Nictofilia
Nictofilia - Paixão pela Escuridão
Boa Leitura
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Taeyong
O caminhar lento que Taeyong exercia naqueles corredores demonstravam uma certa tranquilidade pela parte do mesmo.
Sempre amou a escuridão. Sempre amou o desconhecido e a maneira de como se sentia acolhido no meio de um ambiente com pouca luz, ou até nenhuma.
Não tinha explicação. Apenas considerava-se um amante das sombras. Preferia mil vezes estar em silêncio durante a noite, enquanto encarava os pontos obscuros do local onde estava. Não acreditava em monstros, fantasmas, espíritos, e muito menos em criaturas provindas de lendas. Só acreditava que um local onde nem a luz entra, é o melhor lugar para descontrair.
Ao longo do último ano, o mesmo afastou-se um pouco dessa sua paixão, substituindo o amor psicológico por algo como o escuro que sentia, pelo amor por algo físico como o seu namorado.
O seu relacionamento não era algo que fazia Taeyong se manter constantemente num local iluminado, mas a fobia de Ten sim. O mais novo tinha diversas crises de pânico, ansiedade e tudo o que possam imaginar, apenas por pensar que a certo momento teria que fazer algo que indicasse que teria que se afastar da luz.
E como o amor que Taeyong sentia pelo Tailândes era maior que tudo, o de cabelos vermelhos prometeu que iria fazer de tudo para que o namorado não se sentisse mal, para que ele estivesse bem acima de tudo. Mesmo que isso significa-se que Taeyong teria que ter sempre luz perto de si.
E era nele que Taeyong pensava ao rondar os corredores do hotel. Com as suas mãos nos bolsos, enquanto caminhava nos largos e escuros corredores do hotel onde estava hospedado, o Coreano pensava em Ten.
Ambos tinham terminado fazia um ano.
Muitas brigas, discussões, e palavras desnecessárias. Não dava mais. Apenas estavam a magoar-se mutuamente ao longo do tempo. Obviamente que não podia, nem queria, esquecer os momentos bons que passaram juntos. Afinal, Chittaphon foi o primeiro e único amor de Taeyong, até aos dias de hoje.
Na mente de Taeyong, Chittaphon estava melhor sem ele. Tinha feito novos amigos na faculdade da qual eram finalistas, daí estarem num hotel. Tinha controlado um pouco mais a sua fobia com a ajuda de alguém. Na mente de Taeyong era isso que acontecera ao longo do ano que se passou. Mas não era verdade.
Talvez fosse da sua cabeça, mas de tanto pensar em Chittaphon enquanto caminhava lentamente pelo local escuro em direção do seu quarto, o mesmo ouviu pequenos ruídos, que reconheceu na hora.
Reconhecia aquela respiração acelerada e repetitiva. Não precisava pensar duas vezes para saber de quem era o choro que era quase impossível de ouvir.
Quem passasse por lá agora, iria dizer que talvez fosse alguém apenas bêbado por causa da viagem de finalistas. Mas Taeyong conhecia Chittaphon melhor que qualquer pessoa. Então percebeu na hora do que se tratava.
Aproximando-se rapidamente, mas ainda com uma certa calma, Taeyong baixa-se e coloca a mão no ombro do Tailandês. A gola da sua camisa estava encharcada das lágrimas que escorriam pelas suas bochechas. Aquela visão deixou Taeyong despedaçado.
Após pensar durante um ano inteiro que Ten tinha conseguido superar, agora estava ali, com Chittaphon no seu pior estado. A culpa invadiu-o, e ele apenas queria salvar o mais novo, não só porque se sentia no dever, mas porque sabia que ainda o amava. Taeyong amava Ten do mesmo jeito e na mesma intensidade que amava no início do relacionamento.
Repetiu muitas vezes, inconscientemente, a frase já estou aqui, mas claramente que Ten não iria fazer nada, ele estava a ser dominado pelo medo.
Com os seus dois braços, segurou Ten, levando o Tailândes no seu colo. Sabia que Chittaphon não teria forças suficientes para fazer o mínimo que fosse. E após ter novamente Ten perto de si, com o rosto encostado no seu peito, o coração de Taeyong começava a doer cada vez mais.
O seu quarto não ficava muito longe dali, já que estava a caminho do mesmo. Com uma certa pressa, acendeu todas as luzes possíveis, para que assim Ten conseguisse se sentir mais calmo.
