20.Recém criados

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Dou um passo pra trás sentindo a brisa fria de fora entrando pela janela quebrada da sala, cacos de vidros estão espalhados pelo tapete.

— Finalmente te achamos, humana. — Ouço uma voz profunda e cruel dosada de sotaque.

— Jasper ! — Grito.

Sem hesitar corro de volta para o corredor, mas sou facilmente alcançada pelo vampiro de estatura anormalmente alta, sua mão vai em direção ao meu pescoço me levantando do chão como se eu não pesasse nada, com facilidade ele me pressiona contra a parede batendo minha cabeça com força.

— Jasper ! — Minha voz sai rouca, arranho seus braços tentando me libertar — Jasper, socorro! — Sufoco um grito doloroso quando ele me aperta com mais força.

Encaro seus olhos completamente vermelhos sedentos, chuto o ar tentando me libertar, agarro seu pulso lutando inutilmente, quebrando minhas unhas no processo. Ouço passos pesados no corredor, com um sorriso assassino Jasper corta a distância rapidamente, ele arranca a cabeça do homem com uma facilidade assustadora como se suas mãos fossem lâminas mortais... 

Caiu de joelhos no chão puxando o ar que me falta, soluço ignorando a dor que rasteja por minha pele, levanto a cabeça encarando os olhos de carmesim de Jasper.

— Tem mais deles, fique atrás de mim. — Ordena, sua voz fria e calculista.

— Ok... — Não consigo raciocinar direito.

Apoio minhas mãos na parede o vendo andar em passos lentos para a sala, arrasto-me atrás dele em um tropeçar cansado. As chamas lambem a madeira na lareira enquanto flocos de neve dançam pela sala, adentrando pela enorme janela quebrada.

— Nós entregue a garota e podemos te deixar vivo. — Oferece um homem corpulento escondido nas sombras perto da porta de entrada, ajeitando as luvas nas mãos, seus olhos vermelhos encontraram os de Jasper.

O silêncio se arrasta pela sala enquanto o loiro cerrou os punhos levemente, pensativo. Observo o do meio que desliza o olhar pelas cicatrizes bem marcadas na pele de Jasper, marcas de guerra.

— Que proposta tentadora. — Rosna Jasper me olhando de canto de olho e voltando sua atenção ao homem ruivo e aos outros dois atrás de si que sorriem. 

— Mas eu prefiro arrancar suas cabeças e usar como decoração — Um sorriso de lado desliza por seu rosto, se tornando selvagem. 

— Vamos ver quem mata quem primeiro! — Rosna o homem mais baixo tomando a frente dos outros dois correndo em nossa direção.

Os dois se chocam como granito, Jasper curva o braço lançando em arco lateralmente um soco, deixando o oponente levemente tonto caindo para debaixo de seu outro braço, com uma cotovelada nas costas derruba o homem baixo no chão como um saco de batatas, aquilo foi um soco de gancho tão rápido.

Não consigo acompanhar quando os outros dois se juntam indo de uma vez ao loiro, era uma ameaça que precisava ser eliminada. Dou um passo pra trás grudando minhas costas na parede oposta a eles, quero correr, fugir para bem longe, mas sei que não conseguiria correr mais que eles e isso me apavora.

Os dois homens seguram os braços de Jasper, quando um vêm pela frente pronto para decapitá-lo. Não consigo conter um grito em agonia quando o loiro chuta o peito do da frente fazendo ele voar para o outro lado da sala, sendo abraçado pela parede de tijolos. Em um movimento rápido Jasper leva os outros dois que seguravam seus braços ao chão quando se agacha quebrando, estilhaçando a madeira antiga com os corpos.

— Oh... — Não consigo conter minha admiração, isso foi tão surreal.

— Faz tempo que eu não me divertia assim. — Jasper sorri maliciosamente, olhando para os homens com desdém.

Ele sentia falta de entrar em combate... era um soldado feito de bibelô pelos Cullen, mas não achei que ele sentisse falta disso. Tateio a parede de madeira me afastando um pouco, em movimentos rígidos o vampiro consegue sair da parede deixando um buraco grande para o frio da manhã entrar.

— Digo o mesmo. — Ele estala as mãos batendo uma na outra encarando o loiro.

— Victoria podia ter mandado capangas melhores. — Jasper passa a língua pelas presas com um olhar assassino — Não passam de bebês impulsivos. — Debocha dos três homens que rosnam baixo como lobos raivosos.

— Vou fazer você se arrepender de ter dito isso! — O líder rugiu como um leão, vindo com tudo para cima dele que nem pisca com um sorriso divertido.

Em uma melodia sombria a ventania lá fora arrepiou-me por completo com sua frieza, pequenos flocos de neve se amontoam pelo chão conforme os três se tornam vultos, com um banque ruidoso o corpo de um desaba no chão, Jasper joga a cabeça do ruivo nas chamas da lareira que o devoram.

Em um triângulo os três dão passos calculados um encarando o outro em um plano que deu errado, Jasper era um major... passou anos em guerra, mesmo os recém criados sendo mais fortes não podiam ficar a altura de anos de prática.

— Por que está defendendo essa humana? — Fala com desprezo como se não compreendesse.

— Seu clã te deixou sozinho de babá dessa bolsa de sangue — Rosna divertido, ajeitando a jaqueta de couro velho manchado, era o líder. 

— Acho que eles não se importam tanto assim com você. — Brincou o outro cerrando os punhos.

— Ela tem gosto bom? — Sorri maliciosamente — Não minta... seus olhos são vermelhos igual aos nossos.

— Não importa o porque, tudo que vocês precisam saber é que ela me pertence. — Jasper sussurra arrastado sua voz, deixando seu sotaque aparente — E não deixarei ninguém tocar um dedo nela.

