errar. Estarei ajudando nos comentários, pode ficar tranquilo.

Enredo:

"Karine é uma adolescente introvertida, que está numa festa com sua amiga Júlia. Júlia viu o crush de Karine e por ser da mesma turma que ela o empurrou para uma conversa com Karine, que está sentada num canto da sala."

• O diálogo pode ser antes, durante e/ou depois dos acontecimentos citados. Pode ter o tamanho que quiser, e pode incluir outras pessoas também, se desejar.

• Você tem a liberdade de escolher em que pessoa será narrado (1°, 2° ou 3°), o gênero e o que mais vier na sua mente. Lembre, isso é só uma base, pode usar sua criatividade como desejar.

Caso tenha dúvida, ou não saiba como começar, vou escrever a minha versão como exemplo (Só não vale copiar! kkk).

"- Você deveria estar se divertindo, em vez de ficar sentada - Júlia, minha melhor amiga, me repreende e acrescenta: - Sozinha.

- Eu avisei que não queria vir - cruzo os braços, tentando me fundir ao sofá. - Não gosto de festas e as festas não gostam de mim.

- Não gostam de você por não permitir gostarem! - ela exclama, exasperada. - Precisa se abrir, Karine!

Bufo e desvio meu olhar para a porta da casa, que é aberta pelo anfitrião já bêbado. Felipe grita de felicidade quando vê Tiago, seu primo e amigo, entrando.

Meu coração acelera num nível que me deixa desconfortável e me denuncia para Júlia, que olha na mesma direção e entende a tensão repentina.

- Não acredito que seu crush fofo chegou! - ela dá pulinhos de alegria, me fazendo afundar mais ainda no sofá.

- Você fala como se houvessem vários - resmungo.

- Isso não importa. Vou falar com ele!

Abro a boca para impedi-la, mas é tarde demais quando entendo o que ela quis dizer com isso.

Júlia se aproxima de Tiago e depois de uma conversa animada o arrasta na minha direção e o joga no sofá ao meu lado. O mais incrível é que ele está rindo, e isso deixa o ar leve."

Não se compare com ninguém, seja apenas você mesmo que tudo ficará bem.

Agora é com você, angel!

Bjxxx

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