E logo depois de sentar o mesmo na cama, com bastante cuidado, Taeyong foi buscar um copo de água. Sim, o coreano estava a tratar de Ten com tanto cuidado, como se ele pudesse partir a qualquer momento.
- Aqui, toma. - A voz calma em que Taeyong falou, fez de certo modo, Chittaphon abrir lentamente os olhos, ainda que com receio. O Tailândes tinha percebido com quem estava, e Taeyong esperava que a situação não se tornasse estranha.
Ainda com as suas mãos trémulas, Chittaphon bebeu a água. Toda a água que tinha no copo. E daí Taeyong percebeu que provavelmente o mesmo não tinha comido nem bebido nada, devido à sua ansiedade. O seu coração doeu de novo, porque se sentiu incompetente por não ter estado lá com ele.
Ao ver que Ten ia pousar o copo, o de cabelos vermelhos rapidamente pegou no copo, tocando assim os seus dedos com os de Chittaphon. As mãos dele estavam frias.
O silêncio governou naquele quarto. E por muito que Taeyong gostasse de silêncio, naquele momento era o seu pior inimigo.
- Se preferires ficar sozinho, eu posso sair.
- Não! - Ten proferiu de uma forma um pouco desesperada - Quer dizer, não. Não precisas sair. Fica. Eu... Não quero ficar sozinho.
- Tudo bem então.
A preocupação governava Taeyong. Assim como o peso na consciência de não conseguir resistir a Ten. Não era a altura perfeita para o de cabelos vermelhos pensar nisso, mas era inevitável. Taeyong aguentou durante um ano, mas apenas por Ten estar perto de si naquele momento, sentiu a barreira que construiu, desmoronar por completo.
Então, apenas se limitou a sentar um pouco distante do mesmo, encarando o nada. Iria lhe dar espaço.
- Desculpa Taeyong. - Chittaphon quebrou o silêncio.
- Pelo quê?
- Por isto tudo, e pelo que se passou, mais uma vez.
- Ei - Taeyong chamou a atenção de Chittaphon, estalando os dedos. Os seus olhares cruzaram-se novamente. - Não tens, nem tiveste, culpa de nada, então não tens de pedir desculpa.
Ten não teve culpa. E Taeyong também não. Nenhum deles teve. As hormonas da adolescência complicavam tudo, trazendo brigas ao de cima, que podiam ser muito bem ignoradas ou simplesmente resolvidas.
- Ambos erramos.
- Ten, não precisas de falar agora sobre isso. Descansa, deves estar cansado.
- Não, deixa-me falar. Não quero perder mais uma vez esta oportunidade e depois tu ires embora novamente.
Taeyong congelou.
Tinha medo que aquele momento chegasse. Tinha demorado bastante tempo para superar a falta que Chittaphon lhe fazia - mesmo que nunca o tenha feito totalmente. E agora estava com o mais novo ao seu lado, querendo trazer esse assunto ao de cima. O assunto que Taeyong também queria resolver, mas não achava que aquela era a melhor altura.
- Podes dormir.
- Taeyong...
- Eu vou estar aqui quando acordares. Não vou embora. - Taeyong prometeu a si mesmo. Por muito que custasse e que o medo o invadisse naquele momento, ele não iria fugir. Afinal, não iria trazer benefício nenhum ignorar o assunto que atormentava todos os seus dias, e todos os seus pensamentos.
E Taeyong pôde sentir a mão trémula de Chittaphon no seu ombro. Não queria admitir, mas sorriu mentalmente com aquele ato. Até que a ficha caiu. Taeyong apercebeu-se do estado físico em que Chittaphon estava. Não iria deixar que o ex namorado ficasse com a sua camisa encharcada durante o resto da noite.
Levantou-se e dirigiu-se ao pequeno cómodo onde as suas roupas estavam guardadas. Estava escuro, afinal as luzes estavam apagadas, e Taeyong sentiu-me tranquilo com aquilo. Por outro lado, conseguiu perceber que a ansiedade que ainda habitava em Ten não o deixava encarar por muito tempo um local consumido pela escuridão. E daí o de cabelos vermelhos ligou a luz.
