35 - Jealous
35
Any Gabrielly
New York, NY
O refeitório do colégio cheio resulta no falatório habitual do horário do almoço. Eu me contento em apenas ficar brincando com o meu canudo tentando prestar atenção na conversa que está acontecendo em nossa mesa, com Josh e Nick - seu atual namorado - falando sobre fofocas do colégio, a qual não me interesse nem um pouco.
- Elly, você está ouvindo isso? - Josh me tira da minha distração. - Estamos fazendo planos para o seu aniversário.
- Ainda temos tempo para pensar sobre isso, ainda temos alguns dias até lá.
- Definitivamente você está fora da equipe de organização. - Nick diz, recebendo apoio do seu namorado.
- Eu juro que se eu tiver alguma surpresa desagradável eu vou acabar com vocês dois. - Resmungo, empurrando a minha bandeja de plástico azul para longe ao terminar meu almoço.
- Você está sentindo isso? - Nick vira para Josh com um sorriso zombeteiro.
- É claro que eu estou! - Meu melhor amigo me olha com uma sobrancelha levantada. - Estou sentindo esse mau humor por falta de sexo e com certeza não está vindo da gente. Mas não se acanhe, Elly, começa a acontecer depois que se perde a virgindade.
- Não é mau humor por falta de sexo e sim um mau humor de quem teve o coração estraçalhado por um idiota. - Digo entredentes.
Os dois se entreolham antes de se levantarem de seus lugares e virem até o lado da mesa que eu estou, sentando um de cada lado meu e me envolvendo em uma espécie de abraço coletivo desajeitado.
- Ele não merece que você fique dessa forma por causa dele. - Nick me consola.
Ele não sabe de toda a história, eu e Josh decidimos ocultar a parte suja e escura da vida de Noah, contando apenas sobre nosso quase relacionamento bipolar que sempre acabava me puxando para baixo.
- O que você acha de uma noite da pizza? - Josh sugere. - Podemos comprar quantas caixas de pizza você quiser e depois nós quebramos todos os presentes que o Noah já deu para você.
- Ele nunca me deu um presente.
- Isso é sério? Aquele filho da puta mesquinho... - Josh diz indignado.
- A única coisa que eu tenho dele são algumas camisas e casacos de moletom que ele me emprestou e eu nunca o devolvi.
- Isso deve servir. Nós rasgamos e depois queimamos tudo. - Nick tem sua ideia apoiada por Josh. - É bom para descontar a raiva.
- Então está combinado. Amanhã a noite, na minha casa. - Josh se mostra animado. - E não se esqueça de levar as coisas, Elly.
- Eu preciso ir. Tenho que buscar Tyler no colégio. - Digo saindo do aperto dos dois para me levantar.
- Não vai querer carona? - Nick oferece.
- Para presenciar as conversas sujas de vocês durante o caminho? Não, eu passo. Eu prefiro ir andando. - Os dois me mostram o dedo do meio ao mesmo tempo, me fazendo rir por causa da sintonia.
Pelo menos hoje nós tivemos aula vaga, o que significa que nós fomos liberados logo após o almoço. O caminho até o colégio de Tyler não é perto quando se está a pé então eu me apresso a começar a traçar o meu caminho até lá. Coloco minhas mãos no bolso da casaco para me proteger do clima frio enquanto ando observando tudo ao meu redor.
Uma sensação ruim cresce em mim, como se eu estivesse sendo vigiada. Olho por cima do meu ombro para ver se tem alguém que aparenta estar me seguindo mas tudo o que eu vejo são pessoas andando apressadas ocupadas demais com suas próprias vidas. Talvez seja alguma paranoia minha. Desde que Noah surgiu em minha vida eu já não me sinto segura, como se algo ruim fosse acontecer comigo a qualquer momento e o que aconteceu na mansão dele há duas noites atrás só serviu para aumentar meu medo.
Sinto alguém agarrar meu braço quando passo na frente de uma entrada para um beco e em um ato rápido me puxar para dentro do beco, colocando a mão em minha boca antes que eu tenha a chance de gritar. Meus olhos se arregalam a ver quem é a pessoa que está me segurando.
- Está surpresa em me ver, Any? - Ele tira a mão da minha boca quando percebe que eu não vou gritar.
- Pensei que você estivesse morto.
- Você queria que eu estivesse morto, huh? - Um sorriso irônico cresce nos lábios de Ethan. - Mas não aconteceu, Any. Nunca estive mais vivo do que agora.
- Eu nunca quis o seu mal, Ethan. - Murmuro.
- Sei que ele está fazendo sua cabeça contra mim. - Ele diz se referindo ao Noah.
- Noah nunca tentou fazer minha cabeça contra você - O defendo. - E nós nem nos vemos mais.
- Vocês não estão mais se vendo? - Ele dá uma risada sarcástica. - Eu vi os dois juntos no racha.
- Se você está dando uma de perseguidor então você sabe que aquela foi a primeira vez que nos vimos em um mês.
