Capítulo 6 - Olhos da Mente
As explicações se tornaram conversas com assuntos paralelos dos quais todos riam descontraídos, na maioria das vezes, o pequeno aluno de Raniel fazia suas traquinagens e conseguia, acidentalmente, fazer o próprio Heilos rir. Enquanto isso, Alisha caminhava por aquela sala e olhava todos os detalhes. Curiosa, ela pôs a mão no fogo azul do grande caldeirão, um sorriso bobo se abriu ao perceber que as chamas não a queimavam. Como uma criança inocente, ela se inclinou e mergulhou ambas as mãos no dentro do belo azul e, com as palmas juntas formando uma concha, ela conseguiu manter uma pequena porção do fogo queimando ali dentro.
Seus olhos brilhavam repletos de encanto. Heilos, ao observa-la, sentiu algo familiar. Ele não sabia o que era, poderia ser qualquer coisa, desde uma memória antiga até um acontecimento qualquer que ele presenciou. Para ele, não importava o que era, o que importava é que desejo é o mesmo: preservar a inocência. Ou pelo menos, a pouca inocência que Alisha ainda tem.
Em um momento de alegria, Alisha e o pequeno aprendiz de Raniel começaram a brincar com as chamas que não queimavam, eles faziam malabarismo e riam quando as pequenas bolas de fogo azul se transformavam em fumaça quando lançadas para cima.
Irritado e preocupado, Heilos se dirigiu a Alisha e jogou as chamas de volta no vaso dourado. A Hyd o olhou com estranheza, como se perguntasse porque ele fez aquilo. Em seu olhar ela pôde perceber que diversos sentimentos se misturavam dentro daquele homem, ele possuia a aura pesada de uma Essência Vital destruída com uma densa fumaça negra encobrindo sua alma. Diante dele, a visão que ela tinha mudou, o fundo se tornou negro e cheio de chamas, o próprio Heilos chorava sangue enquanto suas cicatrizes estavam abertas, em carne viva.
Ao ver a cena, Raniel parou todos os seus movimentos, o mesmo permaneceu estático por alguns segundos. Alisha foi despertada de sua visão quando as chamas de todos os caldeirões aumentaram abruptamente a ponto de queimarem o teto de pedra.
-... Aquilo é normal? - Alisha diz, fazendo Heilos olhar a situação.
- Eu juro que não sei.
- Não se preocupem - diz o pequeno aprendiz, se sentando de pernas cruzadas no chão. -, ele está tendo uma previsão. Ah, sugiro que prestem atenção, ele nunca repete.
Alisha se atentou a procurar alguma coisa para anotar. Enquanto isso, os olhos de Raniel se abriam e se tornavam totalmente iguais as chamas, seus fios brancos refletiam todo o brilho azul que era emanado. Logo, sua voz começou a ecoar, era como se o mesmo fosse um boneco de ventríloquo controlado pelas mãos de alguém invisível.
A queda do hábito, a quebra do pacto.
O erro incorrigível, um crime imperdoável.
O nascer do sol guiará, até a ruína da aurora.
O grande cão será, o farol que o caminho iluminará.
Atenção ao que fará, uma única decisão pode tudo mudar.
Diante a face das almas gêmeas, o vidro se quebrará.
Repentinamente o brilho em seus olhos desapareceu, revelando orbes verdes tão claras que se camuflavam no branco da esclera, enquanto suas pupilas eram de um tom claro de cinza. Logo, seus olhos se fecharam e Raniel tombou exausto. Percebendo que o mago cairia no chão, Heilos se apressou e o agarrou antes que se machucasse. A respiração do oráculo estava pesada, o aprendiz estranhou.
- Isso não devia ter acontecido. - sua voz infantil continua nervosismo e preocupação - Ele tem total controle sobre as previsões e sabe quando vai ocorrer.
