Seis

Fico tentada a perguntar o que aconteceu, mas me contenho, se ele quiser me contar irá contar, caso contrário

Continuamos calados, olhando para as pessoas que passam em nossa frente

- Vamos - Diz ele quando o sinal bate

- Vamos - Entramos juntos e caminhamos calados até a sala de astrofísica

{...}

- E ai Isa - O Lucas vem até mim enquanto arrumo minha mochila para ir embora - Não vou poder te levar para casa

- Por quê?

- Meu professor vai me aplicar uma prova agora para vê se eu melhoro minha nota, se não, não me formo

- Vai demorar quanto tempo?

- Mais ou menos uma hora

Não quero ir embora sozinha, mas não vou dizer isso ao Lucas

- Tudo bem, então eu vou indo

- Tem certeza? Não quer esperar?

- Não, estou cansada, não se preocupa, vai lá, boa sorte - Ele sorri e me dá um abraço

Saio da sala, agora vazia e caminho pelos corredores também vazios

Sinto um pressentimento ruim, algo vai acontecer eu sei

Saio da escola e vou andando pela rua que está estranhamente vazia

{...}

Faltando menos de um metro para chegar a minha casa, alguém me agarra, coloca um pano na minha boca me impedindo de gritar e me arrasta até um beco próximo

Tento me debater, mas então percebo que são duas pessoas me segurando

- Olá Isabella - Ela aparece na minha frente sorrindo, mas seus olhos estão carregados de puro ódio - Podem tirar o pano

A pessoa que estava segurando o pano, o retira da minha boca, mas continua me segurando, agora sei que é a Mari e a Ellen

- O que você quer? - Pergunto friamente

- Conversar, não podemos?

- Não

Ela ri, cruza os braços e me olha séria

- Isabella, Isabella - Ela vem se aproximando aos poucos de mim - Você está com algo que é nosso e queremos de volta

- Pode ter certeza eu não estou com nada de vocês

- Ah você está sim! - Ela para em minha frente e ficamos cara a cara - Sabe o André?

Sinto meu coração acelerar ao ouvir seu nome, será que ela machucou ele?

- O que você fez com o André?

- Eu? Nada! - Ela ri - Mas a minha amada Mari, está louquinha por ele

Ela olha para a Mari e sorri, seu olhar de ódio é possuído por um olhar carregado de amor e carinho

- Sabe o que eu tive que presenciar hoje Isabella? - Ela volta a olhar para mim e seu olhar carregado de ódio volta

- Não e sinceramente, não estou afim de saber e olha não sou psicóloga para ficar ouvindo você falar, então se puder agilizar o falatório, ficaria satisfeita

- Olha meninas, como ela está afiada hoje - Ela segura meu rosto com uma das mãos - Que pele branquinha que você tem Isabella, seria uma pena se algo a marcasse não é mesmo?

Ela solta meu rosto e de repente desfere um soco no lado direito. Da onde vem essa força que ela tem?

- Agora como eu estava dizendo, antes de você ser mal educada e me interromper - Ela começa a andar na minha frente - Hoje eu tive que presenciar a minha amada Mari, chorar horrores e sabe por quê?

- Quebrou a unha? - Pergunto irônica. Sinto outro soco no meu lado esquerdo

- Você, sua vagabunda, está dando encima dele! - Fala sério eu não estou ouvindo isso

- Você está de brincadeira não está? Pelo amor eu e o André mal somos amigos!

- Você acha mesmo que não percebemos a forma como vocês se olham?

Ela desfere um soco no meu estômago eu fico sem ar

- Você vai ficar longe do André, por bem ou por mal - Ela segura meu pescoço com uma mão e faz eu olhar para ela - Se eu pudesse te matava aqui agora mesmo

- Seria um favor que você faz a mim - Ela desfere cinco socos consecutivos no meu rosto

- Soltem ela

As capachos dela me soltam e eu caio no chão sem forças. Ela aproveita essa chance e começa a chutar meu estômago

Ela desfere por volta de uns sete ou oito chutes no meu estômago

Olho para ela e a vejo rindo

Sinto lágrimas molharem meu rosto. Estou sem ar, meu corpo dói muito e sinto que a qualquer momento irei perder a consciência

Vejo ela se preparando para dá outro chute, tento colocar os braços no rosto quando percebo que ela vai chutar o mesmo, mas ela é mais rápida, tudo fica preto e eu apago

{...}

- Você será uma grande mulher no futuro - Diz ela enquanto pentea meu cabelo - E você será muito feliz

- Você estará ao meu lado? - Pergunto olhando para o espelho

- É claro meu amor, eu sempre estarei ao seu lado

Acordo com muita dor no corpo. Olho ao meu redor e percebo que ainda estou no beco

Me sento com um pouco de dificuldade, levanto meu moletom e vejo minha barriga cheia de hematomas

Me levanto com muita dificuldade e caminho com dificuldade para fora do beco

Caminho até em casa, subo pelo telhado e entro pela janela do meu quarto

Vou para o banheiro, tiro minha roupa e me olho no espelho

Meu rosto está completamente inchado e está ficando roxo

Entro embaixo da água quente e coloco minha cabeça no box. Eu devia desconfiar que algo iria acontecer hoje, eu estava bem, estava feliz e o universo não ia me deixar ficar assim muito tempo

Não aguento mais viver dessa forma, não aguento mais viver.

Não acredito que tomei essa surra por causa do André! Fala sério nem somos amigos!

Pego o sabonete liquido e começo a passar no meu corpo e nos hematomas que estão surgindo

Depois de cinco minutos de um banheiro regado a muita dor e lágrimas saio do banheiro e vou para o meu quarto

Visto um conjunto de moletom cinza e me jogo na cama. Ligo a televisão que fica de frente para a cama e começo a assistir "Supernatural". Como eu amo essa série!

{...}

Acordo com uma batia na porta

- Quem é? - Pergunto um pouco grogue de sono

- Lucas, vim vê se está tudo bem com você, eu vim aqui mais cedo e você não me respondia

- Estava dormindo e você acabou de me acordar

- Desculpe, estou fazendo o jantar

- Não estou com fome

- Você não comeu o dia inteiro Isabella

- Comi na rua enquanto vinha para casa

- E comeu o quê?

- Comi um lanche no BK

- Tudo bem então, se quiser descer para fazer companhia a mim e ao papai, ficaríamos muito feliz

- Vou vê se desço

- Tudo bem

Escuto ele se afastando da porta. Me sento na cama, olho para a televisão que continua passando supernatural

Me levanto e vou ao banheiro. Fico encarando meu reflexo no espelho.

Só de pensar que hoje de manhã havia um brilho maravilhoso nos meus olhos, que minha pele estava até um pouco corada e que eu estava com vontade de sorrir e que agora tudo sumiu e que a única coisa que tenho vontade é me cortar, chorar e morrer. Eu chego a conclusão de que sou extremamente idiota em ter pensado que o dia seria bom, a vida nunca foi boa para mim, por que seria agora?

Pego uma lâmina encima da pia, levanto meu moletom e a passo por cima dos meus hematomas

Sinto a doce ardência dos cortes e suspiro fundo

Volto para a minha cama e passo o resto da noite encarando o teto, esperando os pesadelos virem me perturbar outra vez

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