13.Viagem
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Encaro o reflexo no espelho, tão pálida quanto um fantasma, olheiras se destacam roxas, puxo o cabelo para trás o prendendo com uma tiara. Tenho que seguir em frente, ser forte o bastante para não desabar hoje, farei isso por Charlie.
Termino rapidamente de lavar o rosto, ouço a música suave ecoando pelos corredores da casa, devido aos ataques de animais recorrentes a polícia anda ocupada junto com os caçadores locais em busca dos animais selvagens, gostaria de dizer que são vampiros, mas tenho medo de envolver Charlie e os Volturi arrancarem minha cabeça e a dele levando em conta que é o chefe de polícia local.
— Vai demorar muito querida? — Chama impaciente.
— Já estou indo, pai. — Grito de volta, adentro o corredor, sinto o cheiro de terra molhada, sempre um tempo tão chuvoso, suavemente desço a escada com preguiça.
Espero encontrar os olhos dourados da loira amarga, mas não é Rosalie que me espera na sala, não é ela que está sentada desconfortavelmente sobre o olhar analisador de Charlie. Dou um passo a frente com a mão ainda agarrada no corrimão da escada.
— Bom dia... — Minha voz falha.
Depois do que aconteceu no parque eu tinha passado os dias sobre a vigilância de Rosalie, sua presença era irritante, estava óbvio que não queria bancar a babá da humana burra. Embora Emmett grude em mim na escola dando uma pequena folga a loira, mas não era o suficiente para ela.
Dou pequenos passos enfiando minhas mãos trêmulas nos bolsos do moletom, aquilo foi só um sonho, não foi real, repito para mim mesma tentando afastar as memórias desagradáveis.
— Pensei que sua amiga Rosalie vinha buscá-la. — Charlie sorri falsamente limpando a arma, encaixando as balas, seus olhos brilham em direção ao loiro do outro lado da sala — Não era uma festa do pijama das garotas, filha? — Interroga.
— Pai... Jasper obviamente só veio me dar uma carona. — Dou de ombros fingindo que não estou surpresa com sua presença repentina.
— Hummm. — Resmunga terminando de arrumar a espingarda, dando um sorriso gentil ao vampiro que engole em seco como se balas pudessem realmente matá-lo.
Mordo o lábio controlando o nervosismo, Charlie vai passar o final de semana trabalhando com a polícia local, fazendo buscas pela região, até mesmo Billy e os quileutes estão trabalhando nisso, tentando achar o problema e solucioná-lo. Dou um passo em falso me agarrando na parede, fazendo Jasper se levantar do seu cantinho de castigo, tudo que me resta é passar o final de semana com Rosalie, mas pelo visto não teremos nenhuma festa do pijama.
— Não se preocupe, segunda vou estar aqui antes do sol nascer. — Brinco pegando minha mochila jogada em cima da mesa de jantar.
— Tenha cuidado, evite ao máximo sair de casa, toque de recolher, lembra? — Fala como um velho mandão.
— Entendi, estarei aprisionada. — Levanto as mãos sorrindo — Vamos? — Me viro para Jasper que sorri nervosamente de mim para Charlie.
— Prometo trazer ela sã e salva. — Sorri de lado para Charlie que estreita as sobrancelhas desconfiado, levantando da cadeira — Senhor.
— Vão logo, está vindo uma tempestade por ai. — Bate a mão com força nas costas de Jasper que se encolhe um pouco.
— Pode deixar, pai. — Resmungo agarrando o braço do loiro, puxando comigo pela porta de entrada apressada, antes que comece outro interrogatório — Tchau! — Grito nervosa.
Deixo a garoa fina me arrepiar, olho ao redor achando o Jeep preto estacionando no final da estrada, solto o braço do loiro quando estou longe o bastante para Charlie não ouvir.
— Pensei que tinha saído da cidade. — Solto aumentando os passos, embora isso não faça diferença para Jasper que me acompanha como se eu estivesse andando igual uma formiga.
Levanto a cabeça puxando o capuz capturando os olhos de meu pesadelo, mas não estão vermelhos, tento não escorregar na grama lisa forçando um sorriso para ele.
— Queria que eu saísse da cidade, Swan? — Sua voz falha estranhamente como se estivesse com medo, deve ser impressão minha.
— Claro que não, porque pensa isso? — Puxo o ar lutando para não lembrar do pesadelo.
