- 12 -
— DESPEDACE —
— Eu dei àquela vadia o que ela mereceu. Mas eu não fazia ideia de como fiz aquilo. Minha primeira transformação foi confusa e… assustadora. Eu não sabia o que eu era nem entendia o que tava acontecendo. Eu só sabia que naquela hora eu tinha um poder incalculável nas mãos e de repente quatro asas nas costas pra voar. Eu podia ter aproveitado a chance, podia ter colocado aquela merda de castelo inteiro abaixo! Mas… eu era um moleque ingênuo que preferiu ir atrás de uma ilusão idiota em vez de aceitar logo o lugar aonde pertenço…
Devimyuu bufou. De cenho franzido, seus olhos miravam o nada. Mewcedrya sabia que era um assunto delicado para ele. Pela primeira vez, ele lhe contava sobre seu passado em detalhes que nunca tinha tido coragem de expor.
Com um leve suspirar imaginando os sentimentos do jovem príncipe a respeito, a druidesa o encarou com um olhar compassivo.
— Bem, você não pertencia àquele lugar abominável de qualquer forma. Você é o verdadeiro herdeiro do trono e o semideus Arquemônio de nossa Era. E mesmo que não fosse, nenhum simples menino devia ser sujeitado as atrocidades que você foi. Pela Mãe Natureza, a mulher queria te molestar!
— Cedrya! — O príncipe a encarou de olhos arregalados — Não coloque desse jeito!
— Por que não? Foi o aconteceu. Hoje você já entende isso, não é?
— Sim, mas já é traumatizante e humilhante o suficiente sem você usar essa palavra…
— Oh. Me desculpe. Eu não quis fazê-lo se sentir mal, filhote de deus. Não foi minha intenção…
Mewcedrya disse, parecendo consternada.
— Desencana… Eu já matei a vagabunda com as minhas próprias mãos, então não me importa mais. Eu só te contei tudo isso porque… Bem…
Devimyuu fez uma pausa. Respirou profundamente e esfregou o rosto jogando a franja comprida para trás. A frustração do adolescente semideus era palpável, e ele parecia levemente desconfortável.
— … Você estava certa. Minha transformação tem um gatilho que não estou conseguindo alcançar, e como minha sensei, tinha o direito de saber o porquê. Mas, eu nunca fui de desapontar os meus mentores. Garanto que darei um jeito nisso, pode ter certeza.
— Você não me desapontou nenhuma única vez, Devimyuu. Agora eu compreendo. Se sua transformação está diretamente ligada aos puros que te criaram, tudo faz sentido. Eu nem posso imaginar como se sinta a respeito…
Devimyuu engoliu seco com o rosto cabisbaixo e desviou o olhar. Parecia estar bem contido, apesar de tudo. Mewcedrya admirou o autocontrole que o garoto provavelmente exercia sobre suas emoções naquele momento. Em outros tempos, falar de seu passado doloroso o deixaria completamente transtornado. O novo Lorde das Trevas tinha amadurecido, de fato.
Ele suspirou pesadamente.
— Mas esse é exatamente o problema, Mewcedrya. Meus sentimentos são a droga do meu ponto fraco. Nasci pra ser um bruxo, mas por ter sido educado numa escola de magos, agora minha magia também está atrelada a como me sinto! Eu não quero pensar nos meus pais adotivos nunca mais, mas esse é exatamente o gatilho que despertou minha verdadeira forma de Arquemônio pela primeira vez. Não vê a merda que isso é? É pior que uma maldição!
Devimyuu abaixou a cabeça sobre a mesa. A cascata de cabelos negros jogados cobria-lhe todo o rosto, dando a impressão que o príncipe os usava para manter suas emoções escondidas dentro de si.
Com outro suspiro, Mewcedrya se levantou de seu lugar a mesa e foi até a prateleira cima. A druidesa apanhou um jarro com hidromel, preparado por ela mesma. Serviu um copo para si e outro para Devimyuu. Ele só tinha 16 anos, entretanto, no desregrado Mundo Reverso, a idade mínima para se consumir bebidas alcoólicas era qualquer uma que já se pudesse pagar por elas.
