53 - Bring her back

53
Noah Urrea
New York, NY

Corro de volta para dentro e puxo a mochila em cima da mesa, enchendo-a com os papéis importantes que estavam ali. Coloco a mochila em minhas costas e me apresso em dar o fora dali, agradecendo mentalmente por ter uma saída de emergência. Felizmente Claire pensou nisso quando equipou esse lugar.

Antes que eu chegue até a porta da saída tiros começam a ser disparados contra o galpão, eu me apresso em tombar a grande mesa que fica no centro do galpão e me agachar atrás dela para me proteger. Sinto uma ardência no braço esquerdo e olho para o mesmo, vendo o ferimento exposto ali; um tiro de raspão.

Os tiros não parecem cessar e parecem sair de várias armas. O barulho é insuportável. Eu preciso dar um jeito de sair daqui ou eu vou me dar muito mal. Eu sei como essas coisas funcionam, os tiros são só o começo, eles com certeza tem mais coisas planejadas.

Olho para a saída de emergência, calculando mentalmente se eu conseguiria correr até lá e continuar vivo. Os tiros deixam o lugar cada vez mais bagunçado. Após um minuto inteiro de tiros, o lugar fica silencioso novamente. Eu não perco tempo em me levantar e correr para a saída de emergência, posso parecer um covarde agora mas essa alternativa é melhor do que ficar e ser morto.

Passo pela porta e volto a fechá-la, dando de cara com as escadas que levam à um túnel no subsolo e a má iluminação. Desço os degraus correndo, caindo exatamente no esgoto que corta aquele lado da cidade. Tateio os bolsos da minha calça a procura do meu celular para ligar a lanterna mas praguejo mentalmente ao notar que eu tinha esquecido ele em cima da mesa lá em cima.

Me concentro no caminho, seguindo o fluxo do túnel, checando de vez em quando se eu estava realmente sozinho ali ou se alguém tinha me seguido. Olho para o meu braço, vendo o ferimento que tinha ali, essa porra está ardendo pra caralho.

Eu não sei para onde é suposto eu ir, não sei se eu deveria ir até a mansão para cuidar do meu ferimento, me limpar e entrar em contato com a equipe para contar o que aconteceu ou ir atrás da Any para garantir que ela esteja bem.

E como o babacão que eu sou, escolho a segunda opção.

Any Gabrielly
New York, NY

Observo a cidade através da janela do carro de Josh, ele se ofereceu para me levar de volta para a mansão e eu aceitei já que Noah provavelmente estaria ocupado demais para me buscar como ele disse que faria.

Meu celular vibra com a notificação de uma nova mensagem de Noah e eu a leio com atenção.

- É o Mr Freeze? - Josh questiona, se referindo ao Noah.

- Sim. - Respondo ao terminar de ler a mensagem. - Ele disse para eu o encontrar na avenida que dá acesso ao galpão. Você pode me deixar lá?

- Claro, Elly. - Ele muda sua rota quando eu digo onde é.

Já estava anoitecendo, esse lado da cidade era afastado do tumulto, nem parecia Nova York. Josh para o carro quando chegamos no lugar marcado e eu já posso ver a Ferrari de Noah parada no acostamento.

- Esse filho da puta não merece os carros que tem. - Josh admira o carro luxuoso e eu dou risada.

- Te vejo em breve. - Me inclino para beijar seu rosto, antes que eu saia do carro Josh segura em meu pulso e me encara com olhos preocupados.

- Não suma, por favor. Eu costumo sentir sua falta. - Ele pede. - E tome cuidado, Elly. As coisas estão realmente perigosas, não tente dar uma de esperta.

- Não se preocupe, tudo vai ficar bem. - Garanto.

Josh me puxa para um abraço um pouco sem jeito por causa do console do carro entre a gente. Ele suspira antes de me deixar.

- Quando tudo isso acabar nós daremos aquela pool party. - Ele diz e eu concordo com a cabeça, sorrindo.

Saio do carro de Josh e aceno para ele antes do mesmo arrancar com o carro para longe dali. Caminho até a Ferrari de Noah, sentindo um desconforto estranho dentro de mim. Balanço minha cabeça para afastar os pensamentos ao abrir a porta do carro e entro no mesmo.

Meu coração acelera quando eu olho para o lado e não vejo Noah ali, e sim o mesmo homem que nos sequestrou uma vez. O desespero bate dentro de mim e eu tento abrir a porta do carro para conseguir sair correndo mas a mesma já se encontra trancada.

O homem tenta me segurar mas eu me debato no banco do carona, conseguindo acertar minha mão fechada em punho em seu rosto. Ele parece ainda mais bravo quando segura meus pulsos para que eu pare quieta e eu continuo me debatendo enquanto as lágrimas escorrem dos meus olhos e o desespero é nítido em meu olhar.

- Deixe-me ir, por favor! - Eu choro sem deixar de me debater.

- Não torne isso difícil, princesa. - O homem diz com diversão.

Um segundo homem que eu não tinha notado no banco de trás tapa meu nariz e minha boca com um pano branco, eu paro de me debater ao ver que isso é inútil. Só choro igual uma criança enquanto meus soluços são abafados pelo pano pressionado em minha boca. Pensamentos horríveis do que pode acontecer comigo invadem a minha mente.

