Capítulo 02: Nas Brincadeiras de Criança
Notas Iniciais
Olá, aventureiros! Como estão? ❄️🤍🐺
Sejam bem vindos ao segundo capítulo de 'Deixe a Neve Cair'! O intuito das palavras cheias de açúcar a seguir... é te fazer se sentir especial! ❤️
Acompanhem mais um pouquinho do crescimento dos lobinhos mais fofos desse pequeno perfil!
Peguem os lencinhos e as garrafinhas de água (não esqueçam os benefícios da hidratação!), boa leitura! ❤️
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"Brincadeira de criança
Como é bom, como é bom
Guardo ainda na lembrança
Como é bom, como é bom
Paz, amor e esperança
Como é bom, como é bom."
Brincadeira de Criança - Molejo
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[Namsangol, 22 sóis de Sowol, 1502, terceiro mês lunar]
A primavera havia se iniciado com graça e beleza. Pequenas ondas formavam uma dança harmônica no enorme lago disposto defronte aos pequenos aventureiros, a floresta no lado oposto estava outra vez colorida e brilhante em vários tons de verde, tendo recebido com calor e aconchego os diversos pássaros cantando alegres para ela. Flores de mugunghwas dominavam os campos ainda mais fortes e todos estavam banhados com a luz dourada do sol em uma tarde preguiçosa.
Taehyung e Jungkook permaneciam sentados sob a árvore "chorona", terminando suas refeições juntos de Saron — este último transformado em um cão robusto e peludo, da raça São Bernardo — o amigo canino e um ótimo protetor para os filhotes de doze e dez anos respectivos, adestrado pelo patriarca Jeon que insistia em detalhar a inteligência do animal para seus amigos do vilarejo, escondendo somente os momentos de recusa e preguiça dele em caçar, aguardando preguiçosamente que a comida fosse posta em sua vasilha todos os dias, em horários habituais que foi acostumado desde filhote. Saron não era o Tigre-Branco como os aventureiros imaginaram, porém era tão grande quanto, oferecendo o tronco quente para descansarem as costas enquanto o próprio repousava na grama quentinha observando ao redor da paisagem, junto em todas as aventuras e lanchinhos dos humanos.
— Eu ainda não entendo este mapa que noona nos deu... — O alfa tinha um bico pensativo nos lábios, passeando o olhar pelas trilhas no pergaminho amarelado.
— Ah é... nós ainda nem conseguimos encontrar o Tigre-Branco!
— Mas tivemos muitas aventuras, não é Kook? — Tae arqueou as sobrancelhas algumas vezes e causou uma gargalhada no amigo.
— É verdade! Como naquela vez que passamos pelo bosque e Saron atolou as patas no excremento de cavalo! Espirrou em nós!
— Ou a vez em que achávamos que o Tigre -Branco estivesse dentro do buraco daquela árvore no topo da colina, e na verdade tinha uma família de gambás!
— Omma teve que nos banhar com lama para acabar o mau cheiro!
Os filhotes caíram na gargalhada.
— Saron também tomou banho de lama naquele dia... você gostou, amigo? — Tae afagou os pelos atrás de si e recebeu em resposta um resmungo de latido contido.
— Parece que não. — Jungkook havia apoiado as mãos na barriga dolorida pelas risadas e a cabeça na pelagem marrom das costas do cachorro, os olhos fechados cheios de preguiça.
Por poucos minutos os sons da natureza foram os protagonistas entre os aventureiros, pois um sobressalto repentino de Saron os fizeram se erguer alarmados.
— O que foi, amigão? — O ômega esticou o braço e acariciou a cabeça peluda virada na direção oposta. As orelhas grandes e caídas se erguiam em alerta. — O que você está observando?
— Talvez possa ser um esquilo, Kook?
— Não tenho certeza hyung, a trilha da floresta parece vazia...
— Seria estranho realmente. Saron não gosta de caçar.
Os amigos se entreolharam e concordaram um com o outro movimentando as cabeças, os olhos arregalando-se após o surgimento de um pensamento unânime.
— E se aquela trilha nos levar ao Tigre-Branco?! — Haviam questionado em conjunto, levantando rapidamente.
— Saron! Mostre o caminho! — Tae ordenou após ter entregado um dos sacos de tecidos ao mais novo e pendurado o próprio nos ombros.
Indiscutivelmente ligeiro, o São Bernardo correu floresta adentro, deixando para trás o rastro de suas patas pesadas e gotículas de baba pela grama.
