Capítulo 7 - Dor no Peito
A mente de Marcon estava iluminada. Ele caminhava rapidamente pela sala de pesquisas, indo de uma mesa para a outra, pegando instrumentos e analisando amostras. Dias haviam se passado desde que Alisha apareceu ferida na porta, com grandes manchas escuras pelo corpo e costelas quebradas. Foi uma visita inesperada, é claro, entretanto, a preguiça de dia chuvoso não foi capaz de impedir que os curandeiros fizessem seu trabalho para salva-la.
O curandeiro chefe não havia deixado de vigiar a humana. Durante os dias que se passaram, ele a analisou varias vezes, checando sua saúde e a adaptação de seu corpo aos métodos de cura utilizados. Ela estava fisicamente perfeita, por enquanto.
Trata-la havia iluminado algo em Marcon. Sua mente parecia ter se aberto, criando ideias, e agora, ele colocava a mais eficiente delas em ação. Todos os curandeiros se dividiram para executar todas as atividades do dia com precisão, deixando o líder sozinho para analisar o Armyasenki morto. Sorriu ladino, pegando finalmente a ferramenta longa e pesada, a segurando em seu ponto de equilíbrio.
O Armyasanki o olhava com aqueles olhos reptilianos, esbugalhados e sem vida, o desafiando a fazer isso. E ele faria, com todo o prazer. Marcon se afastou um pouco, pondo o martelo para trás e pegando impulso. Com sua força aumentada pelo impulso, o martelo atingiu as costelas expostas, fazendo-as rachar com um estalo que reverberou por toda a sala.
Olhou para as rachaduras e rosnou, descendo o martelo o máximo que podia e golpeando novamente, com tanto impulso que a madeira da ferramenta quase de partiu ao meio. O impacto foi duas vezes mais forte, abrindo um buraco na caixa toracica. Com um sorriso vitorioso, Marcon começo a cerrar os ossos soltos, os desprendendo com cuidado de qualquer músculo presente.
Ao abrir o esqueleto, percebeu que sua teoria estava certa, não se passava de apenas uma caixa torácica. Era uma enorme proteçao, uma armadura natural para seus órgãos internos, sendo eles vitais ou não.
O coração era enorme, tão grande quanto as duas mãos de Sieron fechadas juntas. O tamanho de seus pulmões era surreal, assim como dos seus órgãos internos, tal como suas tripas eram tão longas que se pareciam com uma jibóia. Haviam marcas estranhas, similares às presentes em sua pele e músculos. Tudo naquela criatura havia sido criada a partir da costura de partes de diversos animais, entretanto, a organização desses órgãos era idêntica a humana.
Puxou da bandeja a faca de lâmina fina e afiada, pressionando o metal contra o órgão de digestão que se equivale ao intestino delgado. Abriu um corte longo em uma localidade, sendo recebido por sangue coagulado e um líquido extremamente ácido, similar ao quimo, que, por sorte, atingiu a parede ao invés dele. Não parecia haver nada de interessante la dentro, muito provavelmente, se ele tivesse comido algo, havia sido absorvido há muito tempo pela substância ácida e convertido em proteínas capazes de o deixar mais forte.
Ouviu algo cair na sala de exames e deixou a pequena faca de lado, limpando o sangue das mãos e se dirigindo para lá. Não se surpreendeu ao ver Alisha sentada, olhando tudo em confusão, sem lembrar-se direito de como havia parado na ala dos curandeiros. Como alguém imerso em bebida alcoólica, ela cambaleou ao descer da mesa, se apoiando nas paredes e olhando para o chão, abrindo e fechando os olhos enquanto respira fundo e repassa os acontecimentos que se lembrava.
- Alisha, como se sente?
- Bem. - sua voz saiu baixa, entretanto, expressava certo grau de surpresa, como se nao esperava que fosse acordar bem, ou ao menos acordar. - Eu... Estou bem...
- Isso é maravilhoso.
