Capítulo 14 - Sobrevivência dos mais fortes, e cagões

Após horas de viagem, Heilos finalmente pôde sentir o cheiro familiar da enfermaria de Ophiocus. Toda a ala cheirava hortelã, a principal erva para o chá favorito do Marcon. No entanto, tambem cheirava a lama e sangue, deixando óbvio que ula cirurgia havia sido feita a pouco tempo.

Abriu os olhos, olhando ao redor e sorrindo vitorioso, se levantando da sua cadeira e dando de cara com o curandeiro.

- Marcon, meu amigo, como é bom te ver.

- Nao acredito que voce se fingiu de louco. - o curandeiro começa, encarando o guerreiro e o seguindo quando tentou ir embora. - Você deixou as humanas lá!

- Sim, eu deixei. Tenho um assunto mais importante pra resolver do que ser cuidador delas.

- Que assunto Heilos?!

O guerreiro fitou a porta de saida, mas nao respondeu o colega, e foi embora. Caminhou pelos corredores cobertos, se mantendo protegido da forte chuva que assolava a cidade, impedindo que tudo funcionasse nos conformes.

Imaginou a situação das duas humanas, imaginando de quantas formas elas poderiam morrer na primeira fase, ficando horrorizado com a quantidade de situações que sua mente criava. Desde que sua mente havia sido apagada, não se importava com as coisas a esse nível, sua morte havia desfeito tudo o que havia sido feito em sua mente, e isso estava começando a o incomodar.

Entrou no quarto e se trancou. Abriu a janela para qie a luz do sol entrasse, mas a unica coisa que entrou em seu quatro foi a agua da chuva, o fazendo resmungar. Tomou um banho e se trocou, se sentindo mais confortavel, em seguida, deitou-se na cama, fechando os olhos para dormir.

Em sua mente, imagens coloridas se formavam, e Heilos jurou ver o rosto sorridente e jovem de Zithar entre as figuras distorcidas, o fazendo acordar em um sobressalto apenas vinte minutos depois de cochilar.

- Eu mereço.

Suspirou, levantando e caminhando pelo quarto, procurando o que fazer. Em sua cômoda, encontrou seu livro e o folheou, encontrando historias que o mesmo escrevia para passar o tempo. Ou melhor, pensava serem apenas historias, pois naquele momento, com as memorias desbloqueadas, percebeu que cada historia era uma memória que havia sobrevivido em seu subconsciente.

A primeira de todas, era a historia de uma rainha, que se envolveu com o irmão de seu rei e milagrosamente gerou uma menina e um menino ao mesmo tempo, perdendo sua fertilidade por dar a luz antes do que devia. Heilos rosnou, fechando o livro, lembrando dos momentos em que Alisha, sem saber que ele a entendia, lhe contou de tudo o que aconteceu. Lembrou que, quando se encontrou sozinho naquela cela, se deixou chorar, se perguntando por que Damian havia permitido uma barbárie daquele nível.

Guardou o livro, vestindo uma de suas roupas comuns e se dirigindo para a sala do trono. Narvi, que vigiava a porta, sorriu e o cumprimentou, mas foi ignorado, tendo a porta dupla da sala do trono fechada e trancada para manter qualquer um do lado de fora.

Heilos ignorou sua voz cheia de autoridade e desceu as escadas, caminhando ate ficar cara a cara com Damian, rei de Ophiocus, e seu irmão mais novo.

- Heilos, Marcon me contou que se recuperou. Não sabe como fiquei preocupado.

Damian sorriu genuino, tentando parecer bem ao reencontrar Heilos, mas esse sorriso desapareceu perante o semblante sério de seu irmão mais velho.

- Você soube, não é?

- É claro. Achou mesmo que eu nao saberia que VOCÊ deixou a Zithar ser executada.

- Heilos, eu nao poderia fazer nada! Era o reino inteiro contra mim!

- VOCÊ é o rei, eles tem de obedecer a você!

- Nao é assim que funciona!

- Você não tem pulso firme!

- Heilos, sao pessoas! - Damian esbraveja, lembrando ao irmão do básico - Pessoas não são completamente controladas, elas tem mente e decisões próprias. Nao me seguiriam sem uma revolução!

- Então mostrasse quem manda!

Damian suspirou derrotado, nao querendo discutir com Heilos. O rei eatava desanimado, e sem brilho algum no olhar, olhando ao redor e pensando em tudo o que aconteceu.

- Damian Ophiocus - o rei olhou para Heilos. - Eu, Heilos Ophiocus, com o direito concedido a mim pela minha linhagem real, te desafio para um duelo pelo trono.

***

No meio da confusão, as Hyds se separaram. Alisha, de alguma forma, havia caido do precipicio juntamente com outros prisioneiros, procurando Marla e uma forma de ir para a saida sem ser devorada. Enquanto isso, Marla ainda estava na parte de cima, escapando de prisioneiros que brigavam entre si e desviando de pedras e raízes que desabavam do teto com a confusão.

