Capítulo 05: Unidos pelo Destino
Notas Iniciais
Olá, aventureir❤️s! Tudo bem com vocês?
Dessa vez não demorou para sair mais uma att fresquinha! E eu fico muito feliz de poder compartilhar com vocês uma nova fase dos lobinhos aventureiros que se transformaram em filhotões: a adolescência!
No instagram tem vários posts e inclusive o mais novo sobre o momento que vamos passar com esses personagens queridos! Se você quiser dar uma chance a essa autora o arroba é _missminie_ ❤️
Antes de se aventurarem nessa sexta após uma semana de escola, trabalho, faculdade, peguem as garrafinhas de água e se hidratem!
Desejo uma boa leitura! ❤️
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"Felicidade
É viver na sua companhia
Felicidade
É estar contigo todo dia
Felicidade
É sentir o cheiro dessa flor
Felicidade
É saber que eu tenho seu amor."
Felicidade - Seu Jorge
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[Chalé da Família Min, vinte e nove sóis de Yeongju, décimo mês lunar, 1507]
A lua que subia e reinava pelo céu, não assistiu somente os aventureiros se transformarem em espertos filhotões. Ela havia compartilhado sua luz com Jimin e Yoongi, esses se tornando amigos inseparáveis em uma ligação especial, afinal, o alfa não tinha amigos e o ômega precisou aprender e se adaptar a uma nova vida e família, tendo um começo inseguro e solitário. Ambos viviam seus próprios desafios e sentimentos confusos, porém, a aproximação lhes trouxe confiança e apoio um ao outro, ajudando-os em suas jornadas.
No elegante chalé pertencente aos senhores Min, Jimin aos seus dezesseis anos, seguia cumprindo a promessa feita ao de quatorze, há tantas luas atrás. Estava em pé atrás dele, escovando os fios loiros com delicadeza e cuidado, sorrindo pequeno observando o comprimento brilhoso ultrapassando metade das costas do garoto remexendo animado no banco de madeira que usava como assento. Aqueles eram os momentos em que conseguia manter-se calmo e relaxado.
— Então a Escolhida da Profecia conseguiu fugir da Rainha de Gelo e... — contava Yoongi, sendo interrompido pela voz neutra do amigo.
— Não foi da Rainha do Solstício de Verão? — perguntou ele, não tão interessado, se mantendo privado da visão do rosto do ômega, porém, imaginando sem dificuldade as bochechas coradas devido seu entusiasmo.
— Não, Jiminie... essa Rainha é boa, a do Solstício de Inverno que é má.
— Por que ela é má? — Disfarçando a breve pausa na atividade, o alfa franziu o cenho para a mão que segurava a escova começando a tremelicar, somada à vista embaçando gradativamente, desconcentrando-o da voz melodiosa do outro.
— Porque ela ficou com inveja da irmã ter sido escolhida para ser a Rainha de todas as Estações, e porque todos viviam rindo da cor azul de sua pele.
Fosse outro lobo lhe contando aquilo, Jimin reviraria os olhos e comentaria sua sincera descrença em livros fantásticos, porém, Yoongi parecia ter o poder de prender sua atenção e fazê-lo ouvir sobre quaisquer assuntos.
— Talvez ela não fosse má — disse, após alguns segundos de olhos fechados tentando decifrar de onde vinha aquela sensação estranha por seu corpo. — pode ter se sentindo deixada de lado e mal compreendida. Talvez possa sentir-se como...
— Como se não pertencesse àquele lugar, porque não é igual aos outros. — Yoongi completou, encolhendo os ombros pensando nas palavras que trocaram.
— Sim. — Jimin voltou a deslizar as cerdas macias pelos fios claros.
— Tem razão, hyung, me peguei criticando somente suas atitudes no livro, deixando de pensar em sua história realmente.
— O que importa? Ela não é real, de qualquer forma. — terminando a escovação, o aristocrata deu a volta pela mesa do chalé, sentando-se defronte para o mais novo, abandonando a escova ao seu lado e piscou lentamente.
— As histórias podem não ser reais, mas nos trazem lições que podemos seguir na vida, hyung.
— Também tem razão, Yoon. — Eles sorriram um para o outro. — Ah! Tenho algo para você. — o alfa retirou um pequeno pote redondo do bolso interno de seu hanbok dourado. — Minha ama fez essa mistura de plantas que auxiliam o crescimento do cabelo, recomendou usar junto no momento de se banhar. — alcançou o pote nas mãos do ômega, esse contorcendo o nariz, se preocupando ao sentir os dedos gélidos e trêmulos atritando contra os seus.
— Por favor, diga a ela que estou muito agradecido, hyung.
— Direi.
Um cansaço incomum dominou o mais velho e apoiou a cabeça nos braços sobre a mesa, fechando os olhos quando sentiu as mãos delicadas e quentes tocando as suas novamente.
— Está congelando, Jiminie...
— A bem da verdade, estou realmente com frio, Yoon.
— Se sente assim desde que momento? Vejo agora que há manchas roxas sob seus olhos... — O ômega firmou o contato, e se inclinando para o lado, analisou o rosto alheio com seu coração apertando contra o peito.
— D-Desde o meu primeiro cio... — A voz baixa e afetada alarmou o mais jovem.
— O que aconteceu, Jiminie? Tae hyung não retornou dessa maneira no seu próprio.
— Ele teve alguém para cuidá-lo, Yoon. Em minha hanok os funcionários são ômegas, não se aproximaram, e meu appa... bom, ele não estava presente nesses dias, ou fingia não estar.
— Quem o alimentou? Como puderam não ajudá-lo?! — Yoongi se alarmou, pois sabia que o amigo havia mentido ao dizer que estava bem, usando a desculpa de escovar seus cabelos para se esconder e impedir que o observasse atentamente.
— Não consigo me lembrar... e-estou exausto. — Jimin permaneceu de olhos fechados, temendo abri-los e encontrar a face sem o sorriso gengival de outrora. Sentado, percebeu a força deixando seu corpo e aquietou.
— E-Eu vou buscar um cobertor para você!
Yoongi se levantou depressa, passando pelo alfa em direção ao seu quarto e retornando com uma manta grossa e comprida. Zeloso, cobriu Jimin e sentou-se ao seu lado, passando a acariciar seu cabelo calmamente pelos momentos seguintes.
— Se sente um pouco melhor, hyung? — Nenhuma resposta retornou. — Jiminie? — Ele chacoalhou os ombros do maior, arregalando os olhos ao percebê-lo inerte aos movimentos. — Pelos dEuses! Omma! Appa! — Lágrimas rapidamente se formaram e passaram a escorrer por suas bochechas. — Omma!
— O que aconteceu, querido?! Nós estamos indo! — A senhora Min passou depressa pela entrada do chalé, acompanhada do marido.
— O-Omma! O Jiminie não desperta!
O homem mais velho entre eles se aproximou primeiro, balançando os ombros do jovem com cuidado.
— Ele lhe contou algo sobre o que poderia estar lhe fazendo mal, filhote?
— Contou-me que passou pelo seu cio sozinho e está exausto, appa!
— Pelos dEuses, onde estava o senhor Park quando esse menino precisou?! — perguntou a beta preocupada a si própria, se apressando até o fogão de lenha e colocando novos pedaços de madeira para acendê-lo. — Irei preparar um bom chá medicinal para ele, leve-o para dentro, marido, por favor.
— Certo, esposa. — Cuidadoso, o mais velho apoiou os braços nas costas e pernas do rapaz, puxando-o para fora da ponta do banco e o ajeitou em seu colo enrolado na manta. — Filhote, faria a gentileza de preparar a sua cama para ele descansar um pouco?
— S-Sim, appa! — andando na frente, o ômega fez o que foi pedido pelo appa adotivo, assistindo de coração partido o rosto apagado do amigo se contorcer ao ser posto sobre o colchão, denunciando que apesar da inércia devido seu cansaço, estava sentindo dor.
Quando o beta se afastou, percebeu o filhote carregando um banco de madeira em direção a cama, sentando-se ao lado do alfa e ajeitando o tecido grosso cobrindo até seu peitoral, determinado a deixá-lo confortável. O senhor Min sentiu o peito aquecido, sorrindo enquanto acariciava os cabelos macios dele.
— Está sendo um ótimo amigo para ele, filhote. Estou orgulhoso. — recebeu como resposta um sorriso pequeno e torto de preocupação, porém, aproveitando seu carinho igualmente. — Vou enviar um mensageiro até o senhor Park para avisar sobre o ocorrido.
— Certo, appa.
Sendo deixado sozinho, Yoongi trouxe um livro para suas mãos tentado a se manter distraído, abrindo na última página lida e dando continuidade naquela viagem sem sair do lugar, erguendo os olhos para o amigo vez ou outra conferindo seu sono.
Encantado pela leitura, passou a ler as palavras fantásticas em sussurros leves, balançando as pernas enquanto começava a se sentir confortável daquela forma, algum tempo depois, enquanto o aristocrata amigo descansava.