- Pode dormir em paz, princesa - O homem do banco de trás diz em meu ouvido ao notar que luto contra a inconsciência. - Nós cuidaremos bem de você!

Era inevitável não desmaiar graças aquilo que continha no paninho. O rosto de Noah foi a última coisa que veio na minha mente antes de eu cair na inconsciência.

Noah Urrea
New York, NY

Entro na mansão apressado, gritando por Claire e indo direto para o banheiro do meu quarto. Tiro toda a minha roupa, que se encontrava suja e com algum sangue e entro no chuveiro. Aproveito a água quente para me acalmar, sentindo meus músculos contraírem quando a água bate em meu novo ferimento.

Assim que não há mais nenhum vestígio de que eu estive em um túnel de rede de esgoto eu deixo o chuveiro, puxando a toalha que estava ali. Tiro o excesso de água em meu corpo e amarro a toalha em minha cintura, passo a mão em meu cabelo bagunçando-o e fazendo alguns pingos de água voarem.

Saio do banheiro e encontro Claire já ali, ela parece ficar nervosa quando nota que eu estou apenas de toalha e eu apenas reviro os olhos para isso antes de ir até o closet me vestir. Quando já estou vestido com roupas limpas eu volto para o quarto. Claire arregala os olhos quando vê o ferimento em meu braço.

- O que houve? - Ela questiona quando puxa o kit de primeiros socorros que ficava embaixo da minha cama.

- Armaram para nós. Invadiram o galpão.

Me sento ao seu lado na cama e dou meu braço para que ela possa fazer o curativo.

- Só tinha você lá?

- Sim. - Respondo. - Só tive tempo de juntar tudo o que tinha de importante e jogar dentro da mochila. Meu celular e minha Ferrari ficaram para trás.

- Será que tem alguma coisa a ver com Peter?

- É óbvio que sim. Aquele filho da puta estava muito quieto, é claro que ele estava armando alguma. - Bufo. - Any já está em casa?

- Não. - Claire responde simplesmente, terminando de fazer o curativo em meu braço. - É melhor eu ir avisar para os caras o que aconteceu para eles ficarem espertos.

- Deixa seu celular comigo, preciso fazer umas ligações.

Claire puxa o celular do bolso de seu short jeans e entrega na minha mão antes de deixar o quarto. Desbloqueio a tela e digito o número já conhecido por mim. Bufo irritado quando cai na caixa postal, Any só pode estar brincando com a minha cara. Tento ligar mais uma vez e nada. Disco o número de Josh e suspiro quando ele atende a ligação tarde demais.

- Boa noite, babacão. - Ele fala arrastando a voz, me fazendo revirar os olhos.

- Passa o celular pra Any, tenho que falar com ela.

- Você está drogado? - Josh questiona. - Eu deixei a Any no lugar que você combinou há duas horas atrás.

Levanto da cama ao ouvir suas palavras, entrando em alerta.

- Como assim no lugar que eu combinei? Eu combinei com ela que eu a buscaria na sua casa. - Rosno.

- Eu estava levando ela para a mansão quando você mandou mensagem pra ela dizendo que era para vocês se encontrarem perto de uma merda de galpão e quando chegamos lá seu carro estava lá, Any entrou no carro tranquilamente e eu pensei que estava tudo bem. - Ele fala tudo muito rápido, nervoso. - Porra, Urrea, ONDE MINHA AMIGA ESTÁ? - Josh grita.

- Eu não sei mas vou descobrir. - É a única coisa que eu falo antes de encerrar a chamada e jogar o celular na cama.

Passo a mão pelo rosto completamente perdido, como se eu não tivesse mais firmeza nos pés. Porra, pela primeira vez eu não fazia ideia do que fazer e eu temia pelo que poderia acontecer. Eu estava preocupado pra caralho com aquela vadia.

Peter me pagaria por fazer eu me sentir dessa forma, preocupado e medroso como um moleque que tem algo realmente valioso e que teme perdê-lo. Eles pegaram meu celular para mandar mensagem para ela, eles pensaram muito bem nisso. Não consigo acreditar que falhei na segurança de Any; ela confiava em mim para mantê-la segura e eu falhei nisso. Se ela está nas mãos de Peter agora a culpa é minha!

Mas eu ainda posso reverter isso, pode não ser tarde demais para ir atrás dela. Eu vou até o inferno para encontrá-la.

Lembro do rastreador do anel e volto a pegar o celular apressado, abrindo o aplicativo de rastreamento e colocando o código necessário. Agradeço a Deus ou a quem quer que fosse por ele estar ligado e por Any estar com ele.

Saio do quarto sentindo meu sangue ferver de raiva, fecho minhas mãos em punho enquanto desço os degraus da escada para chegar até a sala, encontrando Claire se comunicando com os caras através da escuta.

- Manda os caras voltarem. - Digo firme. - Pegaram a Any e nós vamos atrás dela!

