Dear Santa Claus
“Lee Minho, rua dos alfineteiros, 121. Segundo andar, terceira porta à esquerda.
Querido Papai Noel,
Esta é a sexta carta que te escrevo esperando a tua resposta. As renas não estão fazendo seu trabalho certo, sugiro demitir algumas, ou o problema seria o tanto de cartas? O polo norte realmente existe? Eu espero que sim.
Esse ano fui um bom menino. Não gritei com a mamãe e nem quebrei um de seus quadros, como o acidente do ano passado. Não contrariei meu pai e tirei notas na média na escola. Isso significa que ganharei algo, certo? Eu espero que sim. Não sei quantos pedidos o senhor me deixa ter. Mas sonhar não custa muito, né?
Primeiro, eu gostaria que o papai e a mamãe parassem de brigar e voltassem a se amar. Eles tentam esconder-me fazendo ir para o quarto, porém eu sempre escuto os gritos. Eles não vão ganhar nada esse ano, né?
Em segundo, eu gostaria de crescer! Assim mamãe pararia de dizer que tudo é assunto de adulto, e eu iria conseguir entender tudo. Eu nem sou tão criança assim!
Em terceiro, eu quero namorar. Todos os meninos da minha sala tem namoradas e eu não. Me ajuda aí.
Esqueça os pedidos passados, não quero mais um pônei alado ou uma jaqueta do Queen. De todo jeito, não te amo. Me ajude e eu penso no seu caso.
Minho.”
O papel foi dobrado em formato de envelope e logo ele tinha um grande selo vermelho no centro, segurando suas dobras. A caneta de tinta preta foi largada em cima da escrivaninha e ele saltou da cadeira, correndo para fora de seu quarto. O andar de cima de sua casa estava escuro, minimamente iluminado pela lamparina posta sob o móvel que Minho usava segundos antes. Ele estava pronto para descer as escadas o mais rápido possível quando escutou vidros sendo quebrados lá embaixo, com vozes altas.
Em um pequeno sobressalto suas pernas dobraram e ele passou a segurar as pilastras que o impedia de cair lá embaixo, fechando seus olhos fortemente quando mais um barulho alto podia ser escutado. Ele engoliu em seco, piscando lentamente enquanto o envelope que segurava anteriormente estava no piso de madeira escura ao seu lado. Ele inclinou sua cabeça entre as pilastras tentando ver algo lá embaixo, conseguindo ver apenas o piso marmorizado de sua cozinha e alguns cacos espalhados pelo chão.
E então silêncio.
Silêncio, e mais silêncio.
Sua respiração se controlou e então ele reparou no papel largado ao seu lado. Seus braços deixaram de segurar as pilastras e ele afastou seu corpo dali, pegando o envelope em suas mãos. Muito silêncio.
O medo o invadiu quando percebeu, e ele então desceu os degraus rapidamente, seus pés deslizando pela madeira por conta das meias vermelhas que usava. Assim que chegou no andar de baixo, encontrou sua mãe sentada no chão e vários cacos ao redor da pia, seu pai encostado em uma das paredes escondendo seu rosto com a palma de suas mãos. O peito de Minho se tranquilizou.
Mamãe foi a primeira a sentir a presença do pequeno ali. Ela se assustou e então secou suas lágrimas rapidamente, passando pelas lâminas até chegar no pobre garotinho de pijama natalino. — O que- O que está fazendo acordado aqui, querido?
Sua voz estava falha e seus dedos trêmulos quando a palma fria de sua mão encontrou a lateral do rosto de Minho, sorrindo abalada enquanto seu polegar acariciava as bochechas gordinhas do menino. — Vá dormir, sim? Já é tarde.
Ela sussurou. — Mas.. mamãe..
Ele apontou para o estrago que sua cozinha estava, para o choro silencioso de seu pai. — Não é nada, hm? Vamos, suba. Mamãe já vai.
Ela sorriu fraco, soltando o filho e o empurrando levemente até a escada. Minho olhou para seu pai e então para os olhos da mãe uma última vez, subiu os degraus pulando alguns e assim que se viu fora do campo de visão deles, ele chorou. Seu rosto esquentou como fogo e as lágrimas caíram como uma cachoeira.
A carta foi largada na escrivaninha.
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