Ela olhou para si, escaneando seu próprio corpo, percebendo estar limpa e utilizando uma roupa completamente diferente do que se lembrava. Era o uniforme reservado para os ajudantes dos curandeiros. Uma blusa branca de manga tao longa que precisava ser dobrada para permanecer em seus pulsos, enquanto a calça de mesma cor se arrastava no chão limpo.
Perguntou-se onde estava o uniforme de seu colegio. Estava confusa, no entanto, as memórias passaram a retornar lentamente, se desesperando ao lembrar-se de Marla e Rider. Buscou sua mochila suja, jogando fora seus materiais estragados pela lama e procurando seu celular, não o encontrando dentro de seu estojo. Seu desespero se tornou maior, aquele telefone havia sido caro e agora ela nao podia ao menos tentar ligar para sua amiga.
Sentiu uma mao em seu ombro e olhou para tras, vendo que Marcon lhe mostrava seu aparelho celular. Pelo olhar dele, ela sabia que estava louco para abrir e saber como funciona, isso se ja nao tivesse feito isso enquanto estava apagada. Agradeceu, pegando o pequeno aparelho e se surpreendendo em como estava limpo e em boas condições enquanto tudo na bolsa estava molhado e sujo de lama. Ele com certeza tinha mexido.
Procurou o botão de ligar pelas finas laterais, o encontrando e pressionando. A tela ligou em sua luz branca, aparecendo o símbolo da empresa e varias paosagens naturais girando em torno dele, fazendo a imagem de um planeta. O telefone iniciou, revelando a tela de bloqueio. Pôs a senha, vendo Lucky em sua tela de fundo e, no canto superior direito, as horas mudavam a todo momento, ao mesmo tempo em que a bateria jazia em apenas dez porcento.
Resmungou, abrindo o aplicativo de chamadas e procurando o numero da Marla em seus contatos. Ela sabia que a negra estava com o telefone, ela sempre estava, e ter perdido nao era uma opção para ela. Encontrou seu número, nomeado como "Rainha Má", apresentando uma foto dela esbanjando seu cabelo crespo e enrolado para o alto. Com o olho direito fechado e o indicador nos lábios, em uma linda pose de quem pede silêncio.
Tocou no símbolo do telefone e pôs no viva voz, ouvindo os sons graves da chamada sendo feita. Logo, assim como esperava mas nao queria aceitar, a voz robótica anunciou que nao havia sinal do chip para fazer a chamada.
Frustrada, rosnou e desligou o telefone, Não percebendo a aproximação de Marcon, se assustando quando sua mao adentrou sua camisa, se alojando em seu peito e pressionando com cuidado.
- Respire fundo.
Ela assentiu, respirando fundo e sem pressa. Marcon fechou os olhos, sentindo os movimentos suave de seus pulmões.
- Sente dor?
- Não. O que voce fez?
- Nada demais. - ele retira a mao de seu peito e ajeita sua camisa. - Apenas te abrimos e consertamos suas costelas. Magia ajudou na cicatrização e no clareamento dos hematomas, mas, apesar de estar bem, voce precisa pegar leve ou nada do que fizemos vai continuar fazendo efeito como deveria.
- Certo, obrigada, voce salvou minha vida, de novo... Marcon, eu estava com alguém?
- Não. Você estava sozinha. Por que?... Você não veio sozinha, não é?
- Não, eu desmaie no meio do caminho. Lancer quem me trouxe.
Percebeu que o curandeiro manteve-se ereto, como se aceitasse um desafio.
- Eu estava com uma garota. Ele me trouxe pra ser tratada a pedido dela, e a levou.
- Iremos procura-los. Avisarei a Damian e...
- Não! Não, por favor, não faça isso. Mantenha isso entre nós. Eu tenho com quem falar.
- Com quem? - Ele pergunta, olhando ela arrumar a bolsa e a segurar pela alça. - Nao ha ninguém alem de Damian para te ajudar já que Zithar... Oh... Você veio sem saber...
Ela o olhou com estranheza.
- Saber do que, Marcon?
