O Clone

Mais um dia de muito trabalho, assim eram os dias do jovem estudante de arquitetura, que adorava  teorias e que precisava de uma viajem, segundo ele trabalhar e estudar eram duas coisas que ele adorava, mas a possibilidade era mais finita quando ele percebia  que os dias só tinham 24 horas. Caio estava indo para o seu caminho de sempre, quando viu Dona Maria, andando com algumas compras,  e lá vai o nosso herói, ajudar aquela senhora até a sua casa.
Caio  era querido por todos e tinha pequenos defeitos no seu caráter, como a grande necessidade de aumentar as situações  que aconteciam com ele, muita gente dizia que ele tinha  veia literária, que suas histórias poderiam se encaixar em contos de grandes  autores com facilidade. Ele sempre ria de tudo, afinal, ele gostava mesmo era de desenhar e ver paisagens.

Foi quando naquela manhã um vento forte veio ao seu encontro carregando uma sensação de que aquele dia seria diferente, tinha a mania de sempre olhar para os lados, pra ver se avistava algum amigo, mas naquele dia a rua  parecia sinistra demais para ele encontrar algum amigo. Mas a insegurança de ser observado começou  a mexer consigo. Ele via muitos filmes, só  poderia ser isso. Por que raios alguém iria persegui-lo? Era apenas um rapaz magro, alto e com cabelo bagunçado, tudo  bem que isso não é motivo seguro pra ninguém não o rapta-lo, ele parecia o Jhonny Ramone, "ninguém rapta um integrante dos Ramones  assim."

Foi quando escutou um barulho próximo, parecia que ao mesmo tempo que percebia que alguém se aproximava, mais essa pessoa se esforçava pra deixar a sua  presença menos evidente possível, foi quando ele sentiu  uma insegurança de que sim, eles iriam raptar alguém do Ramones sim. E sem nem entender começou a correr. Ele não entendia porque seu corpo estava  reagindo  daquele jeito, mas ele compreendia que antes de ser construída a racionalidade humana, veio um instinto  de sobrevivência  que lhe era muito necessário. 
E isso o impulsiva para correr, foi quando decidiu olhar para trás, e lá estava. Um homem da mesma altura, com silhuetas  parecidas com a sua, com uma máscara correndo com ímpeto. Aquele  homem queria matar Caio. Não era alguém querendo dinheiro ou qualquer coisa. O celular que estava  no seu bolso não  era o suficiente. Aquele homem monstruoso quer mata-lo.

Nesse momento ele virou a esquerda, e viu um muro meio baixo e decidiu pular - A adrenalina  batia forte e sua cabeça parecia uma caixa de som. A explosão de sua  respiração. Parecia que caminhões de oxigênio corriam em suas veias.

Ele começou a olhar para os lados do pequeno terreno que ele foi cair e  viu que não poderia ficar ali, foi quando se virou e viu uma pequena casinha de ferramentas.  Aquilo era tudo  que ele precisava. Decidiu correr até o lugar. Foi quando se deu conta  de um simples detalhe.

Ele não tinha a chave.

A casa não era dele.

E aquilo não  era um filme de terror com furos no roteiro.

Ele realmente estava em um lugar esperando por seu algoz, o medo estava tornando o seu corpo frio. A perseguição havia acabado. Quando ele viu que o homem o havia encontrado. Foi quando percebeu que deveria lutar.

Tinha um bom soco, sabia se esquivar. Daria conta.

Foi quando o homem tirou um bastão de beisebol, nem um pouco relutante ou apreensivo. E correu na direção  do jovem rapaz. Que decidiu lutar.

Dando um soco com toda a força que tinha. Não encontrando nada, apenas uma dor latente  em sua cabeça. O idiota o havia acertado, ele decidiu agarrar a camisa do homem e bater forte em seu rosto com a sua mão  esquerda.  Conseguiu. Sentiu uma dor gritante em sua mão.  Mas aquilo não era nada perto da dor que estava se fazendo presente na sua cabeça.

Foi quando ele sentiu o desequilíbrio repentino e caiu, ele estava estático no chão, parecia que finalmente havia  sido vencido, mas ele não entendia a razão da perseguição ou de qualquer das situações que ele estava vivendo.  Pensou em algum inimigo, mas nada lhe veio a mente.

Aquele homem mascarado  parecia realmente não ter identidade. Ele parecia ser um tópico homem das cavernas sem razão alguma pra estar ali. Principalmente  pelas repetidas vezes que ele balançava a cabeça. Parecia estar sem rumo.
Foi quando ele perguntou, sem muita esperança, quem  ele era. E ele não disse nada apenas parou de balançar  a cabeça e decidiu tirar  a máscara. O que Caio estava prestes a ver mudaria  com certeza mudaria a sua  percepção de mundo.