- Eu nunca tive tantas visões em um curto período de tempo como esse, isso é um sinal. - Raniel se levanta, agarra seu cetro e passa a caminhar pelo salão enquanto as chamas voltam ao normal, o mesmo murmurava para si mesmo. - A situação está mais crítica do que o previsto. Se vocês não forem agora, tanto Daechya quanto Hydarth irão sofrer as consequências desse atraso. Abram os olhos da mente e da alma para enfrentarem os perigos que surgirão em seu caminho .Vocês devem partir, reunir uma equipe capacitada e iniciar sua jornada, PARA ONTEM!
Com o tom de voz do mago, Heilos e Alisha saíram correndo do templo. Raniel os seguiu a passos vagarosos e parou na entrada, vendo a dupla montar a cavalo.
- Os dados foram lançados e o jogo começou, que Maharpayã esteja a favor de vocês.
* * *
Damian havia permanecido na sala do trono, sentado em sua poltrona, pensando me como consertar rapidamente os estragos feitos pelo servo do inimigo. Seus olhos se direcionaram para a faixa em seu braço direito, lembrou-se que precisou enfrentar de frente o Armyasenki assim que entrou no salão. Havia sido um combate acirrado, a espada do rei fez seu trabalho até não resistir mais e se partir, permitindo que as garras da besta perfurassem o braço do homem, que foi fraturado pela força do mutante quando o golpe chegou ao osso. Frustrado, Damian suspirou, sabendo que talvez seu braço não seria mais o mesmo.
A grande porta dupla da sala do trono fora aberta, um soldado entrou para anunciar a chegada de alguém, no entanto, Heilos passou direto pelo guarda, dizendo que não precisava ser anunciado, então, parou em frente do irmão sem fazer uma reverência.
- Heilos, o que aconteceu para estar tão apressado? - Damian diz ao dispensar o guarda com um aceno de cabeça.
- Preciso da sua permissão para reunir os meus soldados. Você os conhece, e eles são de confiança.
- Oh. Se acalme, Heilos. O que aconteceu?
- As coisas estão piores que o imaginado, Raniel até incorporou uma profecia que não previu que iria ter, pela primeira vez eu o vi esgotado por causa disso, até o aprendiz dele achou suspeito.
Damian, encurralado, suspirou:
- Você sabe que, para autorizar que você leve soldados meu para uma missão, você, além de precisar da minha permissão, precisará do consentimento dos outros mestres. É uma regra que garante a segurança de quem será mandado me missão, garantindo que haverá uma equipe de resgate a postos dia após dia, até o fim da viagem. - o guerreiro sabia que essas permissões iriam levar tempo, coisa que eles tinham de menos. Frustrado, ele puxou o cabelo para tras, deixando exposta a cicatriz do seu olho direito por um curto período de tempo. Com isso, Damian sorriu ao perceber o irmão se controlando para não quebrar a lei. - No entanto, se a missão não envolver soldados do rei, somente o meu consentimento basta. Não tenho de assinar um papel de permissão, então não precisará me ajudar com isso.
O rei sorri de forma divertida, apontando para o braço enfaixado. Heilos, sem acreditar, piscava várias vezes para garantir que não era uma ilusão, com isso, Damian começa a rir.
- Prepare-se para a jornada, meu irmão. Irei pedir uma mochila de suprimentos para Marylin, e cavalos também. Ah, e tome cuidado com a criança Hyd, tenho certeza de que ela será uma peça importante no quebra cabeça, no entanto, ainda não sei qual.
Heilos deixou a sala do trono após uma reverência e correu para os aposentos de Alisha. Ao entrar, o guerreiro ouviu um grito fino e encontrou a Hyd assustada, segurando o vestido que não conseguiu terminar de por e, com a outra mão, cobrindo o sutiã.
- O que você está fazendo aqui?! - Ela sentiu seu rosto esquentar, o rubor era visível. - Seu pervetido!
- Por que está ruborizada?
