22.Amigo

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Pov.Jasper

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Bella treme em suas roupas úmidas, tossindo uma vez e outra. Não era uma boa ideia parar, isso iria nos dar uma desvantagem gigantesca contra qualquer um que esteja seguindo nossos rastro, mas não existe escolha, não posso deixar a garota morrer de frio.

— Podemos ficar na pousada até o sol nascer. — Tento a consolar, manobrando para dentro do estacionamento aberto.

— Seria bom... — Gagueja tremendo.

Levanto meu olhar ao espelho encontrando os olhos vermelhos que ganhei após meu descontrole, isso é problemático, ninguém vai reparar demais se eu usar meu dom para parecer desinteressante o suficiente.

Tento não pensar muito sobre a fome que me consome, Bella passa a mão pelo cabelo espalhando seu cheiro pelo veículo fechado, minha garganta arranha em desejo, é quase insuportável.

Não demoro a descer do Jeep, dou a volta abrindo a porta para ela, seus olhos castanhos encontram os meus, olheiras se destacam em sua pele pálida. Estendo meu braço para suas mãos frágeis se apoiarem, ela escorrega ao descer, agilmente a seguro pela cintura.

— Oh... — É tudo que consegue falar, suas emoções são sonolentas igual ela.

— Tenha cuidado. — Peço a guiando pelo curto caminho.

A chuva nos abraça conforme caminho humanamente até a varanda da pousada de dois andares. Bella apoia o corpo totalmente em mim, seus lábios tremem puxando o ar gelado da noite, observando a estrada deserta.

— Jas... — Chama levantando a cabeça me fitando, tento disfarçar os arrepios que me percorrem quando ela me chama por esse apelido bobo, mas em seus lábios se torna tão doce.

— Sim? — Forço um sorriso deixando uma onda de calmaria rodeá-la.

— Estou com fome... — Morde o lábio inocentemente, manchando levemente eles de vermelho, também estou com fome.

— Comida, roupas secas, mais alguma coisa, senhorita Swan? — Arrasto minhas palavras subindo os degraus de madeira.

Adentro o pequeno saguão sendo recebido pelo calor morno e aconchegante, em passos pesados limpos meus sapatos no carpete da frente. Bella esconde a mão direita machucada no bolso da calça espiando o lugar com curiosidade, provavelmente procurando algo quente para se aquecer.

— Boa noite! — Cumprimenta uma senhorinha ajeitando os óculos — Nossa! Vocês pegaram uma tempestade no caminho?

— Infelizmente. — Deixo meus dons agirem sobre ela que se encolhe em seu casaco de lã — Precisamos de um quarto, roupas secas — Peço sem enrolar muito — E se tiver um kit de primeiros socorros.

A velha mulher ajeita uma mecha de cabelo ruivo atrás da orelha, seus olhos indo de mim a Bella com desconfiança, em um piscar afasto suas emoções e deixo a compaixão abraçá-la.

— Minha noiva se machucou em um acidente — Explico em um tom neutro, ouvindo a pousada de madeira ranger em resposta a minha mentira.

— É... foi um acidente. — Gagueja mostrando o curativo improvisado que fiz — O espelho cortou minha mão...

— Oh, não se preocupe! Meu marido sempre tem kit de primeiros socorros, ele vive se machucando. — Sorri a senhorinha, suas mãos vão lentamente em direção a um molho de chaves em cima da mesa, com atenção ela puxa uma gaveta pegando também uma maleta.

— Fiquem com o quarto onze — Entrega a chave e a maleta para mim com cuidado — Mandarei roupas secas para vocês. — Sorri docemente, seus olhos encontram os de Bella suavizando.

— Que tal uma refeição? — Oferece com um sorriso caloroso, hipnotizada.

— Eu ia adorar. — A garota sorri animada, finalmente poderia jantar.

