31 - Thankless

31
Noah Urrea
New York, NY

Matar a Any. Isso não seria um problema, não é? Ela só tem atrapalhado as coisas para o meu lado desde que nos conhecemos, quando ela me flagrou matando Steve. E eu posso cortar o sentimento que eu estou criando pela raiz antes que ele cresça, com Any morta eu vou parar de sentir coisas e dar um fim na minha confusão mental.

Mas eu não posso fazer isso com ela. Eu já fodi demais com a vida dela. Aposto que as coisas só desandaram para Any também desde que eu entrei em sua vida, com certeza eu virei tudo de cabeça pra baixo. Any já desistiu daquela merda que nós tínhamos juntos, ela está bem seguindo em frente, eu não posso simplesmente matá-la para fazer as vontades de Claire.

- Eu não vou matá-la. - Digo decidido.

Claire solta uma risada nasalada ao se sentar ao meu lado no sofá, fazendo questão de manter o contato visual.

- Você está mesmo apaixonado por ela.

- Não estou. - Garanto. - Eu sou um filho da puta, Claire, mas você sabe que eu nunca matei um inocente. Não quando não me apresenta riscos.

- Existe risco maior do que estar se apaixonando? - Claire parece incrédula. - Se você não quiser fazer isso, eu faço. Eu posso matá-la sem problemas.

Seguro em seu maxilar e trago o seu rosto para perto do meu, encarando seus olhos com frieza.

- Se você encostar um dedo nela eu acabo com você. - Sussurro perto de seus lábios. - Entendeu? - Solto o seu maxilar quando ela assente com a cabeça.

Claire acaricia seu maxilar e eu reviro os olhos para o seu drama.

Puxo o meu celular do bolso da calça quando o mesmo começa a tocar, o nome de Brad aparecendo na tela me faz revirar os olhos mais uma vez.

- Fala. - Murmuro ao atender a ligação.

- Peter está no racha, aqui no Queens. - Brad começa. - Tenho certeza de que ele está aprontando alguma, os capangas dele estão em uma movimentação estranha.

- É claro que ele está aprontando alguma, Peter não costuma ir para esses rachas. - Bufo. - Eu já estou indo aí.

Sem mais nenhuma palavra eu desligo o celular e me levanto do sofá, voltando a pegar a chave do meu carro em cima da mesa de centro.

- Eu vou com você. - Claire se convida.

Não perco o meu tempo discutindo com ela, apenas continuo caminhando para a garagem ouvindo os seus passos atrás de mim.

Claire segura o meu braço para não se perder de mim enquanto passamos no meio da multidão para chegar até a beirada da pista. Estou atento aos movimentos ao meu redor, qualquer coisa suspeita e eu já terei minha arma destravada em minha mão.

Faço um toque de mãos com os caras quando chegamos até o lugar onde eles estão encostados no carro de James.

- Ele ainda está por aí. - Brad alerta.

- Peter está aprontando mais uma para cima da gente. - Olho ao meu redor, o procurando. - Fiquem atentos, ele não parece estar de brincadeira dessa vez.

- Relaxa, Urrea. O território é nosso, Peter seria um homem morto se fosse visto com uma arma na mão. - James diz quando dispensa a morena que estava com ele.

- Não custa nada termos cuidado. - Claire aconselha.

- Que seja. - James dá de ombros. - Eu vou correr na próxima.

O racha está movimentado essa noite. Peter é um cara esperto, ele sabia que esse seria um bom lugar para tentar alguma coisa contra mim. O território é meu mas isso não impede Peter de fazer um grande estrago.

- Olha quem está por aqui. - Claire sussurra no meu ouvido. - A putinha por quem você está apaixonado.

Olho na mesma direção que ela e vejo Any de braços cruzados com uma expressão entediada. Ela está com Josh e mais um grupo de pessoas que, pelo visto, não estão ali por ela e sim pelo seu amigo.

- Nunca mais repita que eu estou apaixonado - Digo pausadamente. - Porque eu não estou.

Dou mais uma olhada na direção da morena, agora um cara tenta puxar assunto com ela mas ela parece estar cortando tudo o que ele fala. Só não vou até lá acabar com a brincadeira dos dois porque ela parece estar o rejeitando, e também porque eu não quero que ela me rejeite na frente daqueles pivetes. Tenho uma reputação a zelar.

- Cara, não me diga que aquela é mesmo a Any. - James aparece ao meu lado quando Claire se afasta, grunhindo em frustração.

- Sim, é. Qual o problema?

- Qual o problema, Urrea? - Ele arqueia uma sobrancelha. - O problema é que Peter está aqui. Talvez ele não seja tão lerdo quanto você e saiba logo de cara que ela é a filha dele. Nós não sabemos se as intenções dele com ela são boas, não podemos deixar Any acabar em suas mãos.