A criatura escalou o precipício. Era, definitivamente, um Dragão, mas não possuia asas e mais se parecia com uma serpente super desenvolvida e quadrúpede, o tornando um animal de extrema elasticidade e agilidade. O Dragão rugiu, avançando contra os prisioneiros. Os mais inteligentes, correram por suas vidas; os mais tolos e corajosos usaram pedras como armas, e foram esmagados, despedaçados e devorados.

Marla se escondeu atras de uma rocha grande, deixando o animal passar direto. O Dragão devorou mais alguem e farejou, olhando diretamente para o esconderijo da garota negra, rosnando e avançando com cautela. Quando se aproximou perigosamente, Marla deixou de lado a discrição e saiu correndo desesperada com o animal atrás.

Enquanto isso, após cair do pequeno precipício, Alisha enfrentava alguns dos prisioneiros pela chance de escalar a parede de rochas e tentar chegar até seu ponto mais alto e encontrar sua amiga. Ao ser puxada, ela cai de costas e automaticamente sente uma dor enorme na regiao das costelas, lembrando-se que Marcon a avisou para pegar leve.

Tentou subir novamente, mas foi puxada de novo pela mesma mulher e, dessa vez, ela revidou, chutando o rosto dela com força. A prisioneira a olhou, pegando uma pedra e a usando de arma contra a Zashti, que se esquivava, evitando cada golpe.

Um rugido ecoou próximo, a prisioneira deixou de atacar Alisha e começou a subir o precipicio com grande habilidade para chegar a saida. Alisha iria subir, mas mudou de ideia ao ouvir um grito familiar, entao, começou a procurar pela colega.

- ALISHAAA

Olhou na direçao, sendo surpreendida por uma Marla se segurando em um cipó grande, se balançando sem freio. O cipó partiu com o seu peso e ela caiu, Alisha tentou segura-la, mas ambas cairam no chão, rolando pelas rochas ate finalmente pararem em uma pilha de ossos velhos e carme podre, a um metro de distancia uma da outra.

- Eu to viva! - Marla comemorou.

- Ta doida?!

- Corre que o dragao tá vindo ai!

- VOCE TROUXE ELE?!

- Nao! Ele quem me fez vir!

Com o som das rochas desabando sobre o peso do Dragão que descia o precipicio da entrada. Alisha se levantou, puxando Marla para o da saida e começando a subir.

- Vem Marla!

- Eu não sei escalar! - grita desesperada, suspensa a apenas um metro do chao, sem conseguir subir mais.

- Voce consegue aguentar mais tempo correndo?

- Pouco. Nao tenho fôlego.

- Ótimo. Fique viva e perta do paredao, nem que voce tenha de jogar alguem na boca daquele bicho. Preste atençao, vou tentar jogar uma corda - Alisha responde, escalando a parede.

Marla desceu, procurando onde pudesse se esconder, e viu alguns prisioneiros que haviam sido mortos por seus "colegas" que queriam desesperadamente subir. Engoliu em seco, pegando os corpos maos feridos e se sujando com o sangue do cabelo aos pés, e fazendo isso com a carne podre que restou nos ossos velhos. Em seguida, se escondeu, rezando para que o dragão nao desconfiasse do seu mau cheiro.

Alisha chegou ao topo do paredão, vendo a luz da saida, entao sorriu. Olhou ao redor, puxando do teto cipós e vinhas, os amarrando juntos e fazendo uma corda longa, a amarrando com força em uma rocha solida para que nao se soltasse, então, jogou a corda la pra baixo. Esperou, a vendo sacudir, mas franziu o cenho quando viu nao ser Marla. O prisioneiro tentou cortar a corda com uma pedra, para que os que subiram atras dele nao subissem, mas Alisha puxou a rocha da sua mao, o chutando dali de cima, vendo ele gritar enquanto caia e levava consigo os outros dois.

Ao mesmo tempo, Marla estava escondida atras de uma rocha grande, prendendo a respiraçao para que o dragao, que estava excessivamente perto dela, não a ouvisse respirar. Ele farejou, não gostando do cheiro que sentia. Para a sorte de Marla, ele desistiu de procura-la quando ouviu gritos.

Ela se virou e olhou disfarçadamente, vendo  três homens caidos no chao, doloridos pela queda, tentando se levantar para escapar do dragao. O animal os perseguiu e pegou um deles na boca, enquanto os outros dois estavam presos em suas garras dianteiras. Com o dragao afastado, Marla pode ver a corda que levava para o topo do paredao e foi ate ela, a usando de apoio para escalar, aproveitado o som dos gritos desesperados e ossos triturados para subir sem ser notada.

No topo, ela agarrou as pedras com vontade, garantindo que não cairia e foi segurada por alguem e puxada pra cima. Viu ser Alisha, e sorriu aberto, respirando fundo:

- Achei que ia ter um treco.

- Voce ta fedendo.

- Nao reclame. Queria ver voce sobreviver se nao soubesse escalar.

Alisha sorriu de leve, erguendo a amiga do chão e correndo com ela para a saida, ambas sendo recebidas pelos curandeiros que esperavam os sobreviventes daquela partida.

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