Nictofobia
Não leia se se sentir desconfortável com menções ao escuro e aos sintomas que alguém possa sentir em relação ao mesmo.
Nictofobia - Fobia da Escuridão
Boa Leitura
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Ten
As dores no peito de Chittaphon aumentavam a cada segundo. A cada batida do seu coração, a dor tornava-se mais forte, espalhando-se por todo o seu corpo. Nem as mãos a fazerem força no local onde afirmava sentir uma dor inexplicável faziam efeito.
Ele precisa de ajuda. Ten sentia que o seu corpo ia desistindo aos poucos, e a falta de ar tornava-se presente. A sensação de asfixia estava sem dúvida a enlouquecer mais Chittaphon. Ele queria respirar, queria sair dali, mas não se mexia. Nestas circunstâncias Chittaphon já se mentalizava aos poucos que a parede gélida que lhe servia de apoio iria ser a sua companhia para o resto da noite.
Era possível ouvir as batidas repetidas do coração de Chittaphon a ecoar pelo corredor e as vozes de fundo a tornarem-se inaudíveis. Apenas sombra e a cor preta se destacavam na mente de Ten.
As lágrimas que escorriam involuntariamente pelas bochechas rosadas assim como o seu nariz, deixavam os seus olhos vermelhos a pedir por ajuda assim como a sua garganta arranhada de tanto querer gritar, mas nenhum som se produzia.
Queria correr, queria ir para um local onde tinha luz, onde Chittaphon realmente se senti-se feliz. Mas tinha algo, tinha uma aura pesada que não o permitia fazer tal coisa.
Ten sentia-se tonto e enjoado. O seu estômago, devido ao medo que corria em suas veias, revirava milhões de vezes, a sorte, ou o azar neste caso, de Chittaphon foi ter uma grande falta de apetite naquele jantar.
Com os seus braços agarrados aos seus joelhos que se sentiam a ser tocados e agarrados por algo que não estava realmente ali presente, Ten tentava chamar alguém, tentava conseguir a atenção de alguém que pudesse estar a passar por ali aquela hora. Era muito improvável que alguém aparecesse ali, apenas o veriam como o adolescente que provavelmente está bêbado devido à viagem de finalistas.
Chittaphon sabia que não devia de ter vindo, sabia que algo ia dar errado, mas não ouviu a sua percepção e aqui está ele, a ter novamente uma crise que poderia muito bem ser evitada se ele não saísse de sua casa onde sabia que sempre haveria luz e os braços de sua mãe para o confortar.
Com a gola da sua camisola toda encharcada devido à falta de controle que Ten tinha naquele momento, o mesmo tentava fechar os olhos e imaginar que estava num local, com luz a entrar por todas as janelas, portas e pequenos feixes de luz que poderiam existir ali. Ele tentava, mas não conseguia. A sensação de algo que não era real o estava a tocar tornava-se cada vez maior, e o local onde podia ter a certeza que uma mão estava determinada a puxar o seu tornozelo, Chittaphon jurava que podia sentir um certo ardor e muita comichão em volta, o que mais tarde levaria a uma marca bem grave. Mas apenas se fosse real.
Os sentimentos e dores continuavam, cada vez mais fortes, cada vez mais densos, fazendo Chittaphon começar a sentir os seus olhos pesados e aos poucos observar a névoa escura, que até agora só estava presente em volta de si, começar a tocar na pele do tailandês, fazendo o mesmo, por uma última vez, tentar chamar alguém.
As lágrimas tinham parado, assim como as forças de Ten. De tanto pânico que sentiu naqueles poucos minutos que esteve num local completamente escuro, o seu corpo não aguentou, fazendo-o começar a perder as forças.
Porém, uma sensação rápida e quente no seu ombro fizeram, por segundos, o medo voltar. Ten naquele momento tinha pouca certeza do que o rodeava, mas podia jurar que aquela mão era tudo menos uma alucinação.
Encolhendo-se ainda mais no canto da parede gélida, e sentindo as lágrimas começarem a voltar, foi possível ouvir uma voz, conhecida por Chittaphon, o chamar. Por muito que acredita-se que fosse real, o tailandês não tinha coragem suficiente para manter os olhos abertos. Não queria acelerar ainda mais os seus batimentos cardíacos e muito menos aumentar o sentimento de asfixia que possuía.