Em um mundo paralelo

Caio era um homem repulsivo. Sem metas  e que sofria de um azar que era de certa forma incômodo.  Não tinha amigos e nem se importava quando a isso. O lugar era sem graça mesmo. Além de ter um odor marcante. Por onde ele ia aquele cheiro que embrulhava  seu estômago no começo, o perseguia. Ele não gostava das mulheres. Mas as vezes por alguma razão, ele tinha que estar com elas. De uma maneira desagradável. Mas ele sabia que o sentimento de culpa não lhe era permitido. O seu nascimento não  foi planejado e seu parto nao tinha sido um grande sucesso. Parecia realmente que a morte de sua mãe sempre caira  sobre seus ombros. E se necessário. Ele sempre se lembraria do quão  maldito ele era. Foi quando o seu mundo mudou. Um gato, de pelagem marrom e caramelo passou perto dele, ele estranhou uma coisa.  Todos os gatos daquele lugar tinham inúmeras doenças, era horríveis. Pareciam  monstros com feridas expostas e muitas doenças. Mas aquele gato não tinha nada. Era lindo. E parecia que algo nele  lhe dava a sensação  de que um carinho era o suficiente. Foi quando Caio percebeu, que estava encarado algo que definitivamente não era dali. Não apenas os gatos eram serem sujos. Mas todos ali eram assim, foi quando percebeu  que o ser estava indo embora, foi quando teve a ideia de segui -lo até o lugar de sua origem e foi nisso que ele se sentiu encorajado a fazer. Foi quando  sentiu uma brisa suave em seu rosto, e um cheio bom, bem diferente do que estava acostumado.  Se aproximou  do gato. E por uma razão, que ele não sabia ao certo o porquê, ele estava andando com o ser em seus braços. Até que por uma pontada, sentiu que a escuridão de seu mundo dissipara,  e que agora ele estava num lugar muito  semelhante a sua rua, mas sem aquele cheiro, sem aqueles ruídos.  Ele, pela primeira vez, ouvi o canto dos passarinhos e foi quando ele viu um grupo de pessoas andando e rindo.  Rindo? Rir? O que era aquilo? Pessoas se comportando diferente.  Em sua mente nada o fazia se lembrar daquela sensação.  Ele estava feliz.

Caio! - Ele viu uma moça  ruiva, sem feridas e piolhos aparentes. Com uma pele que brilhava  naquele sol, chamando repetidas vezes um rapaz, era ele.

Ele se assustou - Como?? O que está  acontecendo?

Foi num passe de instantes que ele foi pra trás para não ser visto. O que está  acontecendo? Droga? O que está acontecendo?

Droga!

Ele olhou para o gato que estava  em seus braços e deixou que corresse, foi quando ele olhou para seu lado esquerdo e viu um gato exatamente igual, porém fétido, cheio de todas as doenças possíveis, correndo atrás  do gato e o matando. Transformando o seu amiguinho em nada. E após fazer isso. Lá estava  o ser pequeno todo contente com a liberdade daquele mundo cruel, e o ser que ele estava a pouco em seus braços, morto, banhado  por sangue.
Foi quando uma força primata veio em sua mente. Para ele continuar naquele lugar seria necessário fazer a mesma coisa com esse rapaz que era semelhante a ele.

Caio, não sabia ao certo como abordar, ele não era um gato, estava longe de ser um.  Foi quando caminhando ele percebeu que havia dois garotos jogando basebol, e uma voz de fundo  gritando  "meninos, hora de tomar café" e ali estava  a arma que ele precisava. Uma madeira. Aquilo poderia matar qualquer Um, foi o que pensou.  E em alguns passos ja estava distante daquele quintal. Ele havia roubado. E estava contente, agora ele precisava se esconder em algum lugar e amanhã, sim amanhã ele precisava encontrar o seu outro eu, e eliminar qualquer vestígio  de vida  daquele homem, para que ele pudesse ter essa  vida.  A vida que sempre quis, sem gritaria, sem ter que conviver com ratos e poder ter até um cão, que não era uma meta em sua cidade de antes. Ele precisava estar ali, o seu corpo sentia que ali era o seu lugar, e que não perderia essa chance, ainda mais após o sacrifício daquele gatinho.

O dia passou, e a noite de Caio não  foi preocupante igual as passadas, ele estava em um banco bem ao lado "rural" daquele pátio e decidiu se levantar e acompanhar o seu inimigo para que enfim ele pudesse cumprir o seu objetivo.

