Capítulo 46 | Armazém
[...]
O galpão estava escuro, a única luz vinha do abajur sobre a mesa de Harry, refletindo no mapa espalhado à sua frente.
As mãos grandes do cacheado tremiam ligeiramente enquanto ele analisava cada detalhe dos papéis, relatórios e rastros deixados por Jason e Cora.
As informações eram escassas, mas uma pista específica chamou sua atenção. Um armazém abandonado em um distrito industrial que havia sido propriedade de uma das antigas empresas de Desmond.
Khalid entrou sem bater, a expressão tensa.
— Encontramos o que você pediu. As movimentações foram confirmadas no armazém. Parece que eles têm algo grande planejado...
Harry se levantou, os olhos brilhando com uma raiva contida. Ele pegou sua arma e a ajustou na cintura.
— Vamos acabar com isso agora. Reúna os homens. Quero todos os acessos bloqueados, e ninguém sai de lá vivo sem minha permissão.
Khalid assentiu, mas parou na porta.
— Harry, tem certeza de que está pensando com clareza? Não podemos agir impulsivamente.
Harry o encarou com uma intensidade assustadora.
— Eles estão com Louis. Clareza é tudo o que me resta.
Logo em seguida tudo já estava decidido, Zayn ficaria com as mulheres no casarão para protegê-las. Já Liam, daria cobertura na esquina do armazém se necessário enquanto Khalid e Harry entrariam com seus homens na linha de frente.
Antes de pegarem a estrada, os homens foram posicionados rapidamente. Khalid trouxe cinco veículos, cada um carregando homens leais.
Harry liderava o comboio, o olhar fixo na estrada. O maior não conseguia afastar seus pensamentos. Ele pensava em Louis, imaginava seu rosto, o sorriso que o fazia esquecer o caos ao redor, e sentia seu peito apertar.
Quando chegaram ao armazém, tudo parecia quieto demais. Harry saiu do carro, ajustou a arma e deu o primeiro comando.
— Dois grupos na entrada principal, um na saída de trás. Ninguém age sem minha ordem.
Khalid se posicionou ao lado dele.
— Isso vai ser rápido.
Harry não respondeu. Ele sabia que nada relacionado a Jason seria fácil. E por deus, sua esposa precisava estar ali.
Em contrapartida, Louis preso naquela espécie de quarto abandonado, não conseguia pregar os olhos. Sentia seu coração apertar só de imaginar na possibilidade de Harry não o encontrar.
Permanecia ali amarrado a uma cama no centro de uma sala fria e mal iluminada. De repente a porta se abriu e, Jason entrou. Sentou-se em uma cadeira próxima a ele com um sorriso irônico.
— Ah... Senti tantas saudades.– a ruiva murmurou assim que entrou no quarto com uma risada amarga, mas dessa vez havia trago algo além da felicidade dos planos estarem saindo como o planejado. Havia trago uma faca.
Cora mexia a faca, brincando com o objeto quase como se fosse um brinquedo. Em seguida aproximou-se com um sorriso venenoso.
— Não se preocupe, prometo que isso será rápido.
Louis respirou fundo, lutando contra o medo que ameaçava dominá-lo. Ele sabia que precisava ganhar tempo. Fechou os olhos por um segundo e pensou rápido.
Sua mente retornou até o quarto da sogra, naquela noite caótica que ele viu a Harry pela última vez.
Anne o contou toda a verdade sobre Cora e Desmond. Claro... A verdade.
Abriu os olhos quando sentiu a ponta da faca apoiada em sua barriga próxima ao seu umbigo. Olhou diretamente para Cora, com a expressão mais dura que conseguiu.
— Sabe, é engraçado. Anne me contou sobre você.– começou, a voz carregada de sarcasmo. — A irmã perdida de Harry. A filha de Desmond, abandonada como nada... Como chamam mesmo? Ah é... Uma bastarda.
O sorriso de Cora desapareceu imediatamente.
Jason franziu a testa, olhando para ela com curiosidade. Sabia que Cora era filha do seu rival, sabia da revolta, mas não sabia que a esposa de Harry também possuía conhecimento sobre aquilo. Cora tinha dito que nem mesmo Harry sabia.
E bem, não era o momento para que Cora se desestabilizasse. O plano era arriscado e necessitava de atenção, já haviam passado ponto por ponto mais de uma vez.