- Por que?! Porquê você quase me viu sem roupa! Eu vou falar pra Zithar!
- Pare com esse costume ridículo e fresco de Hydarth. - ele diz, revirando os olhos. - Eu já vi mulheres totalmente sem roupa, e te garanto que tinham o corpo bem mais bonito que o seu.
O rubor envergonhado da garota se tornou um vermelho de raiva, ao perceber, Heilos deu as costas e começou a sair.
- Eu tenho o corpo bonito sim, seu idiota, pervertido!
- Hamram. Apenas se vista e se encontre comigo no meu quarto.
Quando ele bate a porta, Alisha suspira aliviada e veste as alças do vestido, desembolando e arrumando o tecido. Pegou a chave octogonal e saiu pelos corredores, cumprimentando os guardas pelos quais passava e se dirigindo para o quarto do guerreiro. Quando estava quase chegando, ela se encontrou com o Mestre de Armas do reino.
- Ah, me desculpe, senhor.
- Pelo menos possui um pouco de educação, Hyd. - Skure exalava uma aura ameaçadora, e Alisha sentiu isso. - Para o seu próprio bem, saia deste reino. Sua presença aqui só trará desgraça. De preferência, morra.
Skure voltou a fazer seu caminho, a Hyd permaneceu estática e, um minuto depois, voltou a caminhar. A coragem para o responder havia desaparecido, as palavras ficaram presas em sua garganta, quase a sufocando. Ao chegar a seu destino, aproveitou a porta aberta e entrou, a fechando atrás de si. Em cima da cama havia um conjunto de roupas masculinas, parecidas com as que os guerreiros em treinamento usavam, então, inesperadamente, ela foi surpreendida por Heilos, que estava do lado dela, abrindo o zíper do vestido.
Com o susto, ela gritou e começou a bater no guerreiro, que não parecia ser afetado por seus golpes. Ela viu seu vestido cair no chão, então, antes que ela pudesse se cobrir, Heilos puxou a blusa que estava na cama e a vestiu.
- Custava pedir para eu me trocar no banheiro?! - Alisha grita, o rubor tomando seu rosto mais uma vez. - Essa camisa está extremamente folgada, parece um saco de batatas.
- Eu sei.
- Então porque... - ao ver uma agulha com uma longa linha na mão dele, ela começou a tremer. - Fique longe de mim, cacete! Você vai fazer espetinho de mim!
- Quieta!
Ela se encolheu e fechou os olhos, no entanto, sentia a roupa se tornar apertada. Heilos, então, cortou o pedaço da blusa que não seria útil. Ele fez o mesmo com a calça que vestiu nela, e lhe calçou as botas que, incrivelmente, nao eram grande, portanto eram do tamanho perfeito. Então, ele se afastou e olhou a garota, a analisando de cima a baixo, vendo ela vestindo a roupa de couro de um jovem guerreiro em treinamento.
- Está pronta para sair. - Alisha, que havia aberto os olhos quando o procedimento de costura chegou ao fim, teve a mão aberta, e uma bolsa de couro foi pendurada nela pelo guerreiro. - Ponha a chave do livro ai dentro, e não perca de jeito nenhum.
- Você é esquisito.
- Estou com pressa, você ouviu o que o Mago disse. - ele entra no banheiro para pegar algo. - Temos de reunir minha equipe e sair do reino antes do amanhecer, para que não haja muitos olhos nas ruas.
- Tudo bem.
Alisha caminhou pelo quarto, encontrando um livro em cima da cômoda. Ela olhou para trás e percebeu que Heilos não havia saído do banheiro, então, abriu o livro e percebeu que era escrito a mão. Então é esse o livro que Lancer mencionou. Seus olhos deslizaram pelas palavras, logo, já havia lido cinco páginas. Apesar que atraente, as histórias criadas eram tristes. Em geral, falavam de um amor perdido e esquecido, e um coração misteriosamente vazio.
