18.A fera em mim

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Pisco lutando contra o sono, afastando a toalha molhada da minha testa, procuro pelo loiro, mas ele não está em lugar nenhum, por um momento penso que Jasper foi embora, que precisou ir ajudar sua família, que eu não deveria ser egoísta e ficar magoada, mas meu peito aperta conforme observo o quarto vazio de sua presença.

Levanto apoiando minhas mãos no colchão, sinto minhas costas doerem, ainda não acredito no que aconteceu, malditos lobos.

Toco meus pés no chão fazendo o choque térmico me arrepiar por completo, mas gosto da sensação de frio, é calmante.

Em tropeços vou até o banheiro ainda sonolenta demais, meus pensamentos estão confusos, não acredito que tive um pesadelo, novamente Edward me abandonava naquela floresta, sozinha... pateticamente eu implorei, por uns instantes Jasper aparecia para me consolar, em outros Edward sussurrava que me amava mais que tudo, em outros Jessica me beijava, acho que aqueles remédios estavam vencidos.

Empurro a porta, minha atenção é capturada pelo reflexo pálido demais no espelho, passo a mão por meu rosto, sinto vontade de desviar o olhar, não aguento ver o quanto estou acabada.

Dou um passo pra frente mordendo o lábio, afasto cabelo vendo que o curativo em minha bochecha desapareceu, as faixas estão ainda enroladas em minha perna, tem arranhões em meus braços, levanto a camisa branca de Edward, jogo a mesma no chão de porcelanato, por sua causa eu tinha acabado comigo mesma, muito antes dessa montanha, pequenos cortes com uma lâmina fina estão decorando meus pulsos, levanto os braços irritada pelo cheiro de remédio, Jasper tinha visto.

Mordo o lábio segurando as lágrimas, não queria que ninguém soubesse, às vezes até esqueço que já as fiz... é tão fácil fingir que está tudo bem. Queria simplesmente me apaixonar por outra pessoa, mas em cada lugar que vou Edward é meu tormento, tão doce, meu primeiro amor, meu primeiro beijo, meu primeiro amigo, aquele que me entende.

Eu não o vi se apaixonando por Alice, ignorei todos os sinais, pateticamente me senti especial do cara mais popular querer ficar comigo, ser meu namorado, isso era um sonho... que se tornou pesadelo.

— Não chore... — Sussurro baixo, me repreendendo.

Eu já deveria imaginar que eu não era nada comparado a ela, mas Edward me tornou tão dependente, me isolou dos meus amigos "Mike não é confiável" tinha dito ele "Eric não gosta de você" no começo pensei que seria ciúmes... "Jessica é invejosa, ela queria estar no seu lugar" cochichou ele, naquele dia até mesmo parei de falar com ela "Angela é legal, eu gosto dela" irritantemente eu senti ciúmes dela e me afastei.

Em todos os momentos era só eu e ele, Forks está cheia de lembranças, mas quando penso em La Push, no sol beijando o mar, em minhas amigas me puxando para a água, nos meninos assando marshmallow na fogueira, percebo que vampiros são seres que gostam de se esconder nas sombras.

Meus amigos me avisaram para ficar longe, mas a curiosidade foi maior.

Encaro meu rosto no espelho, não reconheço, não sou mais a garota que era antes de Forks e acho que nunca mais vou ser inocente, não consigo confiar nem em mim mesma, mas estranhamente penso que Jasper merece uma chance, talvez seja só meu inconsciente, sei que meu sangue o enlouquece e a ideia que acabe com meu sofrimento é tão tentadora, quase irresistível.

Sinto as lágrimas escorrendo quentes pelo meu rosto, se aconchegando o frio me abraça, Jasper tinha me deixado sozinha, ele realmente acha que eu não vou fazer alguma loucura? Que confiante... pena que está errado.

Toco o espelho, apoio minha mão na pia, seria tão mais fácil, Victoria me quer morta, Charlie e todos podem morrer porque eu sou covarde, Jacob é tão jovem para se tornar um assassino por mim, Paul me odeia, Leah tem razão quando diz que sou fraca.