— "Finalmente a paz se instalou entre os Reinos... comentou Seoyeon, a ômega de lindos cabelos brancos de inverno. Entretanto, o toque quente e gentil de verão da mulher ao seu lado, chamou sua atenção da paisagem dividida ao meio e eternamente entre as estações frias e quentes. Ainda que a guerra tenha acabado, saiba que eu enfrentaria o mais impiedoso inverno novamente somente para que pudesse lhe ver. A segunda ômega sorriu com graça, se aproximando até alcançar os lábios gélidos da amante. E eu o mais ardente verão para que pudesse estar junto a você, como agora. Elas sorriram uma para a outra. Há uma maneira de ficarmos juntas para sempre! A temperatura elevada do corpo de verão coloriu as bochechas negras com vermelho. Qual? A mais jovem perguntou curiosa. Bem, case-se comigo! De corpo frio como o gelo, sentiu derreter encontrando os braços dela. Somos duas ômegas... Seu tom de voz era triste e distante. Mas que mal há nisso? Se não nos aceitarem como somos, então começaremos outra guerra! A moça albina riu em resposta. Sim. Sim? Eu me caso com você!"
O doce ômega suspirou, guardando em sua memória seus momentos favoritos para compartilhar com Jungkook no caminho para a escola do próximo dia.
— Você está lendo muitas bobagens inúteis ultimamente. — comentou o alfa, causando um sobressalto no mais novo. Jimin soprou um riso.
— V-Você me assustou, hyung! Há quanto tempo está acordado?
— Acordei agora há pouco. — mentiu o alfa. Estava desperto tempo o suficiente para ouvir aquela história fantástica, assistindo os olhos azuis brilhantes e sonhadores passeando pelas palavras, permitindo sem perceber, que o admirasse. — A bem da verdade, não aguentaria ouvir mais uma bobagem sequer... — terminou mantendo escondido seus fascínio pela leitura dele.
O ômega revirou os olhos, fechando o livro e descansando sobre o banco quando se levantou.
— Já parece melhor, hyung. — Apoiou a mão sobre a testa do alfa, constatando uma temperatura normalizada, e, ficando contente, acariciou os cabelos macios. Ao ter encontrado seus olhares em sequência, cobriu a boca com a mão livre para não rir das bochechas repentinamente vermelhas dele.
Jimin bufou em resposta.
— A-A propósito, obrigado pela hospitalidade.
— Você é meu amigo, Jiminie, faria tudo por você. — Yoongi sorriu gengival outra vez e o alfa sentiu o peito acelerar.
— Faria mesmo? — perguntou encafifado, simpatizando com a estranha e boa sensação de ter encontrado alguém que se preocupava consigo.
— Sim. Porém não quando implicar com o Kook, eu vou defendê-lo nessas ocasiões.
— Provavelmente vai... — cruzando os braços sob o cobertor, o Park virou o rosto para o outro lado, escondendo o bico nervoso nos lábios. — Odeio me sentir pressionado, pois jamais irei nutrir sentimentos por Jungkook como meu appa deseja. Afinal, naturalmente podemos criar e desenvolver sentimentos com base na convivência e esforço de ambas as partes envolvidas.
— E-Esse é o desejo de seu appa? — O ômega sentia o coração acelerado, não conseguindo resistir e se colocar no lugar do alfa. Não conseguia imaginar uma união forçada e sem sentimentos reais, pois não acreditava ser somente a fatos de estudos comportamentais.
— Sim, ele deseja ter mais moedas de ouro do que se possa contar, por isso sou obrigado a passar todas as tardes aqui. — Com o desconfortável silêncio instalado entre eles, Jimin virou o rosto novamente, encolhendo-se no colchão sendo corroído pelo sentimento de culpa ao ver o mais novo entristecido. — M-Mas não desejo a companhia de outro alguém além de você, por isso agora sinto vontade de vir e fico feliz.
Os olhos azuis ganharam um brilho definido com a declaração dele.
— Isso é verdade, hyung?
— De todo o meu coração, Yoon! — descansado, o moreno se sentou no colchão, segurando a mão do outro com gratidão. — Obrigado por ser meu amigo.
— Gosto muito de você, hyung, sempre foi gentil comigo. — Yoongi retribuiu o gesto, tocando brevemente com as costas da mão livre, suas próprias bochechas efervescentes. Um gesto delicado que prendeu a atenção do alfa. — Mas não justifica suas atitudes com o Kook!
— Admito que não são atitudes de um nobre alfa. — Novamente com uma expressão emburrada, o aristocrata tentou convencê-lo.
Antes que pudessem continuar aquela conversa, os senhores Min acompanhados de Taehyung e Jungkook adentraram o quarto.
— Vejo que acordou, Jovem Mestre Park! — A beta se aproximou, sendo cautelosa pela hierarquia que carregava a família dele. Ao contrário do que esperou receber como resposta, Jimin sorriu, soltando a mão de seu filhote para aceitar a caneca de chá. — Se sente melhor?
— Sim, obrigado, senhores Min.
— Não há de quê, filhote.
Envergonhado, ele abaixou o rosto, bebericando o chá de ervas, arrancando um risinho da matriarca do chalé com o resmungo desgostoso pelo sabor.
— O que aconteceu com você, Jimin hyung? — Jungkook perguntou acanhado, interrompendo sua aproximação ao obter como resposta dele, um olhar irritado.
O alfa olhou para o ômega loiro ao seu lado, mordendo o interior das bochechas tentando incansavelmente controlar a raiva que vinha descontrolada e assumia o controle de suas ações. Engolindo o bolo seco entalado na garganta procurando pela resposta que o agradaria, respondeu:
— A-Acho que fiquei exausto por causa do meu cio.
— Entendo... — impressionado, o segundo moreno tinha os olhos arregalados, como o alfa ao seu lado. — Fique tranquilo, meu appa vai conversar com o seu sobre uma visita do curandeiro, ele vai ajudá-lo também!
— Com certeza... — as palavras foram cuspidas com amargura. — obrigado, Kook.
— Como você, passei pelo meu primeiro cio, espero que tenha uma boa recuperação, Jimin. — Taehyung mantinha o posicionamento arisco como o do outro alfa.
— Obrigado, Taehyung.
— Bom, meu marido e eu vamos deixar vocês conversando, filhotes, o jantar ficará pronto em breve.
Assim que os adultos os deixaram a sós, Tae e Kook se aproximaram contra a vontade do Park, esse fingindo que estava concentrado em beber o chá para ignorá-los, porém, igualmente alheio ao sorriso orgulhoso do garoto de fios claros pela sua tentativa de consertar suas atitudes com os outros amigos.
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No mais tardar daquela noite, novamente na solitária hanok e escondido dos aldeões que pudessem comentar sobre a saúde do primogênito do Mestre Park, o curandeiro fez uma visita particular.
— Certo... Hum... — O alfa de idade avançada resmungava para si próprio, utilizando itens estranhos para o conhecimento do mais jovem, sentado sobre os joelhos utilizando somente a calça de linho branco, aguardando-o impacientemente examiná-lo.
— O que eu tenho?! Diga de uma vez!
— Onde está o seu appa, rapaz?
Bufou ao ser respondido com outra pergunta.
— Sinceramente, eu não tenho conhecimento.
— Compreendo. — guardando os itens medicinais, o alfa ajoelhou-se em frente a ele. — Necessita de um longo repouso e alimentação correta, está entrando em estado de desnutrição, principalmente após uma situação traumatizante como seu primeiro e solitário cio, ora essa, um alfa de sua linhagem nunca deve estar sozinho.
— Isso não tem importância para mim! — De punhos cerrados e o peito subindo e descendo descompassado, Jimin tentava manter o controle de sua raiva. — Preciso tirar algumas dúvidas com o senhor... em relação a minha suspeita de uma doença.
— Uma doença? Não vejo nada físico em você, Jovem Mestre, além claro, da temporária situação devido ao seu cio.
— Tenho a suspeita de que nasce dentro do meu peito e é como se eu perdesse o controle sobre o meu próprio corpo. Eu acabo machucando a mim mesmo e tudo ao redor por causa desse sentimento ruim... que se expande rapidamente, algumas vezes somente uma palavra pode provocá-lo. Mas não sei como encontrá-lo para procurar uma cura! — Os olhos dourados e cheios de esperança, buscavam por uma resposta urgentemente do velho alfa.
— És uma dúvida perturbadora, se me permite dizer, Jovem Mestre. — Ele se levantou de repente, sendo acompanhado com desespero por Jimin. — Tenho um pouco de conhecimento, mas o suficiente para compartilhar que pode ter sido ocasionado devido a fortes traumas. — olhando para os lados, preocupado com a possibilidade do retorno do Mestre Park, o curandeiro tirou de dentro do saco pendurado em seus ombros, um punhado de ervas medicinais. — Talvez exija seu esforço, porém essas ervas podem auxiliá-lo durante algum tempo. — ofereceu o ramo ao alfa mais jovem. — Uma caneca de chá desta mistura de ervas e somente quando os sintomas surgirem, caso contrário, da mesma forma que podem ajudar, lhe farão mal.
O Jovem Mestre aquiesceu freneticamente, olhando diretamente para o ramo entre seus dedos.
— Aconselho que me procure de tempos em tempos para a devida administração das doses calmantes... — O curandeiro apoiou a mão em seu ombro nu, dando leves batidas. — No entanto, essa doença impossível de ser vista, é sua condenação, sinto muito.