— Vamos, hyung! — Jungkook foi determinado em correr todo o percurso longínquo segurando firmemente a mão maior que a sua e tentou esquecer a queimação de cansaço em suas pequenas pernas.
Ao que pareceu finalmente ter lhes dado um ponto de chegada, com Saron — que havia deixado de correr para aproximar o focinho da grama, balançando o rabo peludo e mesclado entre marrom e branco — arranhando o corpo robusto pela folhagem áspera de um arbusto. Os filhotes obrigaram-se a ficar para trás, recuperando as respirações esgotadas.
— Saron! — O de cabelos negros deu alguns passos em sua direção, mas voltou o olhar confuso para Taehyung ao ter seu braço segurado por ele. — Hyun...
— Shi... — Ele fez o sinal encostando o dedo indicador no biquinho formado por seus lábios. — Estamos em uma área desconhecida, Kook! Não sabemos quais perigos podem existir...
Os olhos azuis se arregalaram temerosos e a cabeça se moveu para cima e para baixo em uma concordância frenética.
— Eu também não posso imaginar quantos perigos devem ter por aqui...
— AH!
Jungkook e Taehyung grudaram seus pequenos corpos em uma abraço desesperado, virando em direção da voz feminina que os acertou repentinamente.
— Noona?!
A ômega de idade gargalhou divertida com suas reações.
— Quem mais poderia ser?
— Achávamos que pudesse ser o Tigre-Branco! — Kook tinha o esboço de um sorriso no rosto, porém permanecia grudado em seu hyung favorito.
— Hum... eu entendo — respondeu ela. — Acredito que ele não esteja desse lado da floresta.
— Nós ainda não o encontramos! Há tantas trilhas assim nessa floresta, noona? — O alfa perguntou, bufando desiludido.
— Realmente há muitas, vocês passarão algum tempo decifrando elas, pois até onde sei, somente os mais corajosos conseguem encontrar onde começa a Tundra da floresta. É nela que ele vive.
— O que é isso? — Jungkook franziu o cenho.
— É como uma região pode ser dividida de acordo com suas características mais fortes, querido. Tundra é onde pode ser visto o frio mesmo no verão, não há árvores altas e a toca do Tigre-Branco deve ser uma montanha!
— Como nós não veríamos uma montanha?! — Taehyung deixou os ombros caírem, terminando a composição de sua expressão surpresa com a boca entreaberta e os olhos arregalados.
— Bom... às vezes nós vemos apenas as coisas que queremos ver, TaeTae. — ela disse com um tom de voz carinhoso. — Mas isso vocês vão descobrir com o tempo e então estarão prontos para encontrar o Tigre-Branco, até lá poderão pensar em seus desejos.
Os garotos trocaram olhares confusos, tentando compreender as palavras complicadas ditas pela mais velha.
— Nós já sabemos o que vamos desejar, noona! — O pequeno ômega estufou o peito, orgulhoso, alargando o sorriso da mulher.
— Isso é ótimo, querido, já é um passo a mais.
Em uma mudança repentina de atitude, o alfa astuto cruzou os braços rente ao peito, os olhos estreitos na direção dela observando com atenção.
— E então, o que a noona está fazendo dentro da floresta cheia de perigos?
— Está desconfiado... logo de mim? — Ela gargalhou outra vez, contagiada pela imaginação de seu filhote corajoso.
Kook olhava de um para o outro sem ter compreendido aquela troca de palavras inicialmente, logo arregalou os olhos com os pensamentos que o invadiram. Eureka!
— A senhora é o Tigre-Branco, noona?!
— Não, não poderia ser. — A mulher de idade deu alguns passos adiante, sendo seguida pelos filhotes curiosos até os arbustos de fronte para um novo caminho entrelaçado por árvores e floresta densa. — Olá, meu amigo! — Acariciou os pelos da cabeça de Saron, esse havia rolado por uma poça de excremento e folhas podres, babando e balançando o rabo para ela.
— Saron! — Alfa e ômega resmungaram desgostosos.
— Acredito que ele precisará de um bom banho antes de dormir hoje. — Noona Kim permitiu uma risada fraca escapar.
— Não mude de assunto, senhora Kim! — Tae bateu o pé contra a grama. Determinado. — Não respondeu minha pergunta.
— Como você acha que eu curo as suas dores? — Ela trouxe para suas mãos a alça de uma cesta de palha, onde continha ervas e folhas exóticas. — Essa é uma das plantações da botica do vilarejo, o senhor Ryu deu sua permissão para eu colher.