— Eu deveria... — Não vai doer, vão encontrar meu corpo tarde demais.

Edward não vai precisar escolher entre sua companheira e a garota que morreria por ele.

Pego o objeto decorativo de ferro com sabonete, duro o bastante para quebrar o espelho, para espalhas lâminas, para me dar uma arma perfeita. Levanto rapidamente a peça, antes que eu consiga atingir o espelho, antes que eu comece a soluçar ouço o ranger de passos no chão, as madeiras sussurrando que alguém está vindo.

— Jasper? — Hesito, minha voz fraca, abaixo o porta sabonete disfarçando meus planos.

O loiro sorri suavemente atravessando rapidamente o quarto, entrando no banheiro com sua velocidade sobrenatural, antes que eu possa mentir seus braços me envolvem.

— Bom dia raio de sol. — Sussurra sua voz quebradiça, apertando-me em seus braços fortes — Dormiu bem?

— Tive um pesadelo. — Confesso deixando meus braços fracos envolverem sua cintura, afundo meu rosto em seu peitoral, sinto sua mão fria em minha testa.

— Sua febre baixou. — Sorri estranhamente retirando a mão.

— Obrigada por ter cuidado de mim. — Gaguejo observando seu cabelo molhado, sentindo o cheiro inebriante, tinha tomado banho no outro quarto.

— Não me agradeça, estou só fazendo minha obrigação. — Sorri mostrando os dentes, sua mão tocando minhas costas nuas.

Jasper não parece ver malícia em me ter em seus braços apenas de roupa íntima, embora isso me deixe desconfortável, sei que tem mais de cem anos e não passo de uma amiga.

Levanto a cabeça fitando seus olhos dourados como ferro em brasa, me deixando tonta, vampiros me deixam tonta, tão encantada, isso é perigosamente excitante, sou uma vítima.

Edward me drogou tão bem que nem ao menos sei diferenciar o que sinto, é como se todo o tempo que passamos juntos eu estivesse tonta.

Sinto a mão gelada de Jasper tocando minha bochecha, relaxo em seu toque, com um suspiro ele me solta.

— Precisa de outro curativo. — Declara voltando ao quarto.

Sigo seus passos rapidamente, sem demora Jasper pega a maleta de primeiros socorros, rasga um curativo com os dentes enquanto fico atrás de si com fome, bem que um suco de laranja ia bem, talvez touradas.

— Estou com fome. — Declaro feliz por ele ter ficado, odiaria ter que tomar café sem companhia, Jasper me distrai dos meus pensamentos.

— Vou preparar seu café da manhã, na verdade almoço. — Brinca passando a mão pelo cabelo molhado — Agora fiquei quietinha. — Se inclina para mais perto, sinto seu hálito doce.

Contenho a vontade de beijá-lo como ele tinha me beijado quando estava cuidando de mim, será que ele sente a mesma necessidade de me beijar? Eu cheiro a uma boa refeição, algo a se lamber, saborear, eu beijaria um bombom de chocolate ao leite, na verdade já fiz isso... Afasto o pensamento, faz sentido.

— Preciso de roupas... — Sussurro certa que vou gaguejar.

Jasper cola o curativo se afastando lentamente, seus olhos dourados percorrem minhas pernas, parando demoradamente em meu peito que sobe e desce devagar, protegido pelo sutiã que peguei emprestado de Rosalie, essas peças são tão desconfortáveis.

Imagino que deve estar analisando se deixou um machucado escapar, um corte, talvez eu precise trocar alguns curativos. Jasper engole em seco passando a língua pelo lábio demoradamente, seus punhos fechados.

— Eu... poderia escolher? — Gaguejo sentindo minhas bochechas esquentarem com sua análise profissional.

— O que? — Sua voz aveludada sai rouca, finalmente focando em meu rosto quente.

— As roupas, isso é desconfortável. — Abaixo o olhar por chão, nervosa.

— Claro... sim — Gagueja piscando rápido.