No tempo em que ele foi embora, os joelhos do adolescente cederam sobre o tapete da sala de visitas, sozinho e repleto de informações perturbadoras, sentiu o lobo dentro de si entristecido e quieto, causando a mínima reação positiva em seu coração ao ter a imagem de Yoongi, de seus gestos e palavras, invadindo sua mente para confortá-lo.
[Escola do Vilarejo Namsangol, oito luas de Sibilwol, décimo primeiro mês lunar, 1507]
A conversa com o velho curandeiro havia deixado o Jovem Mestre Park nervoso além do habitual. Bruto e inquieto, tentava a todo custo cumprir com sua recomendação em relação às ervas medicinais e a controlar o lobo dentro de si, refletindo em seu peito dolorido as consequências de evitar ficar próximo de Yoongi, não compreendendo que a confusão de sentimentos se dava com o seu temor de afetá-lo com sua doença incurável.
— Jiminie!
Arregalou os olhos ouvindo a voz dele, e sem olhar para trás, acelerou os passos em direção a saída do pátio, apertando de forma descomunal os livros em suas mãos.
— Hyung! Espere um minuto!
O peito do alfa subia e descia fervorosamente, clamando uma simples troca de palavras com o único amigo, porém, a teimosia o manteve constante sua caminhada para longe.
Sensível, parou de abrupto ao sentir o cheiro de outro alfa cobrir o doce e calmante dele. Seus pés travaram sobre a terra seca, ele desejava correr para longe, porém ficou preocupado e se virou conferindo quem ousou abordar o ômega marcando território.
— Você chega a ser mais jovem do que eu... — O rapaz de sua classe de literatura começou, a voz debochando contra o rosto assustado do ômega. — Mas estou curioso, meu appa contou que seus cabelos claros e a pele pálida indicam ser filho de uma estrangeira, pior, de uma meretriz!
— E-Eu tenho appa e omma, não me ofenda!
— Eles não são seus appas de sangue, são?
O silêncio do mais jovem causou uma risada escandalosa no outro.
— Pode frequentar a escola e ter uma família adotiva, esquecer de seu passado, mesmo que ele te persiga! Porém ainda és um indigno desde o seu nascimento!
Jimin soltou os livros, sequer escutando o baque contra o chão, assistindo aquele rapaz empurrando seu amigo com força, o derrubando na terra.
— Deixe-me em paz! — gritou ele entre lágrimas.
O alfa de fios escuros, porém, queimou o rastro de sua caminhada ao voltar até seu encontro, puxando o segundo alfa pela gola de seu hanbok e o arremessando de costas contra uma árvore ali próxima.
Não ouvia nada ao redor, não movia os lábios para dizer uma palavra sequer, seus olhos encaravam diretamente a mão apertando significativamente o pescoço dele e por fim, moveu os músculos sem sentir nenhuma dor nos ossos do punho livre, desferindo todos os socos com a raiva que sofria segurando em seu interior, contra o rosto do colega de classe.
Seu lobo interior reagiu pela primeira vez, pois deveria ter avisado ao outro que não tinha permissão para tocar no que era seu.
Foi preciso que um professor alfa e o Senhor Min — que estava ali próximo para buscar os filhotes — se juntassem para segurá-lo e o outro cair desmaiado no chão. Jimin se tornou cego pela raiva, esquecendo-se do motivo pelo qual agiu daquela forma até encontrar os olhos incrédulos e assustados de Yoongi, sendo abraçado por Jungkook e Taehyung em uma tentativa de acalmá-lo.
Naquele momento, tudo ao seu redor ganhou vida e som novamente, todos os jovens se afastavam de si amedrontados, os professores negavam reprovando sua atitude e um mensageiro recebia a demanda de contatar seu appa para uma reunião, a pedido do alfa segurando-o fortemente.
Sendo empurrado em direção a entrada da escola, passou pelo amigo de cabeça baixa, desejando direcionar sua raiva para si próprio por tê-lo assustado.
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Jimin sabia que seu appa demoraria a aparecer propositalmente, somente pela percepção do sorriso em seus lábios ao vê-lo ajoelhado sobre pequenas pedras em frente a cuidadora da escola, castigado por seus atos.
— Mestre Park, peço desculpas por solicitar sua presença com tanta urgência, tendo de abandonar seus deveres no vilarejo. — A ômega iniciou a conversa, servindo uma caneca de chá ao mais velho.
— Não foi uma surpresa quando o mensageiro chegou até mim, anunciando o ocorrido em frente a todos os meus colegas políticos...
O jovem rapaz fechou os olhos espremendo as pálpebras com força, aquele era um péssimo sinal das consequências que viriam pelas mãos do progenitor quando ficassem a sós.
— O Jovem Mestre tem mantido um comportamento agressivo dentro dos limites da escola, há algum problema que eu possa ajudá-lo?
— Jimin sempre teve essa... personalidade forte, a omma dele era a única que ele escutava e obedecia. — O alfa não o olhou, mantendo a mandíbula apertada destacando o rosto adulto.
— Acredito que deva ter sido um trauma impiedoso para ele, perder a omma tão jovem... porém preciso que ele entenda que há regras a serem obedecidas na escola, não gostaria de ser obrigada a expulsá-lo das aulas.
— Não! — O Mestre gesticulou negativamente com as mãos defronte para ela. — Não haverá necessidade de uma decisão extrema como essa, meu filhote e eu iremos conversar em nossa hanok e resolveremos o problema.
— Eu agradeço, Mestre Park. Por favor, voltem em segurança. — A ômega de cabelos grisalhos e mandíbula rígida, ergueu a mão sinalizando que se levantasse, ignorando as marcas de sangue em seus joelhos.
— Tenha uma ótima tarde, senhora. — apoiando as mãos nos ombros do mais jovem, o alfa os guiou até a carruagem da família.
Estranhamente, durante todo o percurso para sua hanok, o patriarca seguiu quieto e pensativo, transformando-se no maior medo de Jimin ao adentrarem a privacidade da propriedade.
— Você é uma desonra para essa família! — Agitado, ele abriu a primeira garrafa de bebida alcóolica que encontrou. — você deveria ter... morrido no lugar de sua omma! — jogou a garrafa no chão, sorrindo diabólico para as jovens ômegas desonradas por ele que vieram ao seu encontro para limpar os restos cortantes de vidro.
— Eu odeio você...
Jimin sussurrou baixo, porém claramente, dando vários passos para trás quando o homem avançou transtornado contra ele.
Gritos, mais garrafas quebradas e o cheiro forte de bebida o desnortearam, porém, não derramou nenhuma lágrima enquanto seu castigo era assistido pelos funcionários da hanok, apoiado com as mãos e joelhos doloridos no chão enquanto suas costas eram marcadas pela fita comprida e larga de couro que o Mestre tinha.
Quando cansado, ele abandonou a sala de visitas, puxando os funcionários consigo, recriando imagens traumáticas para o jovem do que viria a seguir. Se erguendo com dificuldade, sentindo seu rosto e mãos efervescentes, encontrou os olhos preocupados de sua ama na entrada.
— V-Você preparou o chá como lhe ordenei?! — sua voz soou arrasada e alterada.
— Sim, Jovem Mestre, irei trazer imediatamente! — Ela se curvou amedrontada e saiu.
Completamente sozinho, Jimin passeou o olhar pelo cômodo, encontrando uma garrafa ainda intacta sobre a mesa no centro. Pegando-a, arremessou contra a parede.
O sentimento rasgando seu peito foi incentivado pelo som do vidro se quebrando, por toda a raiva que não iria manter presa dentro de si. Impulsivo, arremessou, chutou e quebrou todos os itens do cômodo, arrancando as cortinas das paredes e usando as presas recém descobertas para rasgá-las inteiramente, manchando os estofados com o sangue de suas mãos machucadas pela turbulência das ações.
Seu lobo pareceu satisfeito com a destruição que causou, e ignorando a ama estática na porta, pulou a janela saindo da propriedade Park, vestindo somente a calça de linho com sangue e poeira.
A lua estava próxima de subir ao céu quando parou com os pés descalços em frente aos portões da propriedade da família Jeon.
Sua garganta travou assim que reconheceu o cheiro de Yoongi, e os olhos ameaçaram transbordar automaticamente.
— S-Senhores Min... — Não aguentou elevar o tom do sussurro. Pigarreou: — Senhores Min!
Atraindo alguns olhares de aldeões e pensando em desistir ao ter passado algum tempo somente esperando, ergueu o rosto ouvindo as portas do chalé sendo abertas e o beta de idade caminhando em sua direção, apressando o passo ao conseguir perceber sua situação pelo intervalo entre as placas de madeira.
— Jovem Mestre Park! — ele o recolheu sem demora. — O que aconteceu?!
— E-Eu gostaria de me desculpar com a sua família. — Se curvou, em seguida, seguiu a passos mancos o beta lhe puxando preocupado em direção a entrada do chalé.
— Seu appa mandou você aqui nesse estado? — O Min analisava o filhote, negando incrédulo, sentindo o peito se comprimir desesperadamente.
— Não... a bem da verdade, eu não sei onde ele está.
