Capítulo 49 | Acabou
O prédio abandonado, com suas paredes descascadas e janelas quebradas, parecia carregar os fantasmas de um passado sombrio. Ali, no local onde Desmond Styles selara muitos de seus acordos mais infames, o destino de sua família estava prestes a ser decidido.
Os sons do confronto ecoavam pelos corredores sombrios. Khalid e os homens de Harry trocavam tiros com a gangue de Jason em uma luta caótica e brutal. O cheiro de pólvora e o som de estilhaços completavam a atmosfera de guerra.
Mas a maior guerra se iniciaria ali, no quarto 28, terceira porta da direita, onde Harry entrou ao perseguir Cora.
O espaço era pequeno, cheio de restos de móveis antigos e caixas empilhadas. Cora estava parada no centro, o cabelo ruivo emaranhado e os olhos brilhando de ódio e algo que parecia... Diversão.
— Sempre soube que você viria atrás de mim, Vita Mia.– ela disse, com um sorriso venenoso.
Harry apontou a arma para ela, as mãos firmes, mas o coração apertado.
— Isso vai acabar aqui, Cora.
A mulher deu um passo à frente, o sorriso se ampliando.
— Acha que pode me matar, Harry? Depois de tudo que passamos? Mataria sua própria irmã?– a ruiva murmurou, a voz carregada de ironia.
Harry hesitou por um segundo, o suficiente para Cora continuar.
— Pense em tudo o que sofri, abandonada, sozinha. Tudo porque papai queria proteger o "herdeiro perfeito". E agora aqui está você, apontando uma arma para mim. Você é exatamente como ele.
O cacheado sentiu a raiva crescer dentro de si, queimando como um fogo incontrolável.
— Não use isso para justificar o que você fez!– ele disse, a voz baixa, mas firme.— Você escolheu esse caminho, Cora. Você escolheu machucar as pessoas que eu amo!
Cora deu uma risada amarga.
— Você não entende nada, não é? Tudo o que eu fiz foi por causa dele. Ele nos destruiu, Harry. Ele me destruiu!
Enquanto Harry processava suas palavras, o som de passos rápidos no corredor o fez se virar por um instante. Jason estava correndo para o outro lado.
Quando já virava a cabeça para voltar a encarar a ruiva, sentiu seu sangue gelar. Louis.
Mas que grávida trambiqueira!
Louis, desobedecendo as ordens de Harry, havia saído do carro, 15 segundos depois do marido. Liam ainda tentou o segurar ali, mas Louis sempre foi impossível de lidar.
E claro, o menor obviamente precisou murmurar que se aquele cabeça de pica, ou seja Liam, não abrisse as portas do carro, ficaria sem as bolas.
Palavras de Louis.
Liam deu sua arma reserva para Louis e ambos entraram juntos no prédio. Quando chegaram no andar que se ouviam tiros, o barulho foi a menor distração. Uma outra coisa que desviou a atenção dos olhos azuis.
Jason como homem banana que era, fugindo por um corredor lateral. Ele estava armado, mas parecia realmente focado em sair do prédio.
Louis sorriu. Estava se sentindo num daqueles filmes de perseguição policial. Chegou até a sentir o seu bebê chutar, era tão excitante que pensou que ia parir.
Enquanto Liam seguiu por outra direção, Louis determinado, foi na direção de Jason.
O homem percebendo uma aproximação, virou-se abruptamente, apontando sua arma.
Mas que inferno de vida... Eu sei querido leitor, Louis só se ferra. E sim, vai continuar sendo assim, vocês amando ou não ;)
— Não se aproxime.– Jason rosnou.
É claro que Louis se assustou na hora e arma caiu das suas mãos.
Mas caiu disparando, porque meu barrigudinho sempre se mete em caos, mas tem o talento único de sair como se fosse tudo parte do plano!
O disparo atingiu a coxa de Jason, fazendo-o gritar de dor e cambalear, mas, mesmo assim, ele não soltou Louis.
— Filha de uma puta! — Jason rosnou.
Louis logo percebeu que sua arma estava longe e Jason continuou armado, mesmo distraído. Se inclinou da forma que pôde para pegar no chão, mas não deu tempo.
Jason o surpreendeu, agarrando-o como um escudo.
Louis sentiu o cano frio da arma pressionado contra sua têmpora, mas manteve a calma, mesmo com o coração acelerado. Ele sabia que não podia demonstrar medo.