— Porque eu tentei te matar — Jasper espreme os lábios franzindo as sobrancelhas, analisando me.
— Oh... não se preocupe, não ligo. — Dou de ombros, fico até triste que não conseguiu — Sei que não consegue se controlar, é compreensivo.
— Compreensivo... — Repete como se eu tivesse falado alguma coisa errada, parece meio abatido.
Não demoramos a atravessar o gramado, Jasper gira as chaves no dedo desativando o alarme, com cavalheirismo abriu a porta para mim.
— Obrigada. — Gaguejo desviando meu olhar do dele, apoio minha mão no apoio e me impulsiono subindo no pequeno degrau.
Tudo que consigo é escorregar com minhas botas sujas de lama, sinto sua mão segurando minha cintura, impedindo-me de atingir o chão, com rapidez me apoia empurrando-me delicadamente para dentro do Jeep.
— Obrigada. — Repito sentindo minhas bochechas esquentarem, porque sou tão desastrada, senhor?
Mordo o lábio me aconchegando no banco da frente, largo a mochila nos meus pés. Acompanho com o olhar o loiro dar a voltar devagar como se estivesse respirando o ar puro uma última vez, ficaria horas trancado comigo, isso não é bom.
— Porque Rosalie não veio? — Questiono realmente curiosa.
Tento puxar o cinto, mas tem quatro encaixes, droga, tento novamente encaixar, sem paciência sinto as mãos geladas dele tocando as minhas, afasto-me de seu toque, é como um choque que percorre meu corpo.
Jasper simplesmente encaixa rapidamente, mordendo o lábio como se lutasse contra algo, provavelmente me chamar de estúpida por não conseguir colocar um cinto.
— Assim, pronto. — Sorri sério olhando em meus olhos, estava me tratando como um bebe — Rosalie está indo para Seattle com os outros.
— Seattle? — Mordo o lábio confusa, desvio meu olhar para a janela.
— Mudança de planos. — Sua voz aveludada me acalma um pouco, dando a partida no carro ouço o motor — Os recém criados estão em menor numero agora, eles estão atrás do seu cheiro e do Edward, acham que vocês dois estarão juntos, nisso tenho que tirar você da cidade.
— Estão me caçando? — Gaguejo escondendo minhas mãos trêmulas nos bolsos do moletom, isso é pior do que o pesadelo que tive com Jasper.
— Sim, mas eles estão em menor número, podemos dar conta disso... por enquanto — Seu sorriso vai perdendo a força, virando o volante adentrando a estrada principal seu semblante o trai, está tão preocupado — Vamos sair da cidade por segurança.
— Sair da cidade... — Resmungo, pensei que ficaria na casa dos Cullen, ao menos não terei que aturar Edward.
— Só esse final de semana. — Sorri manobrando rapidamente o Jeep, como se eu estivesse realmente preocupada — Alice viu em suas visões para onde eles estão indo, Charlie estará seguro com os quileutes... Vamos nos afastar o bastante, deixar seu cheiro enfraquecer — Conta calmamente dirigindo concentrado, parando na sinaleira vermelha.
— Que maravilha... — Mordo o lábio controlando meu descontentamento, tento pensar positivo, observo a cidade cinzenta, é crepúsculo.
— Eu gostaria de me desculpar pelo que aconteceu, Swan. — Toma coragem mantendo a expressão séria.
— Não precisa, foi só um acidente. — Sorri desconfortável com a forma que ele me olha, seus olhos se perdem em meu rosto, indo a faixa em meu pescoço, não tinha mais marcas, mas ainda tenho que usar mais uns dias recomendações medicas.
— Eu peço perdão pela forma que a machuquei. — Gira o volante devagar, sem pressa, sem desviar o olhar dourado do meu — Por favor, me perdoe, Swan.
— Bella. — Sussurro irritada, porque ele insiste tanto em me chamar pelo sobrenome... — Me chame de Bella, somos amigos não somos? — Forço um sorriso tentando deixar o clima menos tenso.
— Me perdoe, Bella. — Pronuncia meu nome arrastado como se fosse difícil falar, estranhamente sinto arrepios me percorrem, meu nome soa tão diferente em seu sotaque.
— Só se me fizer um favor. — Brinco seriamente, ajeitando-me no banco.