— Não se preocupe então, vamos entrar. — As portas de entrada foram abertas e outra vez um sentimento de acolhimento encontrou Jimin. — Esposa! Rápido!
Acompanhada de Yoongi, a senhora Min veio rapidamente ao seu encontro, tapando a boca com as mãos ao olhar para o alfa.
— Y-Yoon! — ele tentou dar um passo à frente, sentindo os joelhos fraquejarem e encontrarem o assoalho limpo e polido. — Me perdoe, eu não queria magoá-lo. — As primeiras lágrimas escorreram, amedrontadas com a possibilidade dele não desejar sua companhia novamente.
Escutou os pés alheios virem ao seu encontro e os braços quentes e macios o sustentando carinhosamente.
— Eu entendo que quis me defender, somente fiquei assustado, Jiminie... — Ele não o soltou, somente afastou o tronco para encará-lo. — Você está machucado! Quem fez isso com você?! — Yoongi tocou seu rosto, os olhos azuis desesperados em preocupação.
Sem forças para uma resposta, o Jovem Mestre encostou a testa sobre a barriga do garoto em pé em sua frente, soluçando e chorando como nunca havia se permitido desmoronar além da presença de sua falecida omma.
Compadecido e preocupado com o amigo, o jovem e recentemente registrado como Min, ajudou junto de seus appas com o banho frio devido às feridas, a vestir roupas limpas e se alimentar devidamente, secando suas lágrimas incessantes com cuidado e carinho. Os anfitriões estranharam, porém não se opuseram aos mais novos dividindo a cama, onde Jimin segurava firmemente as mãos de Yoongi, no tempo que a beta passava uma pomada mentolada em suas costas.
Fortalecido pela conexão que criaram, o alfa não tardou a dormir profundamente enroscado no mais novo, sem o chá de ervas e sem o sentimento angustiante de raiva que o dominava nas luas que passava acordado e perturbado. Sentia que os fracos feromônios de camomila e lavanda somados ao coração tão bondoso de Yoongi, seriam a verdadeira cura para o que pensava ser uma doença.
Pelas próximas luas aquela havia se tornado uma nova rotina para os garotos, e uma nova preocupação para os ciumentos appas, tranquilizando-os somente o cuidado dentro do chalé que poderiam ter com ambos, afinal, eram alfa e ômega. Jimin não encontrou o appa uma vez sequer, sentindo-se livre para ser acolhido pela família Min e ter o apoio da família Jeon, conquistando uma boa quantidade de palavras trocadas com Taehyung e demonstrando mais gentileza com Jungkook. Junto deles, estava empenhado em dedicar todo o seu esforço em sua melhora, como sua omma sempre o incentivava, carinhosamente como um dia somente ela soube direcionar a si.
[Propriedade da Família Jeon, Vilarejo Namsangol, doze luas de Palwol, oitavo mês lunar, 1508]
— Yoon! O que posso comprar para presentear o Kook em sua lua nova? — Taehyung resmungou de repente, deitando-se sob uma árvore na grama do jardim traseiro da propriedade da família Jeon, encarando o céu azul e brilhante de verão. Yoongi mantinha-se sentado em um banco de madeira na sombra refrescante do chalé, em seu lado oposto.
Ambos estavam fazendo companhia um ao outro, esperando os Jovens Mestres retornarem do Palácio Real em um evento realizado entre os homens de confiança do Rei, onde as famílias também haviam sido convidadas.
— Mas ainda faltam muitas luas para a próxima lua nova do Kook, TaeTae hyung. — O ômega ergueu os olhos de um livro para ele, o cenho franzido em confusão.
— Bem sei! Porém, preciso antecipar-me e pedir a ajuda do padrinho para encontrar um trabalho adequado e ganhar remuneração, quero presenteá-lo com algo que o impressione!
O loiro riu baixinho, negando para si próprio.
— Tenho certeza de o que fizer, da forma mais simples, Kook irá adorar somente por ter vindo de você. — assistiu as bochechas do alfa tornando-se vermelhas. — A propósito, vocês irão mesmo se casar no futuro? Estão prometidos? — perguntou com curiosidade. — Escutei alguns cochichos na escola, devido às pulseiras Sin Sai que usam, desculpe-me. — encolheu os ombros, envergonhado.
— E-Eu — O alfa se sentou outra vez, entrelaçando os dedos uns nos outros, tímido sob o olhar azul do outro. — não tenho certeza, gosto muito do Kook e de sua companhia, afinal, nos conhecemos quando ainda éramos filhotes pequenos.
— Compreendo, hyung, e após o seu cio, tem olhado para outros ômegas e betas? Como se seu lobo procurasse um parceiro?
— Não olho para os outros ou outras. — Tae cruzou os braços emburrado, em seguida, arregalou os olhos. — Há a possibilidade de Kook olhar para outros quando passar pelo seu primeiro cio?!
— Bem, talvez. — Yoongi riu percebendo o ciúme atacando o mais velho. — Ele não é comprometido, TaeTae.
Taehyung abriu e fechou a boca repetidas vezes. No momento que iria argumentar sua descrença, ouviu os cavalos e os portões se abrindo, a voz melodiosa chamou por si adiante, aproximando-se rapidamente em uma corrida.
— TaeTae hyung! Estou de volta! — Jungkook exibiu os dentes avantajados em um largo sorriso, abrindo os braços após guardar o livro no saco branco em seus ombros, para recepcionar o amigo.
Jimin passou por eles em silêncio, sendo recepcionado igualmente pelo loiro.
— Kook! — O alfa levantou ligeiro, encontrando seus corpos firmemente. No entanto, se afastou em seguida, perdendo o sorriso ao farejar um cheiro diferente grudado em suas vestes. — Seu cheiro está diferente, c-como o de um alfa...
— Ah! — ele gargalhou. — Fiz um novo amigo, TaeTae! É o filhote alfa de um amigo do appa, ele é grudento, estávamos explorando o Palácio, e descobri que é exatamente como nos livros, hyung! É tão lindo, me senti como um príncipe!
— Compreendi... fico feliz que tenha se divertido, Kook. — Taehyung se afastou alguns passos, cruzando os braços enquanto um de seus pés batia sucessivamente contra a grama, refletindo as batidas aceleradas de seu coração devido o sentimento angustiante alimentando sua confusão.
Não havia gostado nenhum um pouco daquela história, do cheiro de outro cobrindo o doce e único do moreno. Principalmente, detestou que o sorriso de dentes avantajados estivesse direcionado para as lembranças feitas com o tal durante a tarde no Palácio.
O lobo dentro de si, compartilhando sua alma, uivou enciumado agitando seu peito. Porém, diferentemente de como percebeu ter sentido o mesmo em outros momentos em relação ao amigo, compreendeu pela primeira vez o motivo.
Começou a se perguntar o que significava para si todos aqueles sentimentos por Jungkook além da amizade.
— Está tudo bem, TaeTae hyung? — Os olhos azuis e preocupados chamaram a atenção dos seus.
— S-Sim, Kook. — recuou novos passos quando ele tentou se aproximar. — Eu lhe esperei para que pudesse recebê-lo, mas precisarei ir agora.
— Por que?
— Porque não sou mais necessário, tens um novo alguém! — magoado, ele reverenciou os padrinhos e betas assistindo a breve conversa em silêncio, deixando os portões e correndo para a saída do vilarejo, ignorando os chamados do ômega por quem havia descoberto sentimentos mais profundos.
— O-Omma! — Desesperadamente, Jungkook entregou o saco nas mãos da progenitora. — Eu preciso conversar melhor com o TaeTae, posso ajudá-la com os arranjos de flores mais tarde?
— Tudo bem, meu filhote, pode ir. — Sorrindo para incentivá-lo, Misook assistiu com o coração preocupado o mais novo deixando os portões.
— Tenho a certeza de que Taehyung ficou enciumado. — Junho soltou um riso soprado, negando enquanto abraçava a esposa pela cintura. — Eu sentiria da mesma forma.
— É notável, marido. — Ela o retribuiu com uma risada igualmente. — Acredito que o momento de ter uma conversa séria com o TaeTae está chegando...
— O-O que?!
— Seu filhote deixou a hanok sob sua proteção para encontrar o seu primeiro amor, não o teremos por muito tempo. — os olhos azuis inundaram emocionados.
— Não pode ser, esposa! Jungkook não completou sequer dezesseis luas novas!
— Seu precioso filhote está crescendo, Junho, mais rápido do que podemos acompanhar.
— Eu vou buscá-los neste instante! — ele tentou se afastar, tendo as mãos firmemente seguradas pela ômega.
— Deixe-os resolverem seu primeiro desentendimento, marido, logo retornarão.
— Está bem...
Tendo permanecido no jardim frontal, o patriarca Jeon passou a andar de um lado para o outro, inquieto e preocupado, pensando nas palavras que deveria dizer a Taehyung em uma conversa séria, porém, dentro do limites da propriedade, obediente diante da sugestão da esposa.
