14 - You won't stay?

14
Any Gabrielly
New York, NY

Noah veste a sua bermuda sem olhar para mim uma única vez, não trocamos nenhuma palavra um com o outro desde que aconteceu. Eu aperto o cobertor que cobre o meu corpo nu, mordendo o meu lábio para evitar dizer alguma coisa para ele mas eu não consigo manter minha boca fechada.

- Você não vai ficar? - Eu quebro o silêncio existente entre nós dois, quando ele olha para mim eu faço questão de consertar minha fala. - Quero dizer, a aposta era ficarmos a noite inteira juntos.

- Eu preciso ir. - Ele diz sem nenhuma emoção em sua voz. Noah pega a sua camisa no chão e a veste enquanto caminha para a sacada do meu quarto, não me dando chance de responder.

Quando a porta da sacada é fechada, indicando que ele se foi, eu deixo o meu corpo cair na cama. Onde eu estava com a cabeça quando me deixei levar pelos meus desejos? Agora além de ter o meu nome escrito na lista de morte de Noah eu também vou ter ele escrito em uma lista "virgens idiotas que já deram para mim mesmo eu sendo um babaca".

Eu desisto dos meus pensamentos quando já estou cansada de me xingar mentalmente e decido ir dormir, já está tarde e eu preciso acordar cedo para ir para o colégio.

- Você vai buscar Tyler hoje no colégio, não se esqueça. - Minha mãe me lembra, olho para o banco de trás do carro e vejo Tyler dormindo. Acho que não fui a única que dormiu mal essa noite.

- Tudo bem. Eu vou estar lá. - Minha mãe faz questão de beijar a minha testa antes que eu saia do carro.

Hoje o dia está nublado e o clima está frio, um ótimo dia para ficar no meu quarto dormindo o dia inteiro mas ao invés disso estou no colégio prestes a ter aula de matemática. Os corredores estão bem movimentados, o sinal ainda não tocou então a maioria dos alunos ainda estão por aqui. Caminho até o meu armário para poder pegar os meus livros e não consigo evitar olhar ao redor para ver se eu acho Josh, eu realmente preciso de alguém para conversar agora.

Quando eu fecho o meu armário eu levo um susto ao ver a pessoa parada ali me olhando com um sorriso tímido no rosto. Eu só posso estar presa em algum tipo de sonho.

- Oi? - Eu quebro o silêncio desconfortável mostrando em meu tom de voz o quanto estou surpresa por ele estar aqui.

- A gente precisa conversar, você não acha? - Ele morde o seu lábio inferior parecendo nervoso agora.

- Precisamos? - Ajeito meus livros em meus braços. - Eu acho que o nosso tempo de conversar já passou há muito tempo.

- Any, é sério. Precisamos conversar sobre tudo o que aconteceu. - Ethan insiste.

- Por que você quer conversar sobre o que aconteceu um ano depois?

- Eu sinto a sua falta. - Ele suspira. Há alguns meses atrás eu até me sentiria mexida com as palavras de Ethan mas agora elas já não fazem efeito. - Não quero que você me odeie pra sempre.

- Odiar é algo forte demais. - Faço uma careta. - Eu não odeio você, Ethan. Só não te quero mais por perto, não como antes.

- Vamos conversar sobre isso. - Ethan insiste. - Você pode até bater em mim se quiser.

- Eu posso? - Arqueio uma sobrancelha.

- Se isso fizer você sentir menos raiva de mim, sim. - Sem hesitar a minha mão colide contra a sua bochecha, fazendo seu rosto virar para o lado por causa do impacto. Eu queria ter lhe batido no dia em que terminamos mas eu chorava tanto que não tinha força para isso. - Merda. - Ele resmunga acariciando a sua bochecha antes de me olhar incrédulo. - Não acredito que você me bateu.

- Você disse que eu podia.

- Eu não achei que você fosse. - Ethan solta uma pequena risada, a sua bochecha está bem vermelha agora. - Nós podemos falar sobre o que aconteceu agora?

- As aulas já vão começar. - Argumento.

- Você nunca ligou para isso. - Ele ri. - Por favor, vai ser rápido.

- Tudo bem. - Bufo em desistência.

Ethan estende a sua mão para mim mas em nego, eu apenas ando ao seu lado. É apenas uma conversa, não vou dar abertura para que ele tente alguma coisa comigo novamente. Ethan é meu ex-namorado que aprontou comigo e eu levei um certo tempo para começar a superar, tempo demais para esquecer tudo agora. Ele me guia até o pátio do colégio e se senta em um dos poucos bancos de madeira livres, bem no jardim da escola.

- Então, sobre o que essa conversa vai ser exatamente? - Eu pergunto quando já estamos os dois sentados.

- Eu nunca quis magoar você, Any. - Ele começa. - Você me acha um grande babaca agora e eu não tiro a sua razão mas eu estava um pouco fora de mim.

- Eu acho que não estava fora de você quando eu cheguei na sua casa e vi você na cama com a Catherine. - Digo ríspida, eu não tenho culpa, ele tocou em minha ferida que ainda está cicatrizando.

- Droga! Eu sei - Ele passa a mão em seus cabelos loiros. - Eu estava bêbado e a Cathe se aproveitou disso, eu nunca iria para cama com ela se eu estivesse sóbrio. Eu nunca faria isso com você.

- Não coloque a culpa na bebida, isso é patético. - Murmuro. - Ainda não entendi o motivo de você querer conversar sobre isso tanto tempo depois.