— Qualquer coisa. — Não hesita.
— Pode usar seu dom para destruir todas minhas emoções negativas? — Odeio pedir isso, mas realmente estou desesperada.
— Posso tentar quando chegarmos no nosso destino — Sorri suavemente, parece mais relaxado — Teremos bastante tempo.
— Da última vez não durou muito... — Mordo o lábio, tentando desvendar esse mistério — Em poucas horas voltei ao meu estado normal, não deveria durar mais tempo?
— Você deve estar bloqueando meu dom. — Poderá em um sorriso fino pensativo — É mais forte do que eu imaginava.
— Tem alguma coisa errada comigo? — Com certeza deveria ter.
— Tem... — Pronúncia sério.
Abaixo o olhar mordendo o lábio sentindo o gosto do sangue, sabia que tinha algo errado, sinto meus olhos arderem, sou um um completo desastre, mas estou tão viciada no dom dele, não entendo como posso estar bloqueando.
— Bella, estou brincando. — Ri baixo adentrando a estrada de viagem, seu sorriso me acalma, estranhamente estou fascinada.
— Oh... desculpe. — Gaguejo sentindo minhas bochechas quentes.
— Bella, não precisa se desculpar — Repreende-me seriamente, mas deixa escapar um sorriso contagiante.
— Ta...
— Quando chegarmos na cabana a deixarei sozinha lá, estará segura — Anuncia suavemente, como se isso fosse bom. — Tenho que voltar e ajudar os outros. — Declara suas palavras sem emoção.
Ficarei dois dias sozinha, isso parece agradável... quem estou tentando enganar, estou com medo.
— Entendi. — Não quero o incomodar mais com minhas preocupações.
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Com a tempestade chegando as ruas estavam um completo desastre de troncos caídos, galhos e folhas abraçando o asfalto, até mesmo foi preciso esperar em uma fila enorme para a retirada de um.
Três horas de viagem cansativa, tento me concentrar na música tocando, mas ela engasga a cada minuto, balanço a cabeça deixando o silêncio reinar, era confortável, calmante, não tinha necessidade de falar, Jasper também não. Pensamentos demais me cansam, e se? Se repetia, e se der errado? E se Charlie se machucar? E se eu me entregar? E se Jasper quiser beber meu sangue? As perguntas não tinham resposta, mas para a última eu tinha um talvez.
— Está com fome? — Questiona sorrindo, claro que ele estava ouvindo meu estômago roncar.
— Um pouco... — Gaguejo mordendo o lábio, isso é tão constrangedor.
Não almocei na verdade, só tomei um café, pensei que ficaria na cidade, Jasper manobra entrando em um posto de gasolina, caminhões estão estacionados em frente a uma lanchonete.
— Podemos parar um pouquinho. — Declara estacionando rapidamente o Jeep em uma vaga distante, não tinha muitas vagas.
— Quantas horas até essa cabana misteriosa? — Resmungo sem humor.
— Uma hora, talvez duas horas... — Sua voz se arrasta como se pedisse desculpas.
Destravo a porta tomando cuidado para descer, apoio minha mão na janela escorregando para fora. Quando me dou conta Jasper já está ao meu lado com a mão estendida, sem orgulho aceito.
— Obrigada... — Engulo em seco sentindo meus dedos quentes contra os seus tão frios, eletricidade parece me percorrer.
— De nada, Milady. — Sorri me puxando, parece automático, seus olhos analisam o caminho enlameado até a lanchonete, segurando minha cintura.
— Eu... consigo andar sozinha, valeu. — Mostro os dentes em um sorriso constrangido, meu rosto queima.
— Claro... — Não pareceu acreditar, soltando-me suavemente, como se eu fosse cair a qualquer momento.
Em passos de formiga ouço os trovões, logo logo vai começar a chover. Apresso-me, em um resvalar, equilibro-me abrindo os braços. Mordo o lábio contendo um suspiro, frustrada comigo mesma por minha falta de jeito.
Jasper não pede permissão quando segura novamente minha cintura, puxando meu casaco, mantendo-me colada a si como bons amigos. Seguro seu braço engolindo meu orgulho, tudo bem, sou desastrada demais ou talvez minhas botas sejam lisas... Tanto faz, dou um passo a frente dessa vez não deslizo, encaro seus olhos dourados como ferro em brasa, suavemente o vento nos rodeiam fazendo meu cheiro se espalhar, ele franze o nariz olhando para baixo, sorrindo disfarçadamente para mim, como se não quisesse me matar.