— Ah... — Os dois pares de olhos estavam fixos em si, brilhando curiosos.
— Me ajude a carregar essa cesta no caminho para a hanok, TaeTae?
— Claro, noona! — A desconfiança havia desaparecido rapidamente de Taehyung, esse que se aproximou e passou a carregar o balaio emanando diversos cheiros em seu olfato.
— Kook, gostaria de jantar conosco essa noite? Namu irá fazer um ensopado!
— Eu gostaria, noona!
— Certo querido, então mandarei um mensageiro para avisar o Mestre Jeon e sua omma.
O final da tarde se passou rapidamente com a caminhada lenta do grupo de aventureiros, cheia de histórias sobre o Tigre-Branco e sobre sua toca na montanha em Tundra, essas que Noona dizia se lembrar bem de tê-las vivido quando ainda era um filhote, deixando os meninos encantados e determinados a continuarem buscando pelo ser místico e seu poder de realizar desejos.
Após o jantar, com as barriguinhas cheias e o carinho de Namjoon, os mais novos rapidamente cederam a um sono recheado de cansaço pelas aventuras vividas naquele dia, abraçados de maneira confortável sobre o colchão do alfa.
O Mestre Jeon não tardou a bater educadamente a porta, tendo seu sorriso estremecendo ciumento no rosto ao vê-los grudados daquela forma. Alheio às risadas de Noona e Namjoon, não sentiu-se responsável pelos biquinhos nos rostos apagados ao ter separado seu precioso filhote do alfa — que havia estendido suavemente os braços, inconsciente, procurando o ômega para abraçar. Bufou, não iria permitir. — aconchegando-o contra seu peito no caminho sacolejante da carruagem de volta para sua hanok, encarando o animal peludo sentado no chão defronte para si, com a língua de fora e os pelos escuros com um odor terrível.
— O que eu devo fazer com aquele pequeno alfa, Saron? — Apesar do sentimento esmagante de ciúmes, abriu um sorriso derrotado, com as gotas de baba complementando o ruído rouco e animalesco do cachorro. Ele deveria ter compreendido suas palavras.
[Namsangol, 12 sóis de Seollal, quinto mês lunar]
Um pequeno grupo de mensageiros reais se espalhou entre os cidadãos desde o nascer do sol, cobrindo primeiramente os portões imponentes, banhando Namsangol com luz dourada. Os sacos de tecido castanho pendurados em seus ombros continham as cartas dos jovens alfas que estavam aprendendo a nobreza necessária para usarem sua força lupina em caçadas, lutas e instintos para protegerem seus ômegas e betas, disciplinadamente diante dos olhos severos do Rei na capital.
O órfão Namjoon não era um ômega que esboçava sentimentos facilmente em suas expressões, porém, com o peito acelerado aguardando pela carta de Seokjin, sequer saiu de sua hanok o dia anterior e aquele outro, pois desejava receber pessoalmente o mensageiro real. Cuidadosamente, ele havia guardado todos os pergaminhos preenchidos com as palavras desengonçadas — e um tanto quanto delicadas — na caligrafia bonita do alfa que lhe contava sobre seu treinamento, sobre seu padrinho e perguntava o que estaria fazendo em sua primavera. Tão atencioso, sempre havia sido assim.
Quando o pergaminho destinado a si chegou em sua porta, referenciou o beta trajado de roupas nobres e o esperou sair dos limites da propriedade, fechando as folhas de madeira e andando apressado até o seu pequeno espaço pessoal no quarto, onde o silêncio dos outros filhotes que aproveitavam o dia do lado de fora, o permitiu ter continuado escutando somente as batidas aceleradas de seu coração, desfazendo o laço de fita preta e esticando a folha entre suas mãos suadas. Seus olhos percorreram as primeiras linhas com anseio desenfreado, passando a ler atenciosamente decodificando palavras que esmagaram seu coração no decorrer das linhas. Seokjin não viria para vê-lo naquela primavera.
"Meu doce Namu, o coração que carrego no peito sente uma imensa tristeza por não poder lhe ver outra primavera. Esforço-me desde tempos atrás para conseguir um cargo real e uma boa remuneração. Meu padrinho comentou outro dia que sente orgulho pelo meu progresso, e por mérito próprio liderarei o próximo grupo de alfas a virem treinar aqui no palácio! Acredite em mim, após isso o visitarei em breve, é o que mais desejo desde que vim para a capital! Como estás aproveitando a primavera? O livro que lhe enviei foi do seu agrado? É uma boa história? Adoraria que contasse sobre ele!