Despeço-me rapidamente da senhora e subo a escadaria com uma mão segurando a cintura de minha companheira para ela não cair conforme boceja de sono, não demoramos para encontrar o quarto.

Giro as chaves abrindo a porta de madeira que range quando a empurro sem muita força, tonalidades de verde e creme decoram o ambiente com móveis rústicos. Ajudo Bella a ir até a poltrona em frente a lareira apagada.

— Obrigada... — Agradece suas bochechas ganhando um tom adorável de vermelho, sentado.

— Me dê sua mão. — Peço largando a maleta em cima da mesa de centro — Vamos ver como está esse corte.

Bella tira a mão do bolso se encolhendo na poltrona de couro, seus olhos vão de mim ao ferimento com nervosismo.

— Não se preocupe, eu sei o que estou fazendo. — Tento a tranquilizar.

Puxo rapidamente a manga da camisa xadrez até o cotovelo, seguro sua pequena mão com cuidado, tirando a tira ensanguentada da camisa improvisada que rasguei, meus dedos deslizam pelo ferimento suavemente a fazendo encolher e gemer. Sou tomado de uma agonia, rastejando por minha pele sinto seu medo, abro a maleta pegando o que preciso.

— Tome isso. — Ordeno empurrando um comprimido entre seus lábios — Vai amenizar a dor.

Bella engole o pequeno comprimido no seco, fazendo uma careta em seguida, deve ser amargo. Viro sua mão observando o corte, graças a Deus não é tão fundo, passo a língua pelos dentes sentindo o veneno, quero tanto dar uma mordidinha, tento afastar o pensamento antes que eu perca o controle.

— Venha, precisa lavar o corte. — Digo segurando seu pulso direito a puxando devagar em direção ao banheiro.

Giro a torneira permitindo que a água caia sobre o ferimento fazendo ela ranger os dentes contendo um grito, seguro firme sua mão por baixo não a permitindo que recue de forma medrosa, seus dedos abraçam meu polegar.

— Só mais um pouquinho. — Meu tom se torna melancólico, queria amenizar sua dor, mas tudo que posso oferecer é meu toque gelado.

— Jasper... — Choraminga mordendo o lábio, fitando-me com intensidade assustadora.

— Prontinho. — Tento jogar meu dom sobre ela, mas seus escudos estão erguidos agora.

Volto para o quarto ignorando sua voz doce ecoando em minha mente "Jas... Jasper" era viciante, parecia queimar em meus ouvidos, como mel "Jasper" seu chamado me atrai como se eu fosse uma abelha.

Bella se aconchega novamente na poltrona, sua mão descansando no encosto. Giro a tampinha do vidrinho derramando o líquido em sua pele a fazendo se encolher mais ainda, tento não me demorar muito, prendo a respiração fazendo o mais rápido que consigo, passo gaze e enrolo.

— Trouxe pijamas e sopa quentinha para os dois! — Ouça uma voz rouca seguida de batidas na porta.

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Pov. Bella

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Encaro minha mão enfaixada, ainda não acredito que tive coragem, é estranho... Observo meu reflexo no espelho, nunca me senti tão tranquila sobre algo, como se fosse certo até demais estar aqui com ele. Afasto as mechas do meu cabelo, prendendo em um coque improvisado com um elástico, mesmo mínimo o movimento rápido dos meus dedos puxa o corte me fazendo soltar um gritinho.

— Está tudo bem aí? — Ouço a voz aveludada de Jasper carregada de preocupação.

— Já estou saindo. — Resmungo baixo, privacidade era algo que eu não teria nos próximos dias.

Tento não pensar muito na camisola de seda quase colada na pele, infelizmente tive que abandonar todas as minhas roupas no cestinho, puxo a alça que insiste em escorregar pelo ombro, penso positivamente, ele com certeza não vai se incomodar com essa peça, não passo de uma amiga... Giro observando melhor a forma que a seda destaca todas minhas curvas, marcando bem a calcinha em minha bunda, cruzo os braços na frente do peito, esse frio está começando a me irritar.