A voz chamava várias vezes o seu nome, balançando Ten, enquanto falava algo do género de já estou aqui. O pânico e o medo ainda reinavam tanto no corpo como na mente de Chittaphon, e era um sentimento que Ten não queria que ninguém passasse por ele, nem mesmo a pessoa que ele mais odeia em todo o mundo.
Não tinha forças. Não tinha voz. Não tinha nada. Porém, a confirmação que algo naquele nevoeiro denso e escuro era real fez-se finalmente presente. Dois braços o rodearam, fazendo com que o seu corpo, já sem qualquer tipo de força, fosse levantado.
A parede gélida onde à segundos atrás Chittaphon se encontrava, fora substituída pelo corpo de alguém. Ten não se atrevia a abrir os olhos, nem pensava na possibilidade de tentar dizer algo. Apenas se limitou a encolher-se nos braços de um "ainda desconhecido". Talvez a maneira de como o mesmo podia ouvir as batidas calmas do coração da outra pessoa que Ten jurava que conhecia, o fizessem acalmar de tal modo que os seus olhos ainda permaneciam fechados, mas sem qualquer força para garantir que os mesmos não se iriam abrir.
Ainda que os braços do outro fossem confortáveis, as dores corporais que Ten sentira no início da crise, ainda se mantinham presentes. O seu psicológico mais uma vez tinha sido destruído, despedaçando-se em partes mais pequenas do que já estava.
As pálpebras - agora iluminadas - de Chittaphon, foram se abrindo, de pouco em pouco, assim que se apercebeu que se encontrava num local mais seguro que o anterior.
Já sentado numa cama, Ten juntou novamente os seus joelhos contra o seu peito, enquanto os seus braços rodeavam as suas pernas. Não queria desviar o seu olhar do chão. Queria respirar tranquilamente com o alívio de ter luz naquele quarto onde se encontrava.
- Aqui, toma.
Agora que o pânico já não estava tão presente como momentos antes, a voz era possível ser ouvida com mais clareza, e sem parecer mais uma simples alucinação.
O rosto de Chittaphon observou lentamente a mão, com dedos finos, estendida enquanto segurava um copo de água. E assim o seu olhar cruzou-se com a pessoa que tecnicamente o salvara de uma crise e de um possível desmaio.
Apenas pegou no copo ainda que com certa dificuldade, e tomou quase a água toda que lá se encontrava. Quando ia pousar o objeto de vidro, a mão quente tirou o mesmo da mão de Chittaphon, tocando levemente nos seus dedos. E esse simples toque fez com que um arrepio atravessa-se Ten, desde uma ponta dos cabelos, até à planta do pé.
Silêncio governou naquele quarto.
- Se preferires ficar sozinho, eu posso sair.
- Não! - Um pouco de desespero apoderou-se novamente de Ten. - Quer dizer, não. Não precisas sair. Fica. Eu... Não quero ficar sozinho.
- Tudo bem então.
Não era a primeira vez que o rapaz de cabelos vermelhos tinha visto o ex-namorado em tal situação, então era perfeitamente normal o mesmo saber como agir em naquele momento.
Sentou-se ao lado do mesmo, na cama, porém com um pouco de distância. Agarrar Chittaphon naquele momento seria péssimo, a não ser que o Tailandês pedisse.
- Desculpa Taeyong.
- Pelo quê?
- Por isto tudo, e pelo que se passou, mais uma vez.
- Ei - Chamou a atenção de Chittaphon, estalando os dedos. Os seus olhares cruzaram-se novamente. - Não tens, nem tiveste, culpa de nada, então não tens de pedir desculpa.
O peso da culpa que Ten sentia naquele momento, misturado com a adrenalina que sentira momentos atrás, ainda faziam que o mesmo se sentisse pior. Pior do que já estava. Pior do que alguma vez esteve.
Talvez os acontecimentos de à pouco mais de um ano decidiram voltar ao de cima, trazendo as memórias mais dolorosas e o seu outro ponto fraco de volta. Chittaphon jamais se arrependeria do que tinha passado com Taeyong. Foi com o de cabelos vermelhos que Ten tinha criado as melhores memórias até aos dias de hoje, mas dispensava as discussões e as últimas palavras trocadas, enquanto ambos os corações se partiam aos poucos.
