Capítulo 01 | Rezar

Era tarde da noite quando Harry desistiu de enfim ler todos aqueles papéis em sua mesa. Quando era seu pai sentado ali tudo parecia tão mais fácil de fora, que o rapaz se perguntava do porquê precisou ter vindo ao mundo primeiro.

Certo... Ele era um rapaz inteligente, digno de assumir o lugar do pai. Forte, valente, e bonito. Mas bem, misericordioso nem mesmo um pouco.

— Matem esse filho da puta! – exclamou com a voz grosseira sem nem mesmo um pingo de paciência. Sua mesa de carvalho vibrou com o estalo do soco que ele deu, e seus olhos estavam presos nos seus dois melhores homens, Zayn e Liam, ambos seus irmãos mais novos por parte de pai.

O patriarca se encontrava debilitado, já acamado e com sua memória escassa, não se lembrava de mais ninguém e por esse motivo, por direito e legitimidade de primogênito por ser filho da sua primeira esposa, a herança caiu-se no colo de Harry.

O mais velho ainda não havia se casado, como manda a tradição. Mas isso era muito fácil de resolver, afinal os casamentos em sua família não eram por amor, o amor se construiria com o tempo. Então na sua lista de prioridades, o que ele menos precisava agora era de uma mulher.

Sua primeira missão como novo chefe era organizar o "caixa", e como um bom presente de boas vindas, os números estavam todos embaralhados, e uma boa quantia em dinheiro simplesmente desapareceu. Seu pai mantinha um tranquilo "clube do livro" para repasse de drogas ilícitas, e tinha um único participante que não estava lendo o livro da semana, se é que podemos falar dessa forma.

A verdade é que Mark Tomlinson numa tentativa falha de suprir a perca da esposa, se envolveu com negócios ilegais, usou a mercadoria que havia recebido e quase sofreu uma overdose. O pobre Louis sofreu bastante nas tentativas frustradas do pai de se sentir melhor consigo.

[...]

— Soltem ele! Soltem, por favor! Por favor!

Louis começou a gritar em meio ao seu choro. Lágrimas grossas desciam de suas bochechas e ele se sentia apavorado com aqueles dois homens ali segurando seu querido pai com violência.

O garoto jamais imaginou que veria armas apontadas para a cabeça do seu próprio pai. Sua única família.

Mark nunca tinha sido um santo, infelizmente ele havia se rendido ao vício do jogos de azar e as drogas. Foi a maneira que ele escolheu lidar com o luto. Às dividas foram acumulando com o tempo, empréstimos e mais empréstimos até se meter com um esquema de máfia perigosa. Mas não importava o quanto o homem errasse, Louis continuaria a ser seu filho para o resto de sua vida.

— Somos apenas eu e ele, por favor... Por favor... Nós vamos dar um jeito de pagar! – murmurou com a voz tremula, pernas vacilando. O garoto sabia que cedo ou tarde algo como aquilo ia chegar, mas ele jamais havia imaginado como escapar de uma situação como aquela.

Louis ainda cursava o colegial, trabalhava numa pequena padaria em meio período perto da pequena casa que dividia com o pai. Seu salário mal dava para sobreviverem, imagine ter que arcar com a tamanha divida que o pai havia se enfiado.

— Dá um jeito nessa puta também! – Liam murmura com um tom grosso enquanto encarava as sobrancelhas grossas do irmão.

Zayn praguejou, Liam era absurdamente mandão as vezes. Estava claro que Harry não ia gostar de um "escândalo midiático", ele já conseguia ver a chamada do jornal das 19:00: "Pai e filho encontrados mortos na 24th Street faltando 3 dias para o dia dos pais."

Louis observando ainda aos soluços aqueles dois homens discutindo se ele ficaria vivo ou não, respirou fundo sentindo as ideias aparecerem em sua cabeça.

— Eu quero falar com o chefe! – exclamou atraindo a atenção dois irmãos, que por uma fração de segundo mudaram seus olhares gélidos, e riram gostosamente por quase meio minuto.