- Tem razão.

- Eu nunca pensei que eu fosse dizer isso, mas... - Ele respira fundo antes de voltar a falar. - Vai até lá e dá um jeito de levar ela daqui.

Desde o que aconteceu da última vez com Any, James é contra eu estar perto dela. Nos primeiros dias eu quis ir até ela e terminar o que comecei mas ele sempre me impedia. Ele virou algum tipo de protetor sensato, o que é ridículo.

- Está tirando uma com a minha cara? - Rio forçado. - Any nunca sairia daqui comigo. Ela me odeia agora.

- Eu não a culpo. - Dá de ombros. - Mas você precisa fazer isso. Já tem dinheiro rolando para a minha corrida e eu não posso sair daqui, você precisa fazer isso. Peter não pode saber sobre ela.

- Por que eu faria isso? Any não é mais um problema meu.

- Sou seu melhor amigo desde que você tinha seis anos, Jacob. Eu conheço você. Sei o que você está tentando fazer, escondendo o que está sentindo por ela. - James olha para Any, do outro lado da pista. - Eu desconfiava já que você estava parecendo uma vadia na TPM desde que ela decidiu acabar com tudo, mas tive certeza quando Claire apareceu aqui brava e eu descobri que o motivo é que ela acabou notando isso também. Você já foi melhor em esconder sentimentos.

- Não quero falar sobre essa porra. - Reviro os olhos.

- Tanto faz, cara. - Ri nasalado. - Tira ela daqui para o bem dela. Além de Peter poder reconhecê-la, ela também corre perigo apenas por estar aqui porque nós sabemos que essa noite vai acabar em confronto. - Bufo derrotado, dou um passo na direção dela mas James coloca a mão em meu ombro me fazendo parar. - Se você machucar ela fisicamente de novo, eu vou machucar você também.

Reviro os olhos, ignorando a sua ameaça enquanto caminho em sua direção. O cara continua dando em cima dela, olho para o seu grupinho e vejo o seu amigo visivelmente bêbado rindo com um outro garoto.

- Vaza. - Rosno para o cara perto da Any e ele rapidamente se afasta dela, a fazendo suspirar aliviada.

Any me olha por uma questão de segundos antes de tentar ir para longe mas eu seguro o seu braço, a fazendo permanecer ali.

- Será que eu vou precisar desenhar pra você entender que eu quero você longe? - Ela dá um solavanco, soltando o seu braço.

- Urrea! - Josh grita eufórico quando me vê ali, se aproximando de nós dois sem me deixar respondê-la. - Você está parecendo sóbrio demais. Por que não bebe umas para ficar vulnerável e eu conseguir te dar uns socos pelo o que você fez com a Elly?

- Nem se eu entrasse em coma alcoólico você conseguiria me dar uns socos.

- Podemos ter essa experiência. Seria legal ver você em um coma alcoólico e poder te jogar em uma mata completamente pelado. - Ele ri como se fosse engraçado, bebendo mais um gole da bebida em seu copo. - Não se preocupe, eu não faria nada demais.

- Não acha que já bebeu demais? - Any se pronuncia.

- Qual é, Elly. Não seja careta. - Josh passa o braço ao redor do pescoço dela. - Vamos dar um beijo triplo - Ele grita animado, se embolando com as palavras. - Vem, Noah! - Ouço a risada esquisita da Any ao ver o nível de embriaguez dele.

- Definitivamente você bebeu demais! - Ele faz uma careta.

- Sinceramente, toda essa frustração sexual que ronda vocês me deixa enjoado, ou talvez seja apenas os sintomas da minha futura ressaca começar a aparecer. - Josh vira o seu copo de bebida. - Não preciso ficar aqui sentindo isso no ar, diferente da Elly eu tenho uma vida sexual ativa esperando por mim. - Ele dá mais uma risada bêbada antes de voltar para perto do cara com quem estava antes.

Quando se vê sozinha comigo, Any tenta se afastar novamente mas eu volto a segurá-la.

- Elly, você precisa vir comigo agora.

- Não irei com você a lugar algum. - Ri forçado. - Agora sai de perto de mim!

- Porra, garota. Eu estou tentando ajudar você! - Esbravejo. - Inimigos estão no local e provavelmente essa noite vai acabar em tiroteios. Estava tentando fazer uma coisa legal por você mas você pode ficar no meio desse banho de sangue se preferir.

Any continua com seu orgulho e abre um sorriso falso para mim antes de começar a caminhar para longe. Bufo irritado e vou atrás dela. Essa filha da puta não está facilitando as coisas para mim.