— Não se preocupe, encontraremos uma solução. Eu te ajudarei, afinal, este é meu papel como sua mentora.
Ela disse tentando encorajá-lo, tomando de volta seu lugar à mesa.
— Eu já sei o que fazer.
Respondeu o príncipe, finalmente erguendo a cabeça num movimento súbito que jogou seus volumosos
cabelos para trás. Se deparou com o copo servido à sua frente, e sorveu a bebida toda num único gole. Talvez achasse que assim poderia impressionar Mewcedrya, ou se passar por um homem feito. No entanto, só provou a si mesmo que tomara uma típica atitude adolescente tola e impensada, quando sentiu o gosto forte que meses de fermentação acentuaram ao álcool da bebida. Era mais do que ele podia aguentar. Com a garganta queimando, disfarçadamente cuspiu o resto de volta em seu copo quando Mewcedrya não estava olhando.
Recompondo-se, voltou a ficar sério quando a fêmea lhe perguntou o que tinha em mente.
O jovem Lorde das Trevas contou exatamente o que planejava. A solução que tinha encontrado para seu aparente problema. Mewcedrya ouviu tudo sem esboçar nenhuma reação adversa, mas por dentro estava incrédula.
Ela precisava pensar cautelosamente no que lhe dizer. Qualquer argumento errado só incentivaria Devimyuu a seguir com seus planos, nem que o fizesse por birra.
Por causa disso, demorou a formular uma resposta concreta. Devimyuu já estava decidido por si mesmo, e aproveitando dessa brecha, deu a conversa por encerrada.
Mewcedrya tentou fazer com que ele ficasse, mas o adolescente praticamente fugiu afirmando ter coisas a fazer, e que seria melhor conversarem depois. Ele saiu porta a fora antes que a druidesa dissesse algo mais, desaparecendo nas sombras da noite como se fosse um com elas. Era comum que ele passasse horas fora após escurecer, no entanto, a fêmea adulta não se preocupava nesses casos pois sabia exatamente para onde ele iria. Era provavelmente onde estava agora, porém, depois do que havia dito a ela, dessa vez a druidesa tinha um motivo válido para se preocupar.
Contudo, sabia que era inútil ir atrás de seu pupilo naquele momento. Quanto mais crescia, mais teimoso Devimyuu ficava, e de nada adiantaria ir confrontá-lo sem um argumento que o persuadisse. A druidesa precisava bolar algo, mas nenhuma ideia lhe viria enquanto ficava parada ali. Sendo assim, só lhe restou também ir cuidar de seus afazeres noturnos, esperando que talvez a Natureza de alguma forma a inspirasse. Sempre pôde contar com ela.
Durante seu banho na piscina natural da caverna de cristais, Mewcedrya não conseguia tirar de sua mente as palavras de Devimyuu.
Seu aprendiz acreditava que seus sentimentos o tornavam fraco, que impediam seu progresso e o alcance de seu objetivo. Que para chegar onde queria como o novo Lorde das Trevas, ele teria que ser frígido, insensível e apático; possuir uma frieza em sua alma que faria ele não se importar em transformar-se num monstro cruel se necessário, seguindo os passos dos temíveis e desalmados Arquemônios anteriores.
Mewcedrya sempre reconheceu a divindade dos Lordes das Trevas antecessores como todo reverso leal a medonha doutrina das Sombras que lhes era incutida. Mas sua devoção obrigatória não a cegava quanto ao nível descomunal de perversidade demonstrada pelos primeiro e segundo semideuses descendentes de Ghanog. Seus atos ímpios estavam registrados como méritos a serem celebrados.
No entanto, por mais leal que fosse a sacra Escuridão, Mewcedrya não achava que Devimyuu deveria se tornar como um deles. Ele merecia mais do que apenas ser lembrado por uma longa lista de atrocidades executadas até o último dia de sua última vida. E justamente o que seu pupilo considerava uma fraqueza a ser eliminada era o que o tornava melhor que eles; era o que o tornaria o maior semideus reverso que seu mundo distorcido já havia conhecido.
