A Extinção de Y

Certos tipos de bacilos, quando as condições se tornavam desfavoráveis para a sua existência, eram capazes de criar, eles mesmos, corpos chamados de esporos.  O que eles faziam eram condensar seus conteúdos celulares em um corpo oval com uma parede fina. Esse corpo quando era contemplado, separava-se dos bacilos, se tornando um esporo livre, muitíssimo resistente a mudanças físicas e químicas.  Depois, quando as condições eram mais favoráveis para a sobrevivência, os esporos germinavam novamente, trazendo de volta todas as características do bacilo original. É assim que tudo virou um caos que no ano de 2052, onde os homens estão morrendo por culpa desse bacilo que por alguma razão do destino, assolou apenas os "Y" da nossa genética. Trazendo uma disfunção organizacional e comportamental de uma série de etnias que aprenderam a idolatrar o órgão genital masculino.

O mundo estava caótico, mulheres chorando por seus filhos e maridos que haviam sido afetados por esses germes, que viam no sangue desses homens uma forma sutil de demonstração de poder. O mundo estava sem alegria. Nunca fez tanto sentido aquele pensamento bíblico de que homens e mulheres tem o propósito da parceria mútua, por mais relutante que uma mulher fosse a ter relacionamentos sexuais com um homem, ela tinha um pai, irmãos e amigos. E ter todo esse conjunto de pessoas indo embora era derradeiro demais.

Os cientistas estavam tentando entender o processo de tudo que estava destruindo os homens. Mas apenas o vazio e uma linha de notícias tão sem esperança, assolava a cada um. Menos ao nosso personagem que de fato vos conta essa história. Eu, Ian Anderson, consegui de alguma forma vencer isso e vou lhes contar tudo que passei para estar aqui.  O mundo acabou entendo a necessidade de uma parceria para vencer um caos, quando de fato um se instaurou sobre nós.

Tenho a leve sensação de que os homens, e quando digo homens, inclui as mulheres também, são seres que precisavam desse choque, de entender a palavra extinção, vivendo ela de uma forma diferente da que eles estavam acostumados a ver. Do lado do ser a ser extinto, toda a força de um bípede, sendo colocada em jogo por um ser sem uma estrutura tão bem construída quanto a nossa. Em 2052 o ser humano chegou ao grau maior da arrogância. Os livros estavam sendo queimados aos montes porque uma ideia maluca passou na mente de um governo corrupto e doloso, livros abrem as visões das pessoas, e quanto mais pessoas leem, pior será para eles escravizarem as mentes enquanto elas estiverem ocupadas por Dostoiévski, Kafka e Hugo. Então manter as pessoas vazias era o plano fundamental desse governo, que teve a infelicidade de ter sido instaurado em um momento tão diferente em que a humanidade estava exposta.

A ideia de governo mundial era idolatrada por fanáticos genocidas em 2021, mas de fato isso foi o que nos fez tão distantes. A forma como o Estado manipulou os seus fiéis arruaceiros e escravizou a mente do povo mais pobre trouxe para nós o pesar de estarmos diante do momento mais crucial de nossa existência. O medo de não existirmos mais.

Eu realmente nunca fui o mais amigável, nas manhãs de domingo não ia as missas nem as escolas dominicais, simplesmente pegava o que sobrou dos livros escondido na biblioteca de Villlage, e minha mente estava envolta de toda a maravilha que estava escrita nas páginas. O medo começou quando em uma das manhãs de domingo eu descobri que o padre Pascoal, havia se transformado em um monstro; semelhante a uma mosca gigante.

Uma coisa horrorosa que as pessoas não sabiam definir e eu definia como algo Lovecraftiano. Eu realmente estava assustado, porque como amante de ficção e cientista, não conseguia conceber a ideia de que alguém literalmente se tornou uma mosca. Era desestimulante demais, em pleno tempo de aflição alguém virar um ser que ficava em meio ao resto do que sobrava dos seres que defecavam no chão, era no mínimo perturbador. Mas acredito que tudo teve um motivo. Após ver aquele senhor ter se transformado, uma série de fiéis e todos os homens, acabaram passando pela mesma metamorfose, e começou a ser implantada por meio da televisão e dos jornais digitais, que os homens estavam entrando em extinção. O que de fato era intimidador por eu ser homem.
O medo estava gritando aos quatro cantos. Na Antiga Alemanha, jogadores de futebol foram infectados em um voo e o avião caiu abandonando os restos do que eram as moscas que antes por sua vez, eram aqueles jogadores.

