36 - Miss movin' on
36
Noah Urrea
New York, NY
Apresso meus passos para me distanciar de Chris e todo o seu falatório, minha mão está coçando para socar a sua cara e eu não sei ao certo o motivo dessa raiva repentina. Tento ignorar tudo isso quando chego a cozinha, encontrando Brad concentrado em seu celular.
Abro a geladeira e pego uma lata de refrigerante, abrindo o lacre ao dar um chute na porta da geladeira para que a mesma se feche.
- Parece que temos alguém de bom humor aqui. - O tom de zoação de Brad me faz revirar os olhos.
- Por que você insiste em abrir a boca?
- Conta aí, qual é o problema? - Brad insiste. - Peter deu as caras? Claire estava preocupada com o seu sumiço então rastreou o seu carro e mandou Chris atrás de você.
- Por que essa vadia não sai do meu pé? Claire está se tornando insuportável pra caralho.
- Ela gosta de você, é normal se preocupar mesmo que você não mereça porra nenhuma dela. E de mais ninguém. - Ele diz a última frase baixo e eu decido ignorar, bebendo mais um gole do refrigerante antes de deixar a lata em cima do balcão. - Mas, se Peter não é o problema dessa vez, qual é?
- O problema é que agora além de ter você no pé da Any também tem o Beadles. - Sinto um gosto amargo na boca por ter pronunciado as palavras.
- Ciúmes, Urrea? - Brad arqueia uma sobrancelha com um sorriso no rosto, parecendo divertido com a situação.
- Não é ciúmes - Me apresso em negar. - É só que a Any é uma boa vadia, seria uma pena perder uma garota tão boa na cama pra um de vocês.
- Vou fingir que acredito nessa. - Ele ri. - Mas, de qualquer forma, você não precisa se preocupar comigo. A Any não quis nada e eu não ia ficar insistindo nisso, até por que eu não me apaixonei por ela como você fez.
- Eu não me apaixonei pela Any. - Digo incrédulo por uma ideia dessas ter passado pela sua cabeça.
Já basta James e Claire acabando com a minha paciência com esse assunto.
E falando no demônio, Claire apareceu na cozinha. Seu cabelo loiro preso em um coque frouxo, seus seios fartos cobertos por um top que deixa sua barriga lisa exposta e uma legging apertada. Checando o seu corpo eu pude notar um novo piercing, bem em seu umbigo. Droga, Claire está gostosa pra caralho.
- A academia da mansão está aprovada. - Ela diz enquanto pega uma garrafa d'água na geladeira.
A nova mansão é bem melhor do que a antiga. No fim das contas, Peter fez um favor ao praticamente nos obrigar a trocar de mansão.
- O que acha de aprovarmos seu quarto novo? - Sugiro, vendo seus olhos azuis se estreitarem para mim.
- Nos seus sonhos, quem sabe? - Ela sorri forçado.
Seguro em seu braço quando ela tenta passar por mim e a encosto no balcão, prendendo o seu corpo com o meu. Ignoro a presença de Brad ali, assim como seus resmungos, e abaixo os meus olhos para os seios de Claire.
- Pessoal - Chris entra afobado na cozinha me fazendo bufar. - James acabou de avisar que está na fronteira e a carga de cocaína foi desviada, Peter deixou um recado através de um dos nossos capangas.
- Puta que pariu - Bufo alto. - Nós tínhamos compradores importantes, iríamos ganhar uma boa grana com o pó. Vamos ter um desfalque da porra!
- Temos que nos preocupar agora com os caras para quem a cocaína estava vendida. Não irão sair do nosso pé se pensarem que somos caloteiros. - Brad relembra mais um problema.
Esse seria um bom momento para jogar a Carta Any na mesa. Peter só está fodendo com os meus negócios dessa forma porque ele acha que eu estava blefando sobre saber quem é Miranda e sua filha. E qual é, Peter comanda a maior parte desse país, ele pode me derrubar a qualquer momento e já está começando com isso.
Preciso encontrar um jeito de me livrar dessa, ou talvez um jeito de me livrar de Peter de uma vez por todas.