E como sua mentora, era seu papel fazer com que ele visse isso.
Determinada a não deixar que Devimyuu se perdesse, a druidesa saiu do banho e caminhou até uma das partes mais recônditas da gruta encantada.
Meses atrás, durante uma de suas explorações para ajudá-la na procura por cristais raros, Devimyuu tinha encontrado uma câmara subterrânea na caverna.
Desde então fizera dali seu esconderijo; era onde ele punha em prática seus estudos de magia mais profundos, testava novos feitiços e criava poções experimentais graças ao conhecimento em magierbologia que adquiria com ela. E Mewcedrya também sabia que aquele era o lugar para onde o jovem príncipe fugia quando queria ficar sozinho.
Em respeito a isso, a druidesa jamais havia entrado no pequeno e sombrio refúgio de sua Alteza. Ela até mesmo evitava a todo custo chamá-lo quando estava ali.
Contudo, agora se tratava de uma emergência. Tratava-se de salvar a verdadeira essência de Devimyuu antes que ele se forçasse a se transformar em quem não era. E se ele estava enfurnado ali depois da conversa que tiveram, provavelmente era nisso que estava trabalhando. Não havia tempo a perder.
Mewcedrya se aproximou da cratera aberta no piso da gruta que servia de entrada para a câmara subterrânea. Parou em sua beirada e chamou por Devimyuu.
O garoto devia estar bem ao fundo, porque não parecia tê-la escutado. Só lhe restou uma opção. A druidesa conjurou fortes ramos de cipós e os usou para descer. Sabia que estava sendo ousada ao invadir o covil do príncipe bruxo, mas mesmo assim o fez.
No entanto, não se atreveu a adentrar muito. Ficou parada ali mesmo onde pousou, na tentativa de manter o mínimo de respeito pelo seu espaço.
— Devimyuu? — Ela ouviu sua voz ecoar no espaço adentro, aceso pela luminescência azulada e roxa emitida dos cristais magicamente fosforescentes por todo o lugar.
Mais ao fundo da cripta, o príncipe até se espantou ao ouvir a voz dela, visto que nunca entrava ali. Interrompendo sua busca astral por um feitiço que selasse suas emoções, ele se levantou de dentro do círculo mágico com um heptagrama onde estava sentado levitando em posição de lótus. Aproximou-se um pouco da entrada mas ainda não aparecendo totalmente.
— Cedrya, é você? Achei que estivesse no banho…
— Acabei de sair. Pode vir aqui um pouco?
— Você não tá pelada aí não, né?
A pergunta de Devimyuu era válida, já que Mewcedrya costumava não se vestir imediatamente após o banho para deixar sua pelagem secar naturalmente; e mesmo após a convivência com ele, não mudara tal hábito. Parecia não ter vergonha alguma de desfilar como veio ao mundo na frente de um macho adolescente. Nunca dera atenção as reclamações do jovem semideus por seus hábitos nudistas, dizia que era apenas corpo, e que o garoto estava fazendo um alarde sem motivos.
No entanto, depois de ouvir sua confissão sobre a traumática experiência com Jezemew, Mewcedrya entendia plenamente seu incômodo quando se tratava de fêmeas adultas e nudez.
— Não estou, não se preocupe. Não farei mais isso.
— Bom saber. Porque por mais que eu te respeite, eu tenho 16 anos e na real, tem certas coisas que eu não posso controlar, e essa situação tava ficando pra lá de esquisita, Mewcedrya. Por mais que você diga que tudo é "natural"…
— Eu compreendo. Adianta se eu me desculpar por todas as outras vezes?
O príncipe semideus enfim veio até a mentora.
— Tá, eu vou aceitar. O que te traz até o meu covil?
— Covil? — Ela perguntou, achando curioso o modo como ele se referiu.
— É. Bruxos malignos tem covis, não tem? — O menino questionou, cruzando os braços e fazendo uma pose.
