3 - That's a goodbye
03
Noah Urrea
Nova York, NY
Depois de fumar um cigarro para me acalmar eu volto para o quarto. Fecho a porta atrás de mim e vejo a minha cama intocada, olho para a poltrona e ela está lá, toda encolhida completamente desconfortável naquele pouco espaço, mas mesmo assim está dormindo.
Sua respiração está calma e sua pele arrepiada por causa do frio. Respiro fundo e torço para não me arrepender do que eu vou fazer agora. Passo um dos meus braços na dobra do joelho dela e o outro em seu pescoço, puxo ela para cima a pegando no colo e carrego ela até a cama. Coloco Any embaixo das cobertas e ela murmura coisas incoerentes sem sair do seu sono pesado e se aconchega nos cobertores.
Ouço o som da porta principal ser fechada e algumas vozes são ouvidas no andar de baixo, deixo Any dormindo no quarto e vou para a sala onde encontro os caras conversando entre risadas.
- Uma parte do problema foi resolvido. Ela não vai abrir a boca. - Digo e me sento no sofá ao lado de Brad.
- Então o problema foi todo resolvido porque não há mais nenhum vestígio de Steve no mundo. - Brad diz sorridente.
- Você tem certeza que ela não vai falar nada? - James pergunta e eu afirmo com a cabeça. - Assim espero, a última coisa de que precisamos é de você atrás das grades.
- Ela é legal. - Brad diz, ganhando os nossos olhares. - O que foi? Ela não é ruim ou algum tipo de vadia chata. - Ele dá de ombros e eu reviro os olhos.
- Quando você pretende deixar ela ir embora? - James pergunta.
- Amanhã cedo ela vai estar bem longe daqui. - Respondo.
- Ótimo. - Ele diz se levantando do sofá. - Dia longo, rapazes. Amanhã cedo temos assuntos para resolver. - James faz um toque de mão com cada um de nós e sobe as escadas, provavelmente indo para o seu quarto.
Depois de conversas jogadas fora, risadas e algumas garrafas de cerveja com Brad eu subo para o meu quarto. Tiro a minha calça jeans e deixo ela jogada em algum canto do meu quarto, logo deixando minha camisa fazer companhia a ela. Any continua dormindo tranquilamente e eu me deito ao seu lado embaixo das cobertas, fico deitado de barriga para cima enquanto fito o teto esperando o sono vir, mas tenho certeza de que assim como todos os outros dias ele não virá.
Any se mexe na cama mais uma vez e eu sinto um peso sobre o meu peito. Desvio o meu olhar do teto e olho para baixo, ela está deitada em meu peito enquanto continua em seu sono. Deixo um pequeno riso sair dos meus lábios e tiro ela de cima de mim, a empurrando para o lado, ela resmunga alguma coisa enquanto fica de costas para mim.
Any Gabrielly
New York, NY
Sinto alguém chacoalhar o meu corpo e resmungo ainda de olhos fechados virando para o lado contrário querendo apenas continuar com o meu sono.
- Porra Any, acorda logo. - Ouço uma voz masculina e rapidamente abro os meus olhos, me arrependendo assim que a claridade me incomoda. Quando eu abro os olhos, vendo o quarto desconhecido e o assassino de pé próximo a mim, eu noto que não estava em um pesadelo.
- Que horas são? - Pergunto ainda um pouco sonolenta enquanto coço os meus olhos.
- Cinco da manhã, também conhecida como hora de acordar pra dar o fora da minha casa. - Fico sentada na cama e vejo Noah de costas, procurando uma camisa em seu armário.
- Vai me deixar ir?
- Sim, agora. Provavelmente seus pais vão estar dormindo e você pode entrar escondida em casa, dando qualquer merda de desculpa depois. - Ele pega uma camisa cinza e veste antes de se virar pra mim. - Por que você ainda está aí? Se quiser que eu te leve, levanta rápido. Te espero lá embaixo. - Dito isso ele sai do quarto.
Me levanto preguiçosamente da cama e procuro os meus sapatos pelo quarto, assim que encontro o meu par de tênis eu coloco eles em meus pés e caminho para o banheiro que tem ali no quarto de Noah. Me olho no espelho e logo me arrependo, minha aparência está realmente horrível. Me apresso em ajeitar o meu cabelo e assim que ele está apresentável eu lavo o meu rosto com a água gelada.
Saio do banheiro e começo a caminhar para fora do quarto, desço as escadas devagar e já posso ouvir vozes vindo dos cômodos de baixo. Vou até a origem das vozes e entro em uma cozinha, eles se calam e todos os olhares são direcionados para mim e sinto minhas bochechas esquentarem por causa de toda a atenção.
- Que adorável, ela está com vergonha. - Brad diz rindo um pouco e se aproxima de mim, passando seu braço em volta do meu ombro me fazendo dar um pequeno sorriso, espero que não esteja parecendo forçado.
- Acho que está na hora de você ir. - James diz ríspido e meu sorriso se desfaz, não por estar triste por estar indo embora e sim por causa do nervosismo que ele me passa.
- Eu posso levar ela. - Brad diz ao meu lado.
- Não, eu vou levar ela. - Noah diz já pegando a chave do carro em cima do balcão e eu reviro os olhos.
- Quem sabe a gente se esbarra por aí. - Brad diz em meu ouvido. - Você pode me ver matando alguém e eu serei obrigado a te trazer para cá de novo. - Dou uma risada nasalada e ele beija o topo da minha cabeça antes de se afastar. Chega a ser adorável a forma como ele me trata bem, juro que pensei que todos os criminosos fossem do jeito de Noah e James.
- Anda logo. - Noah diz e eu não demoro para sair da cozinha atrás dele.