- O que pensa que está fazendo? - Alisha deu um pulo e fechou o livro, ao se virar, viu Heilos com uma roupa mais leve que a anterior. Em seu cinto, havia uma espada na bainha, sem dúvidas bela e afiada. - Não mexa nas minhas coisas sem minha permissão.
- Claro. Me desculpe.
- Que isso não se repita. - Alisha sente a mão do guerreiro em seu braço e é arrastada por ele para fora. - Vamos.
Como o caminho não era longo, a dupla caminhou pela bela cidade. Caiu a noite, as tochas e lamparinas foram acesas para iluminar as ruas de pedra. Não haviam mais carruagens circulando e os vendedores protegiam as frutas e verduras de suas barracas. Lembrando-se da senhora que lhe ofereceu cachos de uva, Alisha pegou algumas moedas de bronze com Heilos e seguiu até onde se recordava de ter visto a vendedora, enquanto o guerreiro a esperava parado no meio da rua.
Ela procurou por toda a localidade, até encontrou a barraca, no entanto, não havia sinal da senhora. Ao perguntar a um dos vendedores ali perto, a resposta lhe surpreendeu: "Sinto muito, Senhorita. Essa senhora da qual você se refere, nunca trabalhou aqui. Aquela barraca está desarrumada a dias. Se não me falha a memória, a moça que trabalha nela adoeceu e está de cama."
Embasbacada, Alisha apenas agradeceu ao vendedor e retornou para onde Heilos a esperava.
- Pela sua cara, foi decepcionante. - o guerreiro a observava e, ao perceber que a jovem estava com os lábios suavemente abertos e o olhar expressando confusão, ele sorri ladino. - Não se deprima, quem sabe a encontre, um dia.
- Você ouviu? - a confusão no olhar da Hyd aumentou. - Tipo...tudo?
- Eu sei ler lábios. Vamos.
Heilos adentrou em um beco escuro e Alisha se viu obrigada a segui-lo, para evitar se perder em meio ao labirinto de ruas. Logo, vozes confusas começaram a ecoar, todas vinham de um local me como, o bar do qual Heilos foi expulso aparentemente embreagado dias atrás.
Ao entrar, vários homens jogavam e bebiam; algumas mulheres andavam servindo os clientes, elas trajavam roupas justas e abertas, para que o melhor de seus corpos fosse ressaltado, principalmente as curvas. O dono de dirigiu ao guerreiro, gritando e sacudindo os braços em irritação, ele apenas se calou quando Heilos deixou em suas mãos algumas moedas de ouro, o suficiente para pagar a dívida que havia feito.
Alisha se encolhia, evitando encostar nos homens que cheiravam a bebida alcoólica. Ela sentia nojo e repulsa, seus pelos se eriçavam só de se imaginar fedendo desse jeito, ela odiava aquele cheiro, lhe dava um certo embrulho no estômago, acompanhado da típica vontade de vomitar.
Heilos agarrou-lhe o braço e a manteve próxima a ele durante toda a caminhada pelo bar, ele parecia querer encontrar alguém. Alisha imaginou ser um homem grande e musculoso, do tipo de toma suplementos e passa 24 horas por dia na academia. Ou então, alguém magro, no entanto, ágil e habilidoso, assim como Narvi, o Mestre de Assassinos. Entretanto, a pessoa procurada era baixa e de cabelo negro, longo e liso. Era uma mulher, uma índia, trajando uma roupa feita aparentemente de saco de batata, com um cinto enrolado na cintura. Ela bebia e jogava com alguns homens, todos apostavam algo, queriam que ela colocasse seu belo arco esculpido em jogo, coisa que ela não ousou fazer.
- Kauane. - ele a chama, ela desvia o olhar do jogo e sorri para ele. - Continua a mesma.