A seguir, Zayn pegou o garoto pelas pernas o jogando em seus ombros como um saco de batatas, e Liam disparou a arma ao mirar na perna do pai. Ele não havia atirado para matar, mas aquilo bastou para assustar o garoto que voltou a gritar e chorar.

Isso durou até os dois irmãos pararem a frente do carro. Liam abriu o porta-malas e Zayn enfiou o garoto lá.

— Harry é capaz de dar um tiro nas nossas testas, idiota! – Liam murmurou ao entrar no banco do motorista, e levemente deu um tapinha na nuca de Zayn.

— Nosso irmão está mesmo precisando se casar, sei que não será com uma putinha qualquer, mas bem... Vai ser divertido.

O moreno murmurou já rindo fraco, sua mania de caçula em pregar peças nos irmãos mais velhos nunca envelhecia.

— Você fala isso como se ele estivesse tendo opções melhores! Qual boa mulher vai querer se casar com um cara como nós? Como o nosso irmão? – Sibilou Zayn tentando argumentar ao seu irmão, mas ainda com os lábios repuxados de forma divertida. — Ou vai ser uma puta desconhecida ou uma das que já conhecemos! Mas de todo modo ele precisa se casar!

Liam respirou fundo, por um lado seu irmão mais novo estava certo.

— Tenho é pena dessa daí, falante como é, vai apanhar muito até ser domesticada...– murmurou amargo e riu de seus próprios pensamentos.

Bem, dessa vez Zayn não riu, mas suspirou sentindo um dedo de compaixão.

— Se o nosso irmão for mesmo ficar com essa aí, tenho mais pena ainda... Ele não brinca em serviço caso alguém não ande na linha. Harry já está agindo igual o nosso velho pai.– usou seu tom baixo enquanto olhava a rua, Liam nunca o deixava dirigir seu Impala 1967.

Por meio minuto se nasceu um silêncio como se Liam estivesse pensando nas palavras do irmão.

— Eu sei, por isso obedeço aquele cabeça de pica... Vai que acabo tomando um tiro também? – murmurou fazendo Zayn rir.

O restante da viagem de carro até o casarão dos irmãos foi silenciosa. Quando enfim chegaram, Zayn abriu o porta-malas e observou o garoto encolhido, ele estava claramente assustado e trêmulo.

— Boa sorte, cadela.– murmurou Liam antes de entrarem os três juntos.

As pisadas de Louis enquanto entravam naquele casarão eram quase falhas, tiraram a mordaça que haviam posto em sua boca e assim finalmente pôde respirar melhor. Mas o garoto estava tão apavorado que logo voltou a chorar.

— O-onde está meu pai? O que fizeram com ele!?– exclamou começando um pequeno escândalo. — Me larguem, me larguem! Eu preciso ver o meu pai primeiro!

Louis estava tão preocupado que nem percebeu aquela sombra escura entrar no escritório, uma sombra alta e extremamente aborrecida.

Mas que porra está acontecendo aqui? Eu mando os dois patetas resolverem as coisas e voltam com uma puta?

Questionou a voz grossa de Harry, se mostrando irritada. No mesmo segundo, viu seus dois irmãos desviarem o olhar para baixo e então sairem da frente do garoto. E o choro de Louis se calou.

Quando os olhos de Harry encararam aqueles olhos azuis molhados, ele sentiu seu maxilar travar. Seus dois irmãos eram mesmo dois patetas.

— Vão ficar mudos, caralho?– questionou mais uma vez voltando seu olhar aos seus irmãos mais novos, exigindo algum tipo de explicação.

Para Louis, aquele homem parecia o mal em encarnado. Com aquele silêncio enquanto o homem esperava uma resposta, o garoto engoliu em seco e tomado pela coragem, arriscou-se, afinal aquele homem com toda aquela marra só poderia ser o chefe.

— Eu estou... Estou aqui para propor um acordo, para livrar o meu pai das dívidas... O s-senhor Tomlinson.– se esforça para não gaguejar tanto e não chorar ao mesmo tempo.

Assim que Harry ouviu a voz do garoto, demorou um pouco, mas riu-se. Mas que cadela burra...

O mais velho rapidamente levou uma das mãos até as próprias calças e tirou de lá sua arma, a pousando em cima de sua mesa.