Talvez fossem as hormonas da adolescência que causaram tal coisa, e que fez com que Chittaphon ganhasse coragem para falar certas palavras, que de alguma forma, magoaram Taeyong. E assim como o tailandês, Lee não se deixou estar e desabou, falando coisas que não devia.
Adolescência. A altura da vida onde fazemos a maior parte das coisas que nos arrependemos. Mas talvez, neste caso, essas ações talvez fossem contribuir para um futuro, quem sabe.
- Ambos erramos.
- Ten, não precisas de falar agora sobre isso. Descansa, deves estar cansado.
- Não, deixa-me falar. Não quero perder mais uma vez esta oportunidade e depois tu ires embora novamente.
Talvez o facto das pequenas mãos de Chittaphon ainda estarem a tremer um pouco, levou a que o mesmo as colocasse num obro de Taeyong, que se encontrava um pouco distante, enquanto encarava o nada.
A pulsação de Ten não tinha baixado, deixando aquela ação ainda mais difícil para o mesmo, mas não se importou. Ou pelo menos tentava não se importar tanto quanto devia.
- Podes dormir.
- Taeyong...
- Eu vou estar aqui quando acordares. Não vou embora.
Lentamente a mão de Ten foi sendo retirada do ombro de Taeyong, voltando ao local onde estava. E enquanto Chittaphon, sem mencionar nenhuma palavra, mexia nos seus poucos anéis, o Lee mais velho levanta-se, indo até a outra parte do quarto do hotel onde estavam.
Abrindo a porta do pequeno compartimento, devido à falta de luz, a única coisa que Chittaphon conseguia ver eram os cabelos vermelhos de Taeyong, na imensa escuridão. E a sua respiração, agora mais controlada, começara a aumentar, aos poucos.
E apercebendo-se de tal situação, a única coisa que Taeyong fez foi esticar a sua mão até ao interruptor, ligando a luz. E de seguida direcionando o seu olhar para Ten, que soltara todo o ar preso nos seus pulmões.
- Isto deve ser mais confortável que a tua camisa neste momento. - Falou Taeyong, entregando um moletom vermelho, combinando com os seus fios de cabelo.
- Obrigado.
Com os seus pequenos olhos negros, Chittaphon percorreu o espaço, procurando um lugar onde pudesse trocar a parte superior das suas roupas.
- Não é como se eu nunca te tivesse visto sem camisa Ten. Mas tudo bem... Eu viro-me.
Sem deixar o mais novo responder, Taeyong limitou-se a direcionar o seu olhar para a janela perto de si, olhando para o lado de fora daquele quarto.
E ainda que constrangido por fazer Taeyong passar por tudo isto, e ter de cuidar indiretamente de si, mais uma vez, o Tailandês despe a sua camisa rápido.
Após colocar o moletom vermelho de Taeyong, o perfume do seu ex-namorado invadiu os pulmões de Chittaphon. Com o seu olhar nas costas do Lee mais velho, enquanto agarrava as mangas vermelhas que lhe eram largas, Ten lentamente aconchega-se nas almofadas atrás de si.
E tentando não retribuir o olhar que Taeyong direcionara a si naqueles segundos, o mesmo encolhe-se, dando ainda mais a entender o quão grande o moletom do coreano lhe ficava.
Agora era o alívio que invadida Chittaphon. Os seus batimentos cardíacos estavam mais calmos, mas ainda com receio que o episódio anterior se voltasse a repetir. Os seus olhos pesavam, e os seus músculos doloridos começaram finalmente a descontrair.
Ten queria perguntar se Taeyong iria dormir ali. Ele sabia que o ex namorado gostava bastante da noite, sendo assim um ser humano noturno. Nunca entendia qual a paixão que Taeyong tinha pela escuridão e pelo silêncio, já que para si mesmo, a única coisa que entendia era que não aguentava pensar muito em ficar num local escuro. À minutos atrás foi mais uma comprovação disso.
Chittaphon queria perguntar, mas faltava coragem. Faltava-lhe a voz que sempre tinha à meses atrás para falar abertamente com Taeyong. A vergonha invadiu-o. Queria falar do tempo onde eles saiam somente os dois, e de como no final do dia Ten ficava deitado nos braços do outro, aliviado por ter uma luz mesmo perto de si. E um candeeiro óbvio, senão iria ser rodeado por escuridão.