— Você não é maligno, eu diria que aqui está mais para um Santuário Sombrio…
— Dizer que eu não sou maligno me ofendeu, mas eu vou deixar passar porque gostei de Santuário Sombrio. Talvez eu construa uma área inteira com esse nome no meu futuro castelo… Mas então, o que foi?
— Eu precisava que me acompanhasse por um instante, caso não esteja extremamente ocupado.
— Estou tentando encontrar um feitiço que acabe com esse meu sentimentalismo idiota… Mas se for extremamente importante eu posso continuar depois.
A declaração de Devimyuu só reafirmou a Mewcedrya o quão urgente era impedir que seu aprendiz praticamente se destruísse.
— Na verdade é sim. Há algo mais que devo ensinar a você, Devimyuu, e precisa ser agora. Então por favor, venha comigo.
Dizendo isso, Mewcedrya deu dois puxões em seus cipós que a levaram para cima.
Devimyuu estranhou uma lição àquela hora da noite, contudo, como o bom aluno que se via, não fez questionamentos e apenas a seguiu.
Os dois rumaram de volta à cabana. Mewcedrya acendeu as lamparinas encantadas do quarto e foi até o grande baú de madeira escura e entalhada ao pé de sua cama. Ela o abriu, e começou a vasculhar algo bem ao fundo dele. Parou quando pareceu ter encontrado o que procurava, e encarou o príncipe que a olhava levemente curioso.
— Você me disse que se importar era coisa de puros, não é? E que não era da natureza de nós reversos, demonstrar apego, afetuosidade, tristeza ou saudades pela perda de alguém, porque fomos criados parar sermos frios, individualistas e vazios…
— Há variações. Tipo, eu acredito que mesmo nós reversos podemos demonstrar apego por alguém em algum momento. Mas, isso não deve durar, não deve se manter… No básico, frigidez é a nossa essência. É assim que fomos criados, não? E você mesma sempre diz que as coisas são como esses deuses idiotas querem que sejam.
— E você nunca foi de levar em conta os desejos divinos do Soberano Ghanog, mesmo sendo um semideus e o escolhido dele.
Devimyuu deu de ombros.
— Não mesmo. Por mim que vão a merda.
— E ainda assim você afirma que precisa agir como um reverso deveria e não se importar com mais nada nem ninguém…
— Não quero isso porque é o que Ghanog quer ou não. Estou pouco me fodendo pra ele. Farei isso pelos meus motivos. Eu preciso reivindicar meu poder como um Lorde das Trevas. Não posso ficar me lamentando por remoer lembranças de uma família que me abandonou! Eu não posso e não vou mais ficar pensando neles! Eu já aceitei que as Trevas estão ligadas a mim, Mewcedrya. A Escuridão é fria, portanto eu também serei!
— E quem disse que por ser o Lorde dessa Era, você precisa se tornar a própria Escuridão, garoto deus?
— Os Arquemônios anteriores foram e não vou ficar abaixo deles.
As palavras de Devimyuu deixavam Mewcedrya cada vez mais preocupada. Estava claro que o garoto passava por uma crise de personalidade típica de um adolescente. No entanto, nada era tão simples quando se tratava de um semideus. Com o poder que tinha, Devimyuu podia tomar uma decisão drástica da qual não haveria retorno, como de fato, já estava fazendo em sua busca no selamento de suas emoções através de alguma bruxaria. Seria plenamente capaz de executá-la se quisesse e não haveria nada que Mewcedrya poderia fazer. Sua única chance era ali e agora.
— Mas você já está acima deles, Devimyuu. Justamente por ser exatamente como você é. Não percebe?
— Cedrya, eu só consegui atingir minha transformação POR AMOR! Enxerga o paradoxo absurdo nisso?! Sou um Arquemônio que se transformou só porque queria voltar pra uma família de puros Angélicos! Como isso pode me deixar acima dos antecessores da minha própria raça?! Chega a ser ridículo! Eu não posso continuar assim!