— Você não vai sair daqui vivo, Jason.– o garoto disse, a voz surpreendentemente firme.
Jason riu, mas o som era vazio, carregado de desespero.
— Isso não é sobre mim. É sobre ela.– ele respondeu, os olhos cheios de devoção enquanto pensava em Cora. Sabia que ela já deveria estar longe, pois combinaram de fugir por saídas opostas.— Eu faria qualquer coisa por ela!
Louis revirou os olhos, mesmo sendo mantido sob a mira da arma.
— Grande ideia. Adorar uma mulher que provavelmente vai dançar sobre o seu túmulo.– murmurou com ironia.
Jason ignorou o comentário, arrastando Louis consigo pelo corredor estreito, o som dos passos pesados ecoando entre as paredes. O mesmo corredor do quarto 28.
O sangue escorria da perna dele, deixando um rastro vermelho no chão, mas sua determinação em fugir e se encontrar com Cora parecia inabalável.
Mas claro que não demorou a encontrar. Essa lei da atração sapeca...
No final do corredor, Harry apareceu, segurando Cora por trás, o braço firme ao redor dela enquanto a mantinha sob controle. O maior, ainda com Cora sob sua mira, havia ouvido a voz de Jason do quarto e soube que precisava agir, afinal, Louis estava com ele.
Quando seus olhos encontraram os de Louis, algo brilhou em sua expressão — choque e raiva misturados a um desespero crescente.
— Mas mulher, eu não disse para ficar na porra do carro?– Harry murmurou, exasperado, mesmo na tensão da situação.
— E eu disse que não sou de vidro.– Louis retrucou, o tom tão ácido quanto podia ser naquela circunstância.
Harry quase revirou os olhos, mas sabia que não havia tempo para isso. Ele precisava pensar rápido e salvar Louis.
— Solte ela, Jason!– Harry ordenou, apertando ainda mais o aperto em Cora.
— Solte Cora primeiro!– Jason rebateu, a voz carregada de ódio, enquanto sua mão tremia levemente ao segurar a arma.
O corredor ficou em um silêncio mortal, exceto pelos sons abafados do tiroteio ao longo daquele andar. Harry percebeu o sangue escorrendo pela coxa de Jason, seu rosto ficando mais pálido a cada segundo.
— Jason, olha para você.– Harry começou, tentando parecer calmo.— Você está sangrando. Está cercado. E essa mulher que você diz amar? Ela só está te usando, exatamente como usou todos os outros. Exatamente como me usou.
Jason hesitou, seu olhar indo brevemente para Cora.
— Não escute ele, Jason!– Cora gritou, mas Harry apertou sua mão em torno do rosto dela, calando-a.
— Ela está mentindo. Sempre esteve.– Harry continuou, ignorando o protesto de Cora.— Pense, Jason. Por que ela nunca fez nada por você? Por que sempre manda você arriscar a vida por ela enquanto ela fica segura nas sombras?
O homem começou a chorar, os ombros tremendo enquanto o ódio e a dor tomavam conta de sua expressão.
— Você não entende!– ele gritou, com sua voz embargada.— Eu a amo!
— Amor não é isso, Jason. Amor é sobre proteger, não manipular.– Harry respondeu, tentando ganhar tempo.
Ao mesmo tempo, ele olhou discretamente para Louis, sinalizando com os olhos para que ele agisse.
Louis percebeu.
O braço de Jason estava tremendo mais, e ele usou a oportunidade para agir. Com um movimento rápido, ele se soltou o suficiente para pegar a arma que estava no chão.
— Peguei!– Louis exclamou, segurando a arma com as duas mãos, com um sorriso de triunfo no rosto.
Jason congelou por um momento, mas antes que ele pudesse reagir, Harry atirou.
O disparo ecoou no corredor, e Jason caiu de joelhos antes de tombar no chão, imóvel.
Louis olhou para o corpo por um momento antes de virar-se para Cora, que agora tremia nos braços de Harry.
O menor engatilhou a arma, apontando para ela com um olhar sério.
— Olha... Eu não quero que você volte e puxe meu pé no meio da noite, beleza?– Louis disse, um tom frio brincando em seus lábios enquanto apontava a arma para Cora.— Sem mais fantasmas.
Cora piscou lentamente, com um esforço, virou-se para Harry, os lábios tremendo como se tentasse falar, mas nenhuma palavra saía. Depois de alguns segundos, finalmente conseguiu.