Em passos rápidos sigo Jasper por outro lado do quarto, ele abre o guarda roupa embutido na parede, vestidos brilhantes me chocam, mas lembro que essas roupas são de Rosalie, não poderia esperar menos. Ele dá um passo pra trás, passo os dedos pelas roupas, tão indecentes e para climas quentes, claro eles não sentem frio.

Puxo a gaveta encontrando um monte de roupas íntimas, calcinhas rosas, brancas, vermelhas, todas de renda, quanto mais olho menos pano as peças de renda tem, Jasper tinha me dado a mais descente delas, mesmo sendo pequena e levemente apertada.

— Será que eu não posso pegar algumas roupas de Esme? — Gaguejo, voltando minha atenção a Jasper que encara o chão, sussurrando baixo para si mesmo.

— Não passamos muito tempo aqui. — Suspira passando a mão pela nuca — Rosalie foi a única que deixou roupas aqui, ela deve ter esquecido.

— Oh... — Resmungo derrotada, volto a procurar, minha mão se esbarra em um espelinho, tem algo escrito com batom.

Levanto o suficiente para ler "Para minha musa, te amo" Emmett é tão Emmett, Rosalie deve ter amado, se bem que ela esqueceu isso aqui. Inclino mais o espelho, conseguindo ver a parede creme do quarto, os véus do dossel da cama.

Jasper olha fixamente para minhas costas, mordendo o lábio, pera... seus olhos descem mais para baixo, ele passa a língua pelos dentes, inclino mais para frente deixando ele ter uma visão melhor, fingindo que vou pegar uma peça mais ao fundo, droga ele está mesmo olhando pra minha bunda.

— Porque não vai preparar meu café da manhã? — Resmungo alto me virando, tomada por uma irritação estranha.

— Já... Já estou... indo, Milady — Gagueja dando um passo pra trás, sendo pego no pulo, porém não se mexe mais que isso.

— Quer que eu tire pra você ver melhor? — Dou um passo pra frente irritada demais, deixando meu dedo na barra da calcinha.

— Eu não estava... — Mente descaradamente dando passos largos para trás, fugindo. — Perdão, eu estou errado, completamente errado. — Gagueja rouco seus olhos indo da minha mão ao meu rosto rapidamente.

Se Jasper fosse humano estaria vermelho de vergonha, de forma apressada ele fecha a porta me deixando sozinha. Respiro fundo irritada comigo mesma, às vezes esqueço que ele também é homem, isso é tão constrangedor.

Volto a gaveta e pego qualquer coisa mesmo, não fazia diferença, tiro a calcinha rapidamente, sangue tinge meus dedos, lembro do olhar dele, oh...

— Parece que minha mestruação se adiantou... — Droga, Jasper não estava me olhando maliciosamente, ele só estava vendo o sangue.

— Que vergonha, senhor. — Mordo o lábio sentindo meu rosto esquentar.

Troco minhas roupas íntimas tentando não pensar em como o acusei, ele só estava fascinado pelo sangue... deve ser difícil.

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Quando entro na cozinha sou recebida pelo cheiro deliciosamente familiar de panquecas e bacon. Não consigo conter o sorriso sendo dominada pela fome, esquecendo totalmente a vergonha por uns instantes, enfio minhas mãos nos bolsos do moletom que roubei da parte do guarda roupa de Emmett.

— Está com fome? — Pergunta hesitante, seus olhos vagando da janela embaçada pela chuva pesada à frigideira.

— Estou. — Sou curta, amarga pela dor chata em minha barriga, faminta demais para pensar além.

— Me desculpe por antes... não tive a intenção de olhar. — Gagueja como se tivesse medo do meu julgamento.

— Tudo bem. — Suspiro passando a mão pelo cabelo — Deve ser difícil para você, agora que estou menstruada.

— Oh... sim... a menstruação... — Fala pausadamente como se estivesse digerindo a informação — O cheiro me desconcentra... foi isso.

— Hmmm fez panquecas? — Sento no banquinho de frente para a bancada, ergo um pouco a camisola longa que estou usando por baixo do moletom quentinho.

