Prólogo
https://youtu.be/roeIk-43LdE
Carly estava comemorando o seu aniversário de 23 anos naquela noite, era uma das datas mais importantes para ela. Os seus pais, irmãos, familiares e amigos estavam presentes na festa. Menos ele: Hiroshi Yamazaki. Estavam juntos há dois anos enquanto Carly ainda cursava a faculdade de administração em seu segundo ano, foi amor a primeira vista. Ele disse estar preso no trabalho e que não sabia se chegaria a tempo de participar da festa de aniversário que seus pais e amigos prepararam com todo amor e carinho. Carly estava estranhando seu comportamento já a alguns dias, desmarcando compromissos com ela e inventando coisas que estava quase estampado pelas ruas de Tóquio.
Ela guardou o celular após finalizar a sua ligação e respirou fundo, sentindo uma mão em seu ombro. Era uma das suas amigas que notaram a sua mudança de comportamento.
_ Yumi. - A olhou e sorriu gentil.
_ Ele não vem? - Perguntou Yumi.
_ Não. Está preso no trabalho e ficará até tarde, não sabe quando sairá. - A olhou.
_ Mas é o seu aniversário, como ele pode não comparecer? - Disse inconformada.
_ Hiroshi está assim ultimamente, não entendo porque mudou assim de repente. - Suspirou fundo.
_ Você já tentou conversar com ele?
_ Sim, mas sempre foge do assunto.
_ Se vocês estão com problemas nesse relacionamento, acho bom sentarem e conversarem sobre isso.
_ Farei isso assim que possível.
_ Não demore muito, antes que seja tarde demais. Eu não quero que se machuque por causa daquele idiota. - A olhou séria. _ Vem, vamos curtir a sua festa e esquece esse estúpido. - Sorriu a puxando pela mão.
Carly retornou para a sua festa e foi se divertir com os seus amigos, alguns vieram de muito longe só para prestigiá-la e não poderia deixá-los de lado por causa de um problema com aquele que dizia ser o seu noivo. Eles mereciam sua atenção mais do que Hiroshi e estava tudo sendo incrível, não o deixaria estragar o melhor dia da sua vida.
A festa durou uma boa parte da noite e foi bastante divertida. Não se divertia assim por um tempo e o seu aniversário foi a oportunidade perfeita que precisava para se distrair um pouco de tudo que vinha acontecendo, como a pressão no trabalho e na faculdade. Trabalhava na empresa do seu pai como estagiária e depois seguia para o seu curso de administração.
Ela despediu-se dos últimos convidados com um sorriso no rosto, antes de dar uma olhada em seu celular: nenhuma mensagem ou ligação. Isso a deixava triste e chateada, só queria tê-lo ao seu lado em seu aniversário lhe parabenizando, mas nem se quer lembrou se não fosse o comentário de um dos seus irmãos mais novos, Takashi.
Nenhum presente, nem que fosse para se redimir por sua ausência. Isso a deixava mais frustrada, as datas e comemorações importantes ele não comparecia mais e sempre inventava alguma desculpa com mil motivos do porque não poder estar presente. Carly nem se dava ao trabalho de questionar algo que ele dizia, sabia que era mais uma das suas diversas mentiras.
Iria tirar aquela história a limpo naquela mesma noite, não esperaria vim com mais alguma história inventada. Pegou o carro e dirigiu até o escritório dele, mas não havia mais ninguém na empresa, apenas uma das faxineiras que lhe informou a sua saída mais cedo naquele dia. Carly estranhou, pois Hiroshi disse não poder comparecer pois ficaria até tarde no escritório. Estranho. Ela agradeceu e depois foi embora da empresa enquanto discava o número do seu celular, nada também.
Começou a ficar desconfiada com tudo isso e decidiu ir até a casa dele. Se Hiroshi não estivesse lá, não saberia mais onde procurar. Parou o carro em frente à sua casa e desceu, subiu os primeiros degraus e apertou a campainha algumas vezes e nada aconteceu. Girou a maçaneta e a porta estava destrancada, sentia que tinha algo errado naquilo tudo e não estava gostando disso. Seu coração dizia isso.