Percebendo que não havia como escapar da pergunta, ele suspira e aponta para uma cadeira próxima, pedindo-a para se sentar. Ela o faz, e o curandeiro chefe senta-se ao seu lado.
- Alisha, você precisa ser forte.
- Desembucha, Marcon.
- Enquanto você estava fora, foi descoberto que Zithar sacrificou Marylin para um ritual proibido, chamado Saaghan Mahō, para que o espírito dela te guiasse por Dunjoi. Ela foi acusada de bruxaria e... bom... Imagino que saiba o que, historicamente, fazem com as bruxas...
Ele olhou diretamente para ela, vendo as lágrimas de tristeza molharem seu rosto. Ela estava incrédula. Nao queria acreditar que aquilo era real, iria protestar, gritar para os deuses e o mundo que era mentira. Isso até lembrar-se de Dunjoi, do espírito feminino, envolto de uma luz branca, que a guiou pelo lugar até a enorme construção em que mantinham Heilos. Foi então que percebeu, aquela Essência Vital, tão triste e familiar, era Marylin que, mesmo sacrificada, a ajudou.
- Por... Por que ela fez isso? Foi por minha causa?
- Sinceramente, não sabemos. Mas a maioria acha que sim.
Com um movimento rápido, ela agarrou sua mochila e correu para fora. Marcon gritou por ela, indo atras. Alisha não se incomodava com a chuva que estava tomando, os pingos de água mascaravam seu choro.
Ela poderia ter corrido por dentro da ala dos curandeiros para chegar ao Castelo, entretanto, sabia que se perderia. O Castelo era grande, ela não o conhecia por inteiro, mas sabia que o caminho da entrada principal levava diretamente para a sala do trono.
Atravessou o jardim, ignorando os guardas e o olhar penetrante das gárgulas da torre do relógio. Entrou no castelo, correndo pelos corredores e molhando o chão. As tapeçarias e lustres passavam como um vulto por ela, assim como as armaduras vivas que tentavam impedi-la.
Mais a frente, viu a grande porta dupla da sala do trono. Skure e Narvi, trajando seus respectivos uniformes, estavam na frente da porta, fazendo sua guarda.
- Garota, não pode entrar. - diz Skure, ja Narvi, permanece quieto no lado dele do corredor.
- Deixe-me passar, Skure. Eu tenho de falar com Damian!
- Recebo ordens do rei, não de você. Saia!
Alisha rosnou, dando a volta e saindo andando.
Skure sorriu ladino, voltando a sua posição de guarda, cantando vitória por te-la expulsado. No entanto, Alisha não se rendeu. No final do corredor ela voltou correndo, indo em direção ao mais velho. Skure puxou sua espada, a direcionando para a garota e golpeando. Ela se abaixou, sentindo a lamina cortar uma mecha de seu cabelo molhado, e agarrou seu braço, batendo seu punho contra a parede e o fazendo soltar a arma.
Narvi riu alto, girando sua pequena faca entre os dedos enquanto observava a cena, se divertindo ao ver o velho Mestre de Armas ser posto no chinelo pela aprendiz de Heilos.
Skure xingou alto, tentando agarra-la com os braços, mas ela se afastou, correndo para a porta e a abrindo com tudo. Antes do Mestre de Armas agarra-la, a Hyd desceu rapidamente as escadas, ficando frente a frente com os dois grandes tronos de pedra.
O trono da rainha estava desocupado. O pano cinza, que o cobria completamente, delineava os braços da cadeira e, infelizmente, era o sinal que o trono não possuía uma rainha de olhos cor de esmeralda para o ocupar.
Ja o trono do rei, permanecia ocupado. Sentado nele havia um homem cujo cabelo castanho estava amassado pela coroa. Havia algo diferente. O rosto não era marcado pelo cansaço, mas sim pela idade, havendo fios brancos em meio ao escuro. Aquele homem ela nunca havia visto, no entanto, o reconheceu graças às descrições de Zithar. Era Tyrkan Ophiocus. Ele era idêntico a Damian, em absolutamente tudo. Lado a lado, seria difícil diferencia-los por algo além dos fios brancos.
