Acasos

Honoka insiste, ainda estufando seu par de peitos:
— Vamos. Você precisa participar da brincadeira.

Mizuki esconde seu rosto tímido e não vê escolha. Brincando com seu cabelo de maneira sexy, como se estivesse enrolando as mechas com seus dedos ela responde — Tá — e se aproxima de mim para um beijo, com os olhos fechados.

Meu coração acelera um pouco. Me inclino para dar um beijo e levanto minhas mãos para tocá-la. Nossos rostos se aproximam de forma tão agradável, como se estivesse realmente pintando um clima.

Nossos lábios prestes a se tocar para um beijo inesquecível.

Não acredito que vou beijar a minha crush...

Mizuki me dá um selinho e rapidamente se inclina pra trás, com seu rosto todo vermelho, dizendo:
— Pronto.

Honoka reage negativamente, cruzando os braços e resmungando com uma voz bem irritante:
— Aah, não valeu. Isso não foi um beijo.

Estou com uma cara de otário. Fui pensando que seria algo intenso mas... porra, mal pisquei e já acabou.

Mizuki se levanta, inclinando a bunda levemente onde não tem mais tecido de haori, subindo o tecido o bastante para dar mais ênfase nas suas curvas. Não dá pra saber se esse movimento foi proposital ou não. Ela reage:
— Valeu sim. Agora parem de birra e vamos trabalhar.

Honoka faz sua cara de raivosa enquanto eu me levanto sem saber o que dizer. Estou com uma expressão sem significado ou definição. Realmente não sei explicar que esquisitice é essa. Depois de um constrangimento desses, melhor ficar calado mesmo.

Pego minha espada e visto meu haori preto com detalhes de dragão brancos, preparado para iniciar mais uma noite de caçada e destruição de Onis. Honoka rapidamente se veste e guarda suas lâminas na cintura, deixando aquele ar sensual de lado e abraçando um lado mais sério. Mizuki, por outro lado, é um pouco mais paranoica. Sempre está trajada e com a Nichirin na cintura. Ela é do tipo que está o tempo todo alerta.

Me levanto, perguntando:
— Honoka, para onde seu nariz farejador milagroso vão nos levar hoje?

Mizuki já abre a porta, preparada para sair. Ela se inclina para frente de maneira sugestiva, dizendo:
— O que acha de nos separarmos? Teremos mais chances de nos deparar com esse Oni sequestrador.

Honoka reage, apontando o dedo para uma direção específica:
— Acho que devemos ir para aquela direção. E sendo bem sincera, acho que deveríamos ir juntos.

Eu balanço minha cabeça em concordância, dizendo:
— Concordo, teremos mais chances.

Mizuki cede e aceita ir conosco -- por livre e espontânea pressão. Rapidamente chegamos ao centro do local onde é possível ver uma rua coberta de folhas do outono. Está realmente escurecendo, com pouquíssima luz das velas e do céu. Os locais pavimentados com beleza, só mostrando o quão belas as cidades japonesas são.

Por coincidência ou não, os sentidos de Honoka acertaram mais uma vez. Ouvimos um grito de uma pessoa não muito distante, aparentemente uma voz feminina. Mizuki rapidamente reage, dando um salto longo com suas pernas grossas para chegar ao local. Um vento forte sobe quando ela salta.

— Mizuki! — Honoka reage, vendo a amiga se afastando e adotando uma postura tímida.

Combinamos de agir juntos mas Mizuki sai assim de repente. Sei que ela queria se separar, mas tomar ações arriscadas como essa é periogoso;

Eu começo a me mover também para ir atrás dela, mas Honoka me puxa, me impedindo de sair. Ela tem uma força impressionante. Ela diz:
— Não! Tem algo errado... por favor, não vá.

A linguagem corporal de Honoka é como se houvesse uma presença incrivelmente assustadora aqui. Nunca vi ela dessa forma, com as pernas tão coladas e tremendo. Tenho na minha cabeça a ideia de que Honoka é poderosa demais pra se assustar com qualquer coisa.

— O quê? — pergunto, confuso porém entendendo que obviamente ela ouviu o grito, mas provavelmente sentiu algo que nós não.

Honoka diz, um pouco desesperada:
— Está vindo de várias direções. Sinto que não é somente um Oni. Ou talvez seja, mas com uma habilidade estranha. Estou desorientada.

No mesmo momento, ouço outro grito em lado oposto. Dessa vez não me parece um grito feminino e sim um grito bem grave. Não há tempo para estudar ou pensar nos movimentos.

— Droga... melhor sair daqui, Honoka. — digo, com firmeza.

Vidas são prioridade. Dou um salto imediatamente, indo a esse rumo suspeito. Honoka permanece no mesmo local, chamando por mim. Mas decido ignorar ela por um bem maior.

Ao chegar na cabana, percebo uma presença peculiar.

...

— Então é você o responsável? — digo, segurando a bainha.

O homem de chapéu estranho me ignora. Na frente dele tem uma poça de sangue, e pelo o que estou observando com meus próprios olhos não é sangue humano.

