15 - Stop crying
15
Any Gabrielly
New York, NY
- Você está sangrando. Tipo, você está sangrando muito mesmo. - Eu digo encarando o seu ferimento.
- Oh, você jura, Any? Eu não tinha notado. - Sarcasmo pinga de cada uma de suas palavras. - Comece logo a dirigir!
- Droga! Até sangrando correndo risco de morrer você é mandão. - Josh resmunga tentando manter a postura antes de acelerar o carro para sairmos do estacionamento.
Eu não espero mais tempo e passo para o banco de trás, dando sem querer um chute no ombro do meu melhor amigo enquanto passo pelos dois bancos para me sentar ao lado de Noah, ouvindo Josh resmungar. Noah tem o seu maxilar travado e eu tenho certeza que ele está apenas tentando parecer forte, esse ferimento deve estar doendo muito e ele tenta esconder isso.
- Oh meu Deus, você está perdendo muito sangue! - Eu digo, já sentindo meus olhos enchendo de lágrimas. É o que eu faço quando passo por esse tipo de situação: eu choro. Ultimamente eu estou tendo que lidar com isso mais do que durante toda a minha vida.
- Você não vai chorar, não é? O seu choro é irritante. - Ele diz olhando para mim.
- Eu só... - Tento engolir o nó formado em minha garganta mas isso parece piorar. - Noah, você está realmente perdendo muito sangue e... Merda! Eu estou preocupada.
- Não precisa. Eu já passei por isso antes.
- Eu já ouvi isso em um filme e o personagem morreu. - Uma lágrima solitária escapa do meu olho e eu sou rápida em secá-la, tentando evitar que o resto de lágrimas resolva escorrer também.
- Any, cale a boca. - Ele murmura fazendo novamente uma careta de dor ao se mexer. - O filho da puta fez um grande estrago.
- Como assim? Atiraram em você? - Eu pergunto incrédula, não dá para ver o seu ferimento já que ele o esconde com a mão.
- Não. Enfiaram uma faca em mim. - Noah diz como se fosse algo normal.
- Josh, vá rápido, ele está perdendo sangue aqui! - Eu quase grito para o meu melhor amigo, eu posso sentir as lágrimas escorrendo pelas minhas bochechas. O fato de ter alguém ferido aqui me faz chorar de nervosismo, ainda mais por esse alguém ser Noah. É como se eu me importasse demais com ele para tratá-lo com total frieza e o empurrar do carro em alta velocidade, meu coração está apertado por ver ele ferido e eu não sei o que está acontecendo comigo.
- Para de chorar. - Noah diz para mim como se eu tivesse o controle da situação, tento secar as minhas bochechas molhadas mas não tenho muito sucesso já que as lágrimas continuam escorrendo.
- Não dá. - Digo com a minha voz embargada por causa do choro. Noah segura os meus pulsos e aproxima seu rosto do meu para olhar no fundo dos meus olhos.
- Any, engole o choro. Para de chorar.
- Noah, eu não consigo. - Grito com a voz um pouco falhada por causa do meu choro. - Você está ferido e perdendo sangue! Eu me preocupo com você! Não sei lidar com isso de outra forma.
- Bom, o seu choro não vai resolver a situação então você precisa parar porque isso é irritante. - Ele aperta mais os meus pulsos e em um ato impensado eu seguro o seu rosto com as minhas mãos, Noah acaba com a pouca distância entre nós e eu sinto seus lábios encostarem no meu. - Você precisa parar de chorar por tudo. Sua fraqueza vai acabar destruindo você. - Ele sussurra e eu dou um breve beijo em seus lábios querendo calar ele antes que ele diga algo que eu não queira ouvir, quando eu estou prestes a afastar meu rosto do dele ele me beija.
- Primeiro vocês me fazem de motorista e agora de vela? Eu não estou de acordo com isso. - Josh reclama e eu tento me afastar de Noah mas ele não permite, me beijando com ainda mais intensidade.
Nossos lábios parecem se encaixar perfeitamente e se mexem em sincronia, Noah me beija como se isso fosse tudo o que ele precisa agora. Ele para de apertar os meus pulsos e deixa uma mordida no meu lábio inferior antes de desgrudar os nossos lábios, me fazendo sentir falta do seu beijo imediatamente; Noah passa a língua entre os seus lábios antes de voltar a falar.
- Esse é um bom jeito de me distrair da dor. - Ele diz em um tom de voz baixo já que estamos próximos um do outro.
- Você não acha melhor te levarmos para um hospital? - Eu sugiro.
- Vão fazer muitas perguntas e não vai ser legal ter meu nome nos registros, é melhor não. - Ele afasta o seu rosto do meu para olhar para Josh. - Você está mesmo parado no sinal vermelho? É como se você quisesse me ver morto.