Afundo meu pé no acelerador, meus olhos atentos na pista quando eu faço um zigue-zague entre os carros vendo através do retrovisor os outros carros da equipe me seguindo e tendo que acelerar mais para me acompanhar.

Eu estava disposto a matar Peter agora. Não estou nem aí se com isso eu estarei assinando minha sentença de morte e vários aliados dele irão começar a me caçar para transformar minha vida no inferno, se as pessoas importantes que apoiam ele vão dar um jeito de me fazer sumir do mapa, se aliados meus que também são aliados dele vão se virar contra mim. Eu estou pouco me fodendo. Peter vai morrer pelas minhas mãos!

- Urrea. - Brad me chama. - Acho que encontrei o anel. - Ele aponta para um manequim na beirada do penhasco.

Me aproximo do manequim junto com Brad e James para checá-lo. É um manequim feminino sujo de tinta vermelha - que eu suponho que seja para representar o sangue. Olho para a mão do manequim e vejo o anel que eu dei para Any ali. Merda! Descobriram a porra do rastreador.

- Filho da puta! - Esbravejo, chutando o manequim.

O manequim cai no chão, e desliza, o que faz o braço dele soltar. James parece examinar o manequim de perto antes de se virar para nós de novo.

- Tem uma bomba nesse boneco, vamos dar o fora daqui! - Ele grita para que os que ficaram mais atrás escutem.

Nós corremos de volta para nossos carros, assim que eu estou dentro do meu eu acelero para longe dali, logo atrás do carro de Claire. Nós seguimos para nosso segundo galpão, já que o principal tinha sido invadido. Estaciono meu carro na entrada e desço do mesmo, fechando a porta com mais força do que o necessário.

Minha raiva cresce junto com a frustração e eu me viro para trás, dando um soco forte na janela do carro para extravasar a raiva. A janela quebra e eu acabo cortando a mão, resmungando assim que vejo o sangue nos nós dos meus dedos.

- Relaxa aí, Urrea. - Chris diz ao ver o que eu tinha feito. - Nós iremos achá-la.

Meu problema maior não era achá-la e sim a forma como ela seria encontrada. Eu não estava pronto para ver a Any machucada mais uma vez; mas ninguém precisava saber disso, ninguém precisava saber que eu me importo.

Meu celular reserva começa a tocar e eu olho o número restrito no identificador, me sentindo nervoso igual um marica só com a possibilidade de ser sobre Any e eu rapidamente atendo.

- Quem é? - Digo ríspido e me afasto um pouco do pessoal para falar ao telefone.

- Você parece tenso, Urrea. - Ouço a voz debochada de Peter do outro lado da linha e aperto o celular com mais força enquanto aperto minha mão livre em punho.

- O que você fez com a Any? - Mantenho minha voz ríspida. Juro que poderia matá-lo de tanta porrada se ele estivesse na minha frente.

- Sua namorada está bem, só está passando um tempo com o pai dela. Quer falar com ela? - Uma movimentação é ouvida e logo em seguida um choro fraco é colocado na linha, sinto meu coração acelerar só por ouvir sua respiração ali e confirmar que ela está viva. Porra, essa garota é meu ponto fraco. - Noah - Dessa vez é a voz embargada de Any que soa na ligação e eu sinto minha respiração falhar.

- Elly - Respiro fundo. - Me diga que você está bem, que eles não machucaram você.

- Eu não estou machucada. - Ela funga. - Faça o que eles pedirem, por favor... Eles não estão de brincadeira, você sabe do que eles são capazes e... Noah, eu preciso de você!

Fecho os olhos por alguns segundos sentindo uma dificuldade de respirar. É assim que alguém fica quando está preocupado com alguém que gosta? Com alguma porra dentro de você parecendo estar sendo esmagada, como uma puta preocupação em você e com mil paranóias na cabeça sobre o que pode acontecer?

- Elly, eu faço qualquer coisa para ter você bem de volta. Não vou deixar nada acontecer com você. - Juro. - Aguenta firme que eu vou tirar você dessa. Eu sempre dou um jeito, você sabe.

- Eu amo você. - Ela murmura, com sua voz denunciando seu choro.

Abro a boca para respondê-la mas algo dentro de mim me faz voltar a fechá-la e ficar em silêncio.

- Chega de choro. - Ouço a voz de Peter. - Então, Urrea, tenho uma proposta para você ter a sua namorada de volta.

- O que você quer? - Pergunto.

- Vamos combinar assim, você vem até onde eu e Any estamos e nós conversamos sobre isso. - Ele propõe. - Mas seremos só nós três. Sem equipe, sem capangas. Você virá na surdina, sem envolver sua equipe nessa e nós vamos resolver assuntos pendentes.

Olho por cima do meu ombro para trás, vendo toda a equipe ali conversando entre si e avaliando mentalmente essa ideia de Peter.

- Tudo bem. - Digo por fim.

- Não tente dar uma de esperto. Se alguém da sua equipe vier com você, Any morrerá. - Peter diz. - Vou te dizer onde é por mensagem. E volto a repetir: sem gracinhas. - Ele encerra a ligação.

Estou disposto a qualquer coisa para resgatar Any.

Notas Finais:
O próximo cap já é o último 🥺

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