Olhou em volta e havia roupas espalhadas por toda a sala, seguindo uma trilha que começava nas escadas e seguia até a porta do primeiro quarto. Carly estava com um pressentimento ruim, mas não poderia voltar para trás agora, precisava descobrir o que estava acontecendo e tinha medo de saber qual seria a verdade nisso tudo. Ao chegar no último degrau da escada, ouviu-se o que não desejava. Eram gemidos vindo do quarto de Hiroshi. Segurou o soluço que tentava escapar de sua garganta e abriu a porta, vendo a cena que lhe assombraria pelo resto da sua vida.
Ela respirou fundo controlando as lágrimas e viu Hiroshi na cama com outra mulher enquanto gemiam sem parar, seus corpos se moviam e a luz meio apagada dava para ver um pouco com quem ele estava no quarto. Carly não aguentou mais ver aquela cena e por impulso, acendeu a luz.
_ Foi por isso que não podia comparecer na minha festa, Hiroshi-kun?
_ Carly! - Arregalou os olhos sentando ao lado da cama e a tal mulher puxou os lençóis para cobrir o seu corpo nu.
_ Sua assistente, não é mesmo? Ayame Tanaka. - Encarou a mulher que desviou o olhar, não podia encará-la. _ Não precisam se vestir, podem continuar o que estavam fazendo. Só queria saber porque ninguém sabia onde você estava, mas agora eu sei. Como todas as noites não é mesmo? Sempre inventava uma desculpa para não saímos juntos e a trouxa acreditou que era apenas cansaço do trabalho.
_ Querida... - A olhou que deu dois passos para trás.
_ Você acabou de jogar dois anos do nosso relacionamento pela janela, Hiroshi. Nós... Nós íamos nos casar, seu grande filho da mãe! Eu estava me guardando para me entregar a você após o casamento e você tinha aceitado a minha decisão. Achei que me amasse, mas me enganei sobre isso. Fique com a sua amante, não precisa me seguir. Eu sei o caminho para longe daqui. - Retirou o anel de noivado e colocou em cima do criado-mudo. _ Faça bom proveito, Ayame. Espero que não sofra o que eu sofri por esse canalha. - Sorriu amigável e saiu do quarto às pressas, não queria ficar ali mais nenhum segundo.
Carly caminhava em passos largos saindo daquele lugar depois do que havia visto naquela noite. Não estava acreditando que ele havia sido capaz de fazer tal coisa tão imprudente, depois de tudo que havia acontecido entre eles. Era imperdoável. Depois de todas as declarações que dissera para ela algumas noites atrás, sua máscara caiu quando viu aquilo. Estava escondendo o que estava aprontando com ela, sabe-se lá por quanto tempo. Ela nem olhou para trás, apenas saiu daquela casa sem olhar para trás nenhuma vez.
_ Amor, espere! Vamos conversar, foi apenas um mal-entendido. - Correu atrás dela.
_ Não temos nada para conversar, Hiroshi. Eu vi com os meus próprios olhos, não tente explicar algo que não existe explicações plausíveis. - O olhou furiosa.
_ Você sempre está se dedicando aos seus estudos na faculdade ou trabalhando naquela empresa do seu pai. Se perguntou como eu estava sentindo a sua falta? Ou como eu vinha sendo deixado de lado? Você nem se importava mais comigo.
_ Isso não é desculpa, Hiroshi. E eu me importava com você mais do que comigo mesma, não me venha com essa. Se não queria continuar nosso relacionamento, era só terminar comigo e cada um seguia com a sua vida. Mas você preferiu me trair com uma outra mulher, sua assistente nesse caso, invés de dar fim em algo que tínhamos há dois anos.
_ Carly...
_ Adeus, Hiroshi. - Disse virando as costas para ele, indo embora.
Ela respirou fundo e permaneceu firme, entrando em seu carro e seguiu para a sua casa, em total silêncio. Queria apenas esquecer tudo aquilo e fingir que não havia visto nada naquela noite, mas ainda martelava em sua cabeça. Mas decidiu seguir em frente, sem ele.
Dois anos havia se passado desde o rompimento com o Hiroshi naquela noite. Carly respirou fundo descendo do carro e seu pai retirava suas malas, mesmo sendo contra essa sua mudança para um lugar tão longe. Sua mãe estava chorosa, sempre ficava assim quando um dos seus filhos se afastava dela por algum tempo.
_ Não chore, mamãe. Está tudo bem, não quero que fique assim. - Sorriu a abraçando.