Giro a maçaneta com a mão boa e adentro novamente o quarto deixando o banheiro frio para trás, sou recebida pelo calor morno que emana da lareira já acesa, tem dois pratos de sopa e pão em cima da mesa de centro, com copos cheios de suco.

Meus olhos encontram os dele rapidamente, Jasper está vestindo um pijama todo preto, queria uma roupa quentinha assim, será que aquela senhora acha que não sinto frio? Mordo o lábio controlando o nervosismo.

Jasper termina de fechar as cortinas, me impedindo de ver melhor a densa floresta que nos cerca, ele poderá caçar esta noite se assim desejar. Apresso a sentar no chão o mais perto possível do prato, levo minha mão esquerda em direção a colher, em uma tremedeira irritante consigo pegar um pouco de sopa que escorrega para fora dela.

— Jas... — Levanto a cabeça nervosa comigo mesma — Pode me ajudar?

Ele sorri suavemente mostrando os dentes, suas pupilas dilatadas estranhamente, devo estar cheirando a sangue, isso o está enlouquecendo, tadinho.

— Jasper?

Repito mesmo sabendo que sua audição é perfeita, será que ele não quer me ajudar... com certeza o estou incomodando com minha fragilidade, mordo o lábio deixando minha atenção ir de seu semblante estranho às suas mãos cerradas em punhos, parece querer esmagar algo.

— Claro... — Diz frio, parece tenso.

Em passos rápidos demais para eu acompanhar Jasper se senta de frente para mim, cruzando as pernas para ficar mais confortável. Largo a colher no prato de sopa com legumes, estou tão faminta que nem mesmo vou questionar sua surdez, talvez ele não goste que eu o chame de Jas... deve ser isso.

Com suavidade ele mergulha a colher no prato pegando um pouco de massa com cenoura, passo a língua pelo lábio ansiosa, seus olhos vermelhos se focam em minha testa, levo minha boca em direção a colher saboreando o gosto.

— Quero mais cenouras. — Digo apontando com o dedo fazendo ele abaixar o olhar ao prato.

— Brócolis também? — Questiona sua voz gélida como a temperatura lá fora, deve estar odiando ter que fazer isso.

— Sim... — Abaixo a cabeça, seguro a vontade de pedir desculpar por estar sendo um incômodo.

Aperto a saia da camisola sentindo o tecido entre meus dedos, subindo um pouco acima dos joelhos, mordo o lábio fitando o rosto encantador dele, com delicadeza ele estende a colher levando aos meus lábios, seus olhos capturando os meus, mais escuros do que antes, deve estar com fome, por isso o mau humor.

— Pode ir caçar se quiser... — Gaguejo sentindo meu peito apertar.

Estico minha mão boa agarrando a colher de sua mão firme, puxo rapidamente, mas ele não solta fazendo o conteúdo derramar em cima de mim, escorregando quente me fazendo gemer involuntariamente, ouço o objeto cair na mesa em um baque surdo.

— Droga. — Resmungo.

O líquido escorre pelo meu peito adentrando a camisola, por um segundo fico envergonhada pelo decote indecente, mas sei que Jasper não vê malícia nisso, tipo ele tem mais de cem anos... nenhuma novidade. Levanto o olhar para ele, para me desculpar por tê-lo feito derramar, mas antes que as palavras escapam entre meus lábios a timidez me deixa muda com seu olhar intenso, ele acompanha o caminho do líquido, focado nele, passa a língua pelos dentes engolindo em seco em seguida, droga Bella! Não esqueça que ele ainda é um homem.

Levo minha mão ao guardanapo em cima da mesa, antes que eu pudesse pegá-lo, Jasper é mais rápido.

— Eu mesmo faço isso! — Gaguejo tomada pelo pânico, tento pegar o guardanapo dele.

