Capítulo 18 - Venda de Valores
O ceu estava nublado, mais uma vez. Aparentemente, a suposta maldição da rainha continuaria a castigar as terras por mais algum tempo, encharcando o solo e erguendo as plantações do chao, fazendo os animais se esconderem.
Quando a chuva deu uma trégua, Lancer amarrou seu cavalo a uma carroça cheia de frutas e carne e subiu, sentando-se e segurando as rédeas. Antes que ele sequer abrisse a boca para chamar por ela, a garota saiu correndo da cabana, mantendo firme o chapéu em sua cabeça e levando uma pequena cesta de doces em seu braço. Rider riu, subindo na carroça e sentando-se ao lado de Lancer, prendendo o cabelo prateado em um rabo de cavalo baixo.
- Voce esta bonito.
Lamcer olha as proprias roupas: uma camisa marrom, uma calça preta e botas marrons, para caminhar na lama sem preocupações.
- Obrigado. - sorriu. - Voce que escolheu.
- Eu sei, o que seria de voce sem mim? - ela cruza as pernas, com cuidado com o ferimento da sau coxa - Então, pra onde vamos?
- Para Dragonstone. Temos de conseguir mais algumas moedas, voce gastou todas em roupas.
- Claro! Precisavamos de roupas boas, inteiras, e sem costuras improvisadas. Voce parecia um sem teto.
O lanceiro ficou em silencio por uns segudos, e entao, riu.
- Voce tem um ponto.
- É óbvio que eu tenho. Se nao fosse por mim, sua cabana ainda seria um lixão.
- Sinto muito por minha arrumação nao ser de seu agrado, senhorita.
- Esta perdoado. - ela diz, sorrindo ladino.
Lancer apenas a encara confuso, mas a garota começou a rir, se divertindo com o olhar engraçado do mais velho. Como sendo um guerreiro adulto, o lanceiro tinha tendência de olhar muitas situações com um olhar mais rígido, e tentou por muitas vezes reprovar o comportamento adolescente de Rider, mas sempre fracassava. A garota de cabelo prateado, na maioria das vezes, estava certa. E sobre a casa dele ser um lixão antes dela chegar, bom, não era uma mentira, na verdade, a casa era, secretamente, bem desarrumada com bastante coisa jogada na sala e no quarto.
Divertindo-se com ela, Lancer começou a rir também e bateu as redeas, ordenando que o cavalo começasse a leva-los para longe da cabana. Após minutos, Rider se recuperou e respirou fundo.
- Como vamos para Dragonstone? Fica além mar.
- Com Cristais Estrelares, eles podem abrir portais por Daechya, ou para Hydarth.
Ele tirou de dentro da bolsa de couro um pequeno cristal azulado, que havia roubado de Raniel, e sussurrou algo para ele, bem baixo, tão baixo que Rider quase nao pode ouvir. O pequeno cristal brilhou, e um portal se abriu. O cavalo se assustou, relinchando e batendo os cascos, mas com um carinho na crina ele se acalmou e trotou para dentro do portal, puxando a carroça consigo.
O local em que estavam era completamente estranho para Rider, parecia um campo bem arado e pronto para o plantio. No ceu, Wyverns voavam observando a movimentação e procurando por uma presa facil para o almoço; e os moradores, nao pareciam um perigo, eram todos bem resolvidos e organizados.
Dentro da cidade, o clima era de festa, todos pareciam ansiosos para assistirem uma tal de fase final de um tal Os Jogos, mas isso nao importava. O que importava, era que todos estaroam com fome, e que eles tinham bastante comida para vender.
A primeira parada, foi no açougue. A carne, que Rider havia orgulhosamente caçado com seu proprio arco e flechas, havia sido comprada.
- Viu? É isso o que fazemos com carne extra. Conseguimos dinheiro. - Lancer informa, voltando para a carroça. - Vamos. Temos de vender as frutas agora.
- E onde vai ser isso?
- Aqui mesmo. So tenho de parar a carroça em um lugar visível.
- Tudo bem, eu entendo. E eu faço o que?