— Você... Nunca entendeu. Nunca foi sobre você, Harry.
Harry franziu a testa, a arma ainda firme em sua mão.
— Cora, você escolheu esse caminho. Escolheu a destruição.
Ela soltou um riso curto e doloroso, que rapidamente se transformou em um suspiro trêmulo.
— Desmond...-– ela parou, engasgando com as próprias palavras.— Ele me abandonou. Sempre fui... Apenas a sombra, a vergonha que precisava ser esquecida.
Harry sentiu uma pontada de desconforto ao ouvir o nome de seu pai.
— Tudo o que eu queria...– continuou, a voz quase inaudível.— Era ser vista, ser alguém. Mas vocês sempre tiveram tudo...
Louis, ainda de pé ao lado de Harry, observava a cena com um misto de raiva e pena.
Era tarde demais. Não havia paz a ser encontrada, apenas o vazio que ela mesma criara.
Harry a observava, sua expressão carregada de emoções conflitantes — compaixão, pesar e uma leve raiva silenciosa.
— Sinto muito...– ele disse, sua voz baixa, mas cheia de peso.— Nosso pai disse que sentia muito.– ele pausou, inclinando-se levemente para encontrar os olhos dela.— E eu também sinto.
Por um breve momento, o silêncio tomou conta do corredor, quebrado apenas pela respiração pesada de Cora e o barulho ao fundo de tiros sendo trocados.
Louis permaneceu imóvel, seus olhos alternando entre Cora e Harry.
Ele viu algo mudar no rosto do marido — uma aceitação sombria, uma despedida silenciosa. Harry fez um leve movimento com a cabeça, como se estivesse dando permissão.
E então aconteceu.
O disparo ecoou pelo corredor, ensurdecedor em sua intensidade. Louis não hesitou, e sua precisão era impressionante. O corpo de Cora desabou no chão com um som seco, sua cabeça tombando para o lado enquanto a vida deixava seu corpo.
O silêncio que se seguiu foi avassalador.
Louis abaixou a arma devagar, respirando fundo enquanto seus olhos permaneciam fixos no corpo caído de Cora. Ele então virou-se para Harry, esperando uma reação.
Harry continuava parado, imóvel, os olhos fixos na esposa. Não havia raiva em seu olhar, nem choque — apenas uma tranquilidade inquietante que parecia encher o corredor.
Ele finalmente deu alguns passos à frente, parando ao lado de Louis. Olhou para Cora uma última vez, e sua expressão suavizou, como se estivesse se despedindo de algo que nunca teve chance de ter.
— Acho que agora acabou de verdade.– murmurou, a voz rouca.
Louis soltou um suspiro trêmulo, tentando aliviar a tensão que ainda pairava sobre eles. Ele olhou para o marido, com um sorriso cansado e uma pitada de humor.
— Bom, se ela puxar meu pé agora, vai ser por pura sacanagem.
Harry deixou escapar um riso seco e balançou a cabeça. Ele colocou a mão nas costas de Louis, puxando-o para perto em um gesto de proteção e alívio.
— Você é algo, Louis... Algo que eu nunca vou conseguir entender, mas sempre vou amar.
Enquanto os dois permaneciam ali, Liam surgiu correndo pelo corredor, alarmado e ofegante.
— Temos que sair daqui agora!– ele exclamou, os olhos varrendo o cenário antes de pousar em Cora. Ele não parecia surpreso, apenas mais determinado.
Harry assentiu rapidamente e segurou a mão de Louis, guiando-o pelo corredor. Enquanto saíam, ele lançou um último olhar para o corpo de Cora, murmurando quase inaudível.
— Que você encontre a paz que nunca conseguiu ter.
Eles desapareceram pelo corredor, deixando para trás o caos e os fantasmas que finalmente haviam silenciado.
Louis também olhou para trás por um momento, vendo o corpo de Cora agora já sem vida no chão. Um arrepio percorreu sua espinha, mas ele voltou a atenção para Harry, apertando a mão dele.
— Harry...
— Estou aqui.– Harry respondeu rapidamente, olhando para ele com determinação.— Não vou soltar você, Louis. Eu prometo.
E assim, eles correram juntos, deixando o caos para trás enquanto Liam liderava o caminho para a saída.
O pesadelo finalmente tinha acabado.
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