Me ajeito melhor no banco tentando não puxar rapidamente o prato pra mim, Jasper sorri nervoso terminando de virar uma panqueca fofinha na frigideira, rapidamente ele a joga no prato decorado com frutas vermelhas.

— Panquecas com mel, bacon e chá para tomar com os remédios. — Sua voz é aveludada, calmante.

Ele desfaz o laço no avental o tirando e colocando no gancho junto com os pano de pratos, com tranquilidade Jasper serve o prato na minha frente, seguido de outro pratinho com bacon e por fim uma xícara fumegante de chá.

— Obrigada, parece tudo delicioso. — Não consigo me conter em sorrir, afundo a colher na panqueca coberta de mel.

Levo lentamente a boca nervosa com a forma que ele me analisa, ansioso por saber minha verdadeira opinião. Mastigo devagar sentindo o gosto doce demais, tento evitar uma careta ao sentir o fermento, mordo lábio forçando um sorriso, balanço a cabeça.

— Tá uma delícia. — Minto engolindo, fazendo ele sorrir,

Poxa a aparência estava tão boa, devolvo a colher ao prato pegando as fatias de bacon, não tem como errar nisso. Mordo um pedaço não conseguindo esconder a vontade de cuspir de volta no prato, está queimado demais, passo a língua pelos dentes contendo um ranger irritado.

— Hmmm. — Murmuro mastigando com raiva.

— Não precisa fingir gostar, faz muitos anos que não cozinho. — Declara passando a mão pela nuca nervoso — Seria estranho se tivesse ficado bom.

— É, tá bem ruim... — Admito devolvendo tudo ao prato, pego a xícara de chá ansiosa por me livrar do gosto de queimado

— Deixa que eu faço a janta. — Brinco bebendo mais um gole de chá, pego os comprimidos na bancada e engulo rapidamente evitando sentir o gosto amargo.

— Ok... a cozinha é toda sua. — Declara, parece que um peso foi tirado das costas.

— Tem notícias dos outros? — Questiono não conseguindo esconder o tremor na voz.

— Está indo tudo de acordo com o plano, não precisa se preocupar com isso.

— É impossível não me preocupar ... — Olho pra baixo desanimada, e se acontecer algo? E se...

— Alice já previu tudo, eles vão pegar Victoria em uma armadilha e tudo vai voltar ao normal...

— Sim, voltar ao normal... — Como se as coisas pudessem ser normais — Pode me fazer um favor?

— O que você deseja? — Levanta uma sobrancelha divertido.

— Me ensina a controlar o escudo. — Mordo o lábio nervosa, descendo do banquinho.

— Vai ficar me devendo um favor depois. — Brinca se levantando também — Venha.

O sigo até a sala ampla, um tapete persa está estendido no meio com sofás de couro na frente da lareira acesa, sinto o cheiro de pinho, as janelas mostram a floresta lá fora, ouço a lenha estralando conforme as chamas devora a madeira.

Jasper se senta no meio do espaço aberto, sento no chão em sua frente, apoio minhas mãos no tapete quentinho.

— Tudo bem, vamos começar. — Se ajeita de pernas cruzadas.

Espero seu dom me abraçar, uma onda suave de alegria, tento bloquear, mas logo estou sorrindo fazendo ele suspirar nervoso com a facilidade.

— Imagine um muro, pedra por pedra bloqueando.

— Ok...

Dessa vez não consigo segurar o riso mesmo não tendo ouvido nenhuma piada, tento pensar no muro de pedras, por um instante estou no controle de minhas emoções, no outro gargalho alto como se tivesse alguém me fazendo cócegas.

— Fecha os olhos e respira fundo. — Ordena afastando seu dom de mim, me deixando voltar ao amargor de antes.

Fecho os olhos fortemente, aperto o tecido da camisola entre meus dedos respirando fundo, tentando me concentrar, sinto vontade de rir, estranhamente estou feliz, muito feliz, não lembro se já fui triste, só sei que tudo é maravilhosamente bonito, não tenho nada com que me preocupar.