- Eu apenas não quero que você me odeie. - Ethan olha em meus olhos. - Gosto muito de você e não quero ver você me ignorando sempre que passa por mim.

- Não posso simplesmente esquecer o quanto você foi um grande idiota.

- Eu sei que não. - Ele suspira. - Mas podemos tentar melhorar essa situação. Você sabe, amigos?

Meu ex-namorado que me traiu com a garota que mais me odeia está mesmo dizendo que quer que sejamos amigos? Para ser sincera, eu não o odeio. Ethan me magoou demais mas eu já superei isso, ou pelo menos eu acho que sim.

- Colegas que não se odeiam. - Eu conserto com diversão no meu tom de voz, Ethan dá uma breve risada.

- Já é um progresso. - Ele tem um sorriso em seu rosto agora e eu não posso evitar sorrir também.

- Agora eu realmente preciso ir. Não posso levar mais faltas. - Digo me levantando do banco.

- Então - Ethan se levanta também, ficando de frente para mim. - Não vai nem mesmo abraçar o seu novo amigo?

Eu reviro os olhos com a sua idiotice mas o meu sorriso não deixa os meus lábios, Ethan abre os braços para mim e eu hesito um pouco antes de abraçá-lo. É uma sensação estranha estar o abraçando agora, há um ano e sete meses atrás eu estava chorando por causa dele enquanto eu e Josh retalhávamos sua foto do anuário em uma tentativa de me sentir um pouco melhor e agora eu estou em seus braços novamente após aceitar seu pedido de desculpa.

Uma tosse forçada faz nós dois nos afastarmos, eu olho para o lado e vejo Noah nos encarando. Seus olhos estão escuros enquanto ele me encara, é como se ele estivesse se controlando para não nos bater ali mesmo. Noah levanta a suas duas mãos me mostrando que segura uma cartela de comprimidos e uma garrafa de água.

- Já que não usamos camisinha quando transamos ontem eu trouxe o comprimido para você. - Noah diz em voz alta, fazendo Ethan me encarar também. Eu tenho certeza que meus olhos estão arregalados e minhas bochechas estão avermelhadas.

- Eu preciso ir pra aula. - Ethan diz quando para de encarar Noah de uma forma estranha. - Vejo você depois. - Ele deposita um beijo em minha bochecha em um ato surpreendente para mim antes de caminhar para dentro do prédio da escola.

- Você ficou maluco? - Eu grito, atraindo a atenção de algumas pessoas presentes no pátio.

- Não, eu só não quero ter filhos. - Ele sorri cínico e coloca o comprimido e a garrafa de água na minha mão.

- Não é disso que eu estou falando! É sobre você ter falado alto o que fizemos na noite passada. - Murmuro pegando um comprimido e colocando na minha boca usando a água para me ajudar a engolir ele.

- Está afim dele, Any? - Ele pergunta enquanto olha ao redor, evitando olhar em meus olhos.

- Não - Eu nego rápido. - Ele é só o meu ex-namorado e... Isso não é da sua conta.

- Realmente não é. Não estou interessado na sua vida amorosa. - Ele dá uma risada falsa, sem humor. - Eu só queria garantir que você iria tomar o comprimido. - Noah começa a andar para longe assim que termina de falar, não me deixando respondê-lo.

Eu pego os meus livros em cima do banco e caminho para dentro do prédio de colégio, ainda dá tempo de pegar a segunda aula.

- Eu não posso acreditar que ele realmente rasgou a calcinha que eu dei para você. - Josh diz, ainda incrédulo, enquanto nós andamos pelo estacionamento do colégio em busca do seu carro.

- O ponto aqui é que depois ele foi um idiota, e pela manhã foi ainda mais idiota. - Eu resmungo.

- Você fez ele gozar? Você sabe, ele pode estar frustrado com isso.

- Oh céus! Pare de falar, por favor.

Nós finalmente achamos o seu carro, Josh estaciona bem longe da entrada do colégio porque ele diz que é menos tumulto na hora de ir embora. Eu entro no banco de carona do seu Range Rover Evoque que ele ganhou no seu aniversário de dezesseis anos e Josh não demora para ocupar o banco do motorista.

Josh liga o carro mas não saímos do lugar, ele se preocupa agora em encontrar uma música boa no rádio ao invés de irmos logo para o colégio do meu irmão buscarmos ele. Eu olho para a janela na tentativa de me distrair olhando as poucas pessoas que buscam pelos seus carros na parte mais vazia do estacionamento, eu me me assusto quando uma pessoa entra apressadamente no banco de trás do carro. Só o que falta acontecer nesse dia é eu ser assaltada ou sequestrada.

- Que diabos é isso? - Josh diz, ele também se assustou ao ouvir a porta sendo fechada, e olha para o banco de trás. - Noah? - Quando o nome sai da sua boca eu também olho para trás apenas para checar se é mesmo ele.

- Dirija até a mansão. - Noah diz para Josh com um tom de voz autoritário.

- Não é como se eu fosse seu motorista particular, querido. A boba apaixonada é ela e não eu. - Josh rebate, me fazendo revirar os olhos.

- Me leve até a mansão. - Ele diz mais sério dessa vez e ajeita se ajeita no banco do carro, logo fazendo uma careta de dor por causa do seu movimento.

Eu junto as minhas sobrancelhas em confusão antes de percorrer o seu corpo com o meu olhar, parando em sua barriga e arregalando os meus olhos e deixando a minha boca se abrir em choque. Noah tem a sua camisa toda suja de sangue, do seu próprio sangue.

Notas Finais:
Querem mais hoje? ❤️🥰
O que estão achando?

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top