Com amor do alfa mais bonito do Reino, Seokjin."
Ao ter encerrado a leitura, Namjoon descansou o pergaminho no colchão macio — este vindo como um presente de sua adorável madrinha, escolhida pelo Mestre Jeon para si — e dobrou os joelhos abraçando-os, escondendo o rosto sobre suspirando na falha tentativa de segurar as lágrimas. Seu peito ardia e debatia contra o peito, sentindo saudade do alfa escolhido por seu lado lupino desde o primeiro cio.
Triste, puxou debaixo do travesseiro cilíndrico e macio, uma camisa de linho desgastada, porém ainda havia o cheiro de Seokjin impregnado, lembrando-o das últimas noites em sua companhia, abrigado em seu abraço.
— Namu! Vamos, querido! O festival deu início ao nascer do sol desta manhã! — Noona Kim afastou as cortinas de seu espaço, perdendo o sorriso ao vê-lo com lágrimas escorrendo pelas bochechas.
— O Jin não virá me ver nessa primavera, noona. — O ômega abriu espaço para a mais velha se sentar ao seu lado no colchão.
— Perdoe-me passar todo esse tempo alimentando suas esperanças, para que elas tenham sido arrancadas de você, querido.
— Eu só desejava que ele tivesse voltado para a nossa hanok no final do inverno, como todos!
— Seokjin é um alfa forte, recebeu uma proposta do Lorde Jung para começar a treinar antes mesmo de sua idade ideal, não há espaço para estar feliz por ele também?
— E-Eu estou feliz por ele!
— E sabes bem que o Palácio oferece uma ótima remuneração para os funcionários mais dedicados, não é? — O órfão assentiu, passando as mãos pelas bochechas, secando-as. — Tenha um pouquinho mais de paciência, querido, tenho certeza de que Seokjin também desejava estar aqui, mas ele quer lhe oferecer uma vida melhor, quer cuidar de você.
— Acho que entendo isso, mas minha cabeça e o meu coração pensam diferentes, sinto como se somente eu tivesse o escolhido e algumas vezes parece que ele me rejeita ao se manter afastado.
— Você está pensativo demais, relaxe os ombros e aproveite a primavera! Aliás, alfas são tolos assim, você terá que mostrar a ele como tratá-lo depois desses dois invernos separados.
— É verdade, noona? — Os olhos azuis a encararam cintilantes, desesperados por uma resposta.
— Sim. Os alfas dão tanto trabalho e dor de cabeça, sinceramente...
Namjoon permitiu-se rir diante das palavras da mais velha.
— Compreendo.
— Há mais uma coisa, no próximo inverno chegará a idade adulta e sua madrinha o levará ao Palácio para aprender sobre a nobreza de um ômega! Vai encontrá-lo finalmente!
— Está certa, noona. E por isso vou aproveitar o tempo que tenho aqui com você! — Eles deram as mãos, sorrindo carinhosamente um para o outro. — Onde está o TaeTae?
— O Mestre Jeon e sua esposa vieram o buscar logo pela manhã. Deve estar lá se aventurando com o Kook e esperando por nós.
— Então vamos nos apressar!
[...]
O centro do vilarejo era composto por estradas de pedra e várias hanoks comerciais de dois andares completos, as coberturas arqueadas com telhas de barro e portas brancas de hanji eram decoradas com placas indicando uma descrição de cada comércio individualmente. O templo sagrado estava entre duas ruas, respectivamente, e todos ao redor de uma imensa árvore, tão antiga quanto a construção daquele Reino, com o tronco largo e intransigente de raízes fundas sua folhagem brilhava sob o sol, exibindo o florescer majestoso das flores de cerejeira desde o primeiro galho ao último em seu topo. Dela partiam extensas faixas coloridas, amarradas nas extremidades dos telhados da praça ao redor. Os aldeões prepararam pequenos quiosques com seus produtos, haviam variedades de pratos de comida, salgados e doces, bebidas quentes e frias, roupas tradicionais floridas e bufantes, além das capas destinadas aos alfas para a benção do monge budista em seus matrimônios.
Namjoon e Noona Kim rapidamente foram recebidos por sorrisos e palavras carinhosas por cada aldeão e amigo que passavam, encontrando ligeiramente os filhotes de sua hanok amarrando pequenas fitas coloridas na Sakura, onde desejavam novas bençãos para os sóis que viveriam a seguir sobre suas raízes.
