Capítulo 38 | Jason
1 mês depois
Louis estava estirado no sofá da sala, tentando se convencer de que a dor em suas costas fazia parte do "pacote completo" da gravidez.
Com agora 7 meses de gestação, as coisas estavam um pouquinho mais complicadas, o garoto já nem mesmo conseguia ver os próprios pés. A única vantagem era que fazia o marido fazer tudo para ele, e os banhos eram simplesmente maravilhosos com sua companhia.
Com uma mão descansando na barriga protuberante, ele ouviu o som do vento batendo nas janelas e se perguntava por que o casarão estava tão silencioso naquele dia.
Harry havia saído cedo pela manhã, alegando resolver "coisas do trabalho", e não dava sinal de que voltaria tão cedo. Trisha e Anne pareciam ter sumido pela varanda, as duas adoravam tomar chá e fofocar.
Magnólia e Zayn viviam trancados no quarto durante o dia, já que não conseguiam fazer muita coisa a noite pois Lia tinha os pulmões fortes demais para uma recém nascida.
Isso o deixava sozinho.
O garoto estava quase cochilando quando um barulho do lado de fora chamou sua atenção. Eram vozes... E risadas? Sentou-se com dificuldade, franzindo o cenho, e caminhou até a janela.
Viu Harry ao longe, acompanhado de algumas figuras familiares. Não reconheceu de imediato quem eram, mas pela forma como Magnólia deu um grito do topo da escada, ele logo soube.
— Papai! Mamãe!– Magnólia quase tropeçou nos próprios pés enquanto corria para a porta, os braços abertos.
Louis observou a cena com um sorriso curioso, encostando-se no batente da porta para assistir à confusão que se desenrolava. Realmente casar e se mudar da casa dos pais deixava um vazio absurdo, e Louis sabia que desde o casamento de Magnólia a loura não havia ido visitar seus pais. Havia ido visitar seu pai fazia poucos dias, claro que com a "escolta" carinhosa de Harry.
Louis nem percebeu, mas só estava saindo de casa ao lado de Harry.
Os pais de Magnólia entraram na casa com sorrisos calorosos, abraçando a filha e comentando como ela estava linda mesmo estando claramente mais inchada pela gravidez recente.
— O que vocês estão fazendo aqui?– Magnólia perguntou, os olhos brilhando.
— Foi ideia do chefe, querida!– respondeu o pai dela, com um tom de aprovação.
Magnólia se virou para Zayn, que havia acabado de descer as escadas, e lançou-lhe um olhar cheio de expectativa.
— Você planejou isso, não foi? É por isso que estava agindo estranho nos últimos dias?
Zayn ficou claramente desconcertado, levantando as mãos em um gesto de inocência.
— Eu...
Harry, que assistia à cena em silêncio, decidiu intervir.
— Na verdade, fui eu quem sugeri. Achei que seria bom tê-los por aqui por um tempo.
O rosto de Magnolia murchou por um instante, como se estivesse desapontada, mas logo sorriu novamente.
— É claro que foi ideia de Harry. Ele é o homem perfeito, não é? Sempre pensando em tudo.– a loura murmurou para brincar com Louis de forma provocativa e recebeu uma risadinha irônica em troca.
Louis, que continuava observando a cena, estreitou os olhos para o marido. Harry parecia desconfortável, como se carregasse um peso que não queria compartilhar. Ele esfregava a nuca com frequência, um hábito que Louis conhecia muito bem.
Enquanto Magnólia conversava animadamente com os pais, Louis deu um passo à frente, cruzando os braços.
— Tudo isso é muito bonito, mas por que exatamente você achou que eles deveriam estar aqui, Harry?
Harry abriu a boca, mas foi interrompido pela mãe de Magnólia, que segurou as mãos de Louis com um sorriso gentil.
— E você deve ser Louis, de quem ouvimos tanto falar. Meu Deus, está ainda mais bonita pessoalmente. E essa barriguinha! Como está o bebê?
Louis estava prestes a esganar Harry, mas sorriu educadamente, mas o olhar ainda estava fixo em Harry.
— O bebê está ótimo. Mas ainda quero saber o motivo disso tudo.
— Louis... — Harry começou, a voz calma.— Não precisa se preocupar com nada, está bem?
Louis arqueou uma sobrancelha.
