31.Sentimentos
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Pov.Bella
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Na penumbra da noite segurei as lágrimas conforme revirei na cama tentando não pensar nele, na sua falta de palavras. Deve ter percebido que tenho razão, não podemos ficar juntos embora eu deseje isso intensamente, abraço o travesseiro tentando abafar os soluços.
Quando me tornei tão patética? Eu não era assim, não deveria ser, mas qualquer garota normal na minha situação agiria dessa forma, menos minha colega de classe Jess, provavelmente ela estaria na cama dele sem se importar com nada.
Afasto o travesseiro do rosto escondida nas cobertas, espio a chuva aumentando do lado de fora, sombras dançam pelo quarto com os relâmpagos, tento não pensar no teste... embora tenha sido burrice minha aceitar, não posso deixar Jasper assumir a responsabilidade, é minha culpa estarmos aqui.
Amasso o travesseiro o esmagando, encaro o corte costurado em minha mão... "São só cicatrizes de batalha, igual a sua" tinha dito Jasper, temos cicatrizes, corações partidos, seu irmão roubou sua esposa de seus braços, e Alice amava Edward o bastante para trair nossa amizade.
Afastada de Forks consigo pensar melhor em tudo isso, sinto medo, receio de ir além, mas eu sei no fundo que meus pesadelos são lembranças indesejadas, escondidas com maquiagem... Quanto mais tempo passo longe de Edward mais frequente e nítido os pesadelos se tornam, como se o encantamento estivesse falhando, glamour, não tinha glamour para me fazer enxergar só sua beleza sobrenatural.
Fecho os olhos me concentrando na voz doce de Edward, em seu toque, voltou ao escritório de Carlisle, ele não está, mas mesmo assim Edward não se importou em bagunçar o local, pegando uma agulha e bolsa vazia de sangue. "Estenda o braço, Swan" pede e respondo imediatamente, sem nem me importar, sorrindo como se ele tivesse me pedido um beijo.
Edward não me beijava como Jasper, porque não havia desejo... Afasto o pesadelo ainda gravado em minha cabeça, queria continuar ignorante da verdade dele, gostaria de fingir que não sinto nada por Edward, mas ele era meu sonho.
Não consigo entender o porquê dele ter se esforçado tanto em me ter como namorada, queria tanto assim pegar um pouco de sangue? Eu sei que sou a cantora dele, Aro falou sobre isso.
Soluço tentando não chorar alto, mesmo com a chuva tenho medo que Jasper ouça, não quero um interrogatório, não quero que me veja tão patética. Por muito tempo estive sozinha, Charlie sempre se esforçou, mas a verdade é que só as férias não era o bastante para ele perceber que eu fui obrigada a amadurecer cedo demais, todos os namorados de mamãe eram como pirralhos e ela uma adolescente imatura, tinha me tido cedo demais, queria viver a vida nas festas, então Biy apareceu e tive um pouco de folga.
Mas ele não queria ser um bom padrasto, era responsabilidade demais, Charlie acha que eu vim por livre e espontânea vontade para uma cidade chuvosa e fria sendo que amo o calor.
Eu só queria espaço, fazer todas as tarefas e me preocupar com nada além da escola... Eu não deveria ter me apaixonado por Edward Cullen, aconteceu o sonho de toda adolescente... O cara mais popular, rico e bonito me queria, ao menos queria meu sangue.
Como se eu fosse um objeto, propriedade dele... Rosalie era amarga, ela sabia de tudo e não me contou "Estava óbvio a ligação deles" tinha dito quando me levou para casa, se ao menos ela tivesse me contado antes seria mais fácil.
Jasper tentou me matar para castigar Edward de certa forma, então porque ele se apaixonou por mim? Não sou bonita... só sou popular em Forks por ser nova na cidade se não nem me olhariam duas vezes.
Ele pode ter ficado ofendido por minha dúvida, mas o que um homem perfeito daquele ia querer comigo sendo que sou tão comum...
Mordo o lábio segurando o choro, me sinto culpada por minhas lágrimas, queria ser forte, dormir e esquecer que posso morrer a qualquer minuto se Victoria me encontrar, estou longe de casa sozinha e assustada e tudo que tenho é um abismo chamado Jasper
Aceitar seu amor é saber que um dia ele vai encontrar a sua felicidade verdadeira nos braços do seu tchan e me abandonar. Queria eu simplesmente esquecer isso, mas penso nos cortes em meu pulso, em Charlie me acordando no meio da noite enquanto eu gritava chamado Edward.