_ Como não? Uma das minhas joias preciosas está indo embora. - Disse enxugando as lágrimas. _ Você precisa mesmo ir para um lugar tão longe? - Respirou fundo a olhando.
_ Sim, eu preciso. Mas não quero que se preocupe comigo, tudo bem? Eu ficarei bem e sempre irei ligar para vocês ou enviar alguma carta. Mas Yuri e Takashi estarão cuidando da melhor mãe desse mundo. - Sorriu feliz segurando suas mãos.
_ Você ficará bem, Carly? - Takashi se aproximou dela.
_ Claro que irei, Takashi. - Sorriu afegando os seus cabelos.
_ Nos liga, tá bom? - Yuri sorriu segurando suas mãos.
_ Pode deixar. - Lhe deu um forte abraço.
Seu pai estava resmungão naquela manhã, não aceitava a partida da sua única filha para se enfiar no meio daqueles britânicos e sua cidade gelada. Mas não podia lutar contra isso, era a decisão de Carly e a única coisa que poderia fazer era aceitar a sua partida.
_ Ainda não entendo porque quer ir para tão longe. - Seu pai girou os olhos.
_ Eu não estou indo para a guerra, papai. - O olhou.
_ Mas é como se estivesse indo, não deveria deixar o Japão. - Disse resmungão.
_ Eu irei visitá-los assim que possível. Não vou esquecer de vocês. - Sorriu para eles.
Depois de muitas reclamações e despedidas um pouco dolorosas, Carly acenou para os pais e irmãos pela última vez e entrou no avião.
Caminhou até o seu assento e guardou as suas coisas, sentando-se perto da janela. Ficou olhando pelo vidro e respirou fundo, vendo tudo que estava deixando para trás, para seguir em frente com seus sonhos e esquecer o seu passado. Era um novo recomeço em sua vida.
Ryan Harvey estava em sua viagem de negócios que havia feito para Estocolmo, tinha fechado um contrato multimilionário com os suecos e estava retornando para o seu quarto de hotel quando recebeu uma ligação do técnico de TI da sua empresa.
_ Alô, Hayden? Está tudo bem? - Estranhou a ligação do seu técnico e melhor amigo de seu filho.
_ Oi, senhor Harvey. Aconteceu uma coisa. - Disse apreensivo. _ Eu não queria atrapalhar a sua viagem, mas é um assunto urgente.
_ O que aconteceu, Hayden? Me conte logo de uma vez. - Disse impaciente.
_ Eu juro que tentei contornar a situação, mas saiu do controle e muita documentação sumiu com isso. - Respirou fundo e contou até dez. _ A empresa sofreu um roubo, senhor Harvey. E não estamos falando de pouco dinheiro, mas de milhões.
_ Milhões? - Sua voz calma, subiu para um tom alto e áspero.
_ Sim. Milhões ou até bilhões.
_ Quando isso aconteceu?
_ É estranho, foi assim que você saiu para a sua viagem de negócios.
_ Falou com o Monty?
_ Sim. Ele diz o de sempre, que está tudo normal e não tem nada fora do comum. Tem documentos faltando, senhor. Mas Monty insiste que está tudo certo.
_ Hum, estranho. - Coçou a barba. _ E o meu filho? Ele já está sabendo sobre isso?
_ Não, senhor. Preferi comunicá-lo primeiro sobre isso.
_ Hayden, eu quero que você vasculhe essa empresa em todos os ângulos. Use as suas habilidades para tentar descobrir qualquer coisa que seja útil para ajudar a descobrir quem está roubando a minha empresa, mas não quero que ninguém saiba sobre isso. Apenas o meu filho. Seja discreto nessa sua investigação.
_ Sim, senhor. Farei isso imediatamente.
_ Nem o Monty deve saber sobre isso. Quanto menos gente souber, melhor.
_ Certamente, senhor. Iniciarei as pesquisas agora mesmo.
Isso não podia estar acontecendo com ele, deveria ser um pesadelo ou uma brincadeira de muito mal gosto. Não queria acreditar que isso era verdade, justo um dos homens mais bilionários com a sua melhor empresa no topo da pirâmide? Sofrendo desvios de dinheiro?