Na antiga Polinésia, os pescadores estavam morrendo aos montes. Deixando barcos vazios e barrigas vazias também. A economia estava despencando. Na Espanha o professor Fernando Marques estava palestrante sobre astronomia quando um de seus alunos explodiu após a ocorrência de mais uma infecção. O mundo estava em apuros e foi aí que eu entrei.
Eu precisava anular a força do vírus de alguma forma, era como se o cromossomo Y fosse uma espécie de catalizador e eu não sabia a causa, parecia ser algo crucial em nossa extinção, e o mais assustador que este pequeno ser unicelular apareceu sem avisar, simplesmente destruindo vidas e sonhos, eu respeito a força do habito de quem associa tudo há um deus, mas não é porque um jardim é bonito que vão ter fadas nele, pelo menos era o que o Douglas Adams falava e eu como fã que sou sempre irei ter a mesma concepção. Eu lembrei de duas moças com um aspecto meio ríspido conversando sobre isso, elas olharam para mim com aflição, deviam ter perdido muitas pessoas importantes, igual eu vi, e aos poucos eu estava me tornando algo raro, a forma como as pessoas reagiam ao me verem caminhando com lenços no rosto. Claudia, era uma jornalista muito admirada e por um declínio, de ter perdido os seus dois filhos, seu esposo e seu pai, ela começou a se tornar uma louca, que gritava aos quatro cantos que era tudo obra dos ETs, que eles sabiam como nos deixar fracos e o jeito mais doloroso de se matar algo é mostrando primeiramente que esse ser não é nada, a forma de simplesmente reduzir a arrogância humana em realidade mórbida.

Porem eu ainda não trabalhava essa teoria, até que, ao longe, em uma manhã comum, eu estava estudando biologia, tomando meu café e comendo batata, quando eu escutei um som forte, de explodir os tímpanos, todas as mulheres que cercavam o lugar saíram para ver o que estava acontecendo, e lá estava uma nave gigantesca com ornamentos jamais conhecidos em nossa arte, arquitetura e engenharia, era algo que convenceria Moebius de sua criatividade, eu estava repleto de desprezo pelo momento em que estávamos presos, mas aquilo era demais para mim, uma nave gigantesca que emiti um som assustador e que avisa de sua chegada como um anunciante de um rei que esta vindo sobrepor as terras que serão colonizadas, foi ai que eu lamentei profundamente, era exatamente isso, o ser humano que se intitulava como único  no universo, o desbravador dos mares, a grande estrela da audácia e astucia; estava perto de se tornar mais um e que suas fortes tendencias a colonizar planetas se virou contra si.

Foi quando um som rompeu o silêncio que se fez após o anúncio de sua chegada, e um ser enorme acenou para todos e uma voz ecoou por todos os cantos do planeta, em nosso idioma, eles estavam por ali há muito tempo, mas ninguém percebeu, ou não quiser perceber.
- Jovens seres da Terra, nossa missão era uma, conviver com vocês em harmonia e amor, porem ao analisarmos suas condutas, ideias e a forma como vocês levam a vossa vida, decidimos que, para a saúde do planeta e dos outros habitantes além de vocês , a sua espécie deveria ser extinta, mas com a mesma crueldade que vocês flagelam seres que nada tem a ver com as suas curas para doenças, ou na higiene e ate em casacos, a forma ríspida que vocês usam e abusam de outros seres nos deixaram convictos que mais letal do que qualquer vírus ou praga é o ser humano. Que sujam os mares, que poluem o ar e que pior, que destroem o seu semelhante por nada, então por que deveríamos nos tornar amigos? Por que temos que ser cortes com vocês que não conseguem serem civilizados com pessoas com o tom de pele diferente? A melanina é tão importante assim?

Baseado em tudo que coletamos de sua espécie nos últimos 50 anos, entendemos que precisamos limpar este planeta e assim o faremos, espero que vocês entendam, mas isso se tornou estritamente pessoal.

E foi assim que após lançarem conteúdo totalmente toxico em todas as regiões do planeta, algo eu parecia ser feito apenas para a morte dos humanos, que senti um braço gigante me pegando e me levando para algum lugar; era um deles, pelo menos eu sentia que era e a confirmação veio logo em seguida. Eu estava entrando em uma nave, e ao ver que um deles estendia o braço para que eu me sentasse e assistisse ao caos de pessoas sendo destruídas por aquele componente.

Os seres de outro planeta não estavam felizes, eles tinham muita semelhança com humano, porém seus braços eram um poco mais longos, e os olhos eram bem grandes, mas eles não tinham a aparência  que os filmes diziam que tivessem, pelo menos aqueles não. Foi quando perguntei do porquê eles terem me salvado, e eu recebi uma reposta bem desgostosa:
- Porque gostamos de você e precisamos de seu conhecimento para planos vindouros meu caro, Ian Anderson. – A voz aguda daquele ser me fez arrepiar a espinha. Mas entendi que nada mais eu seria do que um objeto de pesquisa, e por que raios eu tenho que estar certo?
Torço para que essas palavras alcancem algum humano perdido no meio dessas rochas, o planeta Terra vive sem os humanos, mas eu não, sinto falta de alguns em específico.
Como Neil deGrasse Tyson diz; “um extraterrestre pode se surpreender ao saber que os humanos têm múltiplas línguas e culturas e querem matar uns aos outros por causa disso”. E sabe, nós mesmo fomos a nossa fraqueza.
Espero de verdade que alguém leia isso e que esse alguém esteja bem.

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