— Diga, qual é a proposta que quer me fazer?– murmurou em tom irônico vendo o quão assustado o garoto baixinho, estava.

Louis ficou calado por algum tempo tentando reorganizar as palavras em sua cabeça, mas Harry impaciente acabou gritando suas palavras mais uma vez, em um tom agora nada agradável, o fazendo estremecer e tentar falar tudo de uma vez.

— S-sei que precisa de uma esposa e eu posso... Eu posso me casar com o senhor se prometer perdoar todas as dívidas do meu pai e livrá-lo da morte. Eu prometo que serei uma boa esposa, respeitosa e farei tudo o que quiser, estarei em suas mãos. Me tome como pagamento das dívidas do meu pai.

Aquele silêncio absoluto reinou novamente, e a expressão de Harry se fechou ainda mais, aquilo o pegou de surpresa. Louis era esperto o suficiente para saber que talvez aquilo pudesse funcionar.

— Então os dois patetas me trouxeram essa cadela burra, para isso? Acham que eu não posso achar uma dessa em qualquer lugar!?– o mais velho exclamou com indignação voltando a encarar os irmãos, acabou até mesmo se aproximando de ambos e os segurando juntos pela gola da camiseta de cada um.— Saiam antes que eu me esqueça do sangue que corre em nossas veias e faço o que não fizeram!

O homem mais velho murmurou duro, soltando seus irmãos para que obedecessem sua ordem, e quando fizeram, ele enfim se aproximou do garoto.

Levou uma de suas mãos grosseiras até os cabelos do rapaz de maneira dura, levantando assim o rosto molhado de Louis.

— Acha mesmo que vou me casar com você? Eu vou matar você e depois vou atrás do seu pai! – murmurou ameaçador.

Louis ainda se encontrava apavorado, mas percebeu ali que se demonstrasse fraqueza, acabaria sendo pior. E é claro que jamais queria precisar se casar com um mafioso e desconhecido, mas naquele momento era a única opção que o restava para tentar salvar a vida do pai.

— Eu não sou uma cadela burra e muito menos uma puta... Além do mais, tenho certeza que um homem como você não iria aceitar se casar com qualquer mulher que encontraria por aí. Já eu, tenho qualidades e posso servir de alguma maneira para você... Apenas me dê uma chance e não irá se arrepender...

Quando Louis o enfrentou, rapidamente algo dentro de Harry se remexeu, algo dentro de suas calças. O mais alto adorava aquilo.

— Qualidades? Quais qualidades? – murmurou encarando aqueles olhos azuis que por um momento pareciam atraentes.

Louis suspirou olhando para ele, por um momento ele realmente não sabia o que responder. É claro que Louis sabia que aquele homem não ia levar como qualidade a maneira que o rapaz era gentil com os seus clientes na padaria ou o quanto era bom nas aulas de história na escola.

— Sexo. Não sou uma puta, mas gosto e posso satisfazê-lo.– disse com tanta confiança que até essa autora aqui acreditou, mas era realmente pura conversa de um virgem.— E eu não tenho medo de nada, pode perceber isso já que decidi vir até aqui para conversar com você... Posso imaginar em quais situações você está envolvido e para cada grande homem importante, existe uma boa mulher ao seu lado e eu te garanto que não irá se arrepender se me pôr ao seu lado...

As calças de Harry pareciam ter encolhido, aquilo o excitou, e finalmente seus olhos verdes desceram maliciosos ao corpo do rapaz, só então percebeu aquelas roupas curtas de dormir que o mais baixo usava. Sua respiração entrecortou e então Harry se aproximou um pouco mais, mantendo o seu rosto perto do rosto do garoto.

— Vou te dar a chance de provar isso pra mim...

A seguir, sua mão que estava presa nos cabelos de Louis o pressionou para baixo, deixando agora o rapaz de joelhos a sua frente.

— Sabe o que você vai fazer agora? – questionou Harry em um tom a baixo do que estava usando. Aguardou pacientemente o rapaz suspirar e levantar aqueles olhos inocentes aos seus.

— Rezar?

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