- Elly. - Ela aperta mais seus passos ao me ouvir. - Caralho, você é uma vadia insuportável. - Seguro o seu braço e a puxo para mim, fazendo seu corpo colidir com o meu.

- Me deixa em paz no meio desse conflito entre criminosos, eu não me importo desde que eu esteja bem longe de você.

- Se você não quiser ir comigo, tudo bem. Eu posso mandar Claire ou Brad te levarem daqui.

- Por que você faz tanta questão de me tirar do meio disso tudo?

Fecho a boca. Não posso contar sobre a história da paternidade e eu também nunca iria confessar para ela a minha confusão mental. Todos parecem estar notando mas Any nunca saberá sobre os efeitos que tem sobre mim.

- Para de ser irritante e vem comigo.

- Já disse que não vou com você para lugar nenhum.

Me sinto observado e olho por cima do ombro, mas não vejo nada suspeito. Eu sei que provavelmente tem alguém na minha cola e eu preciso dar o fora daqui o mais rápido possível antes que eu acabe caído na minha própria poça de sangue.

Peter está querendo arrumar problemas.

- Presta atenção - Volto minha atenção para Any. - As coisas aqui estão tensas pra caralho, minha cabeça está a prêmio e por isso eu preciso dar o fora daqui mas isso não quer dizer que eles não vão arrumar problemas aqui porque eu não estarei. Estou tentando fazer a coisa legal de te tirar do meio da guerra que vai acontecer aqui então tem como você, por favor, colaborar?

- Tenho uma condição.

- Uma condição? Você quer exigir uma condição para que eu salve a sua vida? - Rio incrédulo.

Eu deveria deixar ela aí para ser morta no meio do tiroteio que vai acontecer no final da noite. Por que diabos eu estou insistindo em ajudá-la? Any está merecendo que eu a deixe no meio do banho de sangue.

- Beleza, fala logo que porra você quer pra ir comigo. - Cruzo os braços.

- Quero levar Josh junto com a gente. - Ela diz. - Não vou deixar meu melhor amigo no meio disso tudo.

- Não vou voltar para o meio do tumulto para achar o seu amigo. Vou ligar para Brad achar ele e nos encontrar na mansão.

- Me dê o seu celular e eu ligo, não confio em você. - Any estende a mão para mim e eu bufo antes de colocar meu celular em sua mão.

Essa vadia ainda vai me deixar completamente maluco.

Any Gabrielly
New York, NY

Abro os contatos do celular de Noah ignorando o seu olhar em mim e clico no nome de Brad para realizar a chamada.

- Já conseguiu tirar ela daqui? Tem uns movimentos estranhos dos caras de Peter. - Brad começa a falar assim que atende a ligação.

- Brad, aqui é a Any. - A linha fica em silêncio. - Noah disse que é para você achar o Josh e nos encontrar na mansão.

- Tudo bem. - Ele suspira. - Você está bem? Noah está sendo um filho da puta com você?

- Ele é um filho da puta o tempo inteiro. - Vejo Justin revirando os olhos. - Mas está tudo bem. - Garanto. - Só tire Josh daí, por favor.

- Vou achar ele, não se preocupe.

Não tenho chances de responder já que Noah puxa o celular da minha mão resmungando que eu estava atrasando tudo. Ele troca algumas palavras com Brad sobre como está o movimento no racha, desligando o celular quando tem todas as informações que queria.

- Vamos. - Ele segura o meu braço para me guiar pelo lugar, me fazendo revirar os olhos com a sua falta de jeito.

Eu vi quando Noah estava trocando palavras com James no racha, tenho quase certeza de que foi ele quem insistiu para que Noah me tirasse dali. Qual é, Noah nunca iria querer me ajudar. Por ele eu ficaria no meio de toda a confusão e teria meu corpo inteiro perfurado por tiros.

Noah para de andar de repente e me coloca atrás dele, entrando em modo defensivo. Fico na ponta dos pés para conseguir olhar por cima do seu ombro e tenho a visão de um homem careca se aproximando cada vez mais de nós dois, Noah olha para mim por cima do ombro para balbuciar um aviso.

- Fica calada. - Ele apenas mexe a boca sem produzir som, felizmente eu sou graduada em leitura labial já que esse é o único jeito que eu e Josh encontramos de conversar na aula de química.

- Está metendo o pé, Urrea?

- Eu não perderia esse show. - Noah o responde, blefando.

- Isso é bom porque Peter gostaria de ter você aqui apreciando. - O homem diz com um tom de divertimento.

- Avise para o seu patrão que estar no meu território é a mesma coisa que suicídio. Se ele quer tanto assim morrer, por que ele não me procura diretamente? Seria um prazer resolver esse problema para ele.