❄️
Jungkook andava apressado pelas ruas em direção a saída do vilarejo, pois sabia exatamente onde iria encontrar seu hyung favorito. A trilha da floresta estava seca e clara devido a estação encalorada, entretanto não prestou atenção aos detalhes, sentia seu coração acelerado em preocupação, e seus pensamentos estavam bagunçados em relação a atitude do mais velho, fazendo-o seguir em frente até que a paisagem do lago, a árvore "chorona" e as mugunghwas surgiram, ajudando a compor a bonita imagem dos cabelos castanhos esvoaçantes com a brisa quente do alfa sentado sob a sombra da árvore, observando a água cristalina. Em silêncio, andou até ele sentando-se à sua direita.
— TaeTae... me desculpe.
O alfa olhou para si, o cenho franzido em uma mistura ainda emburrada e confusa.
— Não há motivos para se desculpar, Kook, não fez nada de errado. — Taehyung virou-se de frente para ele, cruzando as pernas distraindo-se com os dedos arrancando pequenas folhas de grama ao redor. — Eu que devo pedir desculpas pelo meu mau comportamento, a bem da verdade, estou com os pensamentos bagunçados...
O ômega sentiu os ombros relaxarem e um sorriso pequeno nasceu em seus lábios.
— Quer compartilhar comigo o que deixa seus pensamentos bagunçados?
Tae passou alguns segundos em silêncio.
— Você.
Os olhos azuis se arregalaram diante da declarada resposta.
— E-Eu?
— Sim — erguendo os olhos dourados, Taehyung respirou fundo, enchendo-se de coragem para continuar: — não gostei de saber que outro alfa se aventurou com você, porque... porque quero ser o único a fazer isso!
Ao invés da reação que esperou receber em resposta, o alfa ficou ainda mais confuso quando uma gargalhada à vontade preencheu o espaço entre eles.
— Não precisa se preocupar com isso, hyung! Eu jamais irei trocar sua companhia!
— M-Mas não é somente por isso!
— O que mais lhe preocupa, hyung? — Imitando o mais velho, Jungkook cruzou as pernas, inclinando o tronco se aproximando do rosto vermelho e adorável dele.
— Desde o dia em que nos conhecemos, eu lhe vi como uma bela flor que eu pudesse proteger e cuidar, mas meus sentimentos mudaram e percebi somente agora...
— C-Como mudaram? — Jungkook mantinha os olhos arregalados.
— Ficaram maiores, — sussurrou, impedido de abandonar o olhar azul cristalino pelo tamanho poder e beleza que tinham para si. — assim... — segurando uma das mãos quentes e delicadas, guiou a palma aberta até o lado esquerdo de seu peito, onde o coração acelerado retumbava freneticamente. — E-Entenderei se não puder retribuir meus senti...
— TaeTae! — Jungkook o interrompeu, apontando para o pulso ainda conectado entre seus dedos, indicando a pulseira Sin Sai que haviam ganhado há muitas luas atrás. — Eu não escondi meus sentimentos quando disse que o amava, agora somente o amo mais!
Sem qualquer resquício de orgulho, o alfa falhou em esconder um largo sorriso quadrado, tentando enganar o mais novo ao chacoalhar a cabeça e cruzar os braços rente ao peito quando a mão dele se afastou.
— Ainda sim, permitiu outro alfa de marcá-lo com seus feromônios... fedidos!
— E o que isso importa? — Jungkook riu baixinho. — Nós iremos nos casar, não é? O sábio monge nos mostrou o caminho naquela lua.
— Pensei que somente eu recordava de suas palavras... — Tae voltou a sentir as bochechas coradas.
— Eu o escutei com a devida atenção, mas não entendi naquela época... somente quando vi aquela ômega enxerida conversando com você sobre namoro e reconheci meus ciúmes.
— Foi por esse motivo que chorou naquela tarde? — perguntou o alfa preocupado. — Por que decidiu não me contar?
— Eu não sabia se eram sentimentos de amigos ou apaixonados, hyung.
— Acho que começamos a descobrir. — Rindo baixinho, Taehyung segurou as mãos de Jungkook, assistindo-as juntas com carinho.
Erguendo o rosto tentando buscar os motivos que deixaram o mais novo em um estranho silêncio, foi surpreendido com ele se aproximando até selar seus lábios breve, porém, docemente.
Jungkook se afastou com o rosto colorido de vermelho como o seu próprio, firmando o contato de suas mãos de repente úmidas de suor. Ambos não tiveram coragem de proferir nenhuma outra palavra, conversando através de seus olhares, enquanto, conseguiam refletir que cresciam juntos e se tornavam jovens, vivenciando uma nova aventura destinada somente a eles.
[Vilarejo Namsangol, trinta luas de Palwol, oitavo mês lunar, 1508]
— Padrinho! — Taehyung sorriu de forma nervosa, agradecendo e procurando uma saída para fugir do outro alfa simultaneamente. Estava nervoso. — Obrigado por ter aceitado meu convite!
— É um prazer estar na sua companhia, TaeTae! — Junho sorria grandemente, observando os quiosques e todos os itens presentes neles. — Permita-me adivinhar, está em uma busca por um presente de lua nova para o Kook?
— Sim!
— E o que pensa em comprar dessa vez? — Ambos passaram a andar lado a lado, o mais velho estranhando o silêncio e ao olhar para o lado, não encontrou o acastanhado.
— P-Padrinho — Tae havia travado seus passos e ficou encarando o chão, de repente envergonhado. — eu gostaria de pedir a sua permissão para comprar o presente que escolhi...
— Por que tanto mistério, rapaz? — Junho riu baixinho, voltando alguns passos apoiando as mãos nos ombros do mais novo. — O que deseja presentear ao Kook que precisa de minha permissão?
— Um... anel.
O sorriso do patriarca Jeon foi desmanchando gradativamente, restando uma linha fina no rosto pálido de olhos arregalados.
— U-Um anel?!
— Sim. É o meu desejo. — corajoso, Taehyung ergueu o rosto, encontrando o olhar dourado semelhante ao seu. — Desejo dar ao Kook um anel especial para suas dezesseis luas novas. Gostaria de sua ajuda para escolher um modelo bonito, economizei muitas moedas de ouro para esse presente e...
— Eu pagarei pelo anel que lhe fizer pensar no meu filhote e acreditar que ele irá gostar. — O Jeon disse seriamente, escondendo o sorriso orgulhoso aberto internamente em sua alma, pela coragem do afilhado em lhe pedir olhando-o diretamente nos olhos. — Não precisará se preocupar com meu reembolso, quero somente impor uma condição...
— Q-Qual, padrinho?
— Que irá honrar o meu filho a partir do momento em que colocar o anel em seu dedo. — Junho manteve a expressão sombria e firme em sua decisão de ajudá-lo.
— Tens a minha palavra. — Inesperadamente, Taehyung ergueu a postura igual a sua.
Se afastando, o Mestre Jeon sorriu por fim, balançando os braços no ar ao lhe dar as costas e voltar a caminhar, resmungando enciumado para si próprio, o que arrancou uma risadinha misturada de diversão e alívio em Taehyung, o peito acelerado pela reação positiva do outro alfa com seu pedido. Alcançando ele ao finalmente ter se recuperado daquela difícil conversa, passou a ouvir atentamente Junho dialogando sobre jóias e como um alfa com sentimentos verdadeiros deveria escolher para presentear seu companheiro.
[Propriedade da Família Jeon, Vilarejo Namsangol, quatorze sóis de Guwol, nono mês lunar, 1508]
A temperatura havia baixado há luas atrás e as folhas com as bênçãos de suas crenças, estavam lindamente coloridas de laranja e marrom, caindo ao chão serenas, trazendo mais um outono, e com ele, as mais novas e diversas aventuras planejadas minuciosamente pelos jovens aventureiros. Todos perceberam como Taehyung cresceu desenfreadamente, pois já alcançava a altura e a força do patriarca Jeon, porém, seu espírito ainda era de um filhotão, o que arrancava muitas risadas de Noona Kim ao anoitecer, quando exercia sua função de colocar os filhotes da hanok para dormir e os deixava com mais energia por criar brincadeiras e contar histórias fantásticas.
Jungkook tinha a altura atual igual da progenitora, com músculos firmes em desenvolvimento e uma beleza encantadora já esperada por todos do vilarejo, afinal, os traços herdados da Jeon haviam ganhado uma versão masculina marcante e atraente. Pelas últimas luas, o segundo filhotão seguia preocupado — como seus appas — com medo da chegada de seu primeiro cio ao ter completado dezesseis luas novas e leves sinais passarem a surgir em sua rotina.
Misook e Junho conversavam com ele e também entre si, decidindo juntos como iriam cuidar do filhote e como ensiná-lo sobre seu período especial, para que não causasse um trauma lupino. Naquele momento, estavam juntos na sala de estar aquecidos pela lareira, assistindo divididos em duplas, os trovões cortando o céu e a chuva intensa caindo sobre suas cabeças protegidas.
Um trovão forte acendeu as nuvens escuras e o alfa mais velho escutou seu filho resmungar assustado.
— Venha aqui, querido, o Appa vai te prote... — estendeu a mão para ele, à sua esquerda. Sem respostas, seus olhos se arregalaram assistindo-o se infiltrar no abraço de Taehyung, sorrindo para a história que ele inventava a fim de distraí-lo dos ventos fortes e trovões assustadores.
