27 - False romantic
27
Any Gabrielly
New York, NY
Aperto o casaco no meu corpo para me proteger do frio, apressando os meus passos o máximo que minha perna engessada me permite para entrar logo no prédio da escola. Josh solta um grunhido quando conseguimos entrar, o lugar quente é acolhedor mesmo se tratando de um colégio.
Meu melhor amigo ajeita a sua touca enquanto me segue até o meu armário, só preciso pegar os livros da primeira aula mas Josh se recusa a sair de perto de mim. Ele diz que posso tropeçar no meu gesso e cair no chão sem ele por perto, acho que tenho uma certa fama de desastrada.
- É sério, Elly. - Ele insiste. - Esse gesso com você se torna uma arma letal.
- Não morreria por cair no chão.
- Você consegue fazer coisas com esse seu desastre que até Deus duvida. - Josh zomba. - Qual é, estamos falando sobre você. A garota que esquece de levantar o pé para andar e tropeça no chão.
- Isso só aconteceu uma vez. - Me defendo. - No máximo duas.
- Elly, olhe para trás. - Josh manda com seu olhar preso em algo atrás de mim.
Olho por cima do meu ombro, tendo a visão de Noah puxando Catherine pela mão. Ele abre um sorriso canalha e pisca para mim antes de entrar na sala inutilizada com a Miss Vadia logo atrás dele.
Sou muito burra por esperar alguma coisa vinda de Noah. O que passou pela minha cabeça? Que só porque ele me ajudou e depois foi legal comigo ele deixaria de ser o idiota que sempre mostrou ser? Muito ingênuo da minha parte ter tido esse pensamento.
- O que acha de matar a primeira aula e ir até aquele lugar na esquina onde vende waffles de chocolate? - Josh murmura.
- Não tente me animar com comida. - Resmungo, tirando o livro que irei precisar do meu armário antes de voltar a fechá-lo. - Isso não me atingiu.
- Está tentando mentir para mim? - Ele faz uma expressão incrédula. - Elly, eu sei que você alimenta sentimentos pelo Grande Babaca. Ele não merece nem um pouco do que você sente, o que acha de seguir em frente? Conheço uns ótimos garotos para te apresentar.
- Estou sendo idiota por um garoto, não preciso sair dessa para começar a ser idiota por outro. - Começo a caminhar em direção à minha sala de matemática, Josh me segue mais uma vez.
- Elly, você sabia desde o começo que ele era um idiota e que, provavelmente, iria partir o seu coração em pedacinhos, então... - O interrompo.
- Eu não quero falar sobre ele, Josh. - Rosno. - Noah é um assunto proibido entre nós agora, entendido?
- Isso quer dizer que você vai parar de ser idiota por ele?
- Exato. - Paro em frente a porta da minha sala. - Você tem razão, ele não merece o que eu sinto. Se ele quiser ficar com meio mundo, que fique, mas ele não me terá desse jeito.
- É disso que eu estou falando, garota! - Josh diz animado. - Mostre para ele quem está mandando na situação.
Josh beija a ponta do meu nariz quando o sinal toca, correndo para chegar a tempo na sua primeira aula.
•
Caminho pelos corredores quase desertos por ser hora do intervalo, eu terei que pegar o meu casaco no armário já que a blusa fina de manga que eu estou usando não é o suficiente para me proteger do frio que faz hoje.
Abro o meu armário ao colocar o código e suspiro aliviada ao ver que meu casaco está mesmo ali. Me assusto quando sinto mãos segurarem a minha cintura mas logo sinto os lábios conhecidos tocarem o meu pescoço, eu me arrepio quando ele roça o seu nariz gélido na minha pele. Deixo os arrepios de lado, sendo consumida pela raiva e dou uma cotovelada em sua costela para fazer ele se afastar.
Pego o meu casaco e fecho o meu armário novamente, ignorando o seu olhar em mim enquanto eu visto o casaco, sentindo o calor me acolher. Tento sair dali ignorando completamente a sua presença mas ele segura em meu braço, me deixando de frente para ele e com as costas encostadas nos armários.
Bufo irritada.
- Está brava por que eu fodi com a Cathe? -Ele parece divertido com isso.
- O que acha de me deixar ir? - Digo, cruzando os meus braços.
- Qual é, bebê. - Noah coloca cada uma de suas mãos ao lado da minha cabeça, apoiadas no armário, deixando seu rosto mais próximo do meu. - Se você quiser, podemos ir para uma dessas salas também. Eu não me importaria.
- Você é um idiota. - Coloco a mão em seu peito para poder empurrá-lo para longe mas isso só faz com que ele aproxime ainda mais nossos corpos.
- Any, eu estou tentando. - Ele bufa. - Eu estou tentando ser bom pra você. Você pode colaborar?
- Tentando ser bom pra mim transando com aquela vadia? - Rio sem humor. - Tudo bem, Noah. Como quiser. Agora me deixe sair.
Ele aproxima seu rosto do meu na intenção de me beijar mas eu viro o meu rosto, fazendo seus lábios tocarem a minha bochecha.