Any Gabrielly
New York, NY
Respiro fundo olhando para o fogo em minha frente, o calor nos protege do clima frio de Nova York ao ar livre.
- Você trouxe o que pedimos? - Josh pergunta.
Apenas assinto com a cabeça tirando a mochila das costas e abrindo-a, tirando de lá moletons e camisas de Noah que estavam no meu armário.
- Oh, nós não podemos queimar isso! - Nick diz rápido, puxando um moletom da minha mão. - Isso é Hugo Boss.
- Esse aqui é Yeezus. - Josh aponta para outro moletom em minhas mãos. - Merda! Por que aquele filho da puta não pode vestir roupas mais vagabundas? Seria menos doloroso vê-las queimar.
- Nós queimamos o Yeezus e as camisas, eu vou ficar com o Boss. - Digo.
- Bem espertinha, mas o plano inicial é queimar tudo pra não sobrar nenhuma lembrança. - Josh rebate.
- Qual é, é um Hugo Boss. Sabe quando vou ter outro no meu armário novamente? - Choramingo.
Josh parece pensar por algum tempo antes de me responder, abrindo um sorrisinho.
- Eu irei pegá-lo emprestado sempre que eu quiser. - Negocia.
- Fechado!
- Então vamos lá, esse fogo está clamando por lembranças. - Nick cantarola.
- Faça isso, garota. Você consegue. - Meu melhor amigo me incentiva.
Não sei ao certo por que estou fazendo isso. Nick e Josh fizeram um discurso falando que esse seria o primeiro passo para o esquecimento total de Noah e eu aceitei, mas agora que estou encarando o fogo eu posso ver que talvez não seja a melhor ideia. São só roupas, certo? Eu não deveria estar tão nervosa. Serão peças de roupas a menos no meu armário, menos coisas para me fazer lembrar dele e dos dias em que as peguei para vestir.
Com um último suspiro eu jogo a primeira camisa na fogueira improvisada no quintal da casa de Josh, vendo o fogo se apossar do pedaço de pano. Os dois rapazes que me fazem companhia soltam gritinhos e batem palmas, me fazendo revirar os olhos e jogar mais uma peça de roupa no fogo. Quando minhas mãos já se encontravam vazias os dois me abraçaram e nós ficamos nesse abraço coletivo observando o fogo, mesmo que o cheiro das coisas queimadas não fosse um dos melhores.
- Isso não foi o suficiente. - Nick se pronuncia, lançando um olhar para Josh. - Pizza e fogo não irão ajudar completamente. Precisamos de outra coisa.
- The Griffin? - Josh sugere fazendo Nick abrir um sorriso aprovador.
- The Griffin!
•
The Griffin é uma boate conhecida pelo estilo sofisticado e os acontecimentos insanos. É claro que nós não entraríamos se Nick não fosse muito amigo do chefe dos seguranças, se fossemos barrados na entrada eu não iria me importar. Fui praticamente arrastada para cá, eu me contentaria em apenas comer pizza e ver filmes de comédia jogada no sofá de Josh.
O som de rap entra em meus ouvidos e eu olho ao meu redor, vendo todas as pessoas ali se divertindo e dançando de acordo com a música tocando. O vestido vinho curto de mangas até o cotovelo era um dos únicos que eu tinha na casa de Josh então foi ele que eu peguei para vestir, o salto alto em meus pés é da irmã de Josh que, felizmente, calça o mesmo número que eu.
- O que achou, Elly? - Josh pergunta por cima da música alta. Ele parece animado.
- É diferente dos lugares que você costuma me levar.
Josh normalmente me leva para rachas, boates clandestinas ou boates onde grande parte das pessoas são metidas com coisas sujas ou riquinhos rebeldes que querem impressionar os pais. Ou também, no nosso caso, pessoas que gostam de toda essa coisa errada. Lugares onde eu normalmente encontraria Noah mas esse não é o caso agora.