— Erga os muros, Bella. — Sua voz se aconchega, arrepios me percorrem com a sensação gostosa.

Pisco rápido abrindo os olhos sendo capturada pelos seus tão dourados, deve ter se alimentado bem enquanto eu estava dormindo, isso é bom. Um sorriso desliza por meus lábios, é tão bom esquecer tudo por um momento, tijolo por tijolo ergo o muro com relutância, Jasper sorri de lado para mim conforme meu sorriso se desfez voltando a ser eu mesma.

— Funcionou... — Eu não queria que funcionasse.

— Me dê sua mão — Ordenada estendendo a dele, estico meu braço deixando que pegue a minha — Agora meu dom se torna mais presente.

Uma onda de felicidade me sufoca me fazendo sorrir, ele parece estar se divertindo com isso, mordo o lábio desviando o olhar conforme entrelaça nossos dedos delicadamente.

Tijolo por tijolo ergo o muro, dessa vez é mais difícil, demorado, as pedras escorregam e desaparecem quando começo a rir, por fim consigo.


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A tarde passou rapidamente, talvez seja porque me distraí demais tentando bloquear as emoções que Jasper forçava ou porque tirei um cochilo no meio dela, termino de lavar a pequena louça do jantar.

Com a luz do dia se indo percebo melhor as lâmpadas da casa piscando irritantemente. Puxo meu cabelo o amarrando em um elástico frouxo, melhor ir dormir, deixo a cozinha para trás.

Procuro por Jasper nos corredores, ele ainda não voltou, deve estar devorando algum urso, não consigo resistir a sorrir com o pensamento. Apresso meu passo ignorando meu coração assustado a cada trovejar, empurro a porta do quarto de Rosalie, minha cama ainda está bagunçada.

Caindo aos pedaços tiro o moletom pesado e me escondo debaixo das cobertas, com apenas a luz amarelada do abajur para iluminar o quarto. Eu não deveria me sentir tão sozinha, mas é sempre a mesma coisa, me esmagando friamente as lembrança voltam, quando fecho os olhos posso ver Edward.

Puxo a coberta me escondendo totalmente no escuro, ignoro o barulho alto da chuva caindo sobre o telhado, em um sussurrar sinto o sono vindo.

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— Edward! — Grito sufocada, sua mão aperta com mais força meu pescoço me pressionando contra a parede.

— Eu disse que não deveria beijar ninguém a não ser eu. — Sua voz doce me enjoa.

Toco sua mão com a minha tentando afrouxar o aperto em meu pescoço, mas ele simplesmente aperta mais forte me fazendo sufocar mais ainda.

— Eu não fiz nada... — Choramingo arranhando sua pele, fraca demais pra lutar.

— Então porque beijou aquele cachorro? — Questiona dando um passo para trás me soltando.

Caiu no chão de joelhos em busca de ar, levanto a cabeça sentindo as lágrimas descendo traidoras, seguro um soluço.

— Jacob me beijou a força. — Gaguejo levantando tremular, agarro sua perna em um soluço demorado — Por favor, tem que acreditar em mim!

— Eu acredito em você meu amor. — Sua voz se torna mais suave, com rapidez sou erguida colocada totalmente de pé.

— Edward a única pessoa que eu amo é você — Soluço o abraçando.

— Eu sei, eu também te amo. — Seus braços me envolvem protetoramente, sua mão vai em direção ao meu pescoço novamente.

Ele puxa a gola de lã de minha blusa quente, seu sorriso se tornando vacilante, preocupado comigo.

— Sinto muito. — Pede segurando-me mais perto — Não pode deixar seu pai ver, não queremos que ele se preocupe, não é? — Edward sorri culpado, seus olhos mais dourados do que antes, estou ficando tonta.

— Ninguém vai ver. — Charlie não precisa se preocupar mais comigo, não posso fazer isso com ele, Edward não fez de propósito, levanto a cabeça sorrindo para ele que me beija em um selar rápido.