— Namjoon hyung! Noona! — Taehyung e Jungkook os cumprimentaram com uma desesperada corrida até eles, estendendo os punhos melados com mel oferecendo fitas coloridas grudentas, mas com boas e inocentes intenções.
— Os doces parecem deliciosos. — A ômega de idade comentou, soprando um riso despreocupada ao observá-los com restos de doces grudados no queixo e ao redor da boca.
— Meu appa comprou para nós, noona, tem o bastante para todos! Querem experimentar? — Jungkook sorriu, puxando alguns fios do cabelo negro que escorreram da faixa azul presa em sua testa e grudaram nos lábios.
— Eu adoraria. — Namjoon aquiesceu divertido, acompanhado da ômega mais velha se aproximando da família Jeon e alguns outros casais que brincavam com os filhotes espoletas.
Aquela tarde calorosa se passou cheia de brincadeiras e comilanças, músicas e danças iniciaram-se junto ao pôr do sol quando fogueiras e tochas fincadas na terra foram acesas, prolongando a festividade recheada de flores e conexão entre os lobos de todo o vilarejo.
Próximos ao templo, os aventureiros descansavam sentados sobre as almofadas que Misook havia trazido de sua hanok, aguardando calma e alegremente os monges, esses preparando-se durante muitos sóis para o festival de primavera de seu vilarejo. As notas e acordes agitados foram cessando vagarosamente, dando lugar há um hino tradicional ao serem abertas as portas do templo e duas filas extensas de monges deixarem o interior da estrutura que era um refúgio espiritual e caminharem em direção a árvore calmamente, vestidos com togas nas cores de marrom e branco e mantos contornando seus ombros da cor laranja. As palmas juntas e as expressões serenas contagiaram o povo de Namsangol.
Após a saída de todos, foram divididos entre uma quantidade específica de famílias, auxiliando nas preces e guiando-os individualmente, enlaçando especialmente pulseiras — feitas de cordão branco, chamadas Sai Sin — abençoadas pelo monge budista, nos pulsos dos lobos mais jovens que haviam escolhidos seus parceiros, ou haviam sido levados a matrimônio recentemente.
— Sejam abençoados com a sabedoria e o amor...
Jungkook mantinha os olhos redondos e grandes em curiosidade no monge realizando aquela tradição.
— Omma? — chamou baixinho, olhando para sua direita, encontrando os olhos carinhosos e igualmente azuis.
— Sim, filhote?
— Eu vou ganhar uma pulseira da sorte também? — A matriarca deixou um riso soprado escapar.
— Não é exatamente uma pulseira da sorte Kook, ela é para proteção e também para abençoar jovens apaixonados. Na primavera, muitos casais se encontram e se formam.
— Só ganha quem são... namorados?
— Na maioria das ocasiões, sim, filhote.
— Compreendi... — O ômega voltou a assistir o monge. Um biquinho formando-se em seus lábios, ele desejava uma pulseira como aquela.
Quando os jovens casais se afastaram, o beta destinado aquele grupo passou a receber as famílias, permitindo-as ofertarem flores de cerejeiras na vasilha de ouro em seu colo, preenchida com água sagrada.
— Que a família continue carinhosa e unida, as bênçãos recaíram sobre todos por muitos sóis e o amor multiplicará.
— Multiplicou mesmo, pois eu amo o TaeTae!
Jungkook sorriu largo exibindo seus dentinhos tortos pelo crescimento definitivo, submergindo sua flor de cerejeira na água.
— E-Eu também amo o Kook! — Tae o imitou, desejando participar corretamente junto da família de seu amigo.
Ambos não compreendiam a intensidade de suas palavras sinceras e inocentes.
O Mestre Jeon bebia da taça de ouro um gole de vinho sendo a partilha da família, arregalando os olhos com a crise de tosse causada pelo êxtase do que ouviu com claras palavras vindas daquele jovem alfa, sendo amparado pela esposa igualmente chocada com a natural reação dos filhotes de comemorarem suas participações na tradicional benção do monge e assistirem as flores movimentando-se elegantemente sobre a água, dispersos do ocorrido poucos momentos atrás.
— O-O que?! — Junho continuava a tossir, o coração acelerado tentando escapar por sua garganta.
— Vocês estão sendo sinceros com suas palavras, pequenos alfa e ômega? — O monge virou a cabeça em direção a eles, repuxando os lábios suavemente.
