Capítulo 21 - Floresta das Almas
Os dias foram, extremamente, lentos. Marla não aguentava mais as aulas, e olhe que ela nao se importava de ficar o dia todo lá. Para ela, so o fato de nao estar sozinha no colegio, era um alivio, afinal, ela ficava tao entediada e solitária em casa, que qualquer saidinha ja a deixava feliz. Fazer compras entao, era sua parte preferida, mas tambem havia perdido sentido sem Alisha ali. Quase uma semana sem a mais nova, e parecia que sua existencia havia perdido o sentido.
Apertou o celular com força, percebendo o quao dependente e fraca ela era, quase chorando de raiva.
- Marla? Algum problema?
A garota negra ergueu o olhar, enxergando a professora de artes em pé bem na sua frente, com um grande livro de capa esquisita nos braços, estranhamente parecido com o Kniga. Com o olhar preocupado de sua professora, Marla finalmente percebeu, ela havia ficado estranhamente quieta e pensativa durante o dia inteiro. É obvio que alguem iria notar isso.
- Nao prof, esta tudo bem. - esforçou-se para dar-lhe seu melhor sorriso.
- Eu acho que não. - a mulher se sentou de frente para Marla, a analisando. - Acho que você está precisando de companhia.
Eu nao preciso de companhia nenhuma, sua maluca.
- Eu nao preciso, sério, estou bem. Nao precisa se preocupar.
A professora sorriu suavemente, olhando para o olhar triste de sua aluna. Ela tentou tirar alguma informação dela, mas Marla resistiu com todas as forças, por isso, apenas levantou-se, despediu-se da aluna e saiu andando para dar aula para outra turma.
Marla suspirou, batucando no banco com os dedos, ja que suas unhas haviam sido cortadas por estarem muito mal cuidadas e sujas, algo naquela professora era estranho, ela podia sentir isso, era algo forte. Como nunca sentiu isso antes? Deve ser um dos efeitos de Daechya sobre ela.
O sinal que marcava o fim das aulas da manhã soou, ela teria apenas vinte minutos para almoçar e voltar para ver a aula da tarde. No entanto, não era esse seu plano. Marla pegou sua bolsa menor, e colocou nela sua chave, fone, cartão e celular. Ja sua mochila da escola com os livros, ela colocou dentro do seu armario em sua sala.
Fingindo sair do colegio apenas para comprar o almoço, Marla caminhou para o ponto de ônibus mais próximo e chamou um Uber, que a levou diretamente para a entrada de uma antiga rua colonial. Nao era a primeira vez dela naquele lugar, entretanto, era a primeira vez que ela podia sentir a energia esquisita que sua historia emanava, e a experiência estava lhe dando calafrios pelo corpo todo.
Caminhou por entre as casas coloniais, seu olhar parando numa casa azul claro com as portas e janelas fechadas. Lembrou-se vagamente de Alisha contando de uma senhora morta, que todos os dias ficava em sua cadeira de balanço na frente de casa, esperando pelo marido e conversando com Alisha, todos os dias, sem falta. Isso dá medo. Seguiu seu caminho, parando na frente de um velho pagode de tres andares, com a placa da loja coberta por uma lona.
De um dos tijolos falsos ela pegou a chave e abriu a loja, sendo recebida pelo ar quente e pela poeira. Entrou e fechou a porta, vendo todas as prateleiras vazias e cobertas por panos. Nao havia agua, e nem luz, mas com a lanterna do celular, Marla guiou-se ate o armazem, onde todos os produtos da loja estavam guardados.
Ela olhou dentro de cada uma das caixas, procurando por algo específico. Quando estava prestes a perder as esperanças, encontrou o que procurava na caixa mais escondida da sala. Dentre tanta poeira e estatuetas ligadas a Daechya, a adolescente encontrou um cristal estrelar, e sorriu.
- Vai ter de servir.
