Capítulo 25


Capítulo 25

Alessandro

O calor me envolveu quando eu abri meus olhos e percebi que havia um corpo pressionado contra o meu. Braços fortes me envolveram, um firme o suficiente para que minha mão presa embaixo estivesse começando a cair no sono.

— Miguel? — Minha voz soava rouca e tensa. Ele sentou-se, olhando para mim com preocupação, seu cabelo loiro, quase branco, caindo em seus olhos. Ele havia crescido novamente nos meses em que ele tinha ido embora.

— Hey —, ele sussurrou, acariciando meu rosto. — Você está acordado.

— Quanto tempo eu estava fora?

Ele soprou uma mecha de cabelo para longe de sua testa. — Duas semanas no ponto.

— Semanas? — Eu ecoei, olhando em volta. Estávamos de volta à ala hospitalar do prédio da matilha. Ele ainda estava incólume e sem ferimentos, até onde eu podia dizer. — O que diabos aconteceu?

— O soro te derrubou —, Miguel respondeu, seu olhar afiado com culpa. — Eu estava com medo de ter perdido você por um tempo lá. Todos nós estávamos.

— Kaio ... os outros caçadores ...

— Eles foram avisados —, ele me assegurou. — Eles não vão tocar sua família.

Eu olhei para ele, incrédulo, lutando para coletar minhas memórias daquela noite. Parecia que acabara de acontecer, mas era mais perigoso do que os fragmentos distantes do passado que voltou a minha mente. — Você é realmente o líder deles agora?

Meu coração se encheu de orgulho mesmo quando afundou. Eu sabia que o fato de ele estar aqui não significava que ele estivesse aqui para sempre.

— Acho que sim —, ele respondeu, procurando meu rosto. — Você sabe, eu não tenho sido um lobo por muito tempo, mas até eu sei que os ômegas devem ficar dentro do bando onde é seguro.

— Eu não tenho sido um ômega por muito tempo—, eu respondi. — E você ainda é um lobo?

Ele suspirou. — Eu não sei o que sou. Nenhum dos dois. Ainda não entendi.

Sentei-me devagar porque minha cabeça ainda estava girando. — Pelo menos, funcionou o suficiente para libertar você?

— Me libertar? — Ele franziu a testa em confusão.

— Do nosso vínculo.

A maneira como seus olhos se arregalaram me disseram que ele não esperava a pergunta, mesmo que fosse óbvio o suficiente. Foi tudo que eu pude pensar desde que ele partiu. — É por isso que você acha que eu fiz isso?

Dei de ombros, com medo de lhe dar mais uma resposta e soar ainda mais patético do que já sentia.

— Alessandro —, disse ele com firmeza, tomando o meu rosto em suas mãos. — Não é disso que se tratava. Eu nunca quis ser um lobo, isso é verdade, mas nós ... isso não é algo que eu possa me arrepender.

— Então por que? — Eu perguntei, lutando para entender. Eu queria acreditar nele, mas o passado me ensinou que isso era perigoso.

Ele hesitou, desviando o olhar. — Eu me adaptei a esta vida tão rápido. Parecia uma traição de ... tudo. Tudo o que eu era, tudo que eu deveria ser. Eu sei que isso não faz sentido, só estou tentando ajudar você a entender o porquê.

— É verdade —, eu admiti. Mais do que eu queria.

— Eu pensei que se eu pudesse conquistá-lo, domar, talvez eu pudesse ajudá-lo —, ele murmurou, olhando pensativamente para mim. — Mas eu estava errado.

— O que você quer dizer.

— Você não é um monstro, Sandro. E você não precisa ser domado — disse ele, pressionando a testa contra a minha. — Eu estava errado em pensar que você precisava.

— Eu fiz coisas terríveis —, eu protestei.

— Assim como eu. Assim como meu pai —, disse ele, abaixando a voz vergonhosamente. — Eu não quero ser aquele que continua seu legado.

Eu considerei suas palavras por um momento, tocando a parte de trás do meu pescoço quando algo me ocorreu.

— Ainda está lá —, disse Miguel, respondendo a minha pergunta não formulada. Houve hesitação em seus olhos. Medo. — Mas se você não quer que esteja ...

— Não é a marca dele —, eu disse com firmeza. — É como você disse. Você não é ele.

Seu olhar suavizou e quando ele se inclinou para me beijar, eu deixei. Eu o beijei de volta, mais forte do que nunca, e quando as lágrimas correram pelo meu rosto, eu não tentei pará-las.

