52 - On target

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Any Gabrielly
New York, NY

Respondo mais uma mensagem de texto de Josh, dando uma gargalhada breve para a tela do celular lendo a resposta. Bloqueio o celular e o deixo de lado, vendo tudo ao meu redor do mesmo jeito. Chris e Noah sentados ao redor da grande mesa de madeira no centro do galpão concentrados no que estão fazendo, e eu deitada no sofá querendo ir para casa.

Estamos nesse galpão há tanto tempo que deve ter escurecido do lado de fora e eu nem me dei conta. James foi com Brad resolver algumas coisas sobre o carregamento de armas que eles estão esperando, Claire está na mansão usando o seu tempo para conseguir quebrar um sistema de segurança necessário para avançar com o plano, Chris está analisando a planta do lugar onde eles pretendem invadir para atacar Peter, e Noah está mexendo em alguns papéis confidenciais.

Noah já deixou bem claro de que não me quer participando disso e todo mundo tem me deixado de fora. Fico curiosa para saber o que eles tanto planejam, o que eles estão querendo fazer mas ninguém me fala nada.

- Ainda falta muito? - Pergunto em voz alta para que ele possa me escutar já que estamos consideravelmente longe.

- Você parece a porra de uma criança impaciente. - Noah bufa, sem tirar seus olhos da papelada. - Falta menos do que faltava.

Bufo cansada e me levanto do sofá, caminhando até Noah. Ele levanta seus olhos para mim quando me vê próxima, Noah afasta um pouco a cadeira e gesticula para o seu colo para que eu me sente ali e assim eu faço. Seu braço esquerdo rodeia minha cintura enquanto com o outro ele ainda mexe com a papelada.

- Isso é suicida. - Chris fala de repente, deixando a caneta que segurava em cima da planta do lugar que ele analisava.

- Garanto que vamos conseguir fazer isso e sair de lá sem nenhum arranhão. - Noah dá de ombros.

- Invadir a casa de Peter com ele lá dentro e sair sem nenhum arranhão? - Chris ri sem humor. - Esse plano é uma burrice, Urrea! Alguém vai se foder nisso...

- E esse alguém será Peter. - Noah responde seco. - Eu sei que nós vamos conseguir fazer isso, só precisamos planejar tudo sem espaço para falhas. Você já trabalhou comigo antes, Beadles, você sabe que meus planos sempre dão certo.

Chris abre a boca para rebater mas volta a fechá-la ao notar que é uma total perda de tempo discutir com Noah, quando ele coloca alguma coisa na cabeça nada tira. Eu não posso evitar me sentir nervosa com isso, se Chris disse que é suicida então deve ser mais uma loucura que Noah inventou e meu coração aperta só de imaginar. Chris se levanta e enrola a planta do local.

- Eu vou pra mansão, não dá mais pra continuar quebrando a cabeça com isso sem maconha e gim. - Ele diz enquanto recolhe suas coisas. - Quer carona pra casa, Any?

- Eu... - Noah aperta minha cintura e me interrompe.

- Ela vai ficar.

Chris apenas assente com a cabeça antes de caminhar para fora do galpão. Olho para Noah com os olhos semicerrados e ele parece ignorar completamente, voltando a olhar seus papéis.

- Achei que você já tivesse superado essa história com o Chris.

- Isso já foi, me garanto nessa. - Ele dá de ombros. - Só não queria você longe agora.

Meu coração parece acelerar enquanto ele apenas age como se não tivesse falado nada de importante e se concentra na sua papelada, como ele sempre faz quando o seu lado fofo dá um sinal de vida.

Deito minha cabeça em seu ombro, sentindo sua mão acariciar a pele da minha cintura e procurando alguma paz aqui, nesse momento.

- Noah - Chamo-o.

- Huh?

- Como foi perder a sua família? - Murmuro a pergunta, sentindo-o se tensionar.

- Indiferente.

Levanto minha cabeça para encará-lo, não encontrando nenhum tipo de mágoa ou dor nele com esse assunto.

- Como indiferente? Quero dizer, era a sua família. - Insisto. - Você não sente falta?

- Eu não era ligado à minha família, Any. Eu não senti a morte deles. - Noah larga os papéis para me dar alguma atenção. - Só a da minha mãe mas eu era só um moleque, nem tinha noção do que a morte era.

- Como ela morreu? - Pergunto com cautela.

- Meu pai a matou. - Ele conta. - Não era a intenção dele, ele só queria machucá-la. Mas ele era só um bêbado filho da puta, ele batia nela quando estava bêbado e um dia ele bateu demais, acabou a matando.

