#8 Sou Noiva E Prestes A Casar

Meu pai entrou rápido em nosso meio, ao ouvir aquilo Stefan olhou pras duas garotas que olhavam apavoradas. O garoto de capuz se afastou me olhando, não dava pra ver seus olhos, mas eu sentia seu olhar e seu rosto estava virado em minha direção.

- vamos conversar no escritório!

Meu pai falou andando um pouco, mas parou olhou pra trás, sem saber o que fazer eu falei :

- se é sobre mim eu também quero ouvir.

Dei alguns passos, mas Stefan entrou na minha frente, me olhando com raiva e reprovação.

Eu apenas quero entender o que está acontecendo, por acaso isso é um pecado?

Pensei, mas não falei, fiquei quieta.

- Stefan, deixe ela passar, Evelyn precisa entender tudo melhor.

Meu pai falou e eu fiquei pensando...

Evelyn? Porque me chamou assim? Meu nome é Ellen.

Ele andou, o garoto de capuz foi atrás e eu segui eles. O jeito que o garoto andava era diferente, mas de um jeito bom, ele era confiança pura, mostrava que controlava tudo e todos.

- então, você não contou pra ela?

O garoto perguntou e eu até agora não sabia seu nome, quem era ou o que estava fazendo ali. O mesmo olhava pro meu pai com os braços cruzados.

- não, mas deixe que eu conto! Ela tem que saber por mim e não por você.

Falou de costas, sua postura estava reta, parecia tenso, eu queria saber o que estava acontecendo e eu sei que me envolve pelo jeito que ele chegou e foi em minha direção.

- fala logo pai, tá me deixando nervosa.

Falei e me senti aliviada ao chamá-lo de pai, achei que nunca mais iria dizer isso pra alguém na minha vida, achei que nunca mais iria vê-lo ou abraçá-lo, ou até mesmo ter um pai de novo.

- A alguns anos... Dias depois da minha "morte", eu vim pra esse reino, era um desconhecido, ninguém confiava em mim, então fui pra um bar, comecei a beber junto dele...

Falou e apontou pro garoto de capuz, o mesmo estava com os braços cruzados, esperando falar a parte que, pra ele, seria interessante, mas pra mim tudo interessava, tudo aquilo era importante, cada detalhe.

- comecei a beber todos os dias, dormindo no banco de frente ao bar, já estava cheio de dívidas, então Fidelização, dono do bar, me levou para uma casa de jogos, que onde você vive se chama cassino, lá eu apostei muito e comecei a dever mais ainda...

Meu pai falou e passou a mão na cabeça, retirando um pouco sua coroa de lugar.

- foi quando ele me fez jurar que pagaria em algumas semanas ou daria minha filha mais velha para ele se casar com ela.

Meu pai parou de falar, parecia decepcionado consigo mesmo. Sinceramente eu também estava muito decepcionada com ele, como alguém vende sua própria filha assim? Pra um estranho?

Eu era a filha mais velha naquele momento, Mayra havia morrido, se ela estivesse viva seria ela à se casar com ele.

Meu coração quase pulou pela garganta, queria evaporar dali sem eles perceberem, sem sentir minha falta, mas agora seria muito difícil eles não me notarem, estou atolada nesse problema até a cabeça.

- então agora somos noivos e iremos nos casar, não adianta negar ou tentar fugir, isso foi uma promessa e todo rei tem que cumprir suas promessas, todo o reino já sabe que você está aqui e sabem que ele jurou sua mão a mim.

Seu jeito de falar me dava medo, meu coração estava apertado, nada naquele momento mudaria meu estado, ele veio em minha direção, meu pai se virou para olhar o que ele iria fazer, o mesmo parou poucos sentimentos de distância de mim, retirou algo do bolso e eu fechei os olhos, não queria ver, senti algo no meu pescoço, abri os olhos e vi que ele tinha colocado um cordão lindo, tinha asas de prata e eu sorri de alívio, por alguns segundos achei que podia ser uma faca ou mesmo uma corrente para me prender a ele pela eternidade.

Pela eternidade... Estarei presa a ele por toda a minha vida.

- eu sinto muito filha!

Meu pai falou com a cabeça baixa, senti vontade de chorar e abraçá-lo, meus olhos já se enchiam de lágrimas, mas eu não sei o que fazer ou o que dizer, então fiquei calada, era a melhor coisa a se fazer nesse momento, não sei quem meu noivo é, não conheço esse lado do meu pai, nem conheço esse mundo, tudo aqui pode ser esquisito, complicado e diferente, não quero arriscar nada.

- vamos, vou levar você pro meu castelo, temos pouco tempo para anunciar sua chegada, preparar o casamento e casar.

Falou sem retirar o capuz, eu via o brilho dos seu olhos, eram azuis, muito brilhantes, tão forte que iluminava seu rosto moreno, mas também impedia minha visão.

Eu não conseguia ver claramente seu rosto, parecia que ele mesmo não queria que eu olhasse para o seu rosto.

Medo? Não sei, mas tem algo estranho nele, que pretendo descobrir o que é e logo, tenho que ter cartas na manga para me livrar desse casamento, desse noivo e desse lugar, que mau cheguei, mau conheço, mas já quero me mandar daqui.

O mesmo segurou meu braço levemente, parecia não querer me machucar, passou seu braço no meu, entrelaçando os dois de um jeito fofo, mas ao mesmo tempo ridículo.

Andamos até o salão, onde meus irmãos estavam, Stefan me olhava atento, parecia querer me arrancar a força de perto do garoto de capuz, mas eu não queria isso. Para vencê-lo tenho que estar por perto, tenho que conhecê-lo, conviver com ele, aí sim conseguirei descobrir segredos, mistérios e como me livrar do mesmo.

Esperta? Burra? Vamos ver, né? Comentem o que estão achando, o que ela vai descobrir? O que ele fará?

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