Procurou por algo que deixasse Chittaphon confortável o suficiente para utilizar durante a noite. E enquanto isso, os seus pensamentos estavam a mil. Era impossível explicar o que sentia naquele momento. E por muito quem quisesse parar de se preocupar tanto com o rumo da conversa sobre o seu relacionamento, Taeyong não conseguia. Porém, não demonstrava isso de maneira alguma.
- Isto deve ser mais confortável que a tua camisa neste momento. - Falou Taeyong, entregando um moletom vermelho, que consequentemente combinava com os seus fios de cabelo.
- Obrigado.
Taeyong conseguiu observar que Ten procurava algum local onde pudesse trocar a parte de cima das suas roupas. E isso o deixou meio sem-jeito. Até triste talvez, mas iria respeitar o mais novo.
- Não é como se eu nunca te tivesse visto sem camisa Ten. Mas tudo bem... Eu viro-me.
Não deixou o Tailandês responder, apenas direcionou o seu olhar para a única janela aberta que dava a visão do lado de fora do hotel onde estavam.
No início daquela noite Taeyong estava calmo, com a sua consciência tranquila. Depois de achar Chittaphon em péssimas condições psicológicas, a preocupação invadiu-o. E agora, estava com uma mistura de emoções dentro de si.
Taeyong sempre amou Ten, e durante um ano quis enganar-se a si mesmo que o tinha superado. Quis mentalizar-se que Ten estava bem, que estava feliz. Quis pensar que agora ele só teria que seguir em frente. Mas agora percebeu finalmente que talvez, ele estivesse a viver numa mentira, criada por ele mesmo, apenas para não desenvolver mais a mágoa.
O som dos lençóis e das almofadas a serem um pouco movidas fez Taeyong olhar para trás, vendo já Ten com o seu moletom vermelho. Era fofa aquela visão.
As suas pequenas bochechas rosadas, os seus cabelos meio bagunçados, e as suas pequenas mãos cobertas pelo tecido que tinha o perfume do Coreano.
O silêncio invadiu novamente aquele quarto.
Taeyong percebeu que não iria adiantar esperar que Chittaphon dissesse algo. O mais novo tinha passado por variadas crises, então não queria piorar a situação, trazendo mais ansiedade para ambos.
- O teu quarto fica do outro lado do Hotel, e eu não te vou deixar tentar atravessar novamente aqueles enormes corredores. - Falou finalmente Taeyong - E eu ainda não percebi. Porque estavas aqui se o teu quarto era na outra direção?
Mais silêncio durante segundos, que mais pareceram horas.
- Eu não sei o que estava a pensar. A minha cabeça está uma confusão... - Respondeu Chittaphon, mexendo constantemente as suas mãos.
A resposta que Taeyong deu foi tão automática, que só depois de ter falado é que se apercebeu do que respondido.
- É, a minha também. Principalmente quando penso em ti.
O mundo desabou para o de cabelos vermelhos naquele momento. Pensou que Ten fosse esboçar alguma expressão de surpresa, ou admiração pela rápida confissão de Taeyong. Mas foi o contrário que aconteceu.
Ten continuou sério, durante uns minutos.
Porém, Taeyong não se tinha apercebido do que era. Os olhares rápidos que Chittaphon trocava entre o mais velho e o que haveria debaixo da cama. A sua respiração tinha começado a acelerar, e era possível observar os olhos de Ten ficarem brilhantes. Não era um bom sinal, ele iria ter uma nova crise. E Taeyong não aguentava mais ver Ten sofrer tanto em apenas uma noite.
Levantou-se e já sabendo do que o Tailandês precisava, Taeyong abraçou o mais novo. Tentou que os seus braços se tornassem o local mais acolhedor e confortável para Chittaphon naquele momento. Queria puder acalmar Ten, de tal forma que o mais novo apenas transmitisse alegria e calmaria, ao invés de tristeza e ansiedade.
Taeyong teve a sua comprovação de que tinha feito a coisa acertada quando sentiu os pequenos braços do outro envolverem o seu pescoço com uma certa força. E ainda com as mãos nas suas costas, acariciou-as com calma.
- Promete-me que vais pelo menos tentar Chittaphon. É muito importante teres uma boa noite de sono. Amanhã de manhã falamos sobre tudo o que quiseres.
Os braços de Ten que rodeavam o pescoço do de cabelos vermelhos, apertaram levemente, fazendo Taeyong suspirar pesado.
- Ten-
- Tae, por favor...
