Convite para jantar

O inverno estava cada vez mais perto, não que isso significasse muito em Londres, afinal, sempre era frio e nublado, todavia sem perceber os dias passavam e Harry enrolava cachecóis em seu pescoço e usava roupas cada vez mais pesadas. O sol começava a se pôr mais cedo e a escuridão vinha mais rápido. O moreno sentia as mãos congelarem conforme deixava seu apartamento indo trabalhar, no entanto, havia o estranho que se vestia como se fosse verão, serenamente fumando naquele clima, com roupas que não pareciam realmente esquentar e chinelos no pé, não parecia minimamente incomodado com o frio.

— Bom dia. — Harry comprimentou casualmente quando passou pelo banco em que Draco estava sentado.

— Indo para o trabalho? — respondeu o olhando enquanto a fumaça escapava de seus lábios.

— Sim, e você?

Potter perguntou sem pensar muito, mas ouvindo apenas o silêncio se arrependeu, na realidade, nem sabia se o loiro trabalhava. Contudo, Malfoy levantou, tão abruptamente que o moreno deu alguns passos para trás em surpresa, inabalável, ele soltou seu cigarro que caiu cinzeiro ao lado deles e então sorriu, daquele jeito falso e encantador que fazia.

— Eu sou um escritor, trabalho de casa.

— Hum? — Harry não pareceu disposto a esconder sua surpresa, o que pode ter ofendido um pouco Draco.

— Achou que eu era um vagabundo?

— Não, eu...hum. Então, você escreve sobre o que? — Harry mudou de assunto com certo pânico, o loiro tinha um talento nato em deixá-lo sem saber como agir, continuou disparando bobagens. — Não consigo te imaginar escrevendo algo educativo. Escreve romances? Poesia?

— Vou deixá-lo continuar imaginando.

Aquilo de fato era muito surpreendente para Harry e instiga sua imaginação, afinal, até o momento Draco não parecia ter muito vocabulário que não fosse o sujo ou provocativo, imaginá-lo escrevendo um livro com palavras robustas ou gramaticalmente correto era quase impossível.

Não queria admitir que tudo sobre Malfoy parecia ser um tanto erotico para si, então apenas fingiu não achar que ele escrevesse coisas para adultos e ignorou o assunto.

Os dois continuaram caminhando juntos, Harry cantarolava alegremente, Draco era quieto como sempre. Esse andava na frente e tinha plena noção que estava apenas sendo seguido quando entrou no mercadinho da esquina para comprar sua comida. Segurava um pacote de macarrão instantâneo quando lançou um olhar acusatório para o moreno que foi rápido em argumentar.

— Eu também vim comprar comida.

Draco se virou de volta fingindo acreditar, o de óculos logo se aproximou como se houvesse recebido um convite e colocou a cabeça sobre o ombro do loiro para observar o que ele olhava. Parecia na dúvida para escolher entre marcas de ketchup.

— É só isso que você come? Não me surpreende ser tão magro.

— Não gosta da minha magreza? Meus ossos de machucaram ontem a noite ou algo assim? — Draco retrucou.

— Não, eu não quis dizer isso...

— Então não fale.

Draco se afastou e então os dois estavam se encarando, tinha o rosto firme, não havia brechas e de repente Harry se sentiu intimidado como nunca havia desde sua infância, abaixou a cabeça e se tornou estranhamente consciente de que não sabia o que fazer com suas mãos.

— Me desculpe, fui estupido. Não deveria ter dito algo assim.

Ele estendeu sua mão hesitante e segurou a manga da camisa preta entre seus dedos.

— Posso fazer sua janta hoje?

Draco o encarou, era estranho, dessa vez não havia nenhuma expressão em seu rosto, nem mesmo uma analítica, parecia completamente neutro com sua beleza etérea.

...

No trabalho, Harry se martiriza por ter se oferecido para fazer o jantar para Draco.

