Capítulo 12 - Dragões Gêmeos

A chama crepitava sem parar, lutando contra o vento para manter a vela acesa, iluminando os corredores desertos. Alisha respirou fundo, vendo o ar se condensar a medida que o gelo avançava pelas paredes do castelo de Dragonstone. Olhou ao redor, procurando alguma alma viva naquele castelo, mas nao havia ninguem. Nenhum servo, nenhum guarda, apenas o vento uivante.

Os candelabros nas paredes se ascenderam, guiando seu caminho ate uma sala secreta, repleta de tesouros. Em meio a bagunça, encontrou a pequena caixa metálica do Kniga, completamente desacompanhada. Mais uma vez, respirou fundo, fechando os olhos e falando consigo mesma, se garantindo que não era nada além de um sonho, afinal, lembrava-se perfeitamente de ter dormido no quarto que Edrion disponibilizou.

Passos chamaram sua atenção. Virou-se a tempo de ver o vulto de um vestido verde passando pela porta e, sem pestanejar, seguiu a figura, os candelabros se apagarem a medida que avançava. Apressou o passo, começando a correr enquanto segurava a chave e o prato com a vela, desviando das cortinas que, a vando do vento gélido, tentavam bloquear seu campo de visão. Os montes de corredores levaram-a para os fundos do castelo, onde ela encontrou-se frente a frente com uma enorme montanha coberta de neve do início ao fim. La no topo, algo a chamava, e ela quase podia ver brilhar.

Jogou a vela na neve e avançou contra a montanha, subindo a escadaria lateral. Era feita de gelo e coberta de neve. As botas de Alisha escorregavam, mas ela nao se deixava cair. Sabia que precisava chegar ao topo, mesmo que o gelo e o vento tentassem impedi-la, então, continuou a subir se apoiando nas rochas.

Quanto mais subia, o vento se tornava mais forte e frio, logo começando uma nevasca. A garota se abraçava e rangia os dentes, mas continuava a seguir, vendo vultos a cercarem por todo o caminho, voando e a vigiando, pousando nas rochas altas e olhando diretamente para ela. Eram Wyverns selvagens, e ficavam ali, quietos, olhando para ela enquanto esperavam o momento certo para a jantar.

Em um determinado momento, neve se desprendeu do topo, descendo montanha abaixo com toneladas de rochas. Alisha gritou, correu e se lançou contra um pequeno amontoado de rochas,  salvando sua vida quando atravessou a pequena barreira e descobriu uma caverna de cristais de gelo, iluminados por um poço de lava.

Se levantou e ergueu o olhar, encarando as duas estatuas sem cor a sua frente. A da direita, um Dragão robusto e repleto de extensões ósseas, Krieger. E a da esquerda, um dragão fêmea com escamas lindas como cristais e um focinho mais delicado, Heiwa. E, entre ambas as estátuas, estava o que lhe foi tomado, o livro.

Como acontecia na terra, a fechadura do livro brilhava e apagava em um determinado ritmo. Chamando-a.

Ela se aproximou, tranaformando a caixinha na estrela de oito pontas e a encaixando ma fechadura, que parou de brilhar.

- Só... isso? Me fizeram subir a montanha só por isso? Por que?

Nao houve nenhuma resposta além da lava borbulhando. A Hyd suspirou, soltando o livro e dando meia volta, parando na saida e olhando diretamente para os rostos de ambas as estátuas. Se o Kniga havia parado de brilhar naquele lugar, ali possuía algo de seu interesse, e ela encontraria.

Krieger, o dragao escarlate que, em sonho, destruiu sua casa e devorou seu cachorro; e Heiwa, a dragonesa branca que, quando ela estava em Drakkar, protegeu-a de um ataque de Krieger.

O bem e o mal. O fogo e o gelo. A Paz e a guerra. Os Dragões Gêmeos eram perfeitamente opostos, mas ainda sim, de alguma forma, se completavam, como Yin e Yang. Alisha olhou diretamente nos olhos reptilianos de ambas as estátuas, encontrando neles grande semelhança com o olhar do mago louco mencionado nos desenhos do antigo Templo de Maharpayã.