Seu coração se apertou contra o peito, lembrando-se de todas as vezes que abriu os braços e acolheu seu adorável filhote, protegendo-o do que fosse seu temor. Naquele momento, percebeu o quanto ele havia crescido, trocando-o pelos braços do alfa que sabia desejar dividir toda a vida.
— O nosso filhote tem um namorado para protegê-lo agora, querido... — sussurrou Misook, aconchegada em si sorrindo em direção aos garotos apaixonados.
— C-Como?! Eles não vieram pedir a nossa benção! Então não existe namoro algum, esposa! — com sussurros preocupados, Junho deixou o estofado aproximando-se dos filhotões, pigarreando de braços cruzados ao parar defronte para eles. — Garotos! A tempestade irá passar logo, enquanto isso, vamos todos... participar de um jogo, é! — Estendeu a mão para eles se levantarem, deixando Taehyung para trás ao contornar os ombros do moreno o guiando na frente. O lobo progenitor completamente enciumado. — Querida, onde está aquele tabuleiro e as peças?
A ômega negava para si própria, assistindo o marido do estofado confortável, tapando a boca com uma das mãos escondendo o riso divertido dele, esse compartilhado com o alfa mais jovem.
❄️
O jogo não perdurou por muito tempo, afinal, o bico emburrado de Junho e Jungkook ao perderem as partidas para Misook e Taehyung denunciou o fim precoce. Outro motivo camuflado era a vontade que os aventureiros nutriam de estarem juntos a todo momento, porém, somente os dois cabiam perfeitamente no tempo livre um do outro, causando sua fuga com um pedido de desculpas e uma história inventada para que pudessem se separar dos mais velhos e ir em direção ao quarto do primogênito na companhia de Saron, o fiel cão guarda ensinado a latir para alertar o patriarca Jeon todas às vezes que os filhotes se abraçavam.
A tempestade não dava trégua, trazendo a escuridão e mantendo a lua escondida atrás das nuvens cinzentas e carregadas. No entanto, aquele não era uma problema para Taehyung e Jungkook, ambos aproveitavam a companhia um do outro sob várias luzes de vela tremeluzindo calmamente e além do tempo estabelecido pelo patriarca ciumento, que os observava através da porta aberta do cômodo de tempos em tempos, pensando estar conseguindo ser discreto.
O acastanhado estava sentado sobre os joelhos no tapete felpudo, os braços apoiados no colchão e a cabeça sobre eles, escutando atentamente o ômega fazendo a leitura do livro aberto sob suas mãos em voz alta, sorrindo e reparando a todo momento no anel de prata brilhando em seu dedo anelar destro, aquecendo e acelerando seu coração com a felicidade que a simbologia daquele presente especial trazia entre eles.
Algum tempo de leitura depois, o ômega deitado de barriga para baixo — confortável sob os feromônios misturados com os do alfa — parou de repente, sentindo um arrepio estranho passear por sua espinha antes de uma pontada de dor acertá-lo em cheio, fazendo-o se encolher no colchão.
— H-Hyung! — chamou, apoiando as mãos no ventre. — Está doendo de novo!
— Calma, Kook! R-Respire profundamente! — Alarmado, Taehyung se levantou e subiu no colchão, tocando gentilmente sobre as mãos dele pressionando o ventre. Ajudou a trazer calor para a região, enquanto a outra mão acariciava o topo da cabeça do mais novo.
Jungkook arregalou os olhos, arrastando o corpo tremelicando pelo medo até grudá-lo no mais velho, sendo rapidamente acolhido pelos braços dele.
— Deve ser mais um sinal de seu cio, Kook!
O mais novo não o respondeu de imediato, fechou os olhos com força sentindo a tontura dominá-lo enquanto a gengiva começava a arder, espalhando a dor pelo resto de sua estrutura. Era mais do que já havia sentido.
— E-Estou com medo, TaeTae! — choramingando, o ômega se encolheu, guiando as mãos do alfa até seu ventre outra vez, infiltrando o nariz em seu pescoço acalmando-se com os feromônios de trufa negra e âmbar, forte, amadeirado e fresco, completamente chamativo em um sentido diferente do habitual, sentindo ele massageando a região dolorida.
— K-Kook, eu não posso ficar, preciso chamar seus appas.
— N-Não! — Agarrando os ombros do mais velho, Jungkook o abraçou fortemente. — Por favor hyung, fique comigo... — Lágrimas desesperadas começaram a escorrer dos olhos azuis, umedecendo o pescoço bronzeado do outro.
O gosto ferroso de sangue invadiu o paladar do ômega angustiado, fazendo-o se afastar e virar para o lado oposto do alfa, cuspindo o líquido viscoso, deixando sua gengiva sensível. A mandíbula estalava e a dor aguda mesclando ao calor extremo que dominou seu corpo, fazia-o se encolher ainda mais contra o amigo.
— Seu cheiro está muito forte... — Taehyung farejava seus cabelos tentando escapar dos feromônios doces e atrativos, abraçando sua flor com lágrimas nos olhos por não poder fazer nada para ajudá-lo.
Inesperadamente, assistiu-o morder a própria mão coçando o interior da boca, soluçando com a dor e as gotas de sangue que caíram no colchão. Ele abriu e fechou a boca várias vezes no exercício para relaxar o músculo, porém, as presas saltaram doloridas, o fazendo vomitar contra a manta disposta na cama.
— Você entrou no cio, flor! E-Eu preciso sair! — Tae soluçou igualmente, descansando o corpo febril no colchão, sendo impedido pelos braços contornando seu pescoço a todo custo.
— A-Alfa... não me deixe sozinho. — O rosto bonito de Jungkook estava manchado de sangue e lágrimas intensas ao implorar. — D-Dói e está muito calor... — Arrastando uma das mãos em direção às pernas contorcendo uma contra a outra, somado ao peito subindo e descendo descompassadamente, choramingou por fim com o pulso sendo segurado pelo mais velho.
— Não estimule, senão seu corpo reagirá pior.
— É-É estranho.
— Entendo como se sente... — Delicado, o alfa desfez o nó da faixa prendendo as duas pontas do hanbok azul dele, retirando-a e afastando o tecido exibindo o peitoral dourado do mais novo, úmido de suor. — Vai ficar tudo bem, Kook, confie em mim.
Zeloso e tentando se manter calmo, transmitindo segurança para sua flor, Taehyung usou a faixa para limpar seu rosto e secar as gotículas de suor do pescoço. Determinado em ajudá-lo, apoiou suas costas e pernas com os braços, soprando a franja de fios negros úmida contra a testa e o peitoral nu dele.
As lágrimas densas do Jovem Mestre escapavam pelos olhos fechados, com as dores que o acertavam desde o baixo ventre e o calor acumulado clamando por um toque em regiões que sua inocência ainda não conhecia, porém, obediente ao alfa lhe cuidando, permaneceu com as mãos somente na barriga, pressionando em movimentos desesperados tentando desfazer os nós das ondas de dor.
Um breve momento depois, ele pareceu finalmente ter começado a se acalmar, piscando lentamente olhando de forma vaga para o teto do quarto, esfregando lenta e fortemente as pernas uma na outra, ainda incomodado.
Taehyung mantinha uma mão sobre as suas, voltando a ajudar a criar calor anestesiando a dor em seu ventre, a outra acariciava seu braço, enquanto o resto dos músculos sustentavam suas costas confortavelmente. Porém, seu cheiro doce intensificava-se e espalhava pelo cômodo, atraindo o olfato de seus appas, pois, tão rápido quanto começou a sentir as dores, o patriarca invadiu o quarto com seus feromônios preocupados lutando contra os amadeirados do alfa, perturbando a calmaria que Taehyung o havia posto.
— TaeTae, me dê o Kook! — Um rosnado ameaçador cortou o ar em direção ao Jeon. — Você tem conhecimento de que não podem ficar próximos durante esse momento! Senhor Min! — Em resposta, Taehyung continuava rosnando e apertando o ômega contra seus braços, o protegendo do alfa tentando tirá-lo de si.
Junho e o beta precisaram outra vez unir forças para separar os garotos. Estando mais forte que antes, o alfa mais velho teve de enfrentar o aventureiro apaixonado negando-se a soltar sua flor, enquanto o Senhor Min desfazia o encaixe dos braços de Jungkook dos ombros largos dele, chorando alto e afetado por todas as dores terem piorado sendo afastado do seu alfa.
— TaeTae! A-Appa, por favor! — Seu corpo não tinha forças para lutar contra, sendo levado para fora do cômodo com agilidade. — Está doendo muito! Alfa!
Os gritos doloridos e o choro misturado a rosnados afetados pela atitude brusca dos mais velhos, causaram o brilho furioso nos olhos dourados do jovem alfa. Taehyung empurrou e deu leves socos nos braços do padrinho até conseguir escapar, alcançando a porta do cômodo rapidamente, porém sendo aprisionado outra vez pelo patriarca parando em sua frente e empurrando-o para trás.
— TaeTae! Nós iremos cuidar do Kook, você não pode estar lá com ele!
Ele o ouviu, mas não compreendeu suas palavras, voltando os passos até a porta rosnando ferozmente, exibindo as presas já adaptadas à transformação para o mais velho.
— Ele é o meu filho! E eu estarei cuidando dele nesse primeiro momento, você entendeu?! — Junho vociferou, usando seus feromônios para desnortear o afilhado, que recuou alguns passos até cair sentado no chão.