Ethan bufa, passando as mãos no cabelo com uma expressão pensativa. Olho discretamente para os lados para estudar minhas possibilidades de fuga, mas eu sei que ele vai conseguir me alcançar se eu tentar correr para longe. Eu já vi o lado negro de Ethan vindo à tona e não quero vê-lo de novo, não quero irritá-lo ao ponto dele tentar fazer alguma coisa contra mim novamente.
- Escuta - Ele chama a minha atenção. - Sei que quando nos vimos da última vez eu não estava em um dos meus melhores dias mas eu quero que você saiba que, apesar de ter feito tudo do jeito errado, eu estava tentando fazer a coisa certa protegendo você daquele filho da puta.
- Eu sei. - Suspiro.
- Any, eu nunca iria querer o seu mal. Naquele dia eu perdi a cabeça ao ver o quanto vocês dois estavam envolvidos, ou melhor, você estava envolvida. Quando eu digo que o Noah é um filho da puta eu não estou falando da boca pra fora, eu descobri algumas coisas sobre ele que eu tenho certeza que você nem sonha em saber, foi por isso que fiz tudo aquilo. Eu estava desesperado para proteger você.
- Eu não preciso desse tipo de proteção, tudo bem? - Ajeito minha mochila em meu ombro. - Noah não me faria mal e nós nem estamos mais nos vendo.
- Ele não te faria mal? - Ethan ri com sarcasmo. - E aqueles machucados no seu rosto que apareceram logo depois de uma visita à casa dele?
- Há quanto tempo está me seguindo? - Pergunto incrédula, cruzando meus braços.
- Desde o dia do acidente. - Ele dá de ombros como se não fosse grande coisa. - Quando eu acordei lá eu vi Noah e James colocando você em um carro e saindo de lá. Procurei em todos os hospitais para ver em qual você estava e então encontrei, fui até o seu quarto quando o filho da puta resolveu sair de lá e desde então te vigiei de longe.
- Ethan! - O repreendo. - Você tem noção do quão psicopata isso soa?
- Não vou me desculpar por estar querendo o seu bem estar.
- Você realmente precisa parar de me seguir. - Continuo. - Não se preocupe, eu não preciso desse tipo de proteção. Se concentre agora em seu próprio bem estar, pelo pouco que eu entendi sobre todo esse mundo sujo, tem muitas pessoas querendo acabar com você.
- É por isso que estou escondido.
- Tome cuidado para não dar um passo em falso.
- Eu posso ser um novato nessa mas eu não sou idiota, Any. - Ele ri.
Ethan olha para os lados checando a movimentação, provavelmente apenas para garantir a sua própria segurança. Desde que ele acertou Noah com um canivete ele foi jurado de morte, Ethan está correndo perigo e mesmo assim consegue se preocupar comigo. Apesar dos pesares, ainda sinto carinho por ele e nunca vou desejar o seu mal.
- Você precisa me prometer uma coisa. - Ethan volta a sua atenção para mim, garantindo estar olhando no fundo dos meus olhos. - Precisa me prometer que vai ficar longe do Noah.
- Ethan, eu não... - Sou interrompida por ele.
- Prometa!
- Eu não posso prometer nada. - O vejo bufar com a minha resposta. - Preciso ir, Tyler está me esperando.
- Quer que eu te acompanhe? - Ele se oferece.
- Não precisa.
Ele se aproxima de mim para uma despedida, me deixando completamente sem jeito. Seus olhos percorrem meu rosto, parando em meus lábios por mais tempo do que deveria então eu o abraço antes que ele tente algum beijo e deixe a situação ainda mais desconfortável para mim. Seus braços me apertam contra o seu corpo me mantendo por perto, suspiro com a sensação familiar de conforto que seus braços ainda me transmitem. Ethan deixa um beijo em meu pescoço antes de desfazermos o abraço.
- Tenha cuidado. - Ele diz quando eu dou o primeiro passo para longe.
- Você também.
Saio do beco voltando para a calçada movimentada, retomando o meu caminho para o colégio de Tyler.
Noah Urrea
New York, NY
Tyler se senta no banco que fica na frente do seu colégio para esperar a Any e eu sento ao seu lado observando o movimento das ruas.
O garoto gosta de mim e, por um motivo desconhecido, confia em mim. Ele me fala coisas interessantes sobre a Any que com certeza poderão ser usadas contra ela em um futuro próximo. Tyler me contou que Any chegou em casa chorando no dia do ocorrido no galpão, eu poderia rir com essa informação mas não consegui o fazer. Não vejo mais graça no seu sofrimento.
- Tem certeza que ela está vindo? - Pergunto ao garoto.
- Pensei que você não gostasse da Elly.
- Eu não gosto dela. - Nego rapidamente.
- Você já perguntou tudo o que podia sobre ela, se quer tanto saber tudo sobre ela é porque gosta sim. - Tyler diz em tom de zoação.
- Eu não gosto.
- Gosta sim. - Ele insiste.
- Não gosto.
- Gosta sim.
- Eu não vou continuar com isso. - Reviro os olhos.
