Cartas de Flores
Estou dormindo no meu quarto, deitado no conforto de minha cama com Honoka deitada por cima do meu peitoral e envolvendo os braços no meu pescoço, ao meu lado direito, enquanto Akane deita com a cabeça por cima do meu peitoral, no lado esquerdo.
Foi um sono tão gostoso, tão profundo, onde não quis acordar. Pra ser sincero, nem vi o tempo passando. Eu ficaria aqui por horas sentindo seus corpos quentes por cima de mim, com os peitos de Honoka se esfretando nos meus braços.
*BARULHO DA PORTA PRINCIPAL DA CASA SENDO ARROMBADA*
— TÔ PASSANDO! — uma voz grossa grita do lado de fora.
Imediatamente Honoka acorda, abrindo os olhos assustada. Akane se levanta mais devagar, sem entender o que está rolando.
Com rapidez, dou um salto da cama e -- durante o salto -- me impulsiono pela parede para saltar novamente até o móvel que deixei minha Nichirin.
*BARULHO DA PORTA DO QUARTO SENDO ARROMBADA*
Escombros tomam conta do local.
— ORAAAAAAAA! — uma criatura com cabeça de javali invade meu quarto com uma cabeçada fortíssima, com duas espadas cerradas nas mãos e pegando todo mundo desprevenido.
As garotas, ainda semi nuas, ficam estupefatas. A criatura faz um berro extremamente roco, sendo uma das vozes mais grossas que já ouvi em toda minha vida. As garotas suspiram de medo.
— EI! VOCÊ! — dou um grito, chamando a atenção da criatura, que começa a me convencer de que é só um humano com uma cabeça de javali.
A criatura me olha, exalando fumaça pelos narizes:
— Ei, eu sou INCRÍVEL. Você devia ME RESPEITAR.
A criatura me olha num tom ameaçador, como se estivesse prestes a atacar. E o mais constrangedor disso tudo é que estou sem camisa, apenas com minhas calças-pijama.
Droga... não tenho escolha...
— Hikari no Kokyuu... — seguro minha Nichirin com força.
Esse cara já era...
— INOSUKE! SEU IDIOTA! POR QUE FEZ ISSO? — um garoto de haori cobrindo o uniforme de membro do esquadrão de caçadores entra no local, berrando como um moleque.
A peça do haori é amarela, bem como seus forros nas canelas, e possui muitos pequenos triângulos por toda a parte. Seu cabelo também é amarelado.
— ORA! NÃO ME CHAME DE IDIOTA! — diz o cabeça de Javali, que aparentemente se chama Inosuke.
— Zenitsu! — um garoto de haori xadrez preto e verde entra na sala, também com o uniforme de membro do esquadrão de caçadores sob uma túnica branca e calças pretas, além de carregar uma caixa estranha nas costas.
Ele tem uma cicatriz imensa no rosto e brincos de hanafuda. Ele imediatamente me olha, levantando as mãos como se estivesse tentando mostrar que não é uma ameaça.
Mmh. Brincos de hanafuda. Quem será esse garoto?
Lembro de Mizuki falar algo sobre um garoto com esse brinco.
— Por favor, me desculpe pelo meu amigo. Eu pago os prejuízos. — diz o garoto, extremamente educado e se inclinando como gesto de respeito.
O garoto de amarelo, por outro lado, está com a cara rosada e com os narizes escorrendo sangue. Ele olha para as garotas como se estivesse fazendo uma expressão de pervertido.
Faço uma expressão de bravo.
Ora, como ele se atreve a olhar minhas garotas assim?
Inosuke diz, com sua voz grave:
— Gonpachiro Kamaboko! Não pague nada a esse cara, seu perdedor!
— Meu nome não é Gonpachiro Kamaboko! — diz o garoto, com fervor nos olhos.
— Shakariki Gengorou? Tontarou Itadaki ? Kanjirou Anago? Tangorou Hamado? Jangorou Amado? — o cabeça de Javali tenta vários chutes até acertar o nome do garoto.
— TANJIRO KAMADO! — grita o garoto, impaciente e ajeitando a caixa nas costas.
Suspiro, meio constrangido:
— Preciso que vocês saiam. Não percebem que tem pessoas despidas aqui?
Tanjiro faz uma cara constrangida. Inosuke também. Zenitsu, por outro lado, faz uma cara estranha e pervertida.
...
Após eles saírem, finalmente as meninas estão devidamente vestidas nos seus uniformes padrão, com suas lâminas guardadas. Eu também, devidamente vestido no meu uniforme de exterminador de Oni, e por cima um haori preto com detalhes brancos de dragão.
Nos encontramos todos lá fora. Tanjiro me entrega um saquinho de dinheiro, se curvando e dizendo:
— Por favor! Aceite isso!
