Capítulo 02 | Papai

Depois de ouvir aquela gargalhada ecoar pelo escritório, Louis entendeu na hora que ele realmente não iria rezar. E para piorar, Harry possuía aquele tipo de risada de conforto, sabe? Louis podia sentir a sinceridade como nunca antes desde que pisou os pés naquele maldito casarão. Harry estava rindo porque achou graça.

Mas bem, Louis não conseguiu rir quando enfim entendeu o que era, já que seus olhos agora estavam na altura do zíper das calças do mais velho.

— Vou te dar tudo o que quiser, mas... Só depois do nosso casamento.– murmurou com as bochechas quentes e rosadas.

Em seguida esperou pacientemente Harry parar de rir, e estremeceu quando o mesmo segurou seu maxilar levantando seus olhos azuis.

— Cadela bobinha... Acha mesmo que vou me casar sem provar?– usou o tom mais óbvio que conseguiu.— Vai pegar essa sua boca e vai... Mas que caralho, o que é Payne?

Harry questionou já raivoso por aquela interrupção nada bem vinda. Assim que olhou para o rosto do irmão, sentiu seu coração apertar, se lembrando que ainda o tinha ali. A mão de Harry afrouxou dos cabelos do garoto ainda ajoelhado a sua frente no mesmo segundo.

— Ele se lembrou de você.– murmurou Liam, devagar e com um sorriso leve nos lábios.

O coração de Harry chegou a balançar dentro do peito e com pressa avançou até o irmão, segurou seu rosto com as duas palmas das mãos e beijou sua bochecha antes de sair porta fora em direção ao quarto onde o patriarca estava.

Liam foi em seguida, e ali de joelhos, ironicamente, Louis rezou. Agradeceu aos céus por ter afastado aquele homem para longe, o garoto não estava preparado nem mesmo um pouco e se fizessem algo, Harry provavelmente não iria querer se casar ao perceber a falta de experiência do rapaz de olhos azuis.

Mesmo assim, a maneira que Harry saiu tão rápido e com o seu olhar diferente, despertou em Louis uma curiosidade enorme. Porque ambos os irmãos saíram tão depressa?

Louis suspirou, de um instante ao outro, ele precisava saber. Levantou-se lentamente e tomado pela curiosidade caminhou a passos rápidos em direção aos rastros que Harry havia passado.

Com delicadeza adentrou pela porta e quando se deu conta, estavam todos dentro de um quarto enorme, as paredes eram cobertas por um papel de parede texturizado, e as cortinas alvas e altas. Um bom lugar para se esconder...

Escondido ali, Louis pôde observar aquele homem idoso se sentar a cama. Os traços estranhamente parecidos com os 3 homens ali presentes, rodeados em volta da cama.

O homem mais velho sorria, sorria para o chefe.

— Meu filho...– murmurou portando aquele sorriso e estendendo as mãos trêmulas para que o mais velho o abraçasse.

— Papai...– Harry sussurrou com a voz já falha e rapidamente envolveu seus braços ao redor do velho, num abraço apertado. Fazia tantos meses que Desmond mal sabia quem ele era, aquilo havia estremecido Harry de uma maneira inexplicável.

Ver o seu pai caído ao chão durante uma perseguição policial, o mudou completamente. E para piorar, quando o pai abriu os olhos e não o reconheceu foi o fim para Harry. Havia se tornado frio desde aquele dia no hospital.

Mas agora entre seus irmãos, permitiu-se deixar que algumas lágrimas rolassem, lágrimas de alívio.

— Meu garoto... Você está tão bonito, vejo que finalmente aprendeu a usar boas roupas como o seu pai...– Desmond sorriu orgulhoso enquanto distribuía tapinhas carinhosos nas costas de Harry.

Zayn estava prestes a soltar uma de suas piadas hilárias, as quais faziam seu pai rir gostosamente, mas foi cortado pelo próprio. Os olhos de Desmond enxergavam perfeitamente o garoto de olhos azuis escondido atrás das cortinas de seu quarto.

— Mas ora, quem é você?

Louis sentiu seu corpo paralisar. Mas que inferno de cortina! Viu logo em seguida os três irmãos virarem a cabeça para si. Liam e Zayn ficaram mudos, mas foi o olhar de Harry que fez Louis quase fazer xixi nas próprias calças.