Nick me puxa para dançar junto com eles, eu me sinto um pouco envergonhada no início mas vou me soltando com o tempo na pista de dança. Josh dança atrás de mim e Nick em minha frente em uma dança sensual, quem olhasse de fora poderia pensar que os dois são héteros e eu sou uma oferecida no meio deles pela forma que dançamos juntos mas nós só conseguimos rir e continuar nossa dança. Não precisamos do álcool para estarmos rindo igual três loucos.
Josh se afasta dizendo que vai pegar bebidas e eu continuo ali dançando com Nick. O fato de ter um cara comigo parece um empecilho para os outros caras da boate chegarem até mim, não sei dizer se isso é um alívio ou não.
- Não exagere na bebida, por favor. Não quero carregar ninguém pra casa. - Josh pede ao me entregar uma taça com margarita.
Levo meus lábios até a borda da taça sentindo o gosto do sal e dou um longo gole na bebida. Minha pequena distração de segundos com a minha bebida é o suficiente para Nick e Josh entrarem em um mundinho só deles onde eu fico de vela. Rolo meus olhos para o meu casal de amigos aos beijos e risadinhas e me afasto um pouco, ficando na pista de dança.
Começo a mexer meu corpo de acordo com a música, a voz do G-Eazy preenchendo o lugar. Saboreio a minha bebida enquanto danço, não me importando de tropeçar algumas vezes por causa do salto em meus pés. Quando termino a minha bebida eu deixo a taça em uma mesinha próxima, sem me importar com quem está ali.
Sinto mãos em minha cintura durante a minha dança, abro um pequeno sorriso e continuo a dançar, agora rebolando com mais sensualidade. Qual é, isso pode ser divertido. Levanto os meus braços e os jogo para trás, segurando na nuca do rapaz enquanto rebolo com ele colado em mim. Ele enterra seu rosto na curva do meu pescoço para roçar seus lábios quando eu encosto minha cabeça em seu ombro.
Meu corpo parece esquentar quando eu o sinto sugar a pele do meu pescoço, suas mãos agarram firmemente minha cintura e me pressionam contra a sua ereção. Tudo parece colaborar para o momento porque a música que começa a tocar agora tem uma batida sensual, o que reflete na minha dança.
Ele sobe os lábios para a minha orelha, mordendo o lóbulo antes de pronunciar palavras baixas.
- O destino quer mesmo que isso aconteça.
Eu reconheço a voz de imediato e olho por cima do ombro apenas para confirmar minhas suspeitas, vendo Chris com seu melhor sorriso sacana.
Ele é rápido em me virar de frente pra ele, me fazendo soltar uma breve risada pelo seu desespero. Seus lábios se aproximam dos meus e eles se encostam, é como se ele estivesse esperando para caso eu resolva me afastar, e talvez eu realmente devesse, mas ao contrário disso eu acabo com a pouca distância entre nós.
Suas mãos fazem o reconhecimento do meu corpo enquanto nossos lábios se movem juntos, o clima parece ficar ainda mais quente quando nossas línguas se tocam, me fazendo suspirar satisfeita. As mãos de Chris apertam a minha bunda com força, nossos corpos estão tão juntos que eu sinto meus seios serem amassados entre nós. Arranho a sua nuca tentando forçar meus pulmões a ficarem mais tempo sem ar por não querer que esse beijo acabe tão cedo. Me afasto quando ele tenta colocar sua mão por dentro do meu vestido apenas por ter me lembrado de que estamos em público.
Chris sorri pra mim e junta nossos lábios em um beijo rápido.
- Vamos sair daqui. - Ele sugere ao estender a mão para mim.
Olho em volta para achar os dois idiotas que vieram comigo, encontrando o olhar curioso de Josh. Ele e Nick fazem sinais positivos com a mão quando notam que eu estou olhando, me fazendo dar uma breve risada.
- Não faça eu me arrepender disso depois. - Digo ao aceitar segurar sua mão.
Ele volta a me beijar de um jeito bom, mordendo o meu lábio no final antes de me puxar pela mão para longe dali.
O que eu estou prestes a fazer, afinal?
Notas Finais:
Se vocês queriam ver o Noah sofrer, se preparem!!
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