Os garotos sentiram-se tímidos sob o olhar dele — pensavam no beta dedicado à vida espiritual como um mensageiro de respeito de seus dEuses — e assentiram lentamente.
— Venham até mim... — Ele foi obedecido prontamente sob os olhares perplexos dos progenitores Jeon. — A vocês, deixo a benção da proteção e do amor nascido nesta amizade, um para o outro... — O beta retirou de seu manto duas pulseiras Sin Sai. O patriarca Jeon estava sentindo seus joelhos tremendo sobre a grama, porém sabia que não deveria ser protestado o presente de um monge. — Alfa... você irá proteger e cuidar do ômega?
Os olhos dourados de Taehyung procuraram pelos progenitores de seu amigo, temerosos sobre o que pensariam de si se aceitasse o presente do monge sem fazer parte daquela família. No entanto, Misook abriu um largo sorriso de dentes avantajados em sua direção, assentindo suavemente para incentivá-lo. Junho permanecia encarando-o de olhos arregalados, porém igualmente balançava a cabeça em concordância.
— Sim, como um nobre alfa! — respondeu convicto por fim, sorrindo para Kook.
— Estenda o braço direito. — Fazendo o que lhe foi pedido, a pulseira foi delicadamente amarrada em seu pulso. — Ômega... você irá proteger e cuidar do alfa?
— Sim!
O Jeon mais velho deixou seus ombros caírem em derrota, os lábios entreabertos para a naturalidade e confiança na voz de seu filhote.
— Estenda o braço esquerdo. — O monge refez o processo com o pulso do filhote. — Fizeram uma promessa um para o outro diante dos dEuses, devem honrá-la durante sua amizade e no futuro... se for um desejo dos seus corações, poderão até se casar. Precisam ser responsáveis um com o outro a partir de agora.
— Certo!
— Agora agradeçam com uma reverência, por favor, filhotes... — Misook os guiou, seus olhos lacrimejando emocionados.
— C-Casar?! — sussurrou Junho ainda desesperado, o suor estava acumulado nas têmporas, sua barba coçava e seus olhos ardiam por não desviarem dos filhotes um segundo sequer.
Bastou que as vasilhas de ouro fossem levadas ao altar do templo, para que o monge budista chamasse por todos e abençoasse as capas dos alfas, distraindo o progenitor Jeon por algum tempo, porém seus olhos desviavam para Taehyung e Jungkook de mãos dadas em sua frente a cada piscar que umedecia sua visão.
— Agora alfas e betas entreguem as capas para seus ômegas e betas igualmente, jurando-lhes calor e proteção...
Os filhotes assistiram entusiasmados os últimos citados contornando com terno carinho os ombros de seus parceiros com os tecidos coloridos, trocando selares ou unindo suas testas amorosamente.
— Ômegas e betas, cuidem dos corações de seus alfas e betas igualmente, jurando-lhes que seu ninho nunca ficará vazio, nada lhes faltará...
Mãos foram apoiadas sobre os peitos dos seus respectivos parceiros, sussurrando a promessa e palavras de amor.
Terminada a tradição, a música retornou animada e os filhotes voltaram a correr, todos aproveitavam as bênçãos e compartilhavam a harmonia espiritual e enérgica entre si.
— Preciso ter uma conversa séria com Taehyung. — Junho estava entre os braços da esposa, encolhido como um grande filhote, sentindo seu coração palpitando acelerado continuamente.
— Querido, eles são filhotes e são unidos, por isso se gostam tanto. Tenha essa conversa com o TaeTae quando ele for um alfa adulto e tenha compreendido o significado das palavras que usou. — Misook soprou um riso, convencendo o marido farejando sua bochecha, distraindo-o.
— Está certa, amor. Mas eu não sei por quantos invernos irei suportar! Ele disse claramente que ama o nosso ômega... o meu precioso filhote!
Ele não compreendia os motivos de sua esposa ter seguido com um sorriso nos lábios, acariciando sua bochecha tentando acalmá-lo.
— Atente-se ao lado positivo de tudo isso, ao menos você já conhece o pretendente do seu precioso filhote!
— Misook!
Ela gargalhou divertida, passeando o olhar — carregando a preocupação e cuidado materno — pela praça e encontrou os filhotes interagindo com os outros de suas idades. Os cordões pareciam estar brilhando durante todo o tempo unidos pelas mãozinhas deles. Seu sorriso se alargou, talvez a amizade inocente deles não fosse somente uma coincidência.