— Por que não?! — Mewcedrya levantou a voz, pela primeira vez em todo o tempo em que Devimyuu a conhecia. Isso o surpreendeu. — Por que acha que há algo errado em mostrar amor a alguma coisa ou alguém? Vai dizer que é porque amor é um sentimento pertencente aos Puros?
Devimyuu apenas seguiu olhando para ela, sem responder. Mewcedrya procurou acalmar-se e continuou.
— Bem, em partes, não nego que tenha razão quanto a amar não fazer parte de nossa natureza. Mas é justamente por isso que quando um reverso ama, esse sentimento pode ser mais intenso e duradouro do que de um puro inclinado a demonstrá-lo de forma tão nata que chega a ser banal. Existem reversos que amam, Devimyuu. Acha que seus pais biológicos não te amaram? Que a sua madrinha, que você disse se arriscar a sofrer punições torturantes para tentar cuidar de você naquele castelo infernal, não fazia isso por também amá-lo? E você não quer resgatá-la justamente por amor, não só por gratidão?
O jovem Lorde desviou os olhos, baixando levemente a cabeça. Sabia a resposta, mas ainda assim, temia respondê-la, tolamente acreditando que fazê-lo seria como atestar o que achava ser sua maior fraqueza.
— São raros os reversos que sabem reconhecer e demonstrar o amor, mesmo em sua mínima forma. Você é um deles, meu caro príncipe, e isso não te torna um fraco. Isso é quem você é, este é seu eu de verdade e não te coloca abaixo de ninguém. Muito pelo contrário. Os sentimentos que você carrega são precisamente o que te coloca acima de toda uma raça criada com impiedade e frieza em seu sangue. Sou eu que te pergunto como não consegue enxergar isso.
As palavras precisas de Mewcedrya começavam a afetar seu aprendiz. Pouco a pouco penetrando na couraça de mágoa e revolta na qual ele tinha se envolvido para que sentimentos antigos não o dominassem. Havia conseguido por um tempo, mas agora sentia essa mesma couraça despedaçando.
— E o que você quer que eu faça? Aonde isso vai me levar?!
Devimyuu questionava, com sua voz já trêmula.
— Eu odeio o Kinmyuu, porque ele dizia ser o irmão que sempre me protegeria, até que ele me traiu e me assistiu morrer! Mas… Mas apesar de tudo, eu não consigo odiar meus pais adotivos por mais que eu tente porque essa droga de sentimento não deixa! Eu… eu… Eu ainda amo eles, tá bom?! Era isso que você queria ouvir?!
O garoto por fim explodiu, não conseguindo mais se controlar. Sentou-se no chão, com a cabeça apoiada entre os joelhos e os braços cruzados de modo a cobrir o rosto.
— Mesmo depois de tudo… Mesmo sabendo que nunca vieram me buscar porque isso significa que também me repudiam por eu ser um Arquemônio… Embora eles soubessem disso antes de mim, e parecessem me amar assim mesmo. Talvez seja por isso que eu não consigo superar; que quase toda noite eu tenha vontade de voltar pra lá pra questioná-los e ouvir deles mesmos que não me querem, e não pela boca do Kinmyuu! E talvez também seja por isso que no fundo eu tenha a mínima esperança que me queiram de volta… Mas, eu sei que acabou. Eu não posso voltar e não posso continuar assim! O amor que eu sinto… só me faz odiar a mim mesmo por ser tão estúpido!
Mewcedrya o ouvia respirar pesado; como se seu aprendiz estivesse possuído pelo espírito animal de um touro furioso. Estava claro que o autocontrole que ele demonstrou mais cedo se perdera há um bom tempo. Tudo que lhe restava era aquele esforço gigantesco na tentativa de não derramar nenhuma lágrima.
A druidesa chegou mais perto. Sabia que era doloroso para ele ter que lidar com toda aquela a saudade, dúvida e sensação de abandono que o corroíam. Mas seria muito mais doloroso deixar que ele se obrigasse a se transformar em algo que não era. Além disso, dessa vez partilharia com o príncipe das Trevas exatamente a mesma dor que ele carregava.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top