— Vai ser nosso segredinho. — Sorri brincalhão me deixando tonta, pisco rápido tentando lembrar o que estávamos fazendo em meu quarto.

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Acordo de outro pesadelo, procuro pela sombra de Edward perto da minha janela, mas não estou em Forks. Apoio as mãos no colchão sentando rapidamente, foi só um pesadelo.

— Foi só um pesadelo. — Repito como um mantra tentando me acalmar.

Os relâmpagos iluminam o quarto em tonalidades cremes, respiro fundo perdida por um momento no escuro da noite, passo a mão pelo cabelo lembrando de onde estou, estico o braço puxando a cordinha do abajur, nada, pelo visto a luz caiu.

Levanto um pouco relutante pelo frio que me arrepia ao tocar o chão, contenho um gemido. Tateio a cama em busca do moletom, mas não o encontro, ouço o trovejar seguido de relâmpagos, galhos arranham as janelas grandes em um zunido irritante.

— Jasper... — Resmungo apressando o passo.

Adentro o corredor, consigo me guiar pelos relâmpagos que fazem as sombras dançarem conforme ando devagar, tentando não tropeçar em nada, será que ele já voltou da caçada?

Ouço o ranger da madeira conforme aumento os passos, lembro que o quarto dele fica no fim do corredor, eu deveria voltar a dormir, me esconder em meu quarto e não ficar igual uma criança com medo do escuro.

Bato suavemente na porta duas vezes antes de empurrar, relâmpagos se seguem assustadoramente constantes, encolho dando um passo à frente. Tem uma enorme janela em cima da cama grande e arrumada, mordo o lábio nervosa pelo silêncio, ele não deve ter voltado ainda.

— Não deveria estar dormindo? — Ouço uma voz aveludada cheia de curiosidade.

Não consigo esconder o susto, dou um passo pra trás procurando o loiro nas sombras.

— Não consigo dormir. — Gaguejo odiando a forma que minha voz treme medrosa.

— Posso te fazer companhia se quiser. — Pronúncia sem emoção.

— Conseguiu fazer uma boa refeição? — Forço um sorriso fingindo não estar desconfortável com a situação — Pegou um urso? — Brinco finalmente o encontrado.

— Algo do tipo. — Sorri de lado esfregando uma toalha na cabeça com as duas mãos.

Droga, esse é com certeza um momento inconveniente, sinto minhas bochechas formigarem conforme meus olhos se perdem em seu peitoral molhado, gotas de água escorregam por sua pele lisa indo para baixo, se acumulando na toalha que circula sua cintura.

— Desculpa... eu posso voltar depois. — Gaguejo me virando, dando privacidade a ele.

— Desculpas pelo que? — Questiona confuso.

— Eu... eu ... — Mordo o lábio batendo o pé no chão, droga. — Eu volto depois. — Apresso em dizer agarrando a maçaneta da porta.

— Bella. — Jasper parece conter o riso — Vá para a cama, vou me trocar no banheiro se isso te deixa mais confortável.

— Humm. — Resmungo não conseguindo falar.

Ouço seus passos suaves, viro devagar, meu coração irritantemente batendo nervoso. Encaro a maçaneta, deveria voltar para meu quarto, mas entre ter outro pesadelo acho que prefiro ficar aqui mesmo, ao menos posso conversar com Jasper, ele ainda não me explicou direito sobre o escudo.

Solto a maçaneta, sinto o frio me assombrando, apresso indo em direção a cama, ergo um pouco a saia longa da camisola rendada subindo na cama alta, engatinho para debaixo da coberta.

Espero em silêncio, meu coração bate fortemente a cada relâmpago e trovejada, assustado. Afundo minha cabeça no travesseiro, não consigo resistir a abraçar as cobertas sentindo o cheiro dele, é quase viciante. Ouço a porta ranger, Jasper chacoalha a cabeça com o cabelo já seco, passando a mão por ele tentando arrumar, vestindo uma calça... acho que ele esqueceu a parte de cima.