Estavam sendo roubados, desviaram milhões da Knight's Enterprises em sua ausência. Esperaram uma oportunidade para tentarem lhe aplicar um golpe. Mas ele não deixaria isso acontecer, ninguém tocaria no patrimônio da sua família e ficaria assim de graça.
Ryan ficou furioso com aquela notícia horrível que recebeu e ligou rapidamente para seus investigadores particulares, lhes informando a situação e averiguaram que fariam de tudo para pegarem o culpado. Ele discou o número do seu piloto que atendeu de prontidão.
_ Senhor? - Disse o piloto.
_ Prepare o jato, Christopher. Iremos retornar para Londres hoje mesmo.
_ Imediatamente, senhor.
Pegando as malas, ele seguiu para o aeroporto, o piloto já o aguardava. Um rapaz alto com os seus olhos verdes e cabelos castanhos claros, ao seu lado estava o copiloto. O jato tinha o emblema da empresa estampado em cores azul com preto, destacando a letra K por dentro e o E no entorno, formando as letras KE de Knight's Enterprises.
O piloto seguiu para a cabine com o seu copiloto e se prepararam para o voo, em poucos minutos sairiam do aeroporto.
Ryan seguiu para o seu assento, guardando as malas e colocando o seu cinto em seguida. Queria chegar logo em Londres, para resolver esse problema. Não desejava que piorasse ainda mais.
_ Podemos ir, senhor? - Perguntou o piloto virando-se para Ryan.
_ Sim, Christopher. Quanto mais cedo chegar em Londres, melhor.
_ Sim, senhor. - Acenou com a cabeça.
Depois de três horas de voo, finalmente havia chegado em Londres. Ele desceu do jato e seu motorista já o aguardava.
_ Bom dia, senhor. - Disse abrindo a porta do carro.
_ Bom dia, Josh. - E entrou no carro.
Josh fechou a porta e deu a volta, entrando logo depois.
_ Para empresa, senhor?
_ Sim, tenho assuntos importantes para se tratar e que não podem esperar.
_ Sim, senhor. - E o olhou pelo retrovisor.
Ryan seguiu direto para o seu escritório e encontrou alguém a sua espera, com as mãos no bolso e olhando pela janela.
_ Então é verdade? Sobre o roubo? - Perguntou assim que fechou a porta.
_ Sim. - O homem virou-se para ele.
_ Descobriram algo?
_ Não. Hayden continua investigando, mas não achou o culpado. A pessoa está agindo em anônimo, mas os números continuam sendo alterados. Menos do Monty, é claro.
_ Isso está muito estranho, temos que resolver isso o mais rápido possível. Não quero que saia nas notícias ou que as concorrências descubram sobre esse roubo. Será um motivo para tentarem me ultrapassar.
_ Eu vou ajudar a desvendar esse roubo e descobrir quem está roubando a empresa.
_ Como você fará isso?
_ Eu irei me infiltrar entre os funcionários e tentarei descobrir algo útil que possa nos ajudar.
_ Quer mesmo ajudar? Isso é loucura, sabe disso. - Disse o olhando.
_ Sim, eu sei. - Disse andando pela sala. _ Mas é a nossa melhor chance para descobrirmos isso.
_ Se é uma pessoa "anônima" como o Hayden disse, nem precisa ser de dentro da empresa, mas pode ter ligação com alguém aqui dentro.
_ Sim, é uma possibilidade. Temos que agir rápido. - O olhou.
_ Se você está certo com essa decisão, não vou lhe impedir.
_ Obrigado, eu quero ajudar. - O homem parou em sua frente.
_ Tudo bem, se você está certo disso.
_ Temos que fazer alguma coisa, não podemos ficar de braços cruzados.
_ Como achar melhor. - Disse sentando na ponta da mesa e olhando para o homem.
A pessoa estava agindo embaixo de seus próprios narizes e nem imaginavam que poderia ser quem eles menos esperavam. Mas isso seria solucionado futuramente. E pagaria caro por se meter com o magnata Ryan Joseph Harvey.
"Oi meninas, esse será o segundo livro da série Amor Proibido. As postagens irão se iniciar em fevereiro. Espero que gostem dessa nova obra que estará chegando em breve. Os capítulos serão postados três vezes na semana. Nos vemos em breve. Enquanto ela não chega, continuem se deliciando com Chamas do Amor."
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