- Voce fica ai, quietinha, eu ja volto.
E assim, antes dela responde, ele bsteu as redeas e o cavalo disparou pelas ruas próximas. Segundos se passaram, e entao minutos, e Rider ja estava entediada, quando Lancer retornou pelo mesmo caminho e parou a carroça. Aliviada por ter algo para fazer, a garota começou a ajuda-lo a arrumar as frutas em ordem.
Uma vez ou outra ela roubava uma uva do cacho. Entao, levou um tapa na mao.
- Para de comer a mercadoria. - reclamou o lanceiro.
- Mas esta muito boa. Trouxemos bem no ponto.
- Obvio. Agora, Preste atenção, mais para frente você terá de fazer isso sozinha, por isso quero que aprenda.
- Voce tem toda a minha atençao.
Assim como disse, Rider parou de comer e começou a prestar atenção nas informaçoes que o mais velho compartilhava. Não havia nenhum segredo naquela venda, ainda mais com ela lá, chamando a atenção das pessoas que passavam, fosse pelas atitudes fofas que ela passou a ter para chamar clientes, ou pelo fato de que todo mundo achou seu cabelo prateado algo chamativo. De uma forma ou de outra, uma adolescente fofa usando chapéu, uma roupa bonita e cabelo tingido sempre chamava a atenção em meio a multidão.
Na carroça, os clientes pegavam as frutas que desejavam e colocavam en suas respectivas cestas, entao, pagavam a Rider o valor cobrado. O preço era baixo, mas as frutas eram muitas, e de pouquinho em pouquinho, o as poucas moedas de ouro se tornavam muitas dentro de sua bolsa de couro.
Enquanto isso, o cavalo estava amarrado junto a outros, bebendo água e comendo sua ração, observando o movimento próximo. Feliz pelo estoque de frutas ter finalmente chego ao fim, Rider saltitou alegremente ate o equino, abraçando seu pescoço e acariciando sua crina.
- Ah Audax! Consegui vender tudo no meu primeiro dia! Eu sabia que era maravilhosa! - ela ri, livrando o cavalo marrom de seu abraço. - Só falta o.... Lancer. Cadê o Lancer?
Ela olhou ao redor, vendo muitas pessoas, mas nenhuma delas era o lanceiro de cabelo azul marinho. Com um impulso, ela subiu na garupa de Audax, e quase que caiu do outro lado. O cavalo resmungou e se sacudiu quando ela agarrou sua crina para se segurar.
- Desculpa.
Sentada corretamente em sua garupa, ela esticou as costas o máximo que pôde, olhando de cima, procurando novamente o lanceiro. No entanto, nao o encontrou. Rider resmungou e desceu das costas de Audax, tratando de memorizar onde ele e a carroça estavam, e então, partiu procurando por Lancer, virando cada esquina e olhando cada beco.
Nos locais mais isolados, ela sempre encontrava alguns animais pequenos revirando as lixeiras, ou então o cadaver em decomposiçao de algum roedor que foi atacado e devorado por outro, ou por um Wyvern. Suspirou, cansada de andar, e supondo ter se perdido naquela cidade enorme.
Ouviu uma voz estranha, e iria ignorar, ate ouvir um choro em seguida. Curiosa, esgueirou-se pelas paredes e escondeu-se atrás de uma pilha de velhos barris de madeira. Era um homem, nao era tão velho, mas tambem nao era tão jovem, aparentava ter a idade ideal para ser listado no exército; e com ele, estava uma garota, sua posição era difícil de definir, mas Rider supôs que era a irmã mais nova. Ele gritava com ela, ela gritava com ele, e ambos discutiam na porta de casa.
Rider congelou, apertando o barril que a escondia. Seu corpo não parava de tremer, e em sua cabeça não vinha nenhuma memória boa. Em estado de choque, ela assistiu a discussao, lembrando-se de todas as vezes em que seu pai a maltratou e sua mãe apenas assistiu, incapaz de lutar contra as ordens e força do marido.