Sem demora atravessamos o pequeno caminho enlameado, passando em frente ao posto adentramos a lanchonete, um sino nos anuncia. Ninguém se mexe das cadeiras, as vozes se aconchegam no calor do lugar amplo, risos enchem o silêncio.
— Venham por aqui! — Grita uma garçonete de uniforme amarelo, sorridente, acenando.
— Ok... — Limpo minhas botas no carpete dando um passo à frente, acompanho a mulher energética.
— Mesa para dois? — Questiona ela piscando rápido, seus olhos parando na mão dele em minha cintura, não parecia ter a intenção de me soltar tão cedo — Estamos com uma promoção para casais, gostariam do especial? — Indica à mesa no fundo, perto da janela.
— Não somos... — Minha voz falha, sinto minhas bochechas esquentarem, com Edward isso não acontecia, era sempre a irmã, prima, amiga... não sei como reagir, mordo o lábio pronta para terminar a frase, mas sou interrompida.
— Claro, por favor. — Jasper fala curto apertando mais minha cintura, empurrando em direção a cadeira vaga encostada contra a parede.
— Um minutinho pombinhos. — Sorri docemente a mulher ajeitando uma mecha de cabelo grisalho atrás da orelha.
Me ajeito na cadeira, sinto um frio me percorrer, borboletas se revirar em meu estômago, não somos namorados, quero dizer, mas fico quieta. Pego o cardápio em cima da mesa, ignorando os olhares que as mulheres e até homens lançam para o loiro, deveria estar acostumada, com Edward era sempre assim.
Jasper se senta ignorando tudo ao redor, seus olhos vagam para a porta dos fundos e a da saída, tinha uma visão boa quase precisamos fugir se um meteoro caísse do céu... Mordo o lábio contendo o riso, tão paranoico.
— Bella? — Chama me fazendo levantar os olhos do cardápio para mergulhar nos seus tão hipnotizantes — Parece incomodada, aconteceu algo?
— É que... — Não somos namorados e agora aquela garçonete acha que sim, mas isso nem deve significar nada, não sei porque estou tão nervosa, mordo o lábio contendo uma careta amarga — Nada, estou com fome.
— Espero que gostem — Sorri a garçonete colocando uma taça com milkshake no centro da mesa com dois canudos de coração e calda de chocolate.
— Obrigado. — Jasper sorri neutro, empurrando a taça para mim, pego sem jeito, não tem nada demais nisso, tento me convencer.
— O que vão pedir pombinhos? — Puxa o bloco de notas de mão, seus olhos vagando de mim para ele.
— Ela vai querer o especial, hambúrguer, bacon, pão, coca cola — Pronúncia sem pausa, fazendo a garçonete anotar rapidamente. — Nada pra mim, obrigado.
— Jasper, fico arrepiada quando assume o controle assim. — Brinco como se fossemos velhos amigos, rindo da careta dele.
— Desculpe, você quer algo diferente? — Parece arrependido, batendo os dedos na mesa em nervosismo.
— Eu... estava brincando, Jasper. — Não consigo segurar o riso.
— Daqui a pouquinho trago seu pedido. — Sorri largamente a garçonete, seu nome no avental reluz na plaquinha prateada pendurada brilhante, Emilly — Estão viajando de lua de mel? — Questiona a mulher com seus olhos azuis brilhando — Lembro quando era novinha também, meu marido me olhava com o mesmo carinho e preocupação que o seu. — Ela ri suavemente.
— Não somos casados... — Gaguejo tomando coragem, fazendo Emilly direcionar seu olhar para Jasper que está com os punhos fechados, parece ter prendido a respiração, deve ser difícil estar em um lugar cheio de pessoas cheirando melhor que hambúrguer.
— Noivos? — Questiona ela — Eu nunca me enganei, vocês dois estão apaixonados, eu posso ver! — Ri ela tão cega quanto eu no escuro.
— Noivos... — As palavras se arrastam como uma ameaça, Jasper levanta o olhar para o meu, como se me pedisse para entrar na mentira — Companheiros, não existe alguém igual a ela para mim.