Me apaixonar por um vampiro de novo me levaria à loucura.
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Pov.Jasper
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Bella tinha deixado seu cheiro na minha cama, porém não consigo me contentar em somente abraçar as cobertas que ela se enrolou... quero mais, sempre desejo mais, acho que nunca será o suficiente, como se fossemos o que faltava um no outro, preciso dela mais do que gostaria, Bella é minha esperança.
Levanto sentindo o cansaço em meus ombros, todo o sangue que foi derramado, eu menti, eram inocentes... Fui ordenado a matar aqueles que não serviriam para serem recém criados, e os vampiros traidores que quiseram se rebelar contra a líder, foi difícil voltar, sentir todas aquelas emoções, um pesadelo que eu rasguei em pedaços, manchei minhas mãos, os dentes daquele vampiro poderia ter me matado, seria bom... no entanto quebrei seu pescoço com o que restou das minhas forças, não poderia deixar Bella sozinha.
Como os velhos tempos Maria quis assim, nunca confiou em ninguém, não depois que seu companheiro foi assassinado pelo clã que deveria protegê-la, todos esses anos ela procura na cama de outros homens e mulheres o mesmo sentimento que tinha com ele... Isso me faz pensar em Edward e Alice, como poderia continuar amargurado sabendo disso? Encontrar alguém tão diferente, especial era raro, não posso negar minha benção.
Edward não a merece, como também não merecia a minha... Bella.
Carlisle mimou demais aquele pirralho imaturo, acha que o mundo gira ao seu redor, abro o guarda roupa vestindo uma camisa de mangas cumpridas da mesma cor da calça, botão por botão fecho a mesma ainda sentindo as mãos dela me envolvendo de forma delicada, devagar fecho o colarinho, preciso ver como minha companheira está, embora eu relute em perturbar seu sono, infelizmente posso ouvir seu choro mesmo que baixo.
O preço que estou pagando é alto demais, sinto a dor se alastrando dá mordida em meu pescoço, de forma masoquista gosto, me faz sentir vivo, adentro o corredor nem um pouco incomodado com a penumbra da noite.
Passo na cozinha e preparo um chá para acalmá-la, tão rápido quanto sempre fui derramo a água quente na xícara de porcelana decorada, um mero objeto decorativo como a maioria das coisas nessa casa. Tudo nesse lugar é uma ilusão de alegria, deveria ser uma casa cheia de pessoas, para uma família morar e não um vampiro centenário sem ninguém para atormentado nem mesmo a sua cama.
Em passos gatunos não suporto o tormento de ouvir Bella chorar, seu lamento é ouvido na casa todo, maldita audição apurada, abençoada seja por me permitir saber das lágrimas de minha mulher.
Eu deveria ter dito alto e claro que ela é meu tchan, que nunca vou abandonar ela igual Edward fez, mas as palavras travaram em minha garganta em nervosismo, tão frágil... Bella é frágil como um botão de rosa desabrochando, insegura sobre tudo.
Empurro a porta sendo recebido pela temperatura fria de seu quarto, percebo a lareira apagada, as cortinas abertas, tudo que a protege do relento frio da noite é os vidros das janelas.
Bella abraça com mais força o travesseiro, seus olhos encantadores de caçadora me capturam, parece tão perdida em suas próprias emoções.
— Quem está aí? — Gagueja se encolhendo na cama, não conseguindo ver bem no escuro.
— Sou eu Isabella... — Pronuncio seu nome com suavidade, tentando acalmar seus batimentos
— Jas? — Chama desconfiada com a voz arranhada, dolorida pelo choro.
Luto contra meus instintos primitivos, quero simplesmente atravessar o quarto e abraçá-la, dizer que vou protegê-la dela mesma se for necessário, mas temo assustar minha companheira com tal atitude invasiva.
— Fiz um chá para você. — Seguro firmemente a xícara em minha mão, sentindo a temperatura agradavelmente quente, similar a dela.
Em um movimento lento Bella senta na cama se aconchegando nos travesseiros ainda abraçando um em seu colo, suas lágrimas deslizam de forma adorável pelas bochechas coradas, tenho vontade de apertá-la em meus braços.