A forma como Noah banalizava toda essa violência me enjoava as vezes. Desde pequeno ele tem que lidar com esse tipo de coisa e para ele isso já é normal, mas para mim toda essa história que ele conta é algo horrível.

- Quantos anos você tinha? - Engulo em seco. - O que houve depois disso?

- Uns seis, ou talvez sete. - Ele parece pensar. - Depois de uns anos eu o matei por isso.

Minha boca se abre em choque, mas ele não parece se importar nem um pouco.

- Você matou seu próprio pai?

- Por que você está com essa cara? - Ele arqueia uma sobrancelha. - Você também está prestes a matar o seu.

Me mexo desconfortável, sentindo o peso das palavras e da atual situação. Eu estava mesmo prestes a matar o meu próprio pai, prestes a me tornar o que eu jurei que nunca seria: uma assassina. Estive tão ocupada culpando Peter e desejando sua morte que não parei para pensar no que aconteceria depois, no que eu seria depois que ele estivesse morto.

- Qual é, Elly, não pense demais - Noah me puxa de volta. - Quer distrair a mente? - Ele propõe.

Noah começa a distribuir beijos pelo meu ombro, subindo até o meu pescoço, onde ele suga a minha pele, me fazendo arfar. Seus lábios sobem mais até chegarem nos meus e ele me beija, fazendo minha mente se acalmar e meu corpo relaxar em suas mãos.

Ele levanta comigo em seu colo e me coloca sentada na mesa, se encaixando entre as minhas pernas sem deixar de me beijar por um segundo sequer. Juro que eu nunca me cansaria de seus beijos, é algo que me envolve e contém uma mistura de sentimentos que me deixa até sem fôlego.

Os lábios de Noah abandonam os meus ao ouvir o barulho da grande porta de correr do galpão sendo aberta e eu bufo em frustração. Brad entra no espaço com James logo atrás, os dois com expressões não muito boas. Noah se afasta de mim ao notar as expressões deles e parece entrar em seu modo de negócios, tensionando os ombros e travando o maxilar.

- Qual é o problema da vez? - Noah questiona.

- Nós precisamos adiar o plano. - Brad fala de uma vez, sem enrolação.

Eu permaneço sentada na mesa observando a forma como Noah une as sobrancelhas em confusão um pouco antes de soltar uma risada fria sem humor algum.

- Isso está fora de cogitação.

- Urrea, o cara não vai conseguir colocar o carregamento para dentro da fronteira a tempo. - James se pronuncia, parecendo mais calmo do que o necessário. - Você sabe bem que não temos arma o suficiente pra isso, nós dependemos do carregamento.

- E não adianta nada fazer o plano acontecer agora se não for pra fazer acontecer direito. - Brad completa. - Você sabe bem que não pode haver falhas.

- Que porra! - Noah esbraveja. - Eu não quero adiar isso, quero que seja logo. Estou de saco cheio do Peter toda hora nessa merda e nunca receber o troco que merece.

Noah vira as costas e vai até uma das poltronas ali, empurrando a mesma a ponto de fazê-la virar no chão. Meu corpo estremece com o barulho mas os caras já parecem acostumados com esses surtos de raiva. Noah encosta a testa na pilastra e permanece ali, parecendo respirar fundo enquanto fica de costas para nós.

Desço da mesa um pouco relutante, dando passos calmos em sua direção. Olho por cima do ombro e vejo James me encorajar enquanto Brad levanta a poltrona derrubada. Respiro fundo antes de tocar seu ombro, Noah nem ao menos se mexe.

- Hey - Chamo sua atenção. - Se concentre em melhorar o plano, em planejar os mínimos detalhes, de deixá-lo 100% para que não aja nenhuma falha. Talvez esse atraso seja favorável para vocês. E não se preocupe, Peter terá o que merece.

- Dá ouvidos a sua garota, Urrea. - James pede.

Noah desencosta da pilastra e se vira, parecendo mais calmo agora porém seu maxilar permanece contraído.

- Dê ouvidos a sua garota. - Repito com diversão, vendo o canto de seus lábios se curvarem em um sorrisinho.

- Eu não colocaria a equipe inteira em risco. - Noah diz. - Nós adiaremos, mas isso não significa que seja folga e sim que vamos trabalhar ainda mais duro.

Josh e Nick discutem sobre qual vai ser a próxima música a tocar, enquanto Josh reclama que tem que tocar Lady Gaga, Nick choraminga para que toque Rihanna e eu apenas assisto a discussão dando risada com alguns argumentos usados.