Arrumou tudo de volta, trancou a loja e escondeu a chave dentro do tijolo falso. Olhou pro alto, vendo a grande janela do ultimo andar do pagode chines, uma estrela de oito pontas. Seu relogio de pulso marcou uma hora da tarde, era hors de voltar para o colegio, mas ela permaneceu para e respirou fundo, começando a manusear o cristal da mesma forma que viu Alisha fazer em Dragonstone, e Raniel no castelo.
- Leve-me para Daechya. Leve-me pra Daechya. Me leve pra Daechya.
Repetiu mais vezes a frase, se concentrando no castelo de Ophiocus. O cristal começou a brilhar, e Marla foi sugada por um portal, que se fechou bem atrás dela.
Ergueu a cabeça e ajeitou o cabelo, olhando onde estava, e franziu o cenho ao perceber que não estava no castelo, mas sim em uma floresta tenebrosa, que a fazia se lembrar de alguns filmes sobre bruxaria. O ceu estava nublado, quase nao dava para ver nada, mas o pouco que ela conseguia ver comprovava que ela ainda estava em Hydarth, apenas havia mudado sua localização.
Tentou mais algumas vezes ser levada para Daechya, no entanto, o cristal se recusava a funcionar.
- Ah otimo. Perfeito
O Cristal Estrelar havia a levado para longe. Agasalhada, e perdida numa floresta de árvores secas, Marla ascendeu a lanterna do celular e começou a caminhar por entre as árvores. Desviando dos troncos grossos e finos, ela zinguezagueou tentando escapar a neblina branca que havia começado a se espalhar, mas logo todo o seu campo de visão so conseguia enxergar as arvores e o ar branco.
O vento soprava entre os troncos, fazendo sons agudos e graves, muitas vezes podendo ser confundidos com sussurros distantes. Eu preciso sair daqui. Caminhando rapido, no meio do caminho a lanterna começou a piscar e a tela do celular a dae interferencia, entao, desligou por completo.
Marla guardou tudo na bolsa e continuou a caminhar pela neblina densa, utilizando das maos para garantir que nao iria se bater em uma das árvores. Do nada, um rosto apareceu bem diante dela. Uma caveira antiga bem a altura do seu rosto, com uma das árvores a envolvendo por ter crescido em torno do cadaver.
Marla gritou, caindo de bunda no chão, sem querer esmagando os ossos de um cadaver minusculo que estava jogado no chao, provavelmende de alguma criança muito jovem.
A neblina ficou menos densa, e Marla arregalou os olhos, percebendo que toda aquela floresta ers coberta de esqueletos. No chao, nas raizes, nos galhos, nos troncos, e ate nos arbustos, e todos aqjeçes cranios pareciam ter se voltado para ela, prontos para avançar.
Ela se levantou e começou a correr, sentindo a roupa e os fios de cabelo sendo dolorosamente puxados por maos invisiveis que tentavam agarra-la e mante-la na floresta.
- ME DEIXEM EM PAZ!
Mesmo ainda machucada da batalha em Dragonstone, Marla continuou a correr, vendo a salvaçao em forma de luminarias em cima de um morro. Ela correu para a enorme mansao, e sem bater ou pedir licença, arrombou a porta com o proprio corpo, entrando e a fechando em seguida.
O som das laminas a assustou, e desta vez se viu cercada nao por corpos, mas por espadas. Engoliu em seco, erguendo as maos em sinal de rendição.
O salão de entrada estava banhado em um silencio mortal. Marla rolou os olhos, percebendo a decoração rústica da mansao que, de certa forma, lembrava o castelo de Ophiocus com suas tapeçarias e ornamentos. Surpreendentemente, em uma das tapeçarias havia o mesmo simbolo do pagode de Gulao Mingzhi, a estrela de oito pontas.
- Por favor, abaixem suas armas, é apenas uma menina - diz a mulher negra baixinha que ajudou Marla a se erguer. - Como esta, querida? Quer um chá?
- ... Tia Nill...
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