É sangue de Oni...

Esse cara...

O homem misterioso finalmente me olha com seus olhos vermelhos. Ele tem uma aparência bizarra, pele incrivelmente pálida e uma voz um tanto dominante. Ele dá uma puxada forte no ar para sentir o cheiro. Ele exclama:
— Aah. Então você é o Marechi.

— Não sou fraco como esse Oni que você matou. — respondo, sendo um pouco provocador.

O homem misterioso suspira, exclamando:
— Não tenho tempo pra você agora. Um dos meus demônios acabou de encontrar a família de dançarinos que eu estava procurando. Melhor eu me apressar.

Ele caminha lentamente e aplica uma técnica de paralisia em mim, dizendo:
— Vou garantir que você fique aqui quietinho me esperando. Volto logo.

A técnica é um Kekkijutsu (血けっ鬼き術じゅつ) que faz com que seu sangue cause efeitos paranormais. No caso desse homem estranho, causa paralisia por tempo indeterminado. A maioria dos Onis poderosos tem essa habilidade de utilizar o sangue como habilidade especial ou feitiço.

O homem misterioso rapidamente se dispersa, sendo incrivelmente rápido. Ele está confiante de que me prendeu nessa técnica e que ficarei aqui esperando para que ele venha e me devore. Mas com certeza isso não vai acontecer.

Que família seria essa que ele se referia?

A forma como ele disse... "um dos meus demônios." Então ele compartilha conhecimento com outros Onis? Seria ele... o primeiro de sua espécie?

Eu realmente não tenho chance contra esse cara agora. Não consigo me mover. Preciso sair daqui!

As visões me mostram algo!

...

— Por favor, pare. Não quero te machucar. — diz Honoka, chorando em prantos como se fosse a pior coisa que ela viu. Mesmo demonstrando tamanha fraqueza, ela está com suas lâminas em postura de combate enfrentando um Oni.

— Eu conheço você? — o Oni se segura o máximo que pode, milagrosamente quase conseguindo. É um feito inacreditável.

Onis perdem suas memórias de quando eram humanos. É um processo comum. Mas por algum motivo esse em particular está agindo diferente...

— Desculpe... é que estou com... tanta fome... — o Oni diz, desiludindo qualquer esperança.

Essa é...

M-Mizuki?

Mizuki tinha acabado de ser transformada em um Oni pelo próprio Muzan Kibutsuji. Seus olhos não tem mais pupilas, sendo coloridos de roxo. Seu cabelo ganhou mechas coloridas de roxo e seu corpo ficou mais 'avantajado.' Ela já tinha um corpo incrivelmente fora dos padrões, mas seu visual Oni é um pouco mais tentador.

Honoka sentiu por um momento que talvez ainda seria capaz de salvar sua amiga. Tendo em vista tudo o que ela já viu, ela decide atacar - sem escolha:
— Respiração da Pedra... Terceira forma... (参さんノ型かた 岩がん軀くの膚はだえSan no kata: Ganku no Hadae)

Uma série de cortes de lâmina são lançados com extrema força e poder destrutivo em Mizuki. É um tipo de fatiador super veloz e os impactos causam um efeito de pedras arremessadas.

O corpo de Mizuki é rapidamente fatiado, mas sua regeneração é tão absurda que ela consegue ficar de pé sem muitas complicações. Ela coloca as duas mãos na cabeça, confusa:
— Que fome... por que estou com tanta fome? E por que você está me atacando?

Mizuki move suas mãos para sua barriga, tremendo bastante enquanto tenta de alguma forma lutar contra seus anseios.

Honoka tenta ajudar de alguma forma, voltando a ter esperanças:
— Mizuki, por favor. Tente se lembrar de quem você é!

Seu choro lentamente melhora e se esvai aos poucos. Eventualmente, ela aborda uma postura mais ofensiva e se aproxima de pouco em pouco para tocar sua amiga e quem sabe tentar algo diferente.

Mizuki percebe essa aproximação arriscada e dá um salto enorme, desaparecendo completamente de vista. É como se ela tivesse fugido para bem longe, onde ela não será capaz de machucar ninguém.

No exato momento em que Mizuki foge, meu corpo retoma o controle e as visões param. Para vencer os truques de Muzan basta ter uma força de vontade tremenda.

Minhas pernas estão meio dormentes e meu corpo meio sonolento. É quase como se eu tivesse esquecido como se anda ou como se move, mas rapidamente me adapto a isso e dou um salto para checar até Honoka, ansioso para ver com meus próprios olhos essa situação maluca.

Ao chegar, me deparo com Honoka lacrimejando. Ela claramente está tentando se segurar e parecer forte. Dou um abraço nela e pergunto:
— Como você está?

Ela limpa a lágrima em seu olho e não responde, apenas me abraçando de volta.

A única amiga que ela tinha... e a pessoa que eu estava começando a gostar... se foi...

Mizuki...

Isso ainda não acabou!

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