Inesperadamente, Taehyung começou a chorar, tapando os olhos tentando se livrar da visão de sua flor sofrendo sem que pudesse ajudar, no momento, sido arrancado de seus braços e da aura protetora de seu lobo, que uivava descontente causando a dor aguda e latejante em sua cabeça.
— Acalme-se, TaeTae — permitiu o Jeon a passagem do beta de idade novamente. — Logo eu trarei o Kook para você outra vez, irei cuidar dele, prometo.
Desaparecendo de sua visão, Taehyung tentou se erguer e escapar do quarto, mas o beta o segurou impedindo-o, lutando contra a força do jovem alfa até que os Jeon conseguissem acolher Jungkook em um quarto seguro e afastado.
❄️
As próximas cinco luas foram tristes e angustiantes para o órfão, dormindo pouco e mal se alimentando, esperando o mensageiro na porta de sua hanok todos os dias, na esperança dele trazer um recado de seus padrinhos sobre Jungkook. Somente ao nascer do sexto sol, foi chamado pelo patriarca para que pudesse visitar o ômega, e sem demora, disparou em direção a propriedade da família Jeon, carregando consigo uma forma pequena com a sobremesa de morango, desejando surpreender o mais novo. Encabulado pela forma como se despediu do padrinho na lua tempestuosa, eles passaram um bom tempo conversando, com o Jeon sendo compreensivo e lhe explicando sobre como era natural que casais formados tentassem fazer tudo um pelo outro para proteger o parceiro, e que não estava sentindo-se desafiado ou magoado pela atitude anterior dele.
O jovem ômega ainda estava em seu quarto, sentado sobre o colchão limpo com a cabeça baixa esperando sua omma ajustar as meias de linho branco em seus pés.
— Meu filhotão, se não estiver sentindo-se bem pode deitar um pouco mais... — Misook levou o olhar ao encontro do semelhante azul, esse transbordando em lágrimas a entristecendo.
— O-Omma... — Jungkook passou as mãos delicadamente pelas suas pálpebras sensíveis devido as luas chorando de dor. — Meu alfa me rejeitou!
— Como, querido?! — De cenho franzido, a matriarca se ergueu e sentou ao seu lado, abraçando os ombros do garoto em acolhimento.
— Ele não ficou comigo! E-E estava doendo tanto, eu... desejava o calor dele. — novas e magoadas lágrimas escorreram pelo rosto do moreno, recordando do corpo quente e da calmaria que sentiu com Taehyung naquele momento delicado. Não estava compreendendo porque seu lobo entristeceu profundamente, mas permitia-o colocar a dor para fora em seu corpo humano.
— Filho... — A ômega sorriu, usando uma toalha de seda para secar cuidadosamente os olhos dele. — Na prática é difícil compreender, não é?
— O que, omma? — Com um biquinho nos lábios, Jungkook a encarou.
— Seu alfa não o rejeitou. — declarou ela, acariciando os cabelos negros.
— Não?
— Não. Se recorda que em uma de nossas conversas lhe contei sobre o primeiro cio ser o mais doloroso? E que nosso lobo assume o controle e perdemos a consciência?
— Sim, eu me lembro.
— Em algum momento o TaeTae também iria perder o controle, e poderiam estar recebendo nesse momento as consequências de um ato que não conhecem ainda.
— Tem razão, omma...
— Seus corpos ainda estão se transformando e definindo, sentiriam muita dor, Kook. — Misook aconchegou o filhote em seu abraço. — Além disso, consegue imaginar que haveria muitas chances de conceber um filhote?
— P-Pelos dEuses! — horrorizado, Jungkook se afastou, encarando a progenitora com os olhos arregalados. Misook riu em resposta.
— Não precisa preocupar-se com isso agora, meu filhotão, mas saiba que o TaeTae gostaria de ter ficado ao seu lado, não o rejeitou.
— Sinto saudades dele, omma.
— Então o aconselho a abrir um lindo sorriso, pois seu appa enviou um mensageiro até ele, o convidando para uma visita.
Com uma pequena centelha quente despertando em seu peito, o ômega se levantou, franzindo o cenho devido os músculos tensionados e doloridos, porém, ignorando a dor, acompanhou a matriarca para além de seu quarto e corredores e escadas, desejando encontrar o alfa por quem havia se declarado e ser abraçado de forma protetora e cuidadosa que somente ele sabia proporcionar.
A cada passo, seu olfato farejava o ar e os feromônios amadeirados, energizando-o à medida que se aproximava da sala de desjejum, parando entre as portas abertas encontrando Taehyung sentado à ponta da mesa, conversando com seu Appa. Esse assim que o viu, se levantou e caminhou rapidamente até si, atingindo-o com seu cheiro e calor. O Jovem Mestre sentiu-se derreter desde o seu interior.
— Oi, Kook... — Taehyung ergueu a mão, empurrando uma mecha negra para trás da orelha correspondente condecorada com brincos bonitos.
— Oi, TaeTae hyung. — fechou os olhos, abrindo um sorriso pequeno com suas testas se conectando e em seguida, o alfa resvalou a bochecha pela lateral de seu rosto em um carinho terno, erguendo a cabeça para apoiar o queixo sobre a sua, contornando seu tronco por fim.
— Como você está? — perguntou o alfa, analisando-o completamente pelos feromônios até às pontas dos cabelos.
— Meu corpo inteiro dói, mas me sinto... normal novamente. — magoado, Jungkook escondeu e resvalou o rosto pelo hanbok dourado dele, procurando os feromônios amadeirados.
— Logo estará recuperado e poderemos voltar à floresta procurar pelo Tigre Branco! — Tae o incentivou, ainda privado do sorriso de dentes avantajados e levemente tortos.
— Certo, TaeTae hyung! — se afastaram o suficiente para sentar lado a lado nas almofadas postas ao redor da mesa, essa recheada com porcelanas fumegantes de sopa de raízes, legumes e fatias de carne de porco, frutas, massas assadas e pastas doces, além da jarra de suco de uva, completando o preparo cuidadoso para a boa recuperação do moreno amado por todos ali.
— Eu trouxe para você, Seokjin preparou com morangos fresquinhos de sua própria horta! — Taehyung ofereceu a sobremesa, retribuindo o sorriso alheio com a animação que o cercou ao levar a bandeja de plástico para suas mãos.
— Obrigado, hyung!
— Mas antes... — Empurrando as mãos quentinhas com leveza, incentivando Kook a deixar a bandeja sobre a mesa, o mais velho aproximou um dos pratos fundos de porcelana junto dos hashis, oferecendo ao ômega uma porção de raízes, fios cozidos de uma mistura de ovos e farinha, e uma fatia de carne, alimentando-o com zelo. — precisa de uma boa refeição!
— Hum... me sinto muito melhor agora!
Empenhado em cuidar de sua flor, o aventureiro levou todo o conteúdo da porcelana até a boca de lábios vermelhinhos, negando para si próprio enquanto assistia o ômega manhoso mastigando de olhos fechados e corpo relaxado, sem ter formado um bico emburrado e tentado impedi-lo de limpar os cantos de seus lábios com o guardanapo de tecido branco, como fez outras vezes.
Quando o sol iluminou a parte traseira da hanok, Misook guiou seu único filhote para se banhar da luz vitaminada sentando ao seu lado. Em seguida, Yoongi saiu do chalé, os cumprimentou e sentou, ouvindo com atenção o que o amigo havia compreendido de sua primeira experiência naquele período delicado.
O órfão os assistia ao longe, de braços cruzados apoiado na lateral da hanok, sorrindo pequeno percebendo a energia e alegria voltando a colorir de vermelho as bochechas do adorável ômega.
— Eles não irão encerrar a conversa tão logo... — Junho parou ao seu lado, soltando um riso baixo. — Então vamos conversar também, você me acompanha, TaeTae?
— Claro, padrinho!
Ambos os alfas andavam calmamente para a frente da propriedade, o patriarca ajeitando inquieto e incessantemente o hanbok azul, e Taehyung entrelaçando os dedos de forma nervosa, assistindo-o com o canto dos olhos.
— A bem da verdade, eu gostaria de lhe fazer uma pergunta, Taehyung.
— E-Estou ouvindo.
Eles se sentaram sob a sombra de uma árvore, defronte para a mesa de madeira que ficava naquele espaço do jardim.
— Antes de absolutamente tudo, tenho vontade de lhe dizer que você está se transformando em um homem agora, e tenho orgulho de você, sabes disso, não é? — O sorriso quadrado aberto espontaneamente em sua direção, aqueceu o peito de Junho. — E neste inverno você fará dezoito luas novas, com isso, grandes responsabilidades virão sobre seus ombros depois da resposta que me oferecer.
— E-Eu penso em começar a trabalhar, padrinho, de forma fixa desta vez e... — foi interrompido pelo Jeon e encolheu os ombros envergonhado devido seu adiantamento.