- Você não deveria brincar com ele, Urrea. - Estala a língua no céu da boca. - Peter está nessa há anos, não pense que ele está no topo sem merecimento.

- E você não pense que eu estou conquistando tudo isso sem merecimento. Acredite, Peter será o próximo a cair. - Noah garante.

Um silêncio paira no local e eu fico curiosa ao notar a tensão de Noah. Eu não posso ver nada do que está acontecendo, a única coisa no meu campo de visão são as suas costas.

- Parece que eu atrapalhei seu lanchinho. - O homem diz, provavelmente se referindo à mim, e Noah ri nasalado. - Vou quebrar essa pra você. Vou te deixar comer uma mulher pela última vez antes da sua morte.

Ouço passos do homem na terra. Noah puxa a sua arma da sua cintura e eu dou um gritinho abafado pelas minhas mãos quando ouço o som do disparo. Ele caminha em passos calmos até o cara jogado no chão, checando a sua pulsação para ter certeza de que ele está morto.

- Por que você o matou? - Questiono. - Ele estava indo embora!

- Ele planejava nos seguir. - Noah responde calmamente, pegando um canivete escondido na manga do casaco do homem morto. - Mais precisamente, ele planejava me matar.

Engulo em seco, vendo o corpo sem vida no chão em cima da sua própria poça de sangue.

- Vamos logo. - Ele segura meu pulso e volta a me puxar, me guiando até o seu carro.

Noah acelera para longe dali quando estamos dentro do seu carro. Me sinto desconfortável agora, eu não deveria estar aqui. Eu sou fraca quando se trata dele, eu estive construindo uma barreira ao meu redor durante um mês e não seria justo se ele simplesmente destruísse tudo novamente. Não estou disposta a passar por tudo de novo.

- O que fez no último mês? - Ele tenta puxar assunto.

- Não fale comigo. - Resmungo.

- Você é ingrata pra caralho. Eu estou aqui salvando a sua vida, porra.

- Logo você que foi quem mais a destruiu? - Rio nasalado.

Noah não fala mais nada durante todo o caminho. O olhei de canto quando o silêncio estava insuportável e notei o seu maxilar travado, e também a ponta de seus dedos branca por causa da força que ele apertava o volante.

Suspiro ao pisar dentro da mansão novamente, as lembranças ruins voltam como um relâmpago. Eu estive fazendo de tudo para ficar o mais longe possível e esquecer tudo mas aqui estou eu, no lugar onde eu disse que nunca mais voltaria com a pessoa que eu disse que não queria ver nem pintada de ouro.

Noah não se dá nem ao trabalho de olhar para trás para ver se eu o segui até a sua casa. Não é preciso ser um gênio para saber que ele está bravo, mas eu não me importo. É até melhor assim porque desse jeito ele fica sem falar comigo e facilita as coisas para o meu lado.

Fico de pé observando os quadros que decoram a parede, nunca fui ligada a arte mas qualquer coisa que me distraia agora para que eu não acabe com Noah está valendo.

O universo parece estar conspirando contra a minha saúde mental porque eu sinto a presença dele atrás de mim e segundos depois as suas mãos segurando a minha cintura. Seus lábios raspam em minha orelha me fazendo fechar os olhos com a sensação e os arrepios em meu corpo.

- Senti sua falta. - Ele sussurra e morde a ponta da minha orelha.

Não sou capaz de formar frases coerentes então apenas fecho a minha boca. Eu nem mesmo consigo arrumar forças para o afastar de mim e gritar com ele para nunca mais encostar suas mãos em meu corpo. Esse é o efeito que Noah tem sobre mim e que eu queria evitar, mantendo uma distância segura.

Noah me vira de frente para ele e me encosta na parede, me deixando presa entre a mesma e o seu corpo. Suas mãos gélidas tocam a minha cintura por debaixo da blusa, causando arrepios em meu corpo. Tento raciocinar direito - mesmo sendo quase impossível com ele tão perto - e espalmo minhas mãos em seu peito tentando o afastar de mim.

- Não - Minha voz sai como um sussurro.

- Você sabe que quer isso também. - Sussurra de volta.

Observo quando ele umedece os lábios com a língua e aproxima nossos rostos cada vez mais, nossos narizes se tocam enquanto seus lábios pairam sobre os meus. Apenas alguns centímetros separam as nossas bocas.

Sou puxada de volta para a realidade com o som da porta se abrindo, eu empurro Noah com mais força e consigo a distância que eu tanto queria.

Preciso me lembrar de agradecer Brad por fechar a porta com tanta força e por ter me ajudado mesmo sem saber.

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