Foi até o local, ali estava  a presa. O homem andando tranquilamente. Sem nenhum problema, "miserável" pensava, via a alegria constante naquele garoto. Ele precisava ter essa vida, foi quando o bastão  caiu. E o rapaz, O Caio daquele mundo. A presa. Começou a fugir. E ele ao procurar o bastão, encontrou um saco de pão, preciso me proteger. Foi a sensação que habitava em si, e ao colocar o seu elmo e sua arma, foi à  sua perseguição. Até que enfim. Pudesse degustar de sua vingança a um mundo que ele julgava ser o que ele merecia.

Conclusão

Após  uma busca implacável, ambos estavam ali, disputando quem era mais  digno de estar sob o sol, a briga começou quando  o Caio deste mundo, decidiu ir a briga. Parou, cerrando as mãos  atirou-se contra o homem que estava com o saco de pão sob o rosto, a briga estava se estendendo a mais tempo que cada um dos dois poderia imaginar, parecia uma eternidade. Foi quando o clone decidiu saltar para traz e em um golpe de sorte, acertou com muita força o rosto do rapaz. Que agora estava inconsciente. O que fazer com o corpo? Ele sabia como as pessoas que torturavam, matavam ou agrediam  eram tratadas em seu mundo. Ele deveria correr contra tudo e todos, mas isso de alguma  forma destruiria agora a sua nova casa. Foi quando teve a ideia de deferir  mais golpes sobre o jovem e mata-lo ali. E foi assim que ele fez. Com toda a força, estourando qualquer coisa que lembrava o jovem Caio, que agora não estava mais respirando. O clone estava aflito, em seus pensamentos tudo estava saindo de um controle que ele jamais teve de toda a situação. Mas ele precisava se livrar e  agora. Arrastando para o lado da rua, que havia um terreno sem cerca e  com uma grande quantidade de lixo e terra. Calculou que estava  no lugar certo. Foi quando  pegou uma ferramenta pontuda  no meio de toda aquela sujeita e  cavou o mais fundo que pôde.

E ali  lançou o rapaz, ninguém viu, as pessoas que passaram por ali  só conseguiam ver Caio cavando em um terreno cheio de entulho, poderia ser algum trabalho novo? Poderia ser alguma descoberta, mas Caio não  chamava a atenção de ninguém, era apenas um garoto comum que tinha seus sonhos que ninguém sabia,  quando sabiam não  tinham o interesse o suficiente em o encorajar. E ali se foi um jovem com sonhos. Dando lugar ao jovem cheio de raiva, que não sabia se comunicar direito e que estava acostumado  com o tormento. A grande questão é. Ele saiu e  foi para algum lugar que ninguém sabe ao certo que lugar é.  Mas o sorriso que permeava  aquele rosto branco de cabelos escuros, não  se veria mais.
Alguns amigos começaram a sentir falta do rapaz e as buscas foram efetivadas dentro do quarteirão. Uma senhora que tinha visto o rapaz de costas, afirmou que viu um jovem com a mesma altura cavando um buraco no terreno abandonado, os policiais investigaram a fundo essa informação. Quando  encontraram um buraco muito mal cavado e embaixo.  Um cheio forte de morte. Ali  estava restos de um ser humano, que após algumas investigações descobriram que de fato era do jovem perdido.

Caio anda nas ruas ensolaradas, com fome, em paz. Sem os gritos do outro lado do véu. 

Caio é  visto por um conhecido de sua família.  Que afirmou em uma conversa com o primo  de Caio que o viu andando sem rumo e que ao ouvir a voz dele gritando com uma saudação, fugiu como se estivesse sendo perseguido.

Mas tudo caiu em esquecimento.  Fantasmas andando ao céu claro e  fugindo ao serem saudados. A família aceitou a perda com grande dor.

Ele não era tão simples como achava.  Muita gente  o amava.

Caio andando perdido acaba sendo abordado por quatro garotos que o apedrejam até a morte, segundo testemunhas, a vítima tentou atacar duas moças que estavam  em frente ao restaurante.

Que vida cruel, Caio morre mais  uma vez.

E desde então  criou -se dentro do senso de seus amigos que era um clone vindo do além, ideia que foi rejeitada depois que pensaram  duas vezes. Não fazia sentido acreditar nisso. Alimentar pseudociência não  era o caminho que eles deveriam caminhar.

E foi assim que o pobre pássaro não  adaptado a liberdade ou não  sabendo diferenciar o que era liberdade de fato, sucumbiu como vítima e  um lunático. Porque nem toda liberdade do mundo pode comprar a sensação de liberdade entre grades que criamos  dentro de nós. 

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