— Você pode me perdoar? — Ele finalmente perguntou, limpando as lágrimas, seus lábios varrendo a ponte do meu nariz. — Por deixar ... enterrar tudo isso no passado...

Eu respirei fundo, tentando fazer com que minha voz ficasse firme. Provou fútil. — Você quer ficar? Mesmo se nascemos para sermos inimigos?

— Nós nunca fomos bons em seguir as regras —, disse ele, entrelaçando os dedos nos meus.

Eu não pude evitar a risada que borbulhou na minha garganta, e ele riu também, inclinando-se para mim, me puxando contra ele. Eu me senti ... inteiro. Pela primeira vez. Quebrado e machucado, talvez, mas inteiro. Não era algo que eu pudesse fazer sentido, apenas me surpreendi, e nem sequer me atrevi a fazê-lo com muita atenção, com medo de que isso desvanecesse.

Mas quando ele me segurou e me puxou para perto, sussurrando meu nome e sua promessa de que ele nunca iria embora de novo, comecei a acreditar nele. Eu comecei a ter esperança.

**

Miguel

Seis meses depois

— Temos outro.

Olhei para Alessandro enquanto sua motocicleta desacelerava até parar ao lado da pequena estrada de terra. Nós rastreamos nossa presa mais recente nos arredores da região metropolitana de São Paulo.

Eu chequei meu relógio, franzindo a testa. — Se nos apressarmos, teremos tempo para voltar antes do aniversário do seu pai.

— Não seria a primeira vez que eu me atrasaria para um evento familiar —, Sandro bufou.

— Nós ainda temos que pegar o presente dele —, eu o lembrei. — Algo me diz que ele não vai apreciar a cabeça de um vampiro que pegamos.

Alessandro suspirou e baixou a viseira do capacete antes de decolar. Nas semanas que ele demorou para se recuperar totalmente do soro, e para que sua família estivesse disposta a deixá-lo fora de vista, especialmente na minha companhia, chegamos a um acordo. Ainda estava dentro do período probatório, mas até agora estava indo bem.

A cada três meses, eu voltava para verificar o que restava da minha família, o que significava principalmente ficar de olho nos descontentes. Eu colocaria balas nos dissidentes mais óbvios quando deixasse claro que meu companheiro lobo não seria um assunto de discussão aberta ou crítica, e confiei em Edson para me avisar se surgisse mais alguma coisa.

A outra metade do acordo era que enquanto eu estava checando meu clã, Sandro ficava com a matilha dele. O resto do tempo, nós caçamos juntos. A vida na estrada significava sempre permanecer em movimento, sempre um passo à frente de nossa presa e dos inimigos que fizemos ao cruzar a linha entre os mundos, mas parecia um compromisso natural.

Agora que o lobo havia recuado para o meu subconsciente, eu estava realmente começando a sentir falta dele. Vítor havia me avisado de que isso não duraria para sempre. Afinal de contas, ele tinha passado pela mesma coisa, e enquanto eu não queria muito voltar à minha natureza lupina tanto quanto ele deveria ter ficado aliviado. Era parte de mim agora. Talvez eu não fosse um típico lobo, mas também não era um típico caçador. Nós pertencíamos a ambos os mundos, e a nenhum dos dois. Não éramos totalmente humanos ou lobos, mas do outro.

Eu não teria mudado isso por nada, e até onde eu sabia, Alessandro sentia o mesmo.

Havia lobos e vampiros desonestos suficientes que se recusavam a respeitar e brincavam com a sociedade para nos manter ocupados. Para manter nossos monstros saciados. Pela primeira vez na minha vida, viver na periferia da sociedade, do meu próprio clã, não me fez sentir como banimento. Com Sandro ao meu lado, não importava o quão longe estivéssemos, me sentia em casa.

Ele também era um formidável aliado. A maioria dos caçadores matava como artistas, mas ele matava como uma máquina de guerra e eu me apaixonei por ele ainda mais a cada vez que um coração batendo cessava em suas mandíbulas.

O ninho de vampiros que Edson havia me mandado em uma mensagem acabou sendo muito mais extenso do que havíamos previsto, e quando o sol nasceu, estávamos ambos cobertos de sangue e sem fôlego. Quando o último vampiro atingiu o chão em uma pilha de cinzas, eu desmaiei com minhas costas contra as de Sandro. Nós dois estávamos ofegantes e eu mal tive a energia para colocar a segurança antes da minha arma escorregar do meu alcance.

— Acho que vamos chegar a essa festa —, disse ele, afundando no chão. A mancha de sangue na bochecha dele era tão sedutora que eu precisava alcançar para limpá-la.