- Bebê. - Ele sussurra, deslizando seus lábios pela minha pele querendo encontrar a minha boca. - Porra, você me deixa completamente louco. E eu não sei se é de um jeito bom.
Ele afasta nossos rostos, suspirando.
- Vai me deixar ir agora? - Murmuro.
- Quero que você passe a noite na minha casa hoje.
- Você ficou louco? - Nego com a cabeça. - Primeiro que eu estou de castigo e segundo que nós não estamos em um bom momento, caso você não tenha notado.
- Nós damos um jeito no seu castigo e vamos dar um jeito na nossa situação essa noite. - Ele me dá um selinho de surpresa. - Só esteja no meu carro às dez.
Sem esperar por uma resposta minha, Noah caminha para longe em passos rápidos.
Noah Urrea
New York, NY
Claire caminha na minha frente com seu vestido azul que bate acima de seus joelhos e é colado em seu corpo, me dando uma visão privilegiada da sua bunda. Nós quatro entramos no grande salão de vidro, vendo vários inimigos e aliados em um único lugar. O fato das paredes do salão serem todas de vidro nos deixa ver o sol se pondo e a cor alaranjada do céu.
Avisto Peter conversando com algumas pessoas do outro lado do salão, o ar prepotente a sua volta só me deixa mais orgulhoso por ter feito a descoberta sobre o que ele procura antes dele.
- Não tirem as escutas em momento algum. - Claire avisa, me lançando um olhar como se o aviso fosse muito mais para mim. - Qualquer problema ou movimentos suspeitos, avisem.
- Nós já passamos isso dentro do carro, Claire. - Relembro.
- Nós trabalhamos com você, falar mais de uma vez é sempre bom. - Ela abre um sorriso falso, pegando uma taça de champanhe da bandeja do garçom.
- Segura a sua onda, Urrea. Peter está se aproximando. - Brad me alerta.
Peter se aproxima de nós em seu terno grafite com um sorriso superior. Eu tenho vontade de jogar na sua cara a minha descoberta apenas para ver seu sorriso desaparecer mas eu preciso ter paciência, só vou jogar o zap na mesa quando for o momento certo para que ele funcione como cartada final.
- Urrea e sua equipe. - Peter diz em cumprimento, avaliando Claire dos pés a cabeça.
- Peter Anderson. - James cumprimenta de volta quando nenhum de nós o faz.
- Uma equipe de pirralhos que acham que podem chegar ao topo. - Não consigo reprimir uma risada nasalada com o seu comentário.
- Engraçado essa equipe de pirralhos ser a única que consegue fazer você se sentir ameaçado. - Rebato.
- Não cante vitória antes da hora, Urrea. Logo todos vocês virarão pó.
- Não se você virar primeiro. - Brad dá de ombros, olhando o movimento ao seu redor.
- Divirtam-se, crianças. - Peter diz ao soltar uma breve risada, se afastando de nós.
Nos sentamos na mesa reservada para nós, todos atentos aos movimentos ao redor. Digamos que não somos a equipe mais querida do país, mesmo tendo alguns aliados nossos aqui isso não impede de ter alguém querendo bancar o engraçadinho.
- Jacob. - Claire chama a minha atenção, eu olho para ela mas ela mantém seu olhar fixo em alguma coisa. - Se você quer ter uma conversa particular com Peter, essa é a sua chance.
Sigo o seu olhar, vendo Peter entrar em um lugar que parece ser como um escritório e fechar as portas.
- Se controle lá dentro e não fale mais do que o necessário. - James aconselha. - E tente fazer isso ser rápido para a gente dar o fora daqui, para o cara que tem uma das melhores boates da cidade Peter não dá festas muito legais.
Me levanto da cadeira e caminho em direção a porta branca, olhando para os lados apenas para ter certeza de que não estou sendo vigiado. Ao entrar no cômodo vejo Peter de pé com sua atenção em seu celular mas ele levanta o seu olhar para mim ao ouvir a porta se fechando.
Agora que eu sei de tudo, posso notar que Any tem alguns traços de Peter. Como seus cabelos que são da mesma cor dos dele e o formato dos lábios também.
- Veio arrumar problema? - Ele pergunta.
- Só vim conversar, Anderson. - Abro um sorriso convencido. - Sabe, eu descobri algumas coisas e gostaria de dividir com você. - Peter arqueia uma sobrancelha, surpreso e desconfiado.
- O que seria?
- O motivo de você estar em Nova York agora e não em Los Angeles mais. - Meu sorriso cresce mais ao ver o seu se desfazendo. - Eu sempre considerei o amor uma fraqueza nesse meio, me surpreende alguém experiente como você ter caído nessa.
- Você não sabe o que está falando, garoto. Volte para a festa e divirta-se antes que eu decida fazer dessa a sua última festinha. - Ele rosna.
- Não está afim de ouvir o que eu tenho a dizer? - Estalo a língua no céu da boca. - Miranda deve ser um assunto delicado para você.
Sinto vontade de rir ao ver a expressão de Peter quando eu menciono o nome da loira. Isso porque ele não faz ideia de que eu sei também o nome da sua filha.