Os Ponteiros do relógio nunca pareciam marcar 18 horas, não importa quantas vezes Harry olhava para a tela do computador fingindo trabalhar antes de olhar novamente para o relógio. Estava mais inquieto que o comum, claro, sempre estava preparado para sair do trabalho assim que o expediente terminasse, mas naquela tarde em específico existia um motivo, um motivo alto e loiro.

— O que tem de especial nele que me deixa assim? – Suspirou pensando em voz alta.

— Se quer minha opinião, acho que você é apenas intrometido. Não consegue ver alguém com um problema e já quer intervir. — Ron comenta com certo humor, colocando um copo de café na mesa do amigo, e este se assustou pois não havia notado a presença dele.

— De onde você surgiu?

— Eu cheguei cantando, você só não ouviu porque está perdido no seu mundinho. Fala sério, já tem rumores que você está apaixonado circulando.

O ruivo sussurrou e Harry que estava relaxado na cadeira se endireitou em um sobressalto, pronto para tirar satisfações com o doido que fofocava sobre sua vida.

— O que?! Quem espalhou esses rumores?

— Quem você acha? Eu, oras.

— Seu idiota.

Revirou os olhos, contudo não era de se esperar menos, Ronald era o maior fofoqueiro da empresa e todos sabiam. Parecia desesperado por mais histórias para espalhar, no entanto, Harry não estava interessado em se tornar fonte de entretenimento para o ruivo. Se concentrou em tomar o café antes de esfriar e terminar seu trabalho ignorando a presença do amigo o importunando.

— Então... É alguém que eu conheço?

— Eu já disse que não tem ninguém.

— Sua cara diz outra coisa. Em momentos assim você precisa do seu amigo de infância que está sempre aqui. Depois do trabalho vamos beber e eu te dou uns conselhos.

— Hum... eu não posso hoje. Tenho planos.

— Com a mesma pessoa que está te deixando com essa cara? — Ron tinha um sorrisinho de quem sabia que estava certo e aquilo era extremamente irritante. Harry não iria admitir, mas não podia mentir para o melhor amigo.

— Cala a boca.

— Vou ser um cara legal e te deixar livre pra curtir sua noite, usem camisinhas, crianças.

— Para com essa merda.

...

Ele é bonito, claro.

— Você não precisa ficar encarando, não vou envenenar sua comida. — Harry comentou bem humorado.

— Eu só estou surpreso que você esteja realmente cozinhando, achei que ia pedir uma pizza ou algo assim.

Estavam na pequena cozinha/sala de jantar/sala de estar do apartamento de Harry. Quando chegou do trabalho correu para sua geladeira e fingiu que não passou o dia todo pensando no que cozinhar para a janta. Não queria fazer nada muito elaborado para não demorar ou parecer exibido, mas também não queria algo simples demais.

— Você come frutos do mar, certo? — Harry torceu para que sim, já estava quase pronto.

— Hum, como. Isso parece chique, como aprendeu?

Ele é excêntrico, isso destaca ele.

— O meu padrinho tem muito dinheiro e tempo livre, acontece dele viajar muito e eu acabo entrando na onda dele as vezes, a diferença é que volto com dívidas. — ele soltou um suspiro dramático antes de continuar — Fui à Espanha e comi uma Paella muito boa, só tento copiar a receita.

— Então você vem de uma família rica? Me perguntava se era uma coincidência ou você realmente era da indústria Potter.

Começou com seu avô, que foi para indústria de cosméticos e então agora seu pai e sua mãe haviam avançado para tecnologia, não havia uma alma na Inglaterra que não soubesse da riqueza dos Potter. Nem eram tão ricos assim, todavia a rápida ascensão trouxe a fama, era de fato intrigante como seu avô teve uma ideia milionária fazendo o primeiro creme para alisar cabelos.

— Eles têm dinheiro, eu não. — Harry ficou na defensiva — E você também não parece exatamente humilde, Malfoy.