-Quatro magos. O calculista, a esbelta, o louco e a humana... - ela encarou as estátuas, perplexa. - Eu entendi.

Correu para o livro, o abrindo. As páginas brilharam, foleando sozinhas e criando uma ventania. Alisha gritou, sendo erguida do chão. Agarrou o livro e a chave com desespero, vendo sorrisos crescerem no focinho de cada estátua. A ventania ergueu-a alto, destruindo o teto da caverna e fazendo-a se perder na nevasca.

Ela gritou, sentindo o corpo cair. Fechou os olhos continuando a gritar, cobrindo o rosto com as mãos. Sentiu o impacto, mas nao foi tao forte quanto imaginou que seria.

Seu rosto foi erguido. Ela abriu os olhos e olhou diretamente para o principe Edrion, que falava com ela, mas seus ouvidos nao captavam som algum. Atrás dele, o príncipe Kaden discutia com a princesa Fiwrah coisas que a Hyd não ouvia.

Quando finalmente seus sentidos voltaram, entendeu que nao era mais um sonho. Havia desperto fora do castelo, caida e gritando como uma louca, e era sobre isso que os herdeiros gêmeos discutiam, ate o caçula intervir.

- Eu tenho de ir

Sem esoerar, ela levantou e correu para a masmorra, parando na cela do Heilos e olhando para o guerreiro.

- Heilos. Voce lembra de mim? Alisha. - ela engole em seco, tremendo. - Você morreu por que nao quis matar seus companheiros. Eu fui para Dunjoi o encontrar a mando de Maharpayã, e agora entendi o porquê! Por favor, eu preciso de você, eu nao sei o que fazer.

Ela olhava para ele, que continuava no canto da cela, desenhando nas paredes com uma pedra.

- A história está reiniciando. Maharpayã me enviou pra Dunjoi para entregar a você o poder dele, porque VOCÊ é o mago calculista das histórias. E o mago louco... Ele era muito poderoso, então foi dividido, tornando-se os gêmeos Dragonstone com o Edrion de intermediário. E eu sou a humana penetra no grupo. Por favor Heilos... Me responda.

- Ele nao vai responder.

Alisha virou-se, dando de cara com a princesa. Seu cabelo branco estava preso em um coque ornamentado, e os olhos lilás olhavam nos olhos castanhos da humana, quase penetrando sua alma.

- Ele vai demorar um pouco para voltar a se comunicar, por mais que escute tudo o que dizem a ele. E voce esta certa. Eu sou Fiwrah Dragonstone, a maga representante da dragonesa Heiwa, é um prazer, Alisha.

-  O prazer é meu, princesa.

***

De braços cruzados e sentada na cama improvisada com madeira e feno, Marla olhava bem para o príncipe ruivo a sua frente. Kaden estava perplexo, olhando para ela com confusão.


- Como assim?

- É isso mesmo que voce ouviu, alteza. Eu quero que VOCÊ seja meu treinador. Faz parte da guarda do rei, com certeza conhece modos de uma garota inexperiente derrubar os adversários.

- E exigem muitas Novas de treinanento para isso. Você so tem cinco dias ate o primeiro jogo.

- Que merda! Fale a minha língua! O que sao Novas?

Ele bufa e revira os olhos.

- Meses.

- Entao pronto. Me ensine de forma pratica o suficiente para aprender em horas.

— Você acha que vai conseguir aprender tudo em quatro dias?

Kaden riu alto, nao crendo na determinação da garota de sair viva. E isso foi apenas um gatilho para que ela realmente levasse tudo a sério.

— Eu não acho, eu tenho certeza. Nem que você fique trancado aqui dentro comigo, sem comer ou beber nada, me treinando dia e noite sem parar.

Ela sorriu ladino. Foi entao que ele percebeu: ela era como um leão enjaulado pronto para a briga.

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