- Heilos! Há quanto tempo! A última vez que te vi, foi quando o Zashti desapareceu, e você me trancou numa caverna! - ela parecia irritada, magoada com algo e, antes que Heilos pudesse se defender, ela voltou a falar. - Não me venha com a desculpa de que foi para nos proteger, você sabe muito bem que isso me custou minha honra como guerreira e arqueira. O próprio Sieron precisou se mudar para uma vila porquê não conseguia arranjar um trabalho aqui. Viram a todos nós como covardes, e tudo é culpa sua!
Sem paciência para discussão, Heilos segurou ela pelo braço e saiu a arrastando para fora do estabelecimento juntamente a Alisha, obviamente a Índia não deixou seu arco para trás.
- Não temos tempo para discutir. - Desta vez, era Heilos que nao deixava Kauane protestar. - Temos de sair antes do nascer do sol. E você vem junto.
- O que? Isso é sequestro! Eu posso te acusar de tentar me violar!
- Escute aqui. - Sem paciência, o guerreiro apertou o braço da indígena e colou seu corpo no dela. - Por Maharpayã, Kauane, não me estresse. Você vai sim conosco, precisamos das suas habilidades para nos guiarmos pela floresta caso percamos o mapa. Entendido?
- Sim senhor.
- Ótimo. - ele diz a soltando. A indígena olha para o braço, percebendo que o aperto havia tirado parte da tinta vermelha que estava lá. - Nao podemos perder tempo.
Mesmo contra sua vontade, Kauane passa a caminhar lado a lado com Alisha. Ao chegar no castelo, a única coisa que ela precisou pegar foi sua aljava cheia de flechas encantadas, cujas pontas afiadas de ferro eram capazes de atravessar a pele de qualquer criatura.
Os cavalos haviam sido abastecidos, cada um dos três tinha uma sacola de couro cheia de alimentos presa a cela. A comida era pouca, no entanto, pensavam não só em economizar, como também em caçar enquanto estivessem montando acampamento. No final, eles estavam prontos e descansados quando a lua começou a descer de seu ponto mais alto, era questão de horas até que o sol trouxesse até eles todo o seu calor.
Os portões da muralha foram abertos e os guardas cumprimentaram o trio que partia. Kauane sentia sua honra começando a retornar, afinal, o rei em pessoa, o oráculo e seus generais estavam presentes durante a partida. Alisha olhou ao redor, esperando encontrar a rainha lhe desejando sorte, mas ela viu Marylin de braço dado com Damian, ela estava com a mão suspensa, acenando para a Hyd que, com um sorriso, acenou de volta.
Quando estavam distantes e os portões sendo fechados, um cavalo passou correndo e apenas parou quando suas rédeas foram puxadas. Zithar desceu do belo animal e correu até Alisha, que foi abraçada assim que desmontou.
- Por favor, tome cuidado. - disse Zithar, as lágrimas em suas bochechas eram iluminadas pelo brilho prateado da lua. - Jure para mim que retornará viva, minha menina.
- Eu prometo, Zithar. Heilos cuidará de mim. - a Hyd percebeu que o olhar da mulher obscureceu quando mencionou os cuidados do guerreiro. Confusão inundou sua mente mais uma vez. - O que foi?
- Não foi nada. - a rainha limpa as lágrimas e ajeita o vestido. Engolindo em seco para não voltar a chorar. - Eu espero que ele tenha o mínimo de conhecimento sobre cuidados médicos. Ah! E cuidado com o que come, para não pegar uma infeção alimentar. Também não chegue perto do que te faz mau, nem se machuque, eu não estarei lá para cuidar de você, criança.
- Tudo bem. Eu tomarei o máximo de cuidado possível.
Zithar sorri e acaricia o rosto de Alisha, então, após se despedir, a rainha retornou a sua cidade, para ficar lado a lado com seu marido. Com isso, a Hyd seguiu viagem pela trilha juntamente aos dois mais velhos.
- Então, para onde iremos?
- Para noroeste.
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