Estava fodido. Naquele momento precisou pensar tão rápido que antes mesmo de começar a falar, seu corpo saiu de trás da cortina devagar. Com aquela cena que presenciou a poucos minutos atrás, percebeu que aquele senhor em cima da cama parecia ter algum tipo de problema de memória, aquilo parecia perfeito.

Louis precisava aproveitar aquela oportunidade.

— Eu sou... Bem... Eu sou a noiva do seu filho.– murmurou devagar encarando os olhos do homem mais velho, e logo em seguida repuxou os lábios em um sorriso amendoado, se aproximando devagar em passos lentos, prostrando-se ao lado de Harry e lentamente apoiando uma de suas mãos no ombro do cacheado.

Louis podia sentir os músculos tencionados de Harry abaixo de suas mãos. Harry o olhou com um olhar de quem iria o matar. Puta que o pariu...

Louis sabia que Harry precisava se casar, depois daqueles outros dois murmurarem no carro, e com certeza o velho ali na cama iria acabar gostando da ideia, e bem se ele gostasse, Harry teria que levar o casamento adiante de qualquer forma. O cacheado parecia completamente inerte as vontades do pai.

E realmente estava. Quando o de olhos verdes ouviu aquela maldita putinha dizer aquelas palavras, seu sangue ferveu na mesma hora, e sentiu que poderia matá-lo ali mesmo.

Mas bem, Desmond parecia ter o poder de cortar os filhos nos momentos mais certos e inesperados.

— Que bom gosto, filho...– murmurou de repente, deixando o próprio filho sem palavras, paralisado.— Quando irão se casar?

Aquelas palavras martelaram a cabeça de Harry, Liam quase se engasgou, mas tratou de encarar o irmão mais novo como se o pedisse para não rir. Zayn estava se segurando de forma quase desesperada.

Harry só tinha duas certezas naquele instante:
1. Ia casar com aquela maldita puta;
2. Ia infernizar ela para o resto dos seus dias.

— Logo, papai... Ainda esse mês. Fico extremamente contente que tenha aprovado nossa união, tornarei ela a mulher mais respeitada da família, primeira dama do nosso império. Dará a mim herdeiros e vamos manter a tradição familiar viva...

A voz de Harry saía com um sorriso forçado de seus lábios, enquanto suas mãos pressionavam com uma força a mais, a cintura de Louis que se encontrava gelada como um corpo recém chego do necrotério.

Suas fichas foram arremessadas no desespero mesmo, porque se desse errado... Melhor nem imaginar.

Aquela reza no andar debaixo pareceu ter sido ouvida e o homem mais velho amou a ideia e fez ao garoto vários elogios, era tudo o que Louis precisava ouvir para segurar aquele xixi de medo, no lugar dele.

— Estou ansioso para poder gerar os seus herdeiros, querido... Aposto que todos os nossos filhos vão amar o vovô...– o garoto abriu o melhor dos seus sorrisos ao homem de maior idade, que foi instantaneamente retribuído. O pai de Harry parecia encantado, adorando cada palavra que saía da boca de Louis. — É um prazer enfim conhecê-lo, adoraria que o senhor conhecesse o meu pai também, ele é um bom homem.... Ele quem irá me levar ao altar.

Louis murmurou com rapidez sentindo Harry pressionar os dedos em sua cintura com mais pressão do que antes. Louis havia conseguido sua carta de alforria, precisava conseguir a do pai.

Se sentia naqueles filmes de terror trash dos anos 80, mas numa versão de frente com o capeta e negociando sua vida por mais alguns poucos anos.

Já Harry parecia ter enfiado a própria cabeça numa daquelas panelas de pressão, sentia que ia explodir de tava raiva. Nem se atreveu murmurar o nome do canalha do pai do garoto, afinal, quando Desmond aprovava algo, Harry cumpria sem nem mesmo questionar, sempre foi assim desde garoto.

Desmond conversou mais um pouco, totalmente lúcido. Falou sobre o desejo de ter netos durante o primeiro semestre de casados. Perguntou por Anne, logo depois por Karen e antes de voltar a dormir, chamou por Trisha.