— Não é exatamente uma resposta.
Antes que ele pudesse pressionar mais, Magnólia o abraçou com animação.
— Aquiete-se, Louis! Aproveite o momento. É tão raro termos visitas tão animadas assim.
Louis não respondeu, mas algo na expressão de Harry ainda o incomodava. Mesmo enquanto todos riam e conversavam, o desconforto permanecia em seu peito.
[...]
Mais tarde, Louis sentiu aquele mesmo formigamento inquieto que o acompanhava nos últimos dias. Era como um aviso silencioso, um alerta interno que ele não conseguia ignorar.
Ele apertou os lábios, os braços cruzados sobre o peito enquanto se esforçava para não chamar Harry pelo nome ali mesmo, exigindo uma explicação. Mas qual seria o sentido? Harry era um excelente contador de histórias quando precisava esconder a verdade. Louis aprendera isso com o tempo.
Não era bobo. Conhecia o marido bem o suficiente para reconhecer os sinais de que algo estava sendo escondido. E, ainda assim, era o silêncio que doía mais do que qualquer mentira.
Após alguns segundos, Louis cedeu à própria inquietação. Esperou que o som dos passos de Harry desaparecesse. Subiu pelas escadas com cuidado, silencioso como um espião em uma missão, cada movimento calculado para não atrair atenção.
Quando chegou ao topo, viu Harry virar à esquerda, indo direto para o escritório.
O silêncio do corredor era pesado, quase sufocante. Finalmente, ele deu alguns passos à frente, aproximando-se da porta fechada, os olhos fixos na madeira escura, como se pudesse enxergar através dela. O que Harry estava escondendo?
Respirando fundo, Louis empurrou a porta com força, entrando sem aviso.
— Você vai me contar agora, ou eu vou ter que descobrir sozinha?
Harry, que estava de costas e prestes a pegar o telefone, congelou. Ele se virou lentamente, como quem foi pego em flagrante, e levantou as sobrancelhas.
— Do que você está falando, querida?
— Ah, não se faça de desentendido!– Louis cruzou os braços, a voz afiada.— Você anda estranho, saindo de casa sem explicar, cochichando ao telefone. E agora, de repente, traz os pais da Magnolia para cá como se fosse algum tipo de medida desesperada. O que está acontecendo, Harry?
Harry respirou fundo e esfregou o rosto com as mãos, tentando manter a calma.
— Louis, não é nada com o que você precise se preocupar.
A voz do homem de olhos verdes nem mesmo parecia confiável.
— Isso é exatamente o que alguém diria se estivesse me traindo!– Louis exclamou, apontando um dedo acusador.
Na cabeça de Louis só poderia ser isso. Inocente.
Harry arregalou os olhos.
— Traindo? Louis, por favor.
O garoto não se deu por vencido. Ele se aproximou da mesa e, com um movimento rápido, abriu a gaveta onde sabia que Harry guardava uma arma. Pegou-a e, para surpresa de Harry, apontou diretamente para ele.
— Mas o que?!– Harry exclamou, levantando as mãos como se fosse um refém.— Louis, você não pode estar falando sério!
É, talvez ensinar Louis como disparar uma arma não tivesse sido uma das melhores decisões de Harry. O garoto coberto naqueles hormônios doidos da gravidez era um perigo humano.
— Estou falando muito sério.– Louis falou, tentando manter o rosto firme, embora estivesse claramente se divertindo por dentro.— Diga a verdade, Styles. Está me traindo com outra pessoa?
Harry tentou conter o riso, mas falhou miseravelmente, o que só irritou Louis ainda mais. Mesmo correndo risco de morte, Louis estava adorável. Com aquela barriguinha parecia uma balãozinho ambulante.
— Você acha isso engraçado?– Louis perguntou, semicerrando os olhos.
— Um pouco.– Harry admitiu, ainda rindo. Ele deu um passo em direção ao marido, mantendo as mãos levantadas.— Louis, por favor, abaixe isso.
Harry secou os próprios olhos já parando de rir.
— Só se me disser a verdade!– Louis exigiu, apertando os lábios para não sorrir. Ele estava tentando parecer ameaçador, mas não era muito convincente com aquele barrigão e o pijama de cetim que usava.
Harry deu mais um passo à frente, aproveitando o momento de distração, e pegou a arma com facilidade. Ele verificou-a rapidamente e mostrou a Louis com um sorriso travesso.