Faço uma expressão de constrangimento, mas aceito o dinheiro. Pego o saquinho e digo:
— Obrigado...
Inosuke exala mais fumaça pelos seus narizes. Honoka e Akane tentam se esquivar um pouco dos movimentos suspeitos de Zenitsu, que claramente está sendo um gado perto delas.
— Posso saber por que vieram aqui? — pergunto.
— Eu senti um cheiro estranho. Achei que fosse encontrar alguma ameaça aqui. — diz Tanjiro.
Então ele também tem um olfato aprimorado?
— Acabei encontrando um Kinoe. Admiro muito você e um dia chegarei no seu nível. — diz o garoto, sorrindo.
Gostei dele. Me parece ser muito humilde e com um coração muito puro. Digo:
— Você tem potencial. Vejo algo em você que não vejo nos demais.
Não é me gabando por ter uma visão aprimorada. Apenas sei que esse garoto tem algo diferente.
— Estou curioso. O que tem dentro dessa caixa? — pergunto.
Tanjiro muda o comportamento. Posso ver muito bem que é algo que ele não quer revelar. Ele tenta desconversar:
— Ah, não é nada.
Honoka sente um cheiro estranho logo no momento que eu faço a pergunta. Ela se impõe, trazendo um ar um pouco mais 'pesado' para o ambiente:
— Você vai ter que nos deixar ver o que tem dentro da caixa.
Zenitsu desfaz o olhar de idiota. Aparentemente, o clima aqui está ficando sério mesmo.
Akane se afasta um pouco enquanto o Inosuke faz uma expressão de hostilidade. Aponto minha Nichirin no pescoço de Tanjiro, com extrema rapidez:
— O que está escondendo?
O clima está tenso. Qualquer provocação pode não acabar bem.
— Não faça nenhuma besteira. — ouço uma voz calma.
Por coincidência ou não, Giyu Tomioka salta até atrás de mim e segura meu ombro. Não o vi, mas sei que é ele pela voz, pela energia. Eu o conheço há muitos anos.
Digo, de costas para Tomioka e ainda segurando a lâmina no pescoço de Tanjiro:
— Há quanto tempo, velho amigo.
Tomioka ainda segura meu ombro, porém sem dizer nada. Tanjiro, por outro lado. não dá a mínima para meu tom ameaçador. Ele rapidamente se afasta, protegendo a caixa.
Honoka olha Tomioka e pergunta:
— Você sabe o que tem aí, Giyu? Tem alguma noção do perigo que corremos?
Tomioka não diz nada. Está calado como um boneco.
Suspiro, meio que cedendo à situação e dizendo:
— Tá bom. Você venceu, Tomioka. — digo isso enquanto guardo minha Nichirin.
Olho para Tomioka, finalmente tendo a chance de ver meu amigo de longa data. Digo:
— Fico feliz por você ter se tornado um Hashira no lugar do Urokodaki.
Tomioka agradece, sem esboçar nenhum sorriso:
— Obrigado por me ouvir. E pelas felicitações.
Honoka fica um pouco irritada, discordando da situação. Akane começa a entender e logo se afasta.
— A gente se vê... — diz Tomioka, se despedindo.
Honoka percebe o quanto ele está evasivo e calado. Não foi somente eu quem achou isso estranho. Ela vai atrás dele, dizendo:
— Ei. Temos muito o que conversar, temos assuntos inacabados também. Você não pode ir embora assim.
Acho que ela se lembrou daquela dívida que Tomioka tinha com ela...
Eu digo, gesticulando para Akane:
— Akane. Preciso que garanta que Honoka não se perca por aí. Vá com ela.
Akane assente, rapidamente indo atrás de Honoka que segue Tomioka até a floresta mais próxima.
Tomioka mudou bastante. Está com um semblante depressivo. Ainda respeitoso e cordial, porém, sem a menor vontade de falar com pessoas. Mesmo com um amigo de longa data.
Eu adoraria saber mais sobre sua história de Hashira, seu treinamento, seus feitos como caçador. Mas não quero forçá-lo a se enturmar. Talvez ele esteja passando por uma fase ruim. Não existe coisa mais chata do que forçar simpatia com alguém que está com a vibe fraca.
Olho para Tanjiro e digo:
— Fique tranquilo. Onde quer ir? Irei com você.
Tanjiro, ainda meio desconfiado, segura a caixa com força dizendo:
— Vamos pelo caminho oposto.
Agora que Honoka e Akane estão fora de cena, vamos descobrir qual é a desses caras. Tenho certeza que estarão seguras com o Tomioka, seja lá onde vão. Agora preciso entender qual é a desse rapaz de brincos de hanafuda e porque ele carrega algo tão suspeito nessa caixa.
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