- Não precisa esconder, eu prometo que não vou contar nada pra ela. - Tyler insiste no assunto. - Não diga pra ela que fui eu quem falou, mas... - Ele olha para os lados, apenas para garantir que ninguém está prestando atenção na nossa conversa como se fosse revelar um grande segredo. - Ouvi ela dizendo para o Josh que estava apaixonada. Não com essas palavras mas você entendeu.
Qual o sentido de eu estar conversando sobre a Any com uma criança de dez anos que por acaso é o seu irmão mais novo? E qual o sentido de eu estar aqui esperando por ela? Acho que fui eu quem terminou, e o mais cômico é que nós nem mesmo estávamos em um relacionamento.
- Preciso de um favor seu. - Digo para Tyler e ele rapidamente tira sua atenção da rua movimentada para olhar pra mim.
- Um favor? - Ele arqueia uma sobrancelha. - Que tipo de favor?
- Quero que fique de olho na Any. - Digo. - Quero que me conte o que você descobrir de mais importante, o que ela diz sobre mim para o Josh e, principalmente, quero que você afaste qualquer cara que tentar se aproximar dela.
- Tudo bem, eu posso fazer isso... Mas não de graça. - Ele esfrega o dedo indicador no polegar sinalizando que quer dinheiro.
- Você é um pequeno filho da puta mercenário, espero que saiba disso. - Resmungo, tirando a minha carteira do bolso.
Tyler é um garoto esperto quando se trata de dinheiro, se eu não fosse mais esperto do que ele, ele teria deixado a minha carteira vazia.
- É bom estar fazendo negócios com você, Noah. - Ele ri, abanando as notas de dinheiro que tem na mão.
- Guarda isso antes que eu pegue de volta. - Digo mau humorado por ter sido praticamente extorquido por um garoto de dez anos.
Tyler se apressa em guardar o dinheiro dentro da sua mochila ao ver Any atravessando a rua. Ela parece ainda mais avoada do que o normal, me impressionando por não ter sido atropelada. Any ignora completamente a minha presença ali, olhando apenas para Tyler.
- Vamos logo, temos que encontrar a mamãe no escritório dela. - Any diz para Tyler quando ele permanece sentado no banco.
- Boa tarde para você também, Any. - Ela me ignora mais uma vez, me deixando irritado.
- Elly, vamos chamar o Noah pra jogar vídeo game. Aquele jogo que o meu pai me deu. - Tyler sugere, me fazendo sorrir ao ver a expressão da morena.
- Tenho certeza que o Noah tem muitas coisas para fazer, deve estar muito ocupado para jogos de vídeo game.
- Na verdade, eu adoraria. - Meu sorriso aumenta ao ver Any me lançando o seu pior olhar.
Antes que mais alguma coisa fosse dita entre nós três, vejo Chris se aproximar de onde estamos.
- Porra, finalmente achei você, cara. Tive que rastrear o seu carro. - Ele bufa em uma mistura de alívio com irritação antes dos seus olhos pararem na garota de braços cruzados com cara de brava. - Uau. Acho que passei a acreditar em amor à primeira vista. - Ele coloca a mão em seu peito esquerdo, onde fica o seu coração, em uma espécie de cantada idiota. Reviro os olhos para a cena patética.
- Any esse é o... - Sou interrompido.
- Eu sou o Chris mas pode me chamar de amor se você preferir, não vejo problema algum nisso. - Chris segura em sua mão e dá um beijo na mesma, Any tenta reprimir um sorriso mas falha quando suas covinhas ficam à mostra.
- É pra eu me livrar desse aí? - Tyler sussurra para que apenas eu consiga ouvir.
- Deixa que eu cuido desse. - Murmuro de volta. - Vamos embora logo. - Resmungo para Christian, interrompendo a pequena conversa ridícula que eles tinham iniciado.
- E o vídeo game? - Tyler questiona.
- Deixa pra próxima, bro. Any estava certa, eu tenho algumas coisas para fazer agora.
- Tenho certeza que sim. - Ela diz com sarcasmo, me lançando um sorriso falso.
Me levanto do banco logo após Tyler, empurrando Chris pelo ombro para ele manter uma distância segura da Any.
- Quando vamos nos ver de novo? Tenho certeza de que o destino está querendo que isso aconteça tanto quanto eu. - Chris continua cantando Any e eu bufo em impaciência.
- Se você estiver certo e o destino quiser mesmo que isso aconteça, nós nos esbarramos por aí. - Any dá um pequeno sorriso pra ele antes de segurar a mão do seu irmão mais novo e começar a andar para longe.
Fuzilo Chris com o olhar enquanto ele tem seus olhos presos no movimento que sua bunda faz enquanto ela anda, a calça jeans apertada que ela está usando melhora a visão. Dou um pescotapa nele antes de dar um empurrão na direção onde nossos carros estão estacionados, ignorando todas as suas perguntas sobre a Any.
Aposto que aquela filha da puta estava aceitando as cantadas dele de propósito. Mas isso não vai ficar assim, não mesmo.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top