— Quando eu lhe convidei para passar seu primeiro inverno conosco... não imaginava a proporção que nossas vidas iriam se entrelaçar. Desejo cuidar de você, filhote... — O mais velho riu com o olhar surpreso e arregalado que recebeu em resposta. — O que lhe disse outra vez, também era verdade, por aqui os trabalhos disponíveis não são justos, são de pessoas que infelizmente não tiveram oportunidades... mas quanto a você, posso levá-lo até Seokjin no Palácio Real, onde ele o treinará junto aos alfas e sua remuneração será boa e justa.
— Isso... isso seria uma honra! — seguiu ele surpreso, encontrando o corredor de grama que levava para os fundos. Pensou em sua flor. — Mas o Kook...
— Bem como irá para aprender e transformar-se em um nobre alfa, Kook irá na idade correta para se tornar um nobre ômega, não ficarão longe um do outro por muitas luas, o que gera minha pergunta... — Junho pigarreou, sentindo a gola do hanbok lhe apertando a garganta. — Seus sentimentos por ele são... — foi a vez do mais jovem interrompê-lo corajosamente.
— Eu tenho os mais profundos e verdadeiros sentimentos por ele, padrinho.
— Saiba que seus sentimentos são do meu gosto. — Junho abriu um sorriso torto e enciumado, porém, não resistindo ao assistir os ombros do outro alfa relaxando e o sorriso quadrado sendo exposto para si. — E sua intenção é desposá-lo?
— Sim, é o que eu desejo!
— Bom, se deseja também aceitar a nossa ajuda e pedir a mão do meu filho, eu o apoio. Jungkook irá decidir aceitá-lo ou não, mas a minha condição é que deixe o vilarejo com um compromisso oficializado. Posso pedir-te isso?
— Sim, padrinho!
Junho apoiou as mãos nos ombros dele, sorrindo para o segundo filhote que havia sido presenteado pelos dEuses, esse que se esforçou em cuidar de Kook para si e continuaria quando não estivesse mais presente.
— Ótimo, filhote! Eu o agradeço de coração! — Trocaram um abraço apertado. — Quando o inverno chegar, eu o ajudarei com todas as informações de que precisa e iremos até o Palácio Real!
— Obrigado, Mestre Jeon!
— Não é nada, Misook e eu apenas desejamos cuidar de vocês até que tenham as próprias asas formadas e saiam do ninho.
— Irei honrá-los por todas as luas, jamais agradecerei o suficiente pelo acolhimento e carinho que o padrinho e a madrinha tem comigo.
— Retribua cuidando do Kook para nós, por favor.
— Farei com todo o coração!
— Muito bem! Então Misook e eu ficaremos esperando por essa conversa com vocês dois juntos. — Junho apoiou a mão destra no ombro correspondente do afilhado, o sorriso gentil se desfazendo de um segundo ao outro, alarmando Taehyung. — Porém, a regra da porta aberta e o espaço considerável entre vocês, continua normalmente, entendido?
— S-Sim, senhor!
— Bom garoto!
Ao se afastarem e levantando-se outra vez, empurrando os ombros do mais jovem com leveza o incentivando a andar ao seu lado e novamente em direção aos ômegas, a atenção de Junho foi chamada para os portões, causando um suspiro desanimado ao reconhecer a voz do aristocrata Park com o exagerado entusiasmo e arrogância.
Relutante, no entanto, educado, o patriarca permitiu sua entrada e sorriu em direção a Jimin que passou rapidamente por eles.
— Olá, Jimin! Está tudo bem? — Tae o cumprimentou primeiro, franzindo o cenho para o peitoral coberto pelo hanbok dourado subindo e descendo rapidamente, o segundo alfa ofegante tentou ignorá-lo, mas, respirou profundamente antes de voltar o corpo em sua direção.
— E-Eu estou nervoso, o chá ainda não fez efeito. — sussurrou, fechando as mãos suadas em punhos.
— Vamos para um local confortável, — O acastanhado sabia ser a presença e as conversas do Appa Park a causa do nervosismo do garoto se tornando seu amigo lentamente. — penso em convidar o Kook e Yoongi para visitar o lago da floresta encantada.
— Floresta encantada... — Jimin revirou os olhos.
— Entre na brincadeira, ao menos é melhor e reconfortante do que a situação atual, certo?
— Certo. — respondeu o moreno após um bufo irritado.
— Mestre Jeon! Hoje venho tratar de um assunto importante! — O alfa de cabelos grisalhos contornou os ombros dele, rindo alto e sem motivo, demonstrando a felicidade não compartilhada com o outro.
— Eu posso imaginar... — Junho sorriu minimamente, direcionando-se para um de seus funcionários. — Pode por gentileza, chamar a minha esposa? Obrigado. — assistiu o beta aquiescer e se afastar educadamente. — Filhotes, se desejarem, um passeio será bem vindo, não acham?
— Sim, Mestre Jeon. — Taehyung e Jimin responderam em conjunto.
— Peço a você TaeTae, que leve o Kook a cavalo, para que ele não se esforce muito, por gentileza.
— Certo, padrinho!
Assim, ambas as duplas separaram-se, os filhotes animadamente em direção aos jardins traseiros e os adultos para a escadaria de entrada da hanok. O aristocrata Park com o semblante fechado percebendo a dura conversa que viria a seguir para convencer o Jeon de seus planos para os herdeiros.
❄️
Em frente ao lago brilhante pela luz do sol batendo contra as pequenas ondas formadas com o vento, o garanhão preto pastava tranquilamente na sombra da árvore "chorona" e o cão São Bernardo pulava e espalhava baba para todos os cantos tentando capturar uma borboleta. Jungkook sorria sentado em uma pedra à beira da água, os pés submersos enquanto assistia aos amigos usando as calças na altura da panturrilha e camisas brancas, sem os hanboks, andando entre os peixinhos na parte rasa ao seu redor.
— O sol não está muito forte, Kook?
Ele negou, sorrindo com a pergunta preocupada do alfa se aproximando e cobrindo com sua sombra a luz antes sobre si.
— Está lhe dando dor de cabeça?
— Também não, hyung!
— Então... está sentindo fome?
Kook passou alguns segundos pensativo, o que arrancou uma risadinha do alfa.
— Eu posso esperar para o lanche do entardecer.
— Tudo bem, pode me dizer se tiver algo o incomodando.
— Estou bem, hyung! — Levantando, Kook deu a volta por ele, sorrindo de forma sapeca ao inclinar o corpo dolorido e tocar a água gélida, fazendo uma conchinha com as mãos e atirando no mais velho. — Consegue ver?
— Ei! — O alfa se arrepiou pelo contato em seu corpo quente. — Estou certo disso agora... — Imitando o gesto do mais novo, atirou água nele, recebendo em resposta uma gargalhada à vontade. Notando que havia chamado a atenção dos outros dois, Yoongi foi o próximo a ser molhado e que por sua vez, jogou água no Park.
— Está fria! — resmungou ele, porém, não deixou o sentimento de raiva trazer o pensamento intrusivo de que aquilo era uma provocação no sentido ruim, sorriu e permitiu-se aproveitar a presença dos amigos, chutando a água e lançando grossas gotas nos outros três.
Naquele momento, não precisava se lembrar de nenhuma imagem traumática e nem cuidar de sua segurança, pois estava longe do appa e de todas as palavras dele. Yoongi não pensava ser um indigno em sua família adotiva e sentia que sua permissão para estar ali, era fruto da boa vida que o ensinaram que merecia ter. Jungkook deixou de lado a sensação de rejeição de seu alfa, esquecendo-se das dores pelo corpo e as memórias confusas de seu cio. Taehyung não alimentou as novas responsabilidades que iriam pertencer a si com fragilidade, temendo por não ter uma origem ou família. Ali, despreocupados e escondidos pela floresta ao redor, eram somente jovens sendo exatamente o que precisavam ser naquele momento.
A tarde ensolarada se passou daquela forma, preenchida pelas risadas deles cantando junto aos pássaros e completando a paisagem vista ao longe pelos olhos contentes de Noona Kim, com seus cabelos levemente grisalhos pelo tempo balançando soltos e livres, enquanto, colhia tranquilamente suas ervas medicinais.
❛ ━━━━━━・❪ ❄️ ❫ ・━━━━━━ ❜
Notas Finais
E então, o que acharam??
Esses filhotões cresceram rápido e criaram vida própria, pois tudo o que eu tinha planejado eles modificaram! Ser autora de personagem rebelde não está sendo fácil haha
Os taekook vão começar a desenvolver o relacionamento romântico dele, o que acham que acontece agora?? Por enquanto estão tão fofinhos, dá vontade de esmagar esse amor de infância deles!
Nesse capítulo também quis mostrar como os Yoonmin são um com o outro e suas particularidades, afinal, seus sentimentos pessoais são diferentes e seus traumas estão sendo trabalhados por eles próprios ainda até a superação. Mas sabemos qual é a cura um para o outro neh? :3
Os pais do Kook são os meus favoritos haha os surtos e dor de cabeça do appa Jeon ainda não começaram verdadeiramente, imagina que duas regrinhas vão impedir eles hehe
Espero que tenham gostado e me perdoem os errinhos!
Até a próxima, aventureir❤️os! Se cuidem direitinho!
Glorssário:
- Yeongju: Outubro;
- Lua nova: indicando um ano de vida;
- Meretriz: Tem relações sexuais por dinheiro;
- Guwol: Setembro;
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