Engulo em seco chocada com suas palavras, ele se importa comigo mais do que imaginei... Levanto a cabeça meus olhos sendo capturados pelos seus tão vermelhos e quentes como brasas.

— Pelo visto você roubou essa garota do Clã Cullen. — Ponderou o líder mais velho passando a mão pelo cabelo levemente ruivo em contraste com sua pele anormalmente pálida. — Isso explica seus olhos, vegetarianos. — Arrasta a última palavra com deboche — Eles são patéticos.

— Por que não se junta a nós? — Oferece o outro enquanto a cabeça do amigo crepita na lareira.

— Podemos te oferecer muito mais que só uma bolsa de sangue — Sorri de lado me olhando da cabeça aos pés com desdém.

Tremo sobre o olhar deles, grudo minhas costas na parede sentindo minhas pernas magras fraquejarem, minha visão turva um pouco, pisco rápido buscando meu ponto seguro, mordo o lábio encarando o loiro com semblante selvagem, Jasper desvia o olhar assassino para o líder.

— Ela me pertence. — Rosnou friamente.

— Não me diga que ela é seu... — O homem mais alto passa a língua pelos dentes pensativo.

Antes que ele pudesse terminar Jasper o acerta com um chute lateral derrubando o mesmo no chão em um baque surdo, em seguida o líder pulou nele, os dois rolam pelo chão enquanto o homem alto levanta em um arrastar lento.

Seus olhos famintos vão em minha direção e ao vaso de vidro em cima da mesinha de apoio ao lado do sofá de couro. Não consigo me mover, rápido demais ele pega o objeto e joga contra mim, levanto os braços protegendo meu rosto.

— Ah... — Grito encolhendo no chão, pequenas lâminas de vidro cortam minha pele.

Jasper dribla o líder o empurrando contra a janela estilhaçando a mesma ao arremessá-lo. Engatinho para longe conforme o vampiro dá passos lentos em minha direção com um sorriso desumano que só um monstro poderia ter.

— Jasper ! — Gaguejo em um soluço medroso.

Meus olhos se arregalaram quando as mãos do loiro vão de encontro com o pescoço do outro, seus dois pés em cima dos ombros, ele puxa fortemente.

— Eu disse para não tocá-la... — Sua voz era animalesca em um sussurro, de forma possessiva seus olhos encontraram os meus arrancando a cabeça do homem como se quebrasse um lápis.

Segurando pelos cabelos a cabeça ele jogou a mesma junto com a de seu companheiro, as chamas lambem as duas se espalhando pela madeira do chão, como carvão o fogo foi alimentado.

— Você está bem? — Jasper dá um passo a frente me vendo encolher nervosa.

— Estou... — Balanço a cabeça fazendo que sim, tentando o acalmar.

— Seu filho da puta! — Xingou o ruivo entrando pela janela novamente vindo com tudo em nossa direção.

Jasper se coloca na minha frente recebendo todo o impacto, pressionando o loiro contra o chão o recém criado mostra as presas. Jasper tenta o empurrar de cima, perto demais seus dentes arranhava o pescoço dele me fazendo arregalar os olhos batendo os dentes em pânico.

— Não! — Imploro ouvindo o estalo de algo se quebrando.

Jasper empurra o rosto do homem com a mão, mas não tem força suficientes, impulsivamente pego o pedaço de vidro abandonado no chão, nossos olhos se encontram por segundos "medo" ele estava com medo, não da morte e sim do cheiro do meu sangue, mas não tenho escolha. 

Sinto as lagrimas quentes deslizando pelas minhas bochechas levemente machucadas, arde. Jasper está no chão com o vampiro em cima de si prestes a decapitá-lo, não tenho escolho, dou um passo a frente tentando não cair de joelhos, não hesito em abrir um corte fundo em minha mão, gotejando fresco sinto o líquido quente escorrendo entre meus dedos.

Mordo o lábio segurando um soluço, por favor, funciona! O vampiro cheira o ar procurando sua vítima, aquele monstro de incríveis olhos vermelhos virou o rosto em minha direção distraído demais, faminto. Jasper aproveita a distração e volta ao controle com seus dentes ele crava as presas no pescoço do homem com a outra mão puxa pra cima conseguindo arrancar a cabeça do vampiro, jogando para as chamas que lambem o chão de madeira, se aconchegando nas cortinas.

— Bella, Bella? — Sua voz quebradiça se choca contra mim em urgência, levantando.

— Estou bem, é só um corte. — Mordo meu lábio trêmulo segurando um grito de dor conforme mexo os dedos.

— Temos que ir embora, tem mais deles vindo! — Sussurra sua mão tocando suavemente meu rosto — Precisa se segurar firme, ok?

— Ok... — Concordo.

Jasper se agacha na minha frente facilitando para eu subir em suas costa, jogo meus braços por cima dos seus ombros, suas mãos seguram firmemente minhas coxas me ajeitando melhor, em um impulso ele levanta e corre, passamos pela janela sendo abraçados pelo inverno, flocos de neve adormecem na grama como um cobertor.

Chamas começam a se espalhar pela madeira, rachando os vidros, logo logo a cabana será devorada pelo fogo.

Sinto o vento gélido dançando pelo meu cabelo conforme mergulhamos nas sombras das árvores, neve beija meu rosto me fazendo arrepiar completamente, ranjo os dentes o abraçando mais ainda em busca de calor, porém é inútil, tudo que consigo é tremer de frio.

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Notas:

Gostaram? Teorias? 

Capítulo não revisado, qualquer erro me falem amores!

Era pra esse capítulo ser grande ;-; mas... bom, posso acabar atualizando sábado à noite hehe

Não esqueça da estrelinha e de adicionar a fanfic na sua biblioteca para não perder nenhuma atualização! :D



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