A armadilha era simples e brutal, mas cuidadosamente calculada. Cora e Jason atrairiam Harry e seus homens até um armazém abandonado. Ali, um tiroteio intenso se desenrolaria. Harry, determinado e impetuoso como sempre, avançaria com sua equipe, acreditando que estava próximo de resgatar Louis.
Quando finalmente Harry conseguisse atravessar a confusão e derrubasse a porta que levava ao quarto onde Louis estava, o desfecho seria devastador. Cora, apontaria sua arma diretamente para Louis, sem hesitar. O som do tiro ressoaria como uma sentença de dor irreparável, fazendo o tempo parecer congelar.
Harry mal teria tempo de processar a cena antes de Jason surgir das sombras, implacável. Enquanto o caos ainda ecoaria ao redor, Cora e Jason escapariam sem pressa. O plano tinha sido absurdamente impecável.
Por isso, a ruiva precisava se manter sã. Cada detalhe, cada passo, exigia frieza.
— Não se atreva...– Cora começou, mas Louis a interrompeu, o tom mais provocativo.
— O que foi? A verdade dói? Sabe, faz sentido agora. Todo esse ódio, essa obsessão. Não é sobre Harry, é sobre o pai de vocês. Você não consegue lidar com o fato de que ele me acolheu, mas te abandonou como uma peça quebrada.
Jason deu um passo à frente, intrigado com o rumo da conversa.
— Espera aí... O que ele está dizendo, Cora?
— Cala a boca, Jason!– Cora disparou, girando nos calcanhares para encarar Louis, o olhar cheio de fúria. — Você não sabe de nada!
Louis soltou uma risada amarga.
— Sei o suficiente. Sei que você nunca vai ter o que quer. Porque, no fundo, sabe que nunca será capaz de derrotar Harry. Ele é tudo o que você nunca foi. Amado, desejado e planejado.
A mão de Cora tremeu ao segurar a faca. Jason colocou uma mão no ombro dela, tentando acalmá-la e a puxou para longe de Louis.
— Não perca o controle agora.– Jason sussurrou.
— Ela está tentando manipular você. Não podemos nos livrar dela, sabe que precisamos esperar ele chegar... Vai valer a pena.
— Manipular?– Louis riu, apesar do medo.— Acho que ela já está quebrada demais para isso.
Cora avançou, a faca em punho, mas Jason a segurou mais uma vez.
— Não aqui. Não agora.– Jason murmurou, a expressão endurecida.— Se Harry está vindo, precisamos estar prontos.
Louis manteve o olhar firme, mas por dentro, rezava para que Harry chegasse a tempo. Ele sabia que tinha cutucado feridas profundas, mas era tudo o que podia fazer para desestabilizar Cora e ganhar tempo.
Louis só não sabia, que seu marido do lado de fora, com seus homens se posicionava pronto para invadir o armazém.
Harry não sabia o que encontraria lá dentro, mas uma coisa era certa. Estava disposto a fazer qualquer coisa para salvar Louis.
Olhou uma última vez para Liam que ficaria com alguns homens do lado de fora, e enfim entrou no armazém como uma tempestade, os passos ecoando pelo chão de concreto.
Seus homens consigo, avançavam silenciosamente pelos corredores enquanto ele liderava, o dedo pronto no gatilho. Khalid vinha logo atrás, a expressão séria e o olhar atento a cada movimento.
As luzes eram fracas, o ar carregado com o cheiro de ferrugem e óleo queimado. Ecos distantes de vozes alertaram Harry de que havia movimentação no andar superior. Ele ergueu a mão, indicando para os homens que se espalhassem.
— Jason e Cora estão aqui.– murmurou para Khalid.
— Certifique-se de que não escapem.
Khalid assentiu, sinalizando para dois homens bloquearem as saídas.
Tudo estava acontecendo extremamente rápido e Jason estava sendo alertado de todos os passos e posições de Harry no armazém pelas diversas câmeras instaladas recentemente. Era definitivamente uma bela armadilha e ninguém sairia vivo dali.
Cora logo percebeu a movimentação antes mesmo de ouvirem os passos. O som das botas ecoando pelo corredor indicava que não tinham muito tempo.
Algo havia saído do planejado. Khalid.
Jason caminhou até a janela estreita, a expressão frustrada. Os homens que estavam com o pai de Magnólia cercaram exatamente o quarto em que estavam.
— Eles já cercaram o lugar.– Jason rosnou, fechando os punhos.— Precisamos sair agora.