— Está descarregada, meu amor.
Louis bufou e cruzou os braços, o rosto em um tom de vermelho que poderia ser de vergonha ou irritação.
— Isso não muda o fato de que você está escondendo algo.
Harry deixou a arma de lado e deu dois passos largos até Louis, segurando-o pela cintura e puxando-o para perto.
— Você acha mesmo que eu seria louco de te trair?– o homem questionou com muita sinceridade, a voz baixa e carregada de humor.— Você é a pessoa mais teimosa que eu conheço, Louis. E, sinceramente, a mais sexy com essa barriguinha.
Louis rolou os olhos dramaticamente, mas não conseguiu evitar o rubor que subiu por seu rosto.
— Então, por que você está tão preocupado, hein?
Harry suspirou, o humor sumindo por um instante. Ele tocou delicadamente o rosto de Louis, como quem tentava tranquilizá-lo.
— É só trabalho, amor. Nada que vá te afetar, eu prometo.
Louis o observou em silêncio por alguns segundos, sua expressão se suavizando um pouco, mas ainda carregando um toque de desconfiança.
Deveria desconfiar era muito, na verdade.
— Isso não é suficiente, Harry. Você precisa confiar em mim.
Harry passou os braços ao redor de Louis, abraçando-o com firmeza.
— Eu confio em você.– ele disse, a voz mais baixa.
— E você pode confiar em mim.
Louis suspirou, encostando a cabeça no peito de Harry. Mesmo aceitando o abraço, algo dentro dele ainda não estava completamente convencido. Ele sabia que, mais cedo ou mais tarde, teria que descobrir exatamente o que estava acontecendo.
Enquanto Louis ainda apoiava a cabeça contra o peito de Harry, o cacheado afundou os dedos nos cabelos dele, tentando transmitir alguma sensação de segurança. Mas sua mente estava longe, mergulhada em preocupações que não ousava compartilhar.
Harry olhou para a parede à sua frente, o semblante carregado. O retorno de Jason, inimigo a qual ele achava ter eliminado anos atrás era como um fantasma do passado, uma sombra que ameaçava tudo o que ele havia construído.
O nome de Jason pairava em sua mente como uma ameaça constante. O americano havia sido um problema antigo, um homem com sede de vingança e recursos quase ilimitados. Quando soube que Jason estava de volta, com novos aliados e informações sensíveis sobre seus negócios, Harry sentiu a urgência de tomar medidas extremas.
Por isso, ele havia recorrido a Khalid Al-Fayed, pai de Magnólia, chefe de uma das mais poderosas máfias árabes.
Não era uma decisão fácil, mas era necessária. Khalid tinha uma reputação impecável quando se tratava de lealdade e eficiência, e Harry sabia que precisava de aliados à altura para lidar com a ameaça que pairava sobre sua família.
Mas trazer Khalid e sua equipe significava arriscar expor Louis, Magnólia, Trisha, e até mesmo sua mãe, Anne, a uma rede ainda maior de intrigas e perigos. Era um equilíbrio delicado, e Harry sentia o peso da responsabilidade esmagando seus ombros.
Ele olhou para Louis, que agora parecia mais relaxado em seus braços, os olhos semicerrados de cansaço.
Como Harry poderia explicar isso para Louis sem destruir o pouco de paz que estavam tendo?
Harry realmente se sentia preocupado, sua garganta apertando. Ele sabia que Louis era forte, mas também sabia que sua esposa já tinha muito com o que se preocupar, especialmente com o bebê a caminho.
"É por isso que eu trouxe Khalid," pensou Harry. "Para garantir que nada, nem Jason, nem ninguém, chegue perto de você e do nosso filho."
— Harry?– a voz suave de Louis o trouxe de volta ao momento. Ele afastou-se um pouco, encarando-o com um olhar que misturava preocupação e ternura.— Você está bem?
Harry forçou um sorriso, embora seu coração ainda estivesse pesado.
— Sempre que estou com você.
Louis franziu a testa levemente, mas não insistiu. Harry sabia que isso não duraria muito. Louis era perspicaz demais para deixar essas questões passarem em branco por muito tempo.
Ele só esperava conseguir lidar com Jason antes que tudo isso chegasse à porta deles.
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