Draco tinha um sorriso no rosto e levantou as mãos para cima insinuando a rendição, mas algo em Harry dizia que não estava feliz com o assunto.

— Me pegou, eu sou a ovelha negra dos Malfoy.

— O filho herdeiro... — Harry se impediu de continuar, com certeza era um assunto difícil.

Os Malfoy eram uma família rica desde sempre, e eram conhecidos por terem linhagens nobres, houve uma notícia de que o herdeiro foi expulso da família depois de ser descoberto um submisso, considerado uma aberração genética ele perdeu direito a herança e todo seu status.

— Parece que minha história é famosa, deveria aproveitar e escrever um livro sobre isso. — Draco carregava um sorriso, claro que ele era do tipo de lidava com essas coisas com humor.

Harry tentou fingir que não tinha nenhuma curiosidade no assunto e desligou a panela, arrumou a mesa com calma, pois queria deixar tudo perfeito. Não que fosse um jantar super romântico, não era um encontro.

Ou era?

Deveria ter vestido uma roupa melhor.

Harry se arrependeu de como estava vestido, sua camiseta branca com uma mancha não identificável e sua calça moletom já desbotada não eram roupas agradáveis aos olhos, para dizer o mínimo. Apesar de Draco não estar exatamente elegante, ainda sabia exalar um charme com uma camiseta surrada e calça larga.

Ele fica bonito com qualquer roupa, melhor ainda sem.

— Está pronto, venha comer.

— Está me engordando para depois me devorar? — Era claro a malícia de Malfoy, a dualidade em seu sorriso.

— Fique tranquilo, eu não teria paciência para fazer esse tipo de plano maligno.

Tentando não pensar obscenidades, Harry tinha a pergunta que tentava ignorar o dia todo em sua cara.


Por que diabos estava fazendo aquilo?

Não queria pensar nisso, falou a si mesmo que era uma boa pessoa e se sentia bem quando via como o loiro parecia comer sua comida com prazer, poderia cozinhar mais vezes. Era chato cozinhar só para si mesmo e ele gostava de fazer aquilo.

Ele come de um jeito fofo e cozinha bem.

Mas o que Harry Potter quer de mim?

Não iria cozinhar um prato chique sem esperar algo

— Você parece mais jovem sem a roupa engomada. — era algo que Draco havia pensado assim que o viu naquela noite. Sempre viu Harry de terno e gravata, uma roupa despojada o deixava jovial... e bonito.

— Ainda acho que pareço mais velho que você. — comentou com certa arrogância.

— Não muda o fato de que está nos seus vinte e poucos.

— espera, então você...! — Os olhos verdes se arregalaram, não era possível que Draco fosse mais velho, aquela pele imaculada e cabelos platinados definitivamente eram de alguém com vinte e poucos.

Um sorriso, e ele não disse mais nada

— Quantos anos você tem?! — Indagou curioso mas o outro não parecia disposto a responder.

— Fique aqui enquanto eu lavo os pratos.

— Não precisa — Harry seguiu ele até a pia e quando estava próximo o outro virou, fazendo com que a distância entre eles fosse perto o bastante para sentir a respiração um do outro.

— Ei, Harry. Já pensou na minha proposta?

— Hum? — ele fingiu não entender e talvez tenha sido óbvio, pois Draco revirou os olhos como alguém cansado de joguinhos.

 — Vou ser direto: você quer dormir comigo?

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autora haru: Olá, demorei mas voltei

obrigada pelo carinho com a fic, comentem e votem sempre que puderem.

Afinal, isso é o que me motiva a voltar mesmo com a correria e falta de criatividade me perseguindo.

Eu não trabalho com datas, sempre procuro trabalhar nos caps no meu tempo livre e com criatividade, vollto só quando estou satisfeita com meu trabalho, isso pode demorar ou não

até a proxima.

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