A expressão anterior de Taeyong fora substituída por uma mais séria, onde nem mesmo ele conseguia expressar em palavras o que estava a pensar.
Com a sua consciência a começar a pesar cada vez mais, e o seu peito começar a acelerar, Taeyong retirou lentamente as duas mãos que seguravam a cintura de Ten.
- Eu sei pelo que estás a passar. Eu sou a única pessoa daqui que te entende. Mas... Isto torna-se tudo tão confuso, Ten! Uma parte de mim não quer, mas a minha consciência não me deixa pensar outra coisa. - Taeyong fez uma breve pausa, tentando conter os sentimentos passados, que somente de Ten estar à sua frente, vieram ao de cima, e Chittaphon tentava ao máximo não chorar. -...Eu não gosto de te ver mal, muito pelo contrário. Eu quero que tu estejas bem, a todo tempo. Mas se eu dormir contigo, eu vou me arrepender.
O olhar triste de Chittaphon tornou-se o ponto de foco da concentração de Taeyong. Enquanto a sua expressão continuava normal, pequenas lágrimas escorreriam pelas suas bochechas rosadas.
Os dedos finos de Taeyong rapidamente rodearam o rosto do mais novo, não tendo assim forma de como Chittaphon fugir.
- Eu vou me arrepender, porque depois eu não vou conseguir te deixar de novo. Não vou aguentar continuar a fazer a minha rotina diária onde nós nunca nos cruzamos, apenas porque te tive comigo durante uma noite. Eu não vou aguentar ficar a tentar não te ligar a todo tempo, como sempre fazia durante os 3 meses que passaram depois de o nosso relacionamento terminar. O teu grupo de amigos acha que foi fácil para mim não é? Mas não foi. Não foi porque a única coisa que eu precisava para ser verdadeiramente feliz, era a tua presença ao meu lado. E ainda preciso. Mas não posso passar mais um ano a tentar não pensar em ti todas as noites antes de dormir, imaginando-te ali, abraçado a mim.
Silêncio.
A respiração calma, mas falha de Taeyong, destacava-se bastante da respiração acelerada de Ten.
- Taeyong, eu nunca disse que terias que me deixar ir de novo.
Admirado, sem acreditar no que tinha ouvido, era como Taeyong se encontrava. A sua mente estava uma confusão. Queria ter Ten de volta, mas ao mesmo tempo preferia não ter que sofrer mais com a separação do dia seguinte. Queria abraçar o mesmo todos os dias, mas não quebrar a rotina que demorou meses a ser criada, na qual o de cabelos vermelhos não pensava em Chittaphon. Queria proteger o mais novo de tudo que fosse uma ameaça para o mesmo, mas não queria se entregar totalmente.
Ele queria manter a sua consciência no meio do mar de ideias, onde naquela noite, Taeyong só iria ajudar Ten a ter uma boa noite de sono.
Mas a sua paixão pelo Tailandês não permitiu tal coisa.
Aproximou ambos os lábios. O simples toque dos lábios rosados de Ten fez Taeyong deixar todo o arrependimento de lado, assim como os pensamentos negativos. Talvez aquilo não fosse durar, e apenas se prolongaria durante o resto da noite. Mas o de cabelos vermelhos não queria saber. Tinha saudades de Ten.
A pequena nostalgia invadiu-o. O sorriso de Ten, as piadas que o mesmo fazia que não tinham sentido nenhum, os abraços por trás, as mãos entrelaçadas, os passeios de madrugada, a sua teimosia. Tudo estava novamente ao alcance do coreano. E ele não podia perder essa oportunidade.
Ainda que se tenham separado apenas pela falta de ar, Taeyong percebeu-se que o cansaço já se tinha apoderado, quase completamente, de Ten. Tinha sido uma noite cheia de emoções, e o coreano não queria piorar. Por muito que saiba que já o tinha feito.
Enquanto estavam deitados, um dos braços rodeava a cintura de Chittaphon, enquanto o outro estava a repousar nos seus ombros. Podia ouvir a respiração, agora calma, do mais novo, enquanto os seus cabelos negros estavam pousados no peito de Taeyong.
E é preciso mencionar de novo que Taeyong tinha saudades daquilo?
O coreano não se importava de deixar a admiração que tinha pelas sombras de parte. Afinal, tinha agora a sua paixão, mais forte que qualquer outra, junto de si.
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Dark
-lyka
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