Ela esperou o golpe que o homem daria na irmã, e jurou ter visto como aconteceria, no entanto, surpreendeu-se ao ver que ele apenas parou de discutir e respirou fundo, abraçando a garota com força, e ela retribuiu o abraço de bom grado, desculpando-se. E, ele tambem, se desculpou e ajudou a irmã a erguer-se, beijando sua bochecha e levando-a sã e salva para dentro de casa.
Então foi isso? Apenas uma discussão? Ele não ousou sequer erguer a mão pra ela, mesmo ela estando errada? Eu... Me precipitei.
Aliviada e respirando fundo, Rider caminhou vagarosa para longe, abraçando a si mesma e culpando sua mente por lhe pregar peças de mau gosto como aquela. Ela não queria lembrar, e nem queria que outra pessoa passasse pelo que ela passou, mas não era certo julgar uma situação se ela não conhecia as pessoas ou o contexto da conversa. Rider havia se precipitado, e se nao fosse pelo sentimento de angustia que havia a dominado, ela teria avançado para apartar a briga.
Vamos, se concentre, voce tem de achar o Lancer.
Ela caminhou, e caminhou, buscando o lanceiro por toda a cidade. Ate havia esbarrado em um bando de adolescentes da sua idade, de corriam pra la e pra cá brincando com caes e brinquedos de madeira, alem de Wyverns feitos de papel que voavam presos a linhas. Todos pareciam se divertir, e Rider ficou pensativa, qual havia sido a ultima vez que brincou? Ou melhor, ela já brincou? Ela nao sabia a resposta, não lembrava se em algum momento ela já foi criança ou se era ensinada a ser uma boa garota desde cedo. Eu nao quero pensar nisso.
- Rider! - uma voz familiar e preocupada chamou. - Você devia estar com o Audax!
Lancer finalmente havia aparecido. Ele estava suado e respirava fundo, aparentemente havia corrido por um bom tempo a procurando, graças a isso, sua camisa bege estava molhada. No entanto, havia duas coisas diferentes nele, e Rider havia percebido.
- Por onde esteve? Fiquei preocupado!
- Onde voce estava? - foi a unica coisa que ela pronunciou, analisando suas reaçoes.
- Eu precisei ir ao banheiro. Quando voltei, voce não estava la. Achei que tinha sido roubada.
- Mentira. Voce não estava no banheiro. - retruca, ignorando sua preocupaçao. - Voce está com uma camisa diferente de mais cedo. E tem uma mancha de sangue seco no seu sapato... Por isso que viemos, nao é? Voce tinha de matar alguém.
- Eu... Nao matei ninguém.
- Nao minta. Eu sei que voce trocou de roupa.
- Eu nao estou mentindo, eu nao matei ninguem! - ele suspira. - Apenas capturei uns negros e os entreguei ainda vivos para Armyasenkis. Eles possuem uma grande reserva de energia para executar magias, e era isso o que ele precisava.
Rider continuou a caminhar em silencio por todas aquelas ruas, chegando ao ponto de início após minutos ouvindo o lanceiro nao parar de falar. Ao seu lado, Lancer continuou falando.
- Eu nao gosto de fazer isso, mas eu faço por que eu sou fraco, e incapaz de proteger alguém. Eu nao tenho escolha, Rider. Ou eu faço isso, ou eu morro.
- Esta tudo bem, nao te julgo por isso.
Ela respira fundo, parecia decepcionada, e Lancer podia sentir isso. Tentando explicar, o lanceiro mostrou o braço direito. Rider analisou aquela coisa estranha e queimada em sua pele, mas pareceu deixou de compreender ainda mais. Por isso, sentindo dor de cabeça, ela apenas subiu na carroça e se sentou, deixando Lancer fazer sozinho todo o trabalho de acoplar a carroça ao Audax.
Foi algo dificil, afinal, Audax parecia mais agitado que o normal, mas nao foi nada que ele nao pudesse dar conta. Com a sela presa ao cavalo, e a carroça acoplada, bastou apenas um bater de rédeas para fazer o belo equino andar e leva-los para longe, Onde poderiam usar o cristal Estrelar para voltar pra casa.
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