- Eu não posso receber multas, meus pais tirariam o meu carro. - Josh se defende, nos olhando pelo retrovisor. - E não se preocupe, Senhor Mandão, já estamos chegando.
Nenhum de nós volta a falar algo, Noah faz uma careta de dor o tempo inteiro e eu juro que se fosse eu no lugar dele eu já estaria chorando e reclamando sobre como dói. Josh finalmente estaciona o carro no caminho para a entrada da mansão, ele tenta ajudar Noah a sair do carro mas o mesmo recusa a sua ajuda e anda sozinho, mas com dificuldade e uma careta de dor no rosto, para dentro da mansão.
- Caralho! O que aconteceu com você? - Brad pergunta para Noah assim que entramos na casa.
- Chame o Doutor Greenberg. - Ele diz ríspido se sentando no sofá enquanto retira a sua jaqueta jeans, sua camisa branca está toda suja de sangue.
Brad rapidamente pega o seu celular para cumprir as ordens de Noah. Eu não deveria estar aqui, eu deveria estar buscando Tyler no colégio; mas eu não posso deixar Noah agora, é como se eu precisasse ouvir as palavras de um médico para me sentir aliviada. É como se ver Noah sangrando do meu lado tivesse me mostrado que eu me importo com ele, mesmo ele sendo um grande idiota.
- Josh, você pode buscar o Tyler no colégio pra mim? - Digo baixo para apenas ele ouvir.
- Você vai ficar aqui?
- Não posso ir embora sem ter certeza de que ele vai ficar bem. - Olho para Noah que está sentado no sofá, ele tem uma expressão de raiva misturada com dor.
- Tudo bem. - Ele diz após suspirar. - Eu vou levar Tyler para a sua casa e ficar com ele até a sua mãe chegar, estou planejando dizer que você ficou na biblioteca até depois do horário para terminar os trabalhos da escola.
- Você é o melhor.
- Eu sei disso. - Ele sorri convencido e beija a minha bochecha antes de caminhar para fora da casa.
•
- Não se preocupe, não parecia ser nada grave. Ele parecia bem, não é mesmo? - Brad diz se sentando ao meu lado no sofá. Noah está no quarto com o médico há mais de meia hora e eu não sei o que pensar sobre isso, não demoraria tanto se não fosse nada grave.
- Eu não sei, não deveria demorar tanto assim. - Suspiro.
- Então... Você e o Noah estão tendo alguma coisa?
- Definitivamente não. - Dou uma risada nasalada encarando as minhas mãos que estão apoiadas em meu colo. - Como está o seu ferimento? - Pergunto para desviar o assunto, não é como se eu quisesse falar sobre minha relação bipolar com o Noah.
- Eu vou tirar o curativo em breve então está bem. - Ele sorri para mim.
Antes que eu possa respondê-lo eu vejo o médico descendo as escadas da mansão e rapidamente fico de pé, o homem de cabelos grisalhos caminha até nós e eu não posso evitar disparar minhas perguntas.
- E então? Ele está bem? Foi grave?
- Não foi algo grave, foi apenas um corte profundo. Eu já o tratei, coloquei pontos para fechar o ferimento e fiz um curativo, a pessoa que o acertou não teve muito sucesso. - Suspiro aliviada ao saber que ele está bem. - Eu dei um remédio para a dor então sugiro que deixem ele descansando já que logo ele vai adormecer por causa do remédio. E o mais importante, o Noah precisa de repouso total por pelo menos dois dias.
- Não se preocupe com isso, Greenberg. - Brad diz entregando um bolo de dinheiro para o médico.
Assim que o médico deixa a casa Brad segura em minha mão e me guia para o quarto de Noah, é óbvio que ele não seguiria a regra de deixar Noah descansando já que o tempo todo ele ficou reclamando que precisava saber quem fez isso. Assim que entramos no quarto de Noah temos a visão dele sentado na cama fitando o nada, ele está sem camisa e o curativo em sua barriga é bem visível. Noah olha para nós dois quando ouve o som da porta se fechando e seu maxilar se contrai quando ele olha para as nossas mãos juntas, me fazendo puxar a minha mão da mão de Brad rapidamente.
- Agora você já pode me dizer quem fez isso. - Brad quebra o silêncio presente no cômodo.
- Eu vou resolver isso. - Noah o responde.
- Nós somos uma equipe, se alguém fez isso com você nós devemos saber.
- Não vou abrir o jogo com ela aqui, ela não tem nada a ver com isso.
- Ela podia ter te deixado na porra da escola morrendo ao invés de te trazer aqui, sem contar que ela nunca abriu a boca sobre o que sabe e nos ajudou mais de uma vez. Any merece confiança. - Um pequeno sorriso se forma em meu rosto ao ouvir as palavras de Brad.
- O namoradinho da Any fez isso. - Noah diz após bufar em desistência e eu uno minhas sobrancelhas em confusão. - Ethan me cortou com um canivete.
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