Tyrkan olhou severamente para ela, erguendo uma sobrancelha na direção de Skure, que fez uma reverência, pedindo desculpas por não ter impedido a entrada da humana. O rei o liberou, e ele foi embora.
- Você deve ser Alisha, a garota de quem Damian e Zithar tanto falaram. - ele sorri. - Imagino que saiba quem sou.
- Onde está Damian?!
O sorriso dele desapareceu, dando lugar a sua carranca séria.
- Ele está em período o luto. Viajou e pediu que eu tomasse conta do reino.
- Onde ele está?!
- É confidencial. O luto não pode ser atrapalhado.
- É importante!
- Então dirija seu protesto a mim!
Ele estava impaciente, e ela havia percebido. De cara viu o motivo pelo qual Zithar não simpatizava com ele: para quem não fosse seu cego seguidor, era impossível trata-lo como igual. Alisha respirou fundo, visando conter as lagrimas diante dele, entretanto, algumas eram rebeldes e se misturavam a água da chuva que continuava em seu rosto.
- Zithar. O que aconteceu com ela, realmente? Foi verdade?
- Ah, Zithar. Infelizmente, sim. Sua pura Essência foi corrompida pela loucura, levando-a a cometer o mais hediondo crime.
- Mas por que?!
- Por sua causa. - Alisha arregalou os olhos, o olhar sombrio de Tyrkan pairando sobre ela, a acusando. - Ela fez a Essência de Marylin te mostrar o caminho mais rapido para aue conseguisse sair de Dunjoi.
- Não, está mentindo...
- No final, o amor que ela sentia por você não era nada mais que uma maldição.
Ele viu seus lábios tremerem, mas não se importou. Ela tentava se controlar, mas fracassava. Cansada de se conter, seu choro se tornou alto e mais lágrimas molhavam seu rosto. Ela fungava e respirava fundo, buscando mais forças para chorar. Zithar havia sido condenada por causa dela. Por que ela nao havua sido capaz de olhar nos olhos de sua mãe adotiva e contar seu plano. Uma pequena dica dela e tudo isso poderia ser evitado, mas como a rainha a deixaria morrer? Alisha não havia visto uma opção alem de mentir.
Tyrkan continuou a olhar para ela. Pensando em como ela se parecia com a mulher executada. Uma garota que age em prol do que sente, aceitando o que a vida lhe dava e se aperfeiçoando para sempre vencer. Aquilo o irritava. A forma como Zithar mudou tudo o que ele havia ensinado a Damian o irritava, e agora, a garota humana estava traçando o mesmo caminho. Era questão de tempo até alguém conseguir mata-la.
Com uma ordem, Narvi desceu o lance de escadas e se aproximou, fazendo uma pequena reverência ao regente, para entao virar-se e segurar Alisha pelos ombros, apertando de forma carinhosa enquanto olhava para o rosto jovem tomado de lágrimas. Com seu olhar focado no caminho escondido atras das escadas, o Mestre dos Assassinos guiou a humana por la, passando com ela pelos servos que ali estavam.
Haviam cozinheiros, camareiras e faxineiros. Todos olhavam para ela com pena. Em sinal de respeito e compreensão, os cozinheiros retiraram seus chapéus de cheff e os outros abaixaram as cabeças, evitando olhar para a filha da falecida rainha.
Narvi guiou-a pelos corredores até a sala de jantar, onde a obrigou a parar de chorar e se sentar, antes de sair para resolver algo com seus aprendizes. Alisha obedeceu a seu último pedido, enxugando as lágrimas e se comportando a mesa, olhando os servos pondo comida em seu prato. Olhou para o pedaço de carne de porco assada em seu prato, repleta de molho e temperos, e começou a comer, so entao percebendo que estava ha dias sem comer algo decente. Seu estomago roncou pedindo mais, e ela comeu mais.
