Com testamento

Se se morresse de amor?
Eu não, apenas morro.
Toda vez com essa dor, 
De quando penso em você.
Como o fogo que és
Me queima com porfia,
A neve já não me esfria
Como desejo, já não é fria.

Quero ir para onde fico em paz
Longe dos amigos no peito
Mas fora dele, nenhum mais.
Quero ir para o campo
Onde me esbaldo no silêncio
Longe das línguas em pranto.

Essa relação - como de Manulisa* -
À todo momento mais me agoniza,
Com as súplicas, sem nenhum consolo
Também morro sobre essa brisa.
Se pedes até sobre o julgo da lama,
Não se parece tampouco humana.
Esquece-a, vá embora com sua mala,
Deixe a divina desumana, vá com pranto.

No fim, todos levamos terra
Então, lhe dê logo o cravo,
O lençol e o coração:
Deixe de rodeios.
Se permanecerem amigos
Não sairás do balcão
Não morrerás de amor
Nem de dor,
Sentirás apenas seu belo ardor.

28/04/2020

*Referência aos poemas
de Manuel Bandeira, onde
ele fala de sua Desumana Elisa.

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