— Sim, noivos. — Abaixo a voz sentindo aquela eletricidade me percorrer delicadamente, por um momento Jasper realmente me olha carinhosamente, em um piscar parece magoado.
A mulher logo é chamada pelo cozinheiro, suspiro me aconchegando na cadeira, pisco encarando as mechas de seu cabelo dourado mel, emoldurando seu rosto, morde o lábio, parece querer falar alguma coisa seria, não sei porque, mas isso me desconcentra tanto.
— Onde você estava todo esse tempo? — Tento acabar com o silêncio, negando meus próprios pensamentos, Jasper me deixava tonta, tão tonta que até o achei mais bonito que Edward, mil vezes mais lindo, estou enlouquecendo. — Não o vi por Forks esses últimos dias.
— Eu saí da cidade por um tempo. — Conta sem expressão, seus olhos mergulhados nos meus — Pensei em não voltar.
— Oh...
— Mas não posso deixar Forks ainda, não sem levar aquilo que me pertence. — Fala arrastado, seus olhos brilham sobrenaturalmente novamente, como daquela vez que pedi para que me matasse, é como uma nova camada de sombras, fitando-me um sorriso desliza por seu rosto conforme o meu esquenta não conseguindo desviar o olhar.
— Seu pedido. — Grita a mulher deixando o prato na minha frente, com um enorme sorriso — Não vai querer nada mesmo? — Se vira para Jasper que pisca voltando ao normal.
— Não, obrigado. — Sorri para Emilly que balança a cabeça, entendo que só eu comeria.
— Qualquer coisa me chamem, pombinhos. — Pisca ela nos deixando a sós na bagunça de conversas.
Estava tão mergulhada nele que esqueci o barulho, as risadas, talheres raspando contra os pratos, parecia que estávamos sozinhos. Sem demora mordo o hambúrguer sobre a vigilância dele, passo a língua pelo lábio pegando o catchup que escapou.
— Seu pai estava falando que você vai voltar para a casa da sua mãe na Flórida. — Jasper desvia o olhar engolindo em seco, passando a mão pelo cabelo
— Sim, acho que sim, sinto falta do sol. — Digo a verdade.
— Hummm — Parece frustrado.
— Imagino que vocês vão para o Alasca. — Chuto, esses eram os planos de Edward, mas eu não me incluo mais nesses maravilhosos planos.
— Eles vão... — Suspira nervoso, empurrando o vidro de mostarda pra mim.
— Você não vai? — Hesito mastigando devagar.
— Não — Olha para baixo, encarando os azulejos — Acho que não pertenço mais aquela família... sou uma falha na perfeição deles. — Revira os olhos.
Deslizo minha mão por cima da mesa tocando a sua com delicadeza, fazendo ele mover levemente os dedos como se sentisse o mesmo choque que me percorre a cada toque, sem jeito levanto o olhar tentando passar conforto, apoio.
— Eu... eu... — Gaguejo tomando coragem, estou ficando tonta com seu olhar tão intenso — Não acho que você seja uma falha, só é diferente.
— Diferente como? — Levanta uma sobrancelha — Descontrolado, assassino... — Sorri divertido.
— Solitário...
— ...
— Desculpa, eu não deveria ter falado isso... — Afasto minha mão rapidamente, mas ele a agarra novamente.
— Não se desculpe. — Entrelaça nossos dedos, me olhando estranho como se escondesse um segredo — A solidão é meu destino.
— Talvez não seja... — Mordo o lábio nervosa — Um dia você vai achar sua companheira igual Edward achou a dele. — Minha voz se arrasta fraca, odeio tanto esse lance de companheiros destinados.
— Ela já deve estar apaixonada por outro. — Sorri melancólico, soltando minha mão, se afastando — E quem poderia amar um monstro?
— Você não é um monstro, não para mim. — Mordo o lábio sorrindo, somos bons amigos, tão solitários em nosso próprio drama melancólico.
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Notas:
Gostaram do capitulo amores? Teorias?
Estarei respondendo os comentários do capitulo anterior S2
Ainda não revisado, qualquer erro me avisem :)
Até o próximo meus amores! Que será sexta a noite, que é agora, mas só depois das 22:00 da noite de hoje :D
Deixem aquela estrelinha de voto! Pois isso me motiva muito S2
Não se esqueça de adicionar a Fanfic na sua biblioteca para ser notificado das atualizações.
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