05
Vegas ainda estava todo enroscado em seu corpo, uma possessividade bem conhecida pelo Saegthan, quando seu celular tocou naquela manhã. Ainda era muito cedo e ele certamente passaria um bom tempo admirando o rosto amassado e o biquinho fofo que o mais novo fazia enquanto resmungava algo ininteligível, mas que ele traduziu livremente como: "fica mais um pouco". Quase cedia ao desejo de observar Vegas por mais alguns minutos, mas a realidade lhe atingiu com força, quando constatou que a ligação vinha do hospital.
Entre os balbucios de Vegas e o medo instalado em seu corpo, atendeu a ligação. Foi quase como descer de um escorrega sem estar devidamente preparado. Seu coração palpitou forte, assim que as palavras "piorou o quadro" e "não para de vomitar", atingiram seus ouvidos e lentamente foram sendo decifrados por seu cérebro.
Vegas despertou completamente, quando ele deu impulso para sair da cama, o telefone ainda pendurado no ouvido dando algumas instruções, enquanto seguia até o guarda-roupa marfim, que ficava à direita da cama, e pegava algumas peças de roupa, vestindo as prensas.
— Droga!
Proferiu irritado, jogando o celular sobre a cama e quase caindo ao errar o local onde deveria colocar a perna na calça.
— Aconteceu alguma coisa? — Vegas perguntou ainda reunindo a alma ao corpo e piscando diversas vezes, fitando o relógio digital sobre a mesinha ao lado da cama. Ainda não eram nem cinco da manhã.
— Desculpa, tenho uma emergência no hospital. — explicou, enquanto corria até o banheiro para lavar o rosto e escovar os dentes.
Adeus banho matinal e alguns minutos de aconchego com Vegas. Não que ele tivesse planejado algo do tipo.
Vegas ainda estava deitado na cama quando ele retornou ao quarto. O tronco exposto e bem torneado do mais novo o fez paralisar por alguns segundos, lembrando da noite anterior, desejando mais daquela troca. Voltando a realidade, deu dois tapinhas no próprio rosto e pegou o celular novamente, suspirando um pouco irritado. Teria de ligar para Mikaela e pedir esse favor extra, mas tinha medo de estar abusando demais da boa vontade dela. Não é como se ele não fosse pagar, porém, sabia da rotina da jovem e mesmo pagando relativamente bem, principalmente quando aconteciam esses imprevistos, temia que ela se recusasse a continuar. Certamente, ele dificilmente encontraria alguém tão dedicada a Venice como ela. Levando em consideração o gênio do garoto, seria uma tarefa árdua, para não dizer impossível.
Vegas o observava com atenção e parecendo prever o motivo da sua hesitação e impaciência, perguntou um pouco receoso: — Você quer que eu fique com o Venice?
Pete o olhou confuso. Não, Vegas não precisava fazer isso por ele. Negou com a cabeça, voltando a encarar o celular em suas mãos. Seu dedo pairou sobre o botão de ligar e antes que ele de fato pudesse concluir o ato, o farfalhar de lençóis ecoou pelo quarto e um Vegas exuberante e completamente nu, se colocou no seu campo de visão.
Suas mãos desceram habilmente arrumando os botões que haviam sido colocados de maneira errada, seguidos pelos olhar atento do Saegthan. — Não vai ser nenhum sacrifício ficar até o horário da babá dele chegar. — Vegas deixou um beijo no canto da sua boca e isso seria o suficiente para derretê-lo. Meu Deus como ele sentia falta disso. — Se eu não puder te ajudar com ele, de que vai adiantar minha tentativa de te reconquistar?
— Você tem certeza? Ele não acorda tão cedo, mas às vezes, quando faz isso, tende a ser bem... dengoso.
— Ei... quero você com o pacote completo, ok? E tenho a vantagem dele gostar de mim, lembra? — foi um toque simples na ponta do seu nariz, mas Pete se sentiu nas nuvens. Como Vegas ainda conseguia mexer tanto com suas estruturas? — Sou irresistível.
— E convencido também. — Pete revirou os olhos, depois o analisou por longos segundos, então selou seus lábios e afagou seu cabelo carinhosamente. — Me mantenha informado, tá? E vista uma roupa, não quero que a babá veja você assim. — disse e olhou de relance para o tronco de Vegas, se impedindo de observar um pouco mais abaixo e correr o risco de negligenciar suas obrigações. Sim, Vegas era uma tentação, irresistível.
— Não se preocupe, ninguém além de você vai poder me ver assim... — Pete riu com a audácia de Vegas em se enroscar nele novamente. Céus, ele iria enlouquecer. — E, vou precisar do seu número.
O Saegthan travou. Seus rosto não revelava muito, mas seus olhos estavam estampados de uma mistura louca de confusão e... magoa, recebimento? Vegas não conseguiu decifrar.
— Na porta da geladeira. — informou, o tom um pouco menos caloroso, mas ainda assim amável. — Agora tenho que ir. — decretou, se inclinando para selar os lábios do mais novo, forçando-se a manter seus corpo afastados.