Taeyong tinha sido a melhor pessoa que pôde ter na sua vida. Sempre o ajudou, e não se importava nada de ficar deitado, enquanto Ten estava agarrado a si. Ao mesmo tempo que ajudava o Tailândes a adormecer calmamente, ficava a observar a escuridão, que tanto gostava.
Ambos diferentes sobre o assunto "escuridão", mas ambos se completavam.
E era isso tudo que Chittaphon queria falar. Mas nada dizia, por pura culpa, tristeza e vergonha.
- O teu quarto fica do outro lado do Hotel, e eu não te vou deixar tentar atravessar novamente aqueles enormes corredores. - Falou Taeyong, assim que percebeu que o silêncio iria permanecer por parte de Chittaphon - E eu ainda não percebi. Porque estavas aqui se o teu quarto era na outra direção?
Ten engoliu seco. Não queria dizer que após ver os outros finalistas com os seus namorados ou namoradas, sentiu mais uma vez falta de Taeyong. E daí surgir a super ideia inteligente de atravessar os corredores escuros, para finalmente falar sobre o ocorrido no ano passado. Queria acabar a faculdade da melhor maneira.
Mas não era assim que se imaginava a falar com o de cabelos vermelhos.
- Eu não sei o que estava a pensar. A minha cabeça está uma confusão... - Respondeu Chittaphon.
- É, a minha também. Principalmente quando penso em ti.
Os olhos de Taeyong, agora fuzilavam Chittaphon. O Tailandês prendeu a sua respiração por breves segundos enquanto retribuía o olhar.
Ainda que os seus sentimentos e emoções não estivessem tão agitados, Chittaphon queria puder descansar, mas não conseguia. As borboletas na sua barriga causadas por Taeyong eram o mínimo dos problemas que o mesmo tinha naquele momento. O sentimento de ansiedade devido à sua fobia voltou a se instalar no mesmo momento que o mesmo pensou na hipótese de ter que dormir.
Não queria fechar os olhos. Não queria sentir que não tinha comando sobre si mesmo novamente. Não queria que os pensamentos de que algo o poderia atacar a meio da noite voltassem. Era paranóia sua, mas rapidamente olhou debaixo da cama, verificando que não tinha nada.
A sua respiração aumentara novamente, fazendo Chittaphon olhar de relance para Taeyong. E o de cabelos vermelhos já sabia de que se tratava. Após fechar a janela pela qual olhava o lado de fora do Hotel onde estavam, foi em direção do mais novo.
Os braços de Taeyong acolheram Chittaphon. Um abraço reconfortante, onde a cabeça de Ten estava a ser apoiada pelo peito do Coreano, e onde os seus braços estavam em volta do pescoço de Taeyong.
Ten conseguia ouvir a respiração calma do de cabelos vermelhos, enquanto os braços do outro acariciavam levemente as suas costas, na intenção de o acalmar. Chittaphon não queria admitir, mas sentia bastantes saudades dos abraços calorosos que recebia todas as semanas, diversas vezes ao longo dos dias. Sentia saudades dos abraços felizes, dos abraços após as discussões, e dos abraços que o reconfortavam em situações como aquela.
- Promete-me que vais pelo menos tentar Chittaphon. É muito importante teres uma boa noite de sono. Amanhã de manhã falamos sobre tudo o que quiseres.
Após Ten permanecer em silêncio, contendo as lágrimas, e apertar levemente os seus braços em volta do pescoço de Taeyong, o de cabelos vermelhos solta um suspiro pesado.
- Ten-
- Tae, por favor...
Ninguém, nem mesmo Chittaphon conseguiria decifrar a expressão séria que Taeyong tinha naquele momento. Os seus pensamentos eram confusos demais para o tailandês entender, e no estado em que estava, ainda pior se tornava.
Os braços do Lee mais velho foram aos poucos deixando de rodear o tronco de Chittaphon, fazendo com que o de cabelos negros soltasse os seus braços.
- Eu sei pelo que estás a passar. Eu sou a única pessoa daqui que te entende. Mas... Isto torna-se tudo tão confuso, Ten! Uma parte de mim não quer, mas a minha consciência não me deixa pensar outra coisa. - Taeyong fez uma breve pausa, e Chittaphon tentava ao máximo controlar as suas emoções ligadas ao assunto do seu antigo relacionamento. -...Eu não gosto de te ver mal, muito pelo contrário. Eu quero que tu estejas bem, a todo tempo. Mas se eu dormir contigo, eu vou me arrepender.