As suas três mulheres estavam cada uma em sua casa, era comum que os homens de Cosa Nostra se casassem de duas a três vezes, ou fora das entrelinhas, tivessem de duas à tres esposas. Quanto mais amor, mais forte a família era.

Quando enfim os irmãos saíram porta a fora, Harry pegou o garoto pelo pescoço, o levantando e chocando suas costas na parede. As veias de seus braços já estavam saltadas.

— Sua puta! Você vai pagar, e vai pagar com a vida porque eu vou te infernizar pelo resto das nossas vidas!

Exclamou em tom de ameaça. Harry estava perto de passar dos limites, quando Zayn coçou a própria garganta e tocou o ombro do irmão.

— O pai se encantou, Harry... Não devia tratá-la assim.

O cacheado grunhiu em um gemido e então voltou a pôr o garoto no chão. Louis não era nem mesmo um pouquinho burro, como ele imaginava.

— Segunda porta á esquerda, e se prepare que eu vou te dar um bom corretivo.– ameaçou grosseiro, e em seguida indicou a direção para Louis com a própria cabeça.

O garoto ao ser largado ao chão, pôs as próprias mãos em seu peito, sua respiração estava descompassada, e sim, sentiu um leve escapar de xixi depois que Harry havia o segurado daquela forma. O estava sufocando para valer, mas mesmo que tenha ouvido sua ameaça, o garoto sabia que ele e o pai iam continuar vivos pela proteção de Desmond.

Louis não tinha mais tanto medo. Não o suficiente para escolher ficar calado.

— Você também tem um pai, já deixou claro que faria de tudo por ele! Eu espero que entenda que eu também faria de tudo pelo meu pai, como estou fazendo agora. Acha mesmo que eu gostaria de me casar com você?

Questionou com o nariz empinado, mas os olhos completamente marejados assim que levantou do chão. Enfrentou Harry pelo olhar, mas não disse mais nada.

Andou rapidamente em direção a mesma indicação que o cacheado havia mostrado minutos atrás. Não demorou para entrar num quarto, semelhante ao que o pai dos irmãos estava antes, mas mesmo com todo aquele conforto exagerado, Louis preferiu sentar-se ao chão e deixar suas lágrimas correrem pelo seu rosto.

— Olha que porra vocês fizeram!– Harry exclamou completamente estressado assim que entrou no escritório acompanhado dos seus irmãos caçulas. Entendia a imaturidade de Zayn, afinal o moreno tinha apenas 19 anos, mas Liam já tinha quase 30 e poucos anos na cara, não era possível não ter um pingo de juízo.

Mesmo com aquela reclamação, Liam riu de seu irmão mais velho.

— Não fique assim, irmão... Até que ela é bonita, dá para ver naquelas roupas curtas, que tem um bom corpo e bem... Ela não é nem mesmo um pouco burra. Você nunca gostou das mulheres burras.

Concluiu Zayn, dando de ombros.

— Você precisa mesmo se casar, irmão. E se o papai aprovou, ela é a mulher. Ardilosa igual você, ela pode ser uma boa dama. Quem sabe depois, você não acaba gostando dessa ideia? Precisa comê-la logo, pelo menos assim terá um estímulo!– incentivou Liam, ele sempre era o mais otimista dos três, se é que isso é ser otimista.

O cacheado apenas respirou bem fundo, seus irmãos pesavam os ombros como dois diabinhos com conselhos terríveis, embora a imagem do garoto de joelhos a sua frente voltou a atormentar seus pensamentos.

— Comecem os malditos preparativos... Terão que... Inferno... Chamar a minha mãe para isso.– murmurou quase em um gemido. Anne era extremamente grudenta e costumava a tratar Harry como um bebê de fraldas, isso é claro que ela envergonhava o mais velho quase a todo instante.

Harry conseguia se lembrar vagamente de todas as vergonhas que sua mãe já o fez passar, se lembrava do suspiro de alívio quando o pai a mandou para longe comprando uma casa para ela em Nápoles, no mais sul da Itália. Mesmo assim, Harry era apaixonado pela mãe e a visitava uma vez por mês.

— Vê se fazem direito dessa vez, patetas!– murmurou com um resquício de esperança.

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