Harry não chegaria a tempo, precisavam se livrar logo de Louis e fugir.
— Eu não vou embora sem destruir tudo o que ele tem. Preciso que ele assista, Jason! Preciso disso!– Cora respondeu, com os olhos brilhando de fúria.
Jason pegou a arma do bolso, carregando-a com rapidez.
— Se ficarmos, vamos morrer. E eu não vim até aqui para sermos enterrados, mulher!
Cora hesitou, olhando para Louis, que ainda estava amarrado na cama, agora com um corte na lateral da testa. Durante as provocações ela não tinha conseguido se segurar.
Mas Louis estava ali, em alerta enquanto os encarava com uma mistura de desafio e medo. Haviam posto um lenço em sua boca.
Ainda tomado pela urgência, Jason agarrou o braço de Cora, puxando-a para a port da saída secreta. O barulho dos tiros sendo trocados estava se aproximando mais a cada segundo.
— Ela não vale o seu tempo agora. Vivemos hoje e mos vingamos amanhã.– disse.— Vamos.
Na mesma hora, Harry ouviu as vozes no corredor do armazém e não hesitou. Deu um chute na porta, que se abriu com um estrondo, revelando Cora e Jason prestes a sair.
A visão de Louis ensanguentado e amarrado fez seu sangue ferver.
— Fiquem onde estão!– gritou, apontando a arma para Jason.
Jason foi o primeiro a reagir, sacando sua arma e disparando um tiro que passou de raspão por Harry. O barulho ensurdecedor ecoou pela sala, e tudo se tornou caos.
Cora correu para trás de uma mesa enquanto Jason avançava, usando as colunas como cobertura. Khalid e os homens de Harry entraram logo depois, o som de tiros preenchendo o espaço.
Harry se moveu com precisão letal, derrubando dois dos capangas de Jason que surgiram na entrada. Ele estava focado, mas seu coração disparava ao olhar para Louis, ainda preso na cama.
— Khalid, cubra-me!– ordenou, avançando em direção a esposa.
Khalid trocou tiros com Jason, que agora estava quase sem munição.
— Está ficando sem balas, Jason!– Khalid provocou, a voz firme.— Melhor se render agora.
Jason soltou uma risada sombria, recarregando rapidamente.
— Prefiro morrer a me render para vocês.
Cora aproveitou a distração para escapar pela porta lateral, mas antes lançou um último olhar para Harry.
— Isso está longe de acabar.– disse, com um sorriso venenoso antes de desaparecer na escuridão.
Harry sentiu sei corpo se arrepiar, mas naquele momento precisava salvar sua esposa.
Ainda na troca de tiros, Jason enfim percebeu que estava em desvantagem. Atirou em um dos refletores, mergulhando a sala na penumbra, e correu em direção à saída secreta. Harry tentou alcançá-lo, mas o homem já estava fora do alcance.
Khalid xingou baixinho, abaixando a arma enquanto os tiros cessavam.
— Ele escapou.– resmungou.
Harry não respondeu. Ele correu até Louis, que estava visivelmente abalada, mas consciente. Cortou as cordas com rapidez, segurando o rosto da esposa com as duas mãos.
— Você está bem?– perguntou, a voz carregada de preocupação.
Louis assentiu, mas estava tremendo.
— Eu sabia que você viria.– murmurou, o tom fraco.
Harry a pegou em seus braços, segurando-a com cuidado.
— Vamos sair daqui.– disse, apertando Louis contra si enquanto a guiava para fora da sala.
O cacheado sentia um imensa mistura de sentimentos, alívio, ódio, era tudo misturado e intenso.
Cora e Jason escaparam. E escaparam por caminhos diferentes, mas ambos sabiam que haviam ganhado tempo.
Harry olhou para o armazém enquanto os homens vasculhavam os últimos cantos.
— Khalid.– chamou, a voz fria.
— Sim?
— Quero cada entrada, cada saída monitorada. Se eles pensarem em voltar, quero saber antes que respirem.
Khalid assentiu.
— E Louis?
Harry olhou para a esposa em seus braços, em seguida a entregou para um de seus homens que enfim, já estava a levando para o carro.
— Ela é minha prioridade. E eles vão pagar por cada gota de sangue derramada.
Enquanto Harry deixava o armazém, seu rosto estava uma máscara de determinação.
Cora e Jason podiam ter escapado, mas ele não descansaria até encontrá-los novamente.
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