— Sua mão está machucada, deixa que eu faço. — Rebate frio, seus olhos ficam mais quentes me deixando tonta, ele se inclina para mais perto.

Pisco nervosa com seu tom, porque está sendo tão frio comigo, parece bravo... cruzo os braços tentando deixar o decote menor, mas isso só faz aumentar o volume dos meus peitos, mordo o lábio ficando irritada, isso é constrangedor.

— Eu... eu... posso limpar sozinha. — Insisto para ouvidos surdos.

Jasper desliza o guardanapo de papel limpando demoradamente como se eu fosse uma criança que não pudesse limpar a própria bagunça. Sua mão livre está apoiada na mesinha, como garras a madeira afunda em seus dedos.

Mordo o lábio tentando controlar meu coração quando seu dedo desliza para a beirada do decote com cuidado "Quero te lamber todinha" lembro de suas palavras, pelo visto ele não estava só se referindo ao sangue.

— Prontinho, Bella — Meu nome ganha um tom molhado em seus lábios, isso me irrita.

Ele não sorri quando dobra o guardanapo, abandonando em cima da mesinha de centro, tento não pensar muito em como ele conseguiu o vermelho em seus olhos.

Assim que Jasper abre um pouco de espaço percebo, está tenso comigo como se eu fosse uma ameaça que não pudesse controlar. Por Deus eu cheirava a um banquete delicioso, qualquer vampiro não poderia se controlar.

— Acho melhor eu ir dormir — Tropeço nas palavras me levantando.

— Boa noite... — Sua voz se arrasta rouca.

Não consigo deixar de ver o quanto Jasper está tenso, seus olhos vermelhos entregam a frieza que queima, provavelmente sua boca deve estar cheia de veneno, está desejando meu sangue desesperadamente.

— Bella? — Chama em um tom sobrenaturalmente frio.

— Hmmm. — Resmungo.

Passo a língua pelo lábio levemente cortado, sua mão toca a minha com delicadeza, seus dedos são frios contra os meus, tento não pensar muito na sensação estranha que me percorre.

— Eu devo agradecer você — Sua voz aveludada derrete em minha pele me fazendo arrepiar — Obrigado por ter me salvado.

Com suavidade seus lábios beijam as pontas dos meus dedos, depositando por fim um beijo na palma da minha mão onde o corte está protegido pelo curativo.

— Obrigada, por ter me protegido, Jasper. — Sussurro de volta sentindo minhas bochechas esquentarem.

Fazia muito tempo que eu não me sentia tão acolhida, não há medo em meu peito, sem insegurança, quando eu acordar ele não vai fugir de mim como Edward fez... Não consigo evitar de sorrir, é muito bom ter um amigo, acho até que não me importaria se ele me mordesse durante a noite, acabo rindo do pensamento.

— Do que está rindo? — Jasper ergue uma sobrancelha largando minha mão.

— Obrigada, obrigada! — Não consigo conter a explosão de emoções que me percorrem, maldito, está me deixando mais corajosa. — Pare com isso, pare de usar seu dom em mim!

— Oh... — O loiro pisca rápido — Você percebeu? Então me diga do que está rindo.

— De você seu bobo! — Reviro os olhos erguendo meus murros, mas mesmo assim ainda quero rir.

Marcho em direção a cama deixando o major limpar a bagunça na mesa, afundo nos travesseiros, ele não irá me abandonar. Irritantemente suas palavras se repetem em minha mente barulhenta " Eu vou protegê-la com minha vida se for necessário " .

Encaro seu rosto angelical, seus lábios se torcem em um sorriso totalmente contagiado por minhas emoções, Jasper suspira passando a mão pelo cabelo, bagunçando o mesmo, era como se ele fosse o sol na minha meia-noite sem fim.

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Notas:

Gostaram do capitulo amores? Teorias?

Estarei respondendo os comentários do capitulo anterior S2

Até o próximo meus amores!

Deixem aquela estrelinha de voto! Pois isso me motiva muito S2

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