CAPÍTULO 1
OQUE ESTÁ SEMPRE AO MEU LADO
O barulho dos flashes e o zumbido baixo das vozes preenchiam o pequeno salão. Maria ajustou a câmera nos dedos, posicionando-se para mais uma foto. Casamentos não eram seus eventos favoritos, mas o pagamento compensava, e ela tinha um talento especial para capturar momentos genuínos.
"Última foto da noiva jogando o buquê e estou livre", pensou, sorrindo enquanto olhava o relógio.
Quando tudo acabou, Maria caminhou até um dos bancos próximos da igreja e pegou o celular. Como sempre, havia uma mensagem de João.
João: "Me diz que já terminou esse casamento chato. Tem jogo hoje e você prometeu assistir."
Maria riu. João sempre sabia o que dizer para arrancar uma reação dela, mesmo à distância.
Maria: "Calma, Moreira. Já estou indo pra casa, mas não esperem nada além de críticas aos seus passes ruins."
João: "Queria ver você jogando... aliás, certeza que faria falta só pra ter drama."
Essa era a essência deles: provocações, risadas e uma cumplicidade que os outros invejavam. João Moreira era o cara que Maria conhecia melhor do que ninguém. Desde crianças, eles tinham sido inseparáveis, mesmo agora que suas vidas seguiam caminhos tão diferentes.
João era o garoto da rua que sonhava em jogar futebol profissional. Ela era a garota que carregava uma câmera amadora para todos os lugares. Enquanto ele corria atrás da bola, Maria clicava o mundo ao redor deles. Mesmo anos depois, com João jogando pelo São Paulo e Maria investindo na fotografia, eles mantinham a rotina de conversas diárias.
Naquela noite, Maria cumpriu a promessa e assistiu ao jogo. João estava impecável no primeiro tempo, arrancando elogios até do narrador. Era estranho, pensou ela, assistir ao melhor amigo assim, com milhares de pessoas gritando seu nome.
Quando o jogo acabou — vitória do São Paulo por 2x1 —, João ligou para ela antes mesmo de sair do vestiário.
— E aí, gostou do show? — perguntou ele, a voz carregada de orgulho.
— Você foi bem... até errar aquele cruzamento no segundo tempo. — Maria respondeu, rindo.
— Nossa, obrigada pelo apoio moral, Maria. Você é ótima nisso.
— É o que amigos fazem. — Ela fingiu desinteresse, mas sorriu ao ouvir a risada dele.
João estava a caminho de casa, mas o caminho dele parecia tão diferente do dela. Enquanto ele vivia em estádios lotados, ela tinha apenas sua câmera e sonhos que pareciam pequenos em comparação. No fundo, Maria sabia que João estava crescendo. Mas o que mais a assustava não era ele estar mudando — era o quanto ela não queria ficar para trás.
No silêncio do quarto, enquanto editava as fotos do casamento, uma ideia cruzou sua mente. Por que o coração dela batia tão rápido ao falar com João ultimamente? Isso nunca tinha acontecido antes... ou tinha?
Maria balançou a cabeça, espantando os pensamentos. Eles eram melhores amigos. Sempre foram. E ela não podia arruinar isso, podia?
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