Seus olhos se iluminaram com uma luxúria muito familiar e eu já podia sentir o cheiro de sua excitação. Tão fraco quanto o lobo dentro de mim crescera em troca da força imortal do verdadeiro caçador que eu me tornara, sua resposta primária à sua necessidade não diminuíra. Não no mínimo.

— Desde que terminamos nossa missão cedo —, eu disse, pressionando minha mão contra seu pescoço. Sua pele corada me disse tudo que eu precisava saber.

— Miguel —, ele repreendeu com um huff não convincente. — Estamos cercados pela morte.

— Cinzas —, eu lembrei a ele, escovando meus lábios contra os dele. O gosto de seu sangue se misturava com o de sua presa, uma mistura intrigante. Eu amava o gosto da morte sobre ele, e fui dominado pelo desejo de pintar seu corpo perfeito em sangue.

Ele já estava tirando a camisa, mesmo que a desaprovação brilhou em seus olhos. — Você ainda é um alfa.

— Você parece desapontado —, eu zombei, descendo em cima dele. Meus lábios reclamaram os dele enquanto seu corpo subia sob o meu e tudo que eu podia fazer era esperar que houvesse roupas intactas o suficiente para pilhar na casa, porque eu não pude resistir a arrancá-las. Suas garras rasparam no meu peito e ele soltou o gemido mais sedutor quando entrei nele. Ele já estava escorregadio com a necessidade, calor queimando dentro dele quando eu deslizei profundamente, empurrando e reivindicando o que era meu.

Eu arrastei meus dentes pelo pescoço dele, passando minha língua por cima da minha marca. Ainda tão forte como sempre foi. Quando olhei para ele, não vi um símbolo do passado. Eu vi o meu futuro, estampado em sua pele, assim como seu nome estava na minha alma.

— Deusa, Miguel —, ele gemeu, sua espinha se curvando em êxtase quando eu o atei. Eu grudei nele, seu pênis pulsando uma semente quente contra o meu abdômen, e eu o enchi com a minha.

Meu ômega. Meu companheiro. Meu pequeno segredo sujo.

— Eu te amo —, eu disse em um grunhido, mordendo o lábio inferior entre os dentes. Ele gemeu e ficou na perfeição para aquelas três pequenas palavras. Elas significavam ainda mais quando ele estava sem fôlego e bem fodido para pronunciá-las corretamente.

— Temos que parar de fazer isso —, ele finalmente resmungou, uma vez que ele pegou a respiração e meu nó tinha caído o suficiente para sair dele.

— Fazer o que, porra?

— Foder em missões —, ele esclareceu, procurando as pilhas de cinzas por uma camisa que não estivesse sangrenta e rasgada além da decência.

— Eu não posso evitar se matar me deixa com tesão.

Ele me lançou um olhar sujo que tornou ainda mais tentador ser ainda mais tarde. —Tudo te deixa com tesão —, ele acusou.

— Só você —, eu o corrigi, puxando-o contra mim para outro beijo antes de entregar-lhe uma camisa limpa. — Esse é o perigo de trabalhar com seu companheiro. Você se arrepende?

Ele me deu um sorriso sedutor e eu caí com tanta força quanto da primeira vez. — Não —, ele respondeu, me afastando. Ele puxou a camisa por cima da cabeça e pegou a arma antes de sair em direção à saída. — Vamos ver quem chega primeiro?

Eu já estava atrás dele, subindo na minha moto enquanto ele decolava. O desejo de caçar correu no meu sangue desde que me dei por gente, mas nunca foi tão poderoso como quando se tratava de persegui-lo. Não importa quantas vezes nós jogamos este jogo de gato e rato, e não importa quantas vezes eu o peguei no final, ele nunca deixou de ser divertido.

E nunca deixaria.

Fim.

Por enquanto. 

** 

Olá lobinhes,

aaaaaaaaaaaaaaaaaaa. acabou. :-( . não estou sabendo lidar com isso. ai meu coração. eu não sei qual é meu casal preferido. mas Miguel e Sandro tem um lugarzinho especial. 

o que acharam dessa história de amor proibido. superação de traumas. e foda-se as regras. hahahahaha. 

agora vou tirar uma folguinha dos meus lobinhos. ainda teremos Zeca e Leon. Roberte e Dario. Damien... Augustus. e mais uns outros aí... ahahahahahaha.

deixe seu comentário. clica na estrelinha. 

bjokas e até a próxima aventura. 


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