Foi questão de tempo ate seu corpo estar satisfeito, no entanto, algo a fazia comer mais e mais. Lagrimas voltaram a rolar pelo seu rosto, pingando no pano da enorme mesa onde estava sentada e sem companhia, mas nao se importou, continuando a comer. Ela estava triste, enraivecida, e descontava seus sentimentos na comida que, muito provavelmente, vomitaria depois.
Ela continuaria comendo toda e qualquer comida que colocassem em seu prato, isso se não tivessem parado de obedecer seus pedidos. Os servos da ala olharam para ela com igual tristeza, alguns acenando negativamemte e outros se colocando no lugar dela. Apenas um deles teve coragem de ir até ela e tira-la da mesa, deixando-a chorar, afinal, tentar conter um sentimento é como tentar conter um rio: irá ser contido, ate encher e transbordar, destruindo a represa.
Com um aceno de cabeça e um agredecimento, Alisha dispensou o servo e continuou a caminhar sozinha pelos corredores. Ignorando completamente os guardas e armaduras vivas pelas quais passava. Logo, foi capaz de ver a porta de seus aposentos.
Houve o som de garras contra o chão, seguido por um latido alto e agudo. Alisha se virou e foi surpreendida quando um enorme vulto avermelhado cruzou o corredor a sua frente e avançou nela, pondo as patas dianteiras em seus ombros e lambendo seu rosto com carinho e desespero. Mesmo que para isso ele precisasse se manter curvado, e mesmo que tivesse sido mais fácil continuar de pé em suas quatro patas.
Nêmesis estava grande e robusto, alcançando os dois metros de altura com facilidade. Seus sentimentos eram um misto de alegria e tristeza perante sua dona, dando-lhe lambeijos desesperados para matar a saudade e ao mesmo tempo enxugar suas lágrimas e plantar um sorriso em seu rosto. Como esperado pelo cão, Alisha sorriu, mesmo que suavemente, levando as maos ao seu pescoço e balançando sua enorme quantidade de pelagem vermelha de um lado para o outro. Ele abriu a boca, deixando sua longa e áspera língua caida pela lateral, deixando saliva pingar no chão. Entretanto, apesar de tão feliz em ver sua dona, sua cauda felpuda continuava imóvel. Zithar também fazia grande falta para ele.
Alisha cogitou entrar em seu quarto e se jogar na cama para chorar mais, em contrapartida, não gostaria de entrar no quarto preparado pela rainha. Nao ainda. Ela não estava pronta psicologicamente, nem fazia ideia de quando estaria. Lidar com a morte de Zithar estava sendo pior que a de Mingzhi, e pior que a de Heilos, tudo por que a ligaçao entre elas era diferente. Nao era algo como mestre e aprendiz, era algo maior, mais forte, tão forte quanto o laço de uma mãe com seu filho.
Tomou coragem e entrou no quarto, olhando para o cômodo cujo unico som era o do pequeno relogio pendurado em cima da cômoda e foi ao banheiro, tomando um banho quente na banheira para se livrar da sensação de estar suja e poder massagear o rosto dolorido, aproveitando para chorar um pouco mais. Terminou após alguns minutos, tentando nao se lembrar da sensação de Zithar lavando seu cabelo e foi até o movel, ignorando a cama na qual queria se jogar, e abriu a gaveta de roupas, retirando de la e vestindo a camisa bege e a calça preta de treino. Pegou o pente na penteadeira, penteando seu cabelo molhado, o desembaraçando e vendo os pequenos cachos se formando. Resolveu que deixaria assim e saiu do quarto, retornando para Nêmesis.
Respirou fundo olhando ao redor, buscando um norte. Na parede, havia a tapeçaria que ela tanto se lembrava. A cena que a fez conhecer um Armyasenki, mesmo que em visão. Um enorme vulcão expelindo lava, com criaturas robustas aladas e terrestres cercando um velho pagode chinês.
Em seguida, olhou para Nemesis, agora sentado e continuando maior que ela. Seu olhar pesou na coleira do animal. Ela era de couro preto, repleta de espinhos e pedras preciosas, com certeza confeccionada por Marylin para ele.
- Nêmesis, preciso que faça uma coisa por mim.
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