- Você está com os papéis. - Ele conclue, dando uma risada nasalada.
- Acredite, Peter... Eu estou com mais do que os papéis em minhas mãos. - Faço uma referência à Any mesmo sabendo que ele não entenderá.
- O que você quer, Urrea? - Peter vai direto ao ponto.
- Por enquanto, nada. - Dou de ombros. - Ainda não é a hora certa para exigências.
- Tome cuidado onde pisa, garoto. - Ele ri nasalado ao negar com a cabeça. - Você ainda não viu nem metade do que eu sou capaz de fazer com quem se mete no meu caminho.
- Você só tem o que perder se fizer algo contra mim. - Digo. - Eu sei tudo sobre Miranda. Não só o que está naqueles seus papéis, também sei coisas atuais. Ela está na minha mira.
- Onde você encontrou Miranda? - Ele rosna.
- Informações demais. - Sorrio vitorioso. - Te vejo em breve, Anderson.
Saio do escritório sem esperar uma reação da sua parte. Fiz o que queria: deixei bem claro para Peter que eu sei de tudo. Tenho que ir com calma, um passo de cada vez. Primeiro a Any em minhas mãos e depois as exigências para Peter se ele quiser ter ela por perto.
- Pela sua cara de egocêntrico eu posso concluir que ocorreu tudo como você planejava. - Brad resmunga quando eu me aproximo da mesa.
- Tudo sempre ocorre como eu planejo. - Dou de ombros.
- Se controla, Jacob. - James diz ao se levantar da cadeira sem largar a sua taça de vinho branco. - Vamos dar o fora daqui, isso está uma merda.
- Cadê a Claire?
- Estou aqui. - Sua voz soa atrás de mim.
- É melhor irmos logo, não acho que Peter vai deixar as provocações do Urrea baratas. - Brad também se levanta da cadeira.
- Ele nem sabe no que está se metendo dessa vez. - Dou risada.
- Você é tão convencido. - Claire resmunga.
Eu vou me encontrar com Any às dez, ainda são sete da noite. Eu tenho três horas para me divertir como eu bem entender. Claire está chata desse jeito por falta de sexo, eu reconheço isso nela de longe e eu posso ajudá-la com isso.
Caminhamos para fora do salão, cada um começa a caminhar para o seu carro estacionado ali. Claire veio com Brad e eu seguro a sua mão quando ela começa a caminhar na direção do seu carro, a loira me olha com uma sobrancelha arqueada.
- Você vem comigo. - Ela revira os olhos mas eu posso notar a sua tentativa falha de esconder um sorriso.
Quando estamos os dois dentro do carro eu acelero para longe dali, não indo pelo mesmo caminho que os caras. Eu não iria para casa agora. Claire ri nasalado quando reconhece o caminho que eu estou fazendo.
- Vai me levar para um motel, Urrea? - Claire diz com a voz baixa, quase sexy.
- Gosto de quando você dança pra mim naquelas barras.
Puxo o seu vestido para cima sem tirar a minha atenção da estrada, deixando o tecido embolado em sua cintura. Deslizo a minha mão pela sua coxa desnuda até chegar em sua virilha, rio nasalado quando Claire abre mais as suas pernas para deixar o caminho livre para mim. Eu disse que o mau humor dela era falta de sexo.
•
Bato meus dedos no volante impacientemente, o silêncio dessa rua me incomoda. É difícil encontrar uma vizinhança quieta desse jeito em Nova York.
Vejo pelo retrovisor Any se aproximando do carro, ela olha para trás o tempo todo para garantir que não está sendo seguida e parece mais lerda do que o normal com esse gesso na perna. Ela abre a porta do carro, ocupando o lugar do carona.
Dou uma breve risada ao ver seus braços cruzados e sua tentativa de parecer brava.
- Você está aqui porque quer. - Relembro, a fazendo me olhar com uma sobrancelha arqueada.
- Você ameaçou entrar na minha casa e me tirar de lá pelos cabelos!
- Tanto faz. - Dou de ombros enquanto ligo o carro. - Eu só quero passar um tempo com você, você poderia colaborar.
- Me ameaçar para que eu passe um tempo com você não é algo legal. - Ela resmunga.
- Eu não sei como fazer isso, tudo bem? É a primeira vez que eu realmente quero estar com alguém e talvez meu jeito de conseguir isso não seja o melhor mas eu estou tentando. Você pode me dar um ponto por tentar fazer com que isso dê certo? - Tento fazer a minha melhor cara de inocente para que ela caia no discurso.
Olho rapidamente para Any antes de voltar o meu olhar para a estrada. Ela tira uma das minhas mãos do volante para entrelaçar os nossos dedos.
Olho rapidamente para Any antes de voltar o meu olhar para a estrada. Ela tira uma das minhas mãos do volante para entrelaçar os nossos dedos.
- Precisamos conversar sobre isso. - Ela praticamente sussurra e eu tento esconder um sorriso por ter Any em minhas mãos.
Isso vai ser mais fácil do que eu pensei que seria.
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