— Ok, te vejo mais tarde quando for visitar Macau. — o mais novo sentenciou, enquanto o Saegthan seguia até a porta.
Pete parou com a mão na maçaneta e então se virou para encarar o Theerapanyakul, que exibia um sorriso quase angelical. Ele realmente usou o termo visitar e não ficar com o irmão? Balançando a cabeça em negativa e sorrindo, o mais velho saiu do quarto.
Vegas buscou um conjunto de moletom preto no meio das roupas de Pete, qualquer coisa para permanecer com o cheiro do mais velho ao seu redor, e voltou para a cama. Teria voltado a dormir, e até desejava isso; no entanto; Venice acordou aos prantos, poucos minutos após a saída do Saegthan. Desejou estar preparado para lidar com um garotinho dengoso, fosse lá o que isso significava, mas nada o deixou pronto para a avalanche de fofura que o pequeno ocasionou ao vê-lo. O choro se converteu em uma alegria genuína e Vegas não sabia qual bem ele havia feito para merecer tanta atenção e carinho daquele garotinho, mas estava adorando.
— Papa?
Embora ele não fosse filho de Pete, quem não soubesse de toda história por trás, não conseguiria determinar isso. Os olhinhos pidões eram a maior características e Vegas já se sentia derretido por ele, assim como era pelo mais velho.
Vegas se abaixou para ficar mais próximo do pequeno, levando a mão para acariciar o topo de sua cabeça e a outra para enxugar os resquícios de lágrimas. — Papai foi trabalhar, você vai ter que se contentar com o titio aqui.
O sorriso que Venice lhe deu foi algo entre a compreensão e aceitação, então Vegas retribuiu o sorriso, se perguntando o que deveria fazer a seguir.
— Tio, Nice viu homem mal. Homem mal quelia bligar com Nice.
Vegas sentiu um aperto no peito ao notar os olhos do pequeno marejados. Após Pete contar toda a história por trás dos motivos dele ter a guarda do pequeno, ele sabia que na verdade o homem mal, fora algo que sua mente criou para o proteger do que ele viveu nos primeiros anos da sua vida ao lado da mãe.
— O homem mal não vai te pegar tá bom, o tio vai ficar aqui pra te proteger.
— Titio, mimir com Nice? — o pequeno perguntou, batendo com a mãozinha curta sobre o colchão.
Vegas sorriu, então sem demorar mais nenhum segundo, tirou a pantufa, que Pete havia deixado no seu lado da cama, e afastou o edredom para se acomodar ao lado do pequeno. O garotinho não tardou a subir em cima do seu corpo e descansar a cabeça sobre seu peito. Vegas ficou alguns segundos estático, mas logo levou as mãos para acariciar os fios do pequeno, ao passo que cantarolava baixinho uma canção que sua mãe cantava para Macau, observando com certo fascínio, o menininho fechar os olhos e se entregar à terra dos sonhos.
O silêncio era reconfortante e ele não pôde deixar de se imaginar vivendo isso ao lado de Pete. Nos seus ideais, ele construiria uma família grande, com talvez cinco ou seis crianças. Talvez ele convencesse Pete a adotar mais um menino e duas meninas, ou quem sabe seria melhor mais dois meninos e três meninas? Sim, isso seria perfeito.
Imaginando-se em uma casa na praia, com várias crianças correndo para todos os lados, enquanto ele e Pete estariam empenhados em arrumar uma mesa repleta de comidas boas e esteticamente bonitas, ele dormiu.
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Pete estava tendo um dia realmente ruim, quando tudo o que ele desejava era se enfiar em uma realidade paralela onde ele, Vegas e Venice aproveitavam o dia. No entanto, mal havia dado nove horas e sua realidade batia de maneira cruel na sua porta.
— Eu vou morrer, não é?
Pete fixou o olhar na pequena, tentando não demonstrar o turbilhão que girava e girava dentro de si. Hanna era uma das pacientes mais fortes que ele havia tratado, porém com seu quadro se agravando tão repentinamente, ele não conseguia fazer muito. Aquela pergunta era cruel demais. Se fosse em qualquer outro dia, ele desviaria do assunto com alguma piada boba, mas Hanna era inteligente demais para aceitar sua fuga. Além disso, suspeitava que nada do que ele dissesse a faria ter outra visão.
— De um a dez, qual o tamanho da sua dor hoje? — Pete perguntou, se aproximando da cama e levando a mão para afastar alguns fios que grudaram na testa da garota.
As horas anteriores haviam sido realmente uma montanha de emoções para a pequena. Ela chorou bastante, enquanto tentava não sufocar com o próprio vômito e implorou para a mãe não vê-la naquela situação.
Mesmo agora, um pouco mais calma, seu rosto exibia uma palidez extrema; seus olhos, fundos, não brilhavam como das vezes anteriores e sua respiração era tão cortada, que Pete se viu prendendo a sua em um ato reflexo. A garotinha tentou sorrir, mas saiu mais como uma careta quando ela disse em voz fraca.