[Namsangol, 14 sóis de Sibilwon, décimo primeiro mês lunar]
Jungkook e Taehyung permaneceram ocupados com suas aventuras pela floresta que não haviam percebido o tempo passar, se divertiram durante a primavera e o verão, onde o lago se tornou uma grande banheira para os filhotes e a árvore "chorona" uma cobertura agradável para um piquenique e para a reunião de meninos que tinham eventualmente, podendo planejar os próximos passos de suas buscas pelo poderoso Tigre-Branco.
As ruas do vilarejo estavam sendo decoradas com flocos de neve e fortes rajadas de vento após o fim do outono. Os moradores cobriam-se com suas roupas revestidas com pele de carneiro e luvas para sair destinados a seus afazeres habituais. Noona Kim, por sua vez, observava seus filhotes espalhados pelo chão quentinho do grande cômodo de sua hanok — devido à lareira acesa —, concentrados em seus últimos deveres da escola. Inspirada por eles, sentou-se sobre uma almofada trazendo para suas mãos um livro de capa dura e da cor do vinho, as palavras escritas em dourado revelando o título de um romance. Seu sorriso aumentou, pois sabia que iria se distrair durante algum tempo com ele.
— O que vai fazer, noona?
Antes que pudesse ter aberto o livro, olhos azuis e repletos de curiosidade haviam surgido à sua direita. Riu contagiada percebendo o ômega nobre bisbilhotando a capa.
— Terminou todas as suas tarefas da escola? Quanta dedicação!
— Terminei! Eram questões fáceis!
— És um menino inteligente! Eu irei viajar, querido.
— Viajar? Para onde? Igual o Namu hyung?
As perguntas eram inocentes, mas a lembrança de que o ômega mais velho partiu para seus ensinamentos no Palácio Real, ainda a afetava. Estava feliz por ele e pelas oportunidades que receberia lá, mas sentiria imensa saudade do filhote que criou desde poucos meses de vida.
— Namu não foi embora verdadeiramente querido, ele terminou de estudar na escola e neste momento irá estudar no Palácio Real, assim como você no futuro. E eu também não vou. — Riu baixinho, observando Jungkook que assentiu lentamente, pensando em suas palavras.
— Então para onde vai sem sair do lugar, noona?
A ômega deu três tapinhas ao seu lado no acolchoado, para que ele se acomodasse junto a si.
— Como és um garotinho esperto, vou lhe contar o segredo para viajar sem sair do lugar! — O olhar azul cristalino se arregalou, ansioso por suas palavras. — É este, o segredo. — Apontou para o item descansado em seu colo.
— Um livro de pinturas?
— Esse não é de pinturas, somente palavras.
— E como podemos viajar lendo somente palavras?
— Você precisará ler as palavras e imaginá-las em sua mente.
— Ah... — resmungou ele, observando o livro com maior atenção, compreendendo as palavras da ômega de idade. — Eu tenho um livro de pinturas, mas já o li. Poderia me emprestar um livro de palavras, noona?
— Tão nobre... — Pequenas rugas surgiram no canto de seus olhos, causadas pelo grande sorriso que ofereceu ao mais novo. — Espere um momento, encontrarei um bom livro de palavras para você.
Se levantando calmamente, a ômega atravessou a sala cuidando para que seus passos não acertassem nenhum filhote — alguns remexendo-se inquietos tentando escapar do horário destinado aos estudos — encontrando dentro do espaço pertencido a Namjoon, uma pequena coleção de livros que ele havia deixado para trás, títulos que havia lhe presenteado quando descobriu seu interesse pela leitura. Trouxe de lá um livro menor com a capa em tons de verde e a escrita em branco.
— Esta é uma ótima opção para começar.
— Alice no País das Maravilhas? Que lugar é esse, noona?
— Leia-o primeiramente e depois me conte o que descobrir, combinado?
— Combinado!
Ambos os amigos puseram-se a ler lado a lado. Minuto ou outro a mais velha pousava os olhos sobre o ômega determinado em ler todas as palavras, fechando os olhinhos constantemente, apertando as pálpebras e formando um biquinho nos lábios, demonstrando que o gesto era por estar tentando imaginar o que elas diziam.
Entardecendo de forma precoce devido a estação, Noona Kim deixou o almofadado primeiro, encaminhando-se para a cozinha ao ter guardado seu livro, iniciando os preparos do jantar para seus filhotes brincando no cômodo ao lado, libertos das tarefas de ensinamentos e acolhidos pelo calor da lareira. Desejava alimentá-los com todo o seu carinho, pois logo seriam levados por seus padrinhos para a temporada de inverno solidário.