Estendo a xícara para Bella que a pega com cuidado, não conseguindo ver além da penumbra.
— Obrigada... — Gagueja, segurando o objeto com cuidado, ela se encolhe e geme de dor quando muda a xícara de mão, seu ferimento ainda não está totalmente curado, ranjo os dentes ao pensar que ela fez tal sacrifício para me salvar.
Enquanto ela beberica o chá me ocupo em jogar lenha na lareira apagada, acendo a mesma sem cerimônia aconchegando o quarto bagunçado na luz amarelada, Bella sorri minimamente para mim em forma de agradecimento. Outro trovão chacoalhou as janelas fazendo minha companheira se encolher na cama, ela tinha tido um pesadelo, foi ao meu quarto buscar refúgio... Passo a mão pela nuca desviando minha atenção as cortinas, às fecho escondendo a tempestade dela.
Eu não deveria ter avançado demais com ela, não deveria ter ficado em silêncio, mas enfrentar um exército de recém criados é mais fácil do que confessar a verdade, não quero que ela ache que é obrigada a me amar só porque sou seu tchan.
Desejo que se apaixone por mim, não quero a condenar a sentir culpa por não poder retribuir na mesma intensidade os sentimentos que sinto por ela. Sento na beirada da cama, ouço sua respiração suave.
— Me desculpe. — Tomo coragem olhando diretamente em seus olhos castanhos.
— Porque está se desculpando? — Gagueja segurando a xícara com a mão trêmula, colocando ela na mesinha ao lado da cama.
— Por te ocultar a verdade... — É direito dela saber, não posso mais esconder isso com medo da sua reação.
Tanto do tchan... como outras coisas desagradáveis que não posso revelar, não quero perder sua confiança frágil, não aguentaria a ver indo embora.
— Verdade? — Sussurra se inclinando na cama deixando as cobertas escorregarem de seu corpo, tinha colocado outra camisola.
Uma azul claro com lacinhos e babados, destacando cada curva sedutora de seu corpo, tão tentadora, Bella não conseguia ver o quão bonita era, mesmo que não fosse ela ainda assim era carinhosa e doce o suficiente para derreter qualquer coração com seus olhos pidões e mania suicida de morder o lábio. Observo as alças finas bem firmes em lacinhos frágeis, um puxão... Deixo minha imaginação me condenar.
— Eu pintei aqueles quadros porque você é minha musa, não consegui me impedir de derramar todo o amor que sinto por você nas telas em branco. — Sussurro a verdade, encarando a cabeceira atrás dela para não me perder em seu rosto e cair em suas garras — Bella, você inocentemente encanta todos que conhece, tão doce e gentil. — Confesso finalmente sendo capturado pelas suas lágrimas.
— Jas... — Bella soluça me chamando, meu apelido é tão doce entre seus lábios.
Não resisto a cair na tentação de ser hipnotizado por suas feições, ela morde o lábio trêmulo, sinto seu medo, insegurança, pânico.
— Eu me apaixonei pelo seu sorriso, seu hábito suicida de morder o lábio. — Não consigo esconder em meu tom a alegria — Amo sua risada, e amei mais ainda quando me puxou para água, por um instante você tinha voltado a ser você mesma — Oculto a parte que me deixei ser abatido, ela não conseguiria realmente me derrubar na água, mas a possibilidade me divertiu.
Na aurora dos meus olhos refletidos nos seus percebo minha fome, não deveria ter recusado o banquete oferecido, mas Bella é a única que me satisfaz, seu sangue é delicioso, quente, saboroso, passo a língua pelos dentes perdendo minha atenção em seu pescoço.
— Isso não muda o que eu disse, Jasper. — Sua voz é suave — Não podemos fazer isso, eu tenho medo...
— Medo do que? — Não entendo, inclino-me na cama subindo, aproximando devagar da humana medrosa, vontade de morder.
— Não pensa no seu tchan? — Seu tom é cheio de raiva — Um dia você vai encontrar seu tchan... e eu não vou tapar esse buraco até lá.
Com irritação, Bella puxa o travesseiro fazendo uma barreira entre nós, tão adorável.
— Você não consegue sentir, não é? — Provoco tirando travesseiro dos seus braços e jogando o mesmo no chão.
— Sentir o que? — Morde o lábio tentando escapar se encolhendo contra a parede encurralada, pegando outro travesseiro para fazer uma barreira.