As esperanças de Chittaphon que restavam morreram ali mesmo. Então Taeyong estava a ser querido consigo apenas para ficar com a consistência tranquila? É, talvez Ten tenha pensado que ainda existia hipótese de ser como no ano passado, quando os dois namoraram. Umas lágrimas escorreram, mas a expressão de Ten ficou igual.
As mãos de Taeyong rapidamente seguraram ambos os lados do rosto de Chittaphon, fazendo com que as hipóteses de Ten fugir daquela troca de olhares fosse nula.
- Eu vou me arrepender, porque depois eu não vou conseguir te deixar de novo. Não vou aguentar continuar a fazer a minha rotina diária onde nós nunca nos cruzamos, apenas porque te tive comigo durante uma noite. Eu não vou aguentar ficar a tentar não te ligar a todo tempo, como sempre fazia durante os 3 meses que passaram depois de o nosso relacionamento terminar. O teu grupo de amigos acha que foi fácil para mim não é? Mas não foi. Não foi porque a única coisa que eu precisava para ser verdadeiramente feliz, era a tua presença ao meu lado. E ainda preciso. Mas não posso passar mais um ano a tentar não pensar em ti todas as noites antes de dormir, imaginando-te ali, abraçado a mim.
Silêncio.
A respiração calma, mas falha de Taeyong, destacava-se da respiração acelarada, que prendia o choro, de Ten.
- Taeyong, eu nunca disse que terias que me deixar ir de novo.
Enquanto a expressão incrédula permanecia na face do de cabelos vermelhos, Chittaphon limitava-se a tentar manter as lágrimas no seu interior. Não queria chorar. E não queria tentar entender se eram lágrimas de alegria e alívio, ou se era lágrimas de medo e angústia.
E talvez por estar tão concentrado em não tentar não chorar novamente em frente de Taeyong, Ten não se apercebeu que o mais velho se aproximou muito de si, e juntou os seus lábios aos dele.
A mistura de sentimentos que Chittaphon havia acumulado era inevitavelmente prejudicial para o seu estado de espírito. Medo, ansiedade, calmaria, nervosismo, as borboletas na barriga, medo de novo, a decepção, e agora a alegria em demasia.
O tailandês queria chorar. Queria libertar tudo o que lhe ia na alma naquele preciso momento. Mas ao invés disso preferiu retribuir o beijo cheio de sentimentos. Não sabia quando estaria tão próximo de Taeyong depois daquela noite, e não queria perder a oportunidade.
Com a felicidade à flor da pele de ambos, pequenos sorrisos foram trocados. Eram sorrisos de esperança, em que os dois apaixonados sabiam perfeitamente que seria, muito provavelmente, um novo início de uma nova etapa.
Chittaphon começava a sentir o cansaço invadir o seu corpo, assim como Taeyong se apercebera que já era hora de Ten finalmente descansar. Tinha sido uma noite bastante cansativa e desgastante para o mais novo.
Eles teriam o dia seguinte para esclarecerem tudo, para colocarem tudo a limpo e depois decidirem o que fazer.
Ten estaria a mentir se dissesse que não gostava de estar deitado enquanto a sua cabeça estava apoiada no peito do de cabelos vermelhos. De certa forma, o calor que Taeyong transmitia, fazia Chittaphon se sentir confortável. Um braço na cintura de Ten, enquanto o outro se encontrava em cima dos seus ombros, transmitia segurança. O perfume de Taeyong transmitia as lembranças das memórias felizes. E a visão do sorriso do Coreano trazia o que Chittaphon mais precisava: luz.
Ten sempre irá temer o que existe para além da escuridão. Nunca irá ter o seu psicológico suficientemente preparado para tentar atravessar tal coisa. Mas tendo Taeyong consigo, ele tem o seu porto seguro. Tem a sua luz.
E irá fazer de tudo, para garantir que o de cabelos vermelhos nunca deixe de brilhar, e iluminar o seu caminho.
⊱⋅ ────────────────────── ⋅⊰
Dark
-lyka
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