Desvio meu olhar para o lençol branco macio, mordo o lábio, levanto o olhar sendo recebida por um sorriso gentil que derrete totalmente meu nervosismo.

— Posso dormir aqui? — Hesito me aconchegando mais — Meu quarto é... frio. — minto, não vou admitir que estou com medo de dormir sozinha não.

— Sim, pode dormir aqui — Sobe na cama, sentando ao meu lado, ajeitados os travesseiros melhor — Quer conversar?

— Quero — Respondo rápido, não conseguindo conter a ansiedade, fazendo ele sorrir mais.

— Sobre o que quer conversar, Milady? — Questiona pensativo.

— Meu escudo... — Apoio minha mão no travesseiro me sentando — Eu queria saber como funciona, porque... — Travo ao sentir algo rastejando pelo meu rosto.

— O porque... tem alguma coisa em mim? — Levo minha mão ao rosto, sinto o rastejar para dentro da minha camisola verde.

— Acho que vi uma aranha pequena. — Jasper inclina a cabeça.

— O que? — Não consigo conter o grito, puxo a saia sentindo o bicho subindo pela minha perna, indo para meu peito.

Em desespero agarro o tecido tentando achar o bicho ligeiro, bato os dentes tremendo, olho para dentro da camisola tentando ver algo, mas parece que foi para as minhas costas.

— Ai... — Mordo o lábio quando o bichinho me morde na barriga.

— Bella, fica calma. — Jasper parece ter sido corrompido pelas minhas emoções, sua voz treme.

— Me ajuda, tira esse bicho, tira da minha roupa! — Grito tateando, tentando achar.

— Bella... — O loiro me puxa para seu colo, seus olhos descendo pelo tecido acompanhando o formigar em minha pele.

— Jasper, ela me mordeu. — Choramingo, tentando rasgar o tecido, odeio aranhas.

— Onde ela te mordeu? — Questiona agarrando o tecido da parte de cima decorado com renda, com um puxão a camisola rasga.

— Aqui. — Mordo o lábio sentindo a aranha em minha perna, puxo mais o tecido.

Jasper olha rapidamente como um caçador, sua mão vai rapidamente em direção a minha cintura, agarrando a aranha, esmagando nos dedos. Respiro rápido, meu peito sobe e desce por consequência da agitação, mordo o lábio encarando o semblante sério do loiro.

— Pronto, aranha exterminada. — Sorri assassino.

— Obrigada... — Mordo o lábio tentando não olhar pra baixo, estou sentada em seu colo.

Abaixo a cabeça fitando meu lado da cama, puxo o tecido da camisola erguendo, está totalmente detonada, rasgada até o umbigo, as alças escorregam pelos meus ombros, puxo o ar sentindo o cheiro inebriante de Jasper, tão perto.

— Não me agradeça por isso. — Sorri de lado, se divertindo com minha cara de boba.

Mordo o lábio tentando não entrar em pânico, porque ele parece tão bonito? Porque meu coração está batendo tão alto por ele... Malditos sejam os homens de barriga sarada cheio de gominhos, isso é tão irritante, muito mais irritante que Jacob, talvez porque eu só esteja acostumada com Jack... Sim, só estou nervosa por isso.

Tento sair do colo dele, desastradamente sou repuxada de volta pelo tecido preso embaixo de si. Jasper desliza suas mãos para minha pernas, arrepiando-me por completo, ofego pelo choque térmico.

— Precisa de ajuda? — Sussurra apertando levemente minha pele.

— Hmmm. — Balanço a cabeça fazendo que sim.

Jasper se vira na cama me levando junto, deitamos um do lado do outro. Engulo em seco nervosa com a aproximação, suas mãos deixam minha pele, sinto o formigamento, relâmpagos iluminam o quarto, seus olhos dourados estão perdidos entre minhas pernas, puxo a camisola que se enroscou em minha cintura, sangue vazou entre minhas pernas, não consegui encontrar nenhum absorvente... afinal ninguém aqui sangra.

— Posso cobrar meu favor agora? — Sua voz se arrasta quente.