— Lembra o que eu disse sobre os humanos não sentirem com tanta intensidade? — Tento refrescar sua memória, ela torce os lábios fazendo uma careta.
— O que quer dizer? — Gagueja seus olhos ganhando um novo brilho, ela sabia o que eu queria dizer, mas prefere que eu diga.
— Que quando acontece um tchan entre um vampiro e uma humana ela sente pequenas doses. — Passo a mão pela nuca, controlando o nervosismo, não quero fazer ela se sentir obrigada a isso, mas a verdade é a melhor opção. — Eu senti com toda a intensidade o laço quando você me pediu para lhe matar porque não suportava a ideia do Edward não te amar da mesma forma que você o amava.
— Jas isso é... — Morde o lábio trêmulo, seus olhos se arregalam um pouco.
— Sim eu sabia todo esse tempo que você foi feita para mim. — Confesso culpado pelo meu crime — Todas as vezes que você chorou chamando por ele tudo que eu queria era te matar, pois isso machuca, nunca me senti tão impotente, tão fraco... — Abaixo a cabeça concentrando-me nas costuras da cobertas, ignorando a pulsação rápida dela, seu medo.
— Eu te amo, não porque é meu tchan... — Admito serio — E sim porque você é você.
— Porque escondeu isso? — Soluça baixo, sua mão indo em direção ao nariz — Eu pensei que... eu pensei que...
Ela balança a cabeça olhando para as próprias mãos, seus soluços ficando mais fortes, levando as mãos ao rosto ela chora tremendo, sinto todas as suas emoções me esmagando, sufocando, se eu pudesse chorar estaria chorando.
— Bella... — Minha voz sai embriagada, estendo minha mão tocando suavemente seu braço — Me perdoe, eu não queria que achasse que era obrigada a me amar, podemos continuar sendo só amigos. — As palavras queimam em minha língua, pois minto, não, não podemos ser só amigos.
— Jasper — Bella gagueja finalmente afastando as mãos do rosto, seus olhos entregam esperança — Jasper ! — Grita se jogando nos meus braços.
Bella me envolve em seus braços aconchegando eles por cima dos meus ombros, afundando o rosto no meu pescoço ela chora alto me sufocando em seus sentimentos, enrolo seu cabelo em minha mão tentando acalmá-la, entender o porquê dela estar chorando quando suas emoções gritam a felicidade.
— Me prometa algo. — Soluça se afastando um pouco para poder sorrir fragilmente.
— O que? — Minha voz arranha.
Bella se aconchega mais ainda em meus braços me deixando sentir seu calor, sua pele queima em contato com a minha, suavemente ela envolve a mão entre as mechas do meu cabelo, puxando-me para mais perto. Sinto seu hálito delicioso, resisto a vontade de colar meus lábios nos dela, deixo minhas mãos escorregarem para dentro da camisola fazendo ela gemer com o choque térmico.
— Não minta mais — Faz beicinho, seu cabelo caindo em camadas em cima dos ombros, as alças escorregando — Não esconda coisas importantes de mim.
— Hmmm. — Resmungo como um bom mentiroso não dizendo nada, inocentemente Bella sorri acreditando.
Envolvo ela em meus braços sentindo seu corpo aquecer, Bella não pode saber o que está prestes a acontecer, não pode saber o que os Volturi querem com ela... muito menos o que Carlisle está planejando, mesmo que eu seja contra não posso tirar as cartas da manga agora, não posso me rebelar, não quero condena-la a uma vida em fuga, guerras acontecem, clãs são exterminados, que escolha tenho...
Antes que eu percebesse a garota dormiu nos meus braços, finalmente calma, cansada demais para seus pesadelos, o chá fez efeito. Fecho os olhos aproveitando seu calor, deito levando Bella comigo, puxo as cobertas nos cobrindo, seu cabeça pousa no travesseiro, mas suas mãos ainda estão agarradas a mim com medo que eu desapareça.
— Me perdoe, Swan, mas não posso prometer. — Sussurro deslizando meu dedo por seu rosto delicado, arrumando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha.
Eu realmente sou um monstro.
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O que será que vem pela frente? Teorias?
Estarei respondendo os comentários do capitulo anterior S2
Enquanto isso gostaram desse capitulo?
Ainda não revisado, qualquer erro me avisem :)
Deixem aquela estrelinha de voto! Pois isso me motiva muito S2
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