— Nove... — Pete concordou com um aceno, mas ao contrário de anotar em sua prancheta, ele apenas permaneceu a encarando. — Tio... o senhor pode dizer à minha mamãe que amo muito ela?
Pete concordou em um aceno, levando sua mão para acariciar a da pequena.
— Vou dizer ao papai do céu que o senhor é um anjo, mas ele já deve saber, certo?
— Certamente ele sabe que você é um anjinho. — Pete falou, agradecendo por sua voz não ter falhado ao pronunciar tais palavras. — Agora você tem que descansar e mais tarde, você pode receber a visita da sua mãe.
— Minha mãe não tá chateada? — Pete negou com um aceno. — Não quero ficar sozinha, tio... essas... essas máquinas fazem muito barulho. — Pete sorriu, tentando passar o maior conforto para a pequena. — O senhor pode fazer um show de mágica pra mim?
O Saegthan assentiu, então colocando a prancheta sobre a cama, pegou a caneta e um botão, que tinha arrancado da blusa algumas horas mais cedo, enquanto se apressava para trocar de roupas, e começou seu truque, que consistia em fazer o botão sumir. Ele fechou a mão e bateu com a caneta três vezes, antes de, em um movimento rápido, colocar a caneta atrás da orelha e soltar o botão no chão, ouvindo a risada fraca e inocente da garotinha ecoar pelo quarto.
Era uma estabilização temporária, Pete tinha consciência disso, mesmo assim se manteve otimista. Contudo, não poderia esconder nada dos pais da garota, por isso se tornou tão difícil a conversa com eles. Após prestar toda assistência cabível, seguiu até seu consultório, se interrompendo no caminho com o som de notificação no celular. Pensou que fosse Vegas, mas sua surpresa se tornou maior e um sorriso se ampliou em seu rosto, quando Mikaela lhe enviou uma foto de Venice dormindo todo enganchado sobre o peito de Vegas, parecendo um pandinha carente, com a legenda: "Por que ele me trocou tão fácil?"
Pete daria tudo para ter Vegas assim, todos os dias.
— Oiiii! — a voz de Jess o despertou. Travou o celular e pôs no bolso do jaleco, observando a amiga que se aproximava um tanto animada e parecendo revigorada e até um pouco corada, o que ele estranhou. — Você tá bem?
— Hum... tô sim.
Não era uma mentira, por um lado ele estava apreensivo, porque sempre ficava quando um dos seus pacientes tinha um quadro de piora, mas por outro, ele não poderia estar mais feliz. Sua noite havia sido realmente incrível e a recente foto havia aquecido seu coração.
— Como tá a Hanna? Fiquei sabendo pelo Byron.
Pete ficou em silêncio, olhando para o corretor lotado fingindo procurar alguém. Jess notou seu desconforto, por esse motivo tentou mudar de assunto.
— Hum... conheci seu cunhadinho e eu diria... que cunhado! Nossa ele é tão bonito quanto seu boy, embora ele tenha alguns remendos, mas isso não importa, o importante é que... você não me falou que ele era tão bonito, Pete. Estou decepcionada, poderia ter ido conferir aquela obra de artes antes.
Pete a analisou, estreitando os olhos em curiosidade. As bochechas de Jess ganharam uma cor terrivelmente vermelha, enquanto seu olhar se desviou como os de um mentiroso ao ser pego na mentira. Pete sorriu.
— O quê!? — ela perguntou após alguns segundos, a voz um tanto trêmula e os olhos piscando várias vezes numa falsa confusão.
— Você se interessou por ele. — não era uma pergunta e Jess sabia disso, mas nada a impediu de resmungar em desaprovação. — Você sempre fala demais quando se interessa por alguém.
Ela cruzou os braços, fazendo birra por ele tê-la chamado de tagarela, mas logo se rendeu, pondo sua melhor cara de inocente.
— Não vou ajudar. — decretou Pete, enquanto retomava seu caminho. Ele conhecia Jess o suficiente para saber quando ela lhe faria algum pedido.
— Por favor, Pete... prometo te ajudar com o Vegas.
— Não será preciso...
Jess que andava quase correndo atrás dele, estancou. Seu semblante totalmente confuso, foi clareando conforme sua ficha ia caindo. Mas Pete já se encontrava longe o suficiente para apenas sorrir diante sua boca aberta em sinal de sua total incredulidade.
Seguro no interior da sua sala, ele voltou a encarar a foto enviada por Mikaela e como o emocionado que era, levou apenas vinte segundos até se decidir por colocá-la como seu novo papel de parede. Era isso, ele era ridiculamente apaixonado por Vegas e nem ao menos cogitou a ideia de se fazer de difícil. Patético.
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Vegas doidinho pra participar do "casa cheia"
Só desejo sorte pro Pete.
Por hoje é isso, vejo vocês em breve!
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