— O que você quer? — Aperto o lençol entre meus dedos conforme seu olhar desce mais para baixo.

— Provar, só um pouquinho. — Jasper sussurra rouco.

— Ok...

Afasto a saia da camisola deixando minha perna à mostra, três linhas finas de sangue escorregam até metade da coxa na parte interna. Jasper se aproxima mais, seus dedos deslizam pela minha pele, frios, tingindo um dedo levemente de vermelho.

O loiro admira por um instante o sangue pintando sua unha, depois leva a boca, chupando, seus olhos se tornam mais escuros.

— Posso? — Pergunta passando a língua pelos dentes.

— Acho que sim... — Gaguejo sentindo meu rosto esquentar.

Espero que deslize o dedo pela minha perna lisa pegando o restante do sangue que escapou, mas seus dedos longos e frios afastam minha calcinha adentrando, deslizando suavemente me fazendo ofegar. Jasper apoia sua outra mão ao lado da minha cabeça, seus olhos levemente vermelhos.

Minhas pernas tremem conforme seus dedos se movimentam me sentindo, não consigo segurar um gemido quando ele vai com mais força, em um deslizar suave e rápido sinto seus dedos ficando melados e escorregadios com o sangue.

Jasper passa a língua pelos dentes não desviando seus olhos do meu rosto nem por um segundo, ofego novamente em suas mãos, sinto minhas bochechas formigando, ele tira os dedos me ouvido gemer em protesto.

Ele desvia a atenção a própria mão, seus dois dedos completamente sujos de vermelho vivo, sem hesita leva a boca, chupando, ouço o gemer em prazer saboreando meu gosto, sua língua desliza pelo dedo enquanto seus olhos ficam completamente vermelhos.

— Você é deliciosa, Bella. — Sua voz se arrasta molhada — Quero te lamber todinha, posso? — Morde o lábio olhando pra baixo, sua mão na barra da minha calcinha pedindo permissão.

— Não... isso é imoral. — Pateticamente gaguejo sentindo o pulsar, querendo novamente os dedos dele em mim.

— Tem certeza? — Ergue uma sobrancelha sorrindo cruel, afundando o rosto em meu pescoço — Eu posso sentir seu desejo, está completamente molhada... se meus dedos não te satisfazem posso te dar outra coisa. — Sussurra rouco em meu ouvido.

— Você está fora de si, Jasper. — Gaguejo sentindo as borboletas na barriga.

— Estou? — Questiona, sua língua deslizando pelo meu pescoço, sinto suas presas raspando em minha pele.

— Por favor... — Fecho os olhos, apertando o lençol entre os dedos, não quero fazer.

Não quero sucumbir, ele só me quer porque meu sangue é gostoso, não serei um tampa buraco de ninguém, não vou substituir a Alice.

Não serei burra de me apaixonar por um vampiro novamente, quando ele encontrar sua companheira vai me abandonar como Edward abandonou... Sinto as lágrimas escorrendo pelo meu rosto quente, pisco encarando a expressão fria dele.

— Não precisa ter medo, não vou te tocar. — Jasper se afasta, seus olhos vermelhos são quentes, contrariando seu semblante melancólico.

— Jasper... — Sussurro nervosa me encolhendo na cama.

— Bella, por favor, só não tenha medo de mim. — Sua voz se arrasta rouca, saindo da cama.

Antes que eu possa dizer alguma coisa ele usa sua velocidade anormal para fugir de minhas palavras.

— Eu não tenho medo de você...

Tenho medo de me apaixonar por você.

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Notas:

Foi aqui que pediram um capitulo grande? Gostaram amores? 

Demorou? Demorou, mas acabei acrescentando umas cenas de ultima hora heheheh

Estarei respondendo os comentários do capitulo anterior S2

Ainda não revisado, qualquer erro me avisem :)

Até o próximo meus amores! 

Deixem aquela estrelinha de voto! Pois isso me motiva muito S2

Não se esqueça de adicionar a Fanfic na sua biblioteca para ser notificado das atualizações.


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