O adorável ômega permaneceu sentado, concentrado nas palavras que havia lido e tentado recriar em sua mente, descobrindo as formas, as cores e as vozes dos estranhos personagens daquelas páginas. Havia anotado em sua memória que perguntaria a seus progenitores onde ficava Londres, pois haviam muitas aventuras por lá, e se ele e o amigo pudessem ir também.
— O que está fazendo, Kook? — Taehyung pulou ao seu lado, balançando a estrutura de colchões e bagunçando as palavras diante de seus olhos.
— Estou lendo um livro de palavras. Olha, hyung! — Virou o livro aberto em direção ao rosto do mais velho, que empurrou suavemente a capa fechando os olhos dourados.
— Ah! Mais palavras?! As tarefas da escola foram o suficiente!
— Noona contou que podemos viajar sem sair do lugar com as palavras! — Ele sorriu grande contagiando o alfa, no entanto, seus olhos se arregalaram e ele soltou o livro tapando os lábios com as mãos. Tae tombou a cabeça para o lado, encarando-o confuso. — Era um segredo, não poderia ter contado! — exasperou abafado pelo gesto.
— Não se preocupe Kook, eu guardarei o segredo! — O órfão tirou as mãos pequenas sobrepondo os lábios de outrem, assistindo-o relaxar os ombros sorrindo em resposta para si.
— Obrigado, hyung!
— Não é nada, pois eu sou um nobre alfa e vou proteger você! — O sorriso quadrado surgiu orgulhoso na boca do acastanhado, erguendo o punho para exibir a pulseira branca amarrada em seu pulso direito.
— E eu também vou! — Kook ergueu o esquerdo, onde os fios entrelaçados da mesma cor dançavam em seu pequeno pulso. — Hyung, este livro pode nos ajudar a encontrar o Tigre-Branco!
— Como? — Taehyung deitou de barriga para baixo apoiando o rosto nas palmas da mão, aguardando ansioso pela resposta do amigo.
— A Alice também é uma aventureira! Podemos aprender como ela fez para encontrar o País das Maravilhas e assim encontraremos a toca do Tigre-Branco!
— Hum! Quais aventuras ela já viveu?
— Ela seguiu um coelho que tinha um relógio e caiu no buraco em uma árvore...
Jungkook contou sobre todas as palavras que leu — em seu ritmo infantil — gesticulando com as mãos e com suas expressões eufóricas pelo primeiro contato com algo novo para si. Taehyung não moveu os olhos de seu rosto, ouvindo com bastante atenção sobre as aventuras da personagem Alice e sorrindo contagiado pela energia do amigo.
Noona os observava com um sorriso singelo pela abertura da porta da cozinha, os filhotes alheios à bagunça criada pelos outros ao redor, viajando para aquela nova aventura somente entre eles.
E sabia que aquela seria a primeira de muitas que viriam a ter juntos.
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Notas Finais
E então, aventureiros? O que acharam?
Esse capítulo ficou um tiquinho menor, mas eu já selecionei meus momentos favoritos, que se fosse físico eu com certeza já teria colado meus postits! 🥰🥰🥰 E os seus, quais foram???
Para ajudar a não ficar confuso, se passaram dois anos do primeiro capítulo para esse, durante alguns capítulos será assim, depois estabilizará na idade adulta que eu estou mega ansiosa para compartilhar!
O que vocês acham que acontece agora?
Esses filhotes... será mesmo uma coincidência? O appa do Kook que lute! Hahaha
E a Noona Kim incentivando o Kook a ler? Nasceu mais um leitor entre nós!!! 🙇♀️🙇♀️🙇♀️
Me perdoem pelos errinhos e obrigada por chegarem até aqui! ❤️
No IG há vários conteúdos sobre os lobinhos! O arromba é _missminie_ caso você queira dar uma chance a essa pequena autora! Segue um exemplo:
Até a próxima atualização, aventureiros! Se cuidem direitinho! ❤️
Glossário:
— Sowol: Março;
— Tundra: bioma em que predomina o frio extremo;
— Seollal: Maio;
— Sibilwol: Novembro e Dezembro;
— Sai Sin: Pulseira da religião Budista, usada para proteção e bênçãos a casamentos e também ofertadas em funerais;
— Floresta onde eles buscam pelo Tigre-Branco:
— Onde ocorreu o Festival de Primavera:
— Um cômodo da hanok de Noona Kim, onde ela cuida dos filhotes órfãos:
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