Caminhamos em silêncio até a garagem, ele destrava o alarme do seu carro luxuoso e nós dois ocupamos os nossos lugares no carro. Noah liga o carro e sai da garagem, logo começando a dirigir pelas ruas de Nova York.
- Você mora naquela rua? - Ele pergunta se referindo a rua em que ele matou o rapaz ontem.
- Perto. Pode me deixar lá. - Olho pela janela e vejo o céu, ainda está muito cedo e o dia ainda está clareando.
Depois de alguns minutos em completo silêncio ele volta a falar. - Por que você está quieta? Tentei fazer você ficar assim a noite inteira. - Ele dá uma leve risada. Ou ele é bipolar ou ele é completamente maluco.
- Estou finalmente do jeito que você queria. Quieta. - Digo sem desviar o meu olhar da janela.
- Esse silêncio é estranho vindo de você. - Ele está calmo e eu estranho isso, desde o momento em que nos conhecemos por causa de uma brincadeira de mau gosto do destino eu só o tinha visto estressado e raivoso.
- Achei que você quisesse esse silêncio.
- E eu quero. - Ele rapidamente afirma. - Mas achei que isso nunca aconteceria. - Mais uma risada escapa de seus lábios e antes que eu possa responder ele para o carro na rua onde tudo começou.
- Então... Isso é um adeus. - Digo tirando o cinto de segurança e ele dá uma risada nasalada olhando para frente.
- Não tente tornar isso algo sentimental. - Ele diz e eu rio de leve.
- Não vou. - Abro a porta do carro sem mais enrolações, fechando elas após sair.
Antes de eu me afastar, eu me lembro de algo e dou duas batidas fracas na janela, que depois de alguns segundos é aberta e eu me abaixo para nivelar nossos olhares.
- Você é louca de bater no vidro? - Ele diz incrédulo e eu reviro os olhos.
- Preciso de ajuda para subir pela janela.
- Se vira. - Ele dá de ombros e eu luto contra a vontade de revirar os olhos pela milésima vez.
- Se você me ajudar eu vou sumir mais rápido da sua vida. - Ele rapidamente sai do carro, ligando o alarme do mesmo e vindo até mim.
- Anda logo. - Sorrio vitoriosa e começo a andar em sua frente, o guiando até minha casa. Dou a volta pela casa com Noah atrás de mim e paro em baixo da janela do meu quarto, Noah olha todas as possibilidades para que eu suba do modo mais fácil pra mim. - Eu vou te ajudar a dar impulso e você se agarra no cano para conseguir subir, quando você chegar a uma altura boa para conseguir pular da sacada você faz. - Ele diz encarando a sacada do meu quarto.
- Ok, me deseje sorte com isso. - Digo torcendo mentalmente para não me atrapalhar agora.
Noah une suas mãos entrelaçando seus dedos e flexiona seus joelhos, coloco um de meus pés em sua mão e ele me dá impulso para segurar o cano de ferro, e eu começo a escalar o mesmo, o que faz a minha mão doer um pouco. Assim que estou na mesma altura da sacada do meu quarto eu passo uma perna por cima do parapeito e dou impulso para pular. Assim que me encontro dentro da sacada eu olho para Noah e vejo ele com um sorriso sacana nos lábios.
- A vista que eu tive da sua bunda foi incrível, bebê. - Ele diz e enterra as mãos no bolso da calça antes de sair andando dali.
Entro no meu quarto e vejo o meu celular em cima da cama, olho as horas no mesmo e já são seis horas. Tranco a porta do quarto e corro para o banheiro me despindo durante o caminho, ligo o chuveiro e prendo o meu cabelo em um coque frouxo para ele não molhar enquanto espero a água esquentar e logo deixo o meu corpo embaixo da água quente, sentindo toda a sujeira e sensações ruins deixarem meu corpo.
Depois de um banho demorado eu saio do banheiro e seco o meu corpo, vou para o meu quarto e pego minhas roupas íntimas e o meu pijama. Visto tudo o que eu peguei e bagunço o meu cabelo um pouco. Ouço um som de uma porta se fechando e tenho quase certeza de que é a minha mãe.
Abro a porta do meu quarto e bocejo forçado quando vejo ela no corredor, ela tem uma expressão nada agradável no rosto. Minha mãe cruza os braços na frente do seu peito e eu faço a minha melhor cara de desentendida.
- Onde você esteve durante a noite, Any Gabrielly?
- Em casa? - Me faço de desentendida e torço para que o meu nervosismo não esteja estampado em minha expressão.
- Assim que eu cheguei eu rodei a casa toda te procurando e você não estava. Não minta para mim, Any. - Droga.
- Eu fiquei um pouco mais na casa da vovó, perdi a hora e vim embora um pouco tarde. - Digo e ela fecha os olhos por alguns segundos antes de voltar a abri-los.
- Por que você está mentindo para mim, Gabrielly? - Ela diz. - Eu pensei nessa possibilidade e liguei para a sua avó, ela disse que você só deixou o Tyler lá e voltou para casa. Me diga onde você estava e eu quero a verdade dessa vez!
- Desculpe, mãe. Eu voltei para casa e o Josh me ligou triste porque terminou tudo com o garoto que ele estava ficando e eu fui lá ajudá-lo. - Mordo o meu lábio inferior torcendo para ela acreditar nessa mentira.
Depois de alguns segundos em silêncio me encarando ela suspira. - Tudo bem. Não faça isso de novo, muito menos sem me avisar. - Assinto com a cabeça. - Vai se arrumar para o colégio, vou fazer algo para você comer. - Dito isso ela desce as escadas e eu volto para o quarto me sentindo culpada por ter mentido.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top