Nós estamos na casa de Josh. Noah e os caras tem passado todo o tempo no galpão e minha única companhia na casa seria Claire, mas eu obviamente iria preferir ficar solitária na mansão então resolvi vir para a casa do meu melhor amigo passar a tarde. A princípio Noah criou um caso com isso, ele diz que não é seguro eu estar longe dele sem nenhum segurança mas Brad me ajudou nessa.

Josh grita animado quando ganha a discussão e seleciona uma música da Lady Gaga para tocar, com o videoclipe passando na televisão e meu amigo fazendo questão de tentar imitá-la.

Nick se junta a mim na cama e se joga ao meu lado, roubando um pouco da minha pipoca. Ele parece me observar por um tempo antes de falar alguma coisa.

- Soube o que aconteceu, o motivo para você estar sumida - Ele começa, suspirando. - Sinto muito, Any. A vida tem dessas, esses acontecimentos só servem para nos deixar mais fortes.

- Eu estou melhor, de verdade. Estou seguindo em frente. - Abro um pequeno sorriso para ele quando ele ainda parece preocupado. - Só estou sumida porque estou resolvendo algumas coisas, apenas consequências de tudo isso.

- Você sabe que pode contar comigo para o que precisar, nem que seja para matar uma pessoa e desovar o cadáver. - Ele brinca, mas eu solto uma gargalhada nervosa com isso.

- Aposto que não toca músicas da rainha Gaga na sua nova casa. - Josh grita animado, se jogando na cama também. - Ainda dá tempo de se mudar para cá, para o lado bom da força.

- Realmente, aquela casa é bem chata nesse quesito. - Concordo. - Só é legal quando estão todos lá, eu gosto da bagunça. Mas ultimamente eles não tem parado em casa, aquilo lá é um completo silêncio.

- Bem que você poderia nos chamar para um banho de piscina na mansão. - Josh diz com um sorrisinho. - Imagina as fotos que eu poderia tirar naquele palácio.

- Eu toparia. - Nick se convida também e eu rio.

- Nós realmente podemos marcar.

- Poderíamos fazer uma pool party. - Josh se senta na cama, muito animado. - Imagina só o quanto você seria venerada na escola por dar a pool party do século em uma mansão bafônica.

- Aí você já está pirando. Noah mataria todos nós afogados na piscina se bagunçássemos a mansão. - Digo e Nick ri, sem saber que é verdade.

- E se fosse só para os mais íntimos? - Josh tenta.

- Umas cinquenta pessoas. - Nick entra na onda do namorado.

Os dois se entretem falando sobre a tal festa que com certeza não acontecerá. Noah nunca iria concordar com uma festa em sua mansão, principalmente com um bando de adolescentes insanos. E sem contar que também é perigoso, nunca se sabe quem pode entrar e o que pode achar lá dentro.

Mas eu não corto a animação de Josh e deixo ele com seus planos, por mais doidos que sejam.

Noah Urrea
New York, NY

Amasso mais um papel com rascunhos fazendo uma bola e arremesso no lixo mais próximo, bufando. Pego o meu celular para checar se tem alguma mensagem nova de alguns dos caras ou da Any, mas largo ele jogado em cima da mesa quando vejo que não há nada novo.

Eu estou exausto. Passei o dia todo trancado nesse galpão tentando ajustar algumas coisas do plano, sem sucesso algum. Chegar até Peter será mais difícil e perigoso do que eu imaginei, esse plano vai ser arriscado demais mas eu não estou nem aí desde que Peter acabe morto.

Brad e James estão agora recrutando novos caras para serem nossos capangas nessa e Chris está resolvendo coisas sobre o armamento em Nova Jersey. Claire está comandando a entrada do carregamento de drogas na cidade já que nós não poderíamos deixar nossos negócios de lado por causa do plano e Any está na casa de Josh.

Só queria desfocar disso tudo por um tempo e levar minha garota pra algum lugar, tanto eu quanto ela precisamos desestressar e ficar longe dessa merda toda por um tempo. E foi pensando nisso que eu já planejei uma pequena viagem para a Europa quando tudo isso acabar, apenas eu e Any durante uma semana. Só de imaginar um pequeno sorriso surge em meus lábios. Porra, eu estou fodido mesmo.

Entro em alerta ao ouvir sons do lado de fora do galpão, puxo imediatamente a arma da cintura e destravo a mesma. Ouço o som de portas de carro fechando, penso na possibilidade de ser Brad e James voltando do trabalho e deixo a arma em cima da mesa após suspirar em certo alívio.

Vou até a porta do galpão xingar os filhos da puta pelo susto mas paro antes de chegar no portão ao ouvir vozes desconhecidas e armas sendo destravadas. Merda!

Notas Finais:
Oii meus mores!!
Perdão pela demora 😬❤️

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