Cortina de Aço | Parte 31
A tarde foi bastante tumultuada, Djey teve que responder vários e-mails de empresas, rescisões e contratos para pôr em ordem. Por um lado foi bom porque as horas passaram voando. Depois das dezoito horas passou num supermercado para comprar as coisas que usaria para fazer o jantar para Erik, Mylena e seu pai. Ainda saiu dali e foi ver seu pai.
- Olá papai!- beijou-o.
- Filha, entre logo!- Harold estava surpreso.
- Só passei aqui para convida-lo para um jantar em meu apartamento, amanhã. O que acha?
- Vou sim.- ele sorriu.
- Vou apresentar para você Erik meu namorado, ele vai estar lá com a avó. Mylena você lembra?
- Então quer dizer que se acertaram? Que bom minha filha e Mylena lembro sim.
- Estou feliz papai.- a expressão de seu rosto confirmava isso.
- E eu que pensei que essa alegria toda era por minha causa.- Harold choramingou.
- É claro que estou feliz de vê-lo também, mas a felicidade que Erik está me proporcionando é diferente...- Djey o abraçou.
- Eu sei minha filha e fico feliz por você. Amanha quero ver se esse tal Erik merece essa joia preciosa que é você.
- Ele é maravilhoso papai, é carinhoso e me trata como se eu fosse algo especial para ele.
- Isso é bom. O que pretende fazer para o jantar?
- Uma lasanha daquelas que o senhor gosta, com muito queijo, molho branco e champignon. Comprei também umas saladas e vou preparar mais alguma coisa para acompanhar.
- Humm... a quanto tempo não saboreio esse prato. Vou ficar contando as horas para esse jantar.
- Então vou ficar esperando. Vou indo, estou exausta, preciso de um bom banho.
Despediu-se de seu pai e voltou para o apartamento. Guardou as compras e foi para o chuveiro. Passou um bom tempo deixando a água cair sobre seu corpo, para que levasse embora todo o cansaço do dia. Depois que terminou seu banho vestiu um roupão e enrolou os cabelos com uma toalha. Na cozinha preparou um sanduíche e um suco, que foi o suficiente para saciar sua fome. Secou seus cabelos enquanto colocava música para ouvir. Deixou as luzes apagadas, somente a meia luz para poder relaxar enquanto ouvia ali mesmo na sala, deitada em seu sofá. Já estava cochilando quando ouviu a campainha. Olhou o relógio passava das vinte três horas. Foi até a porta e se surpreendeu ao ver Erik do lado de fora. Ficou preocupada e abriu logo a porta. Ele estava encostado no patamar de cabeça baixa.
- O que ouve Erik?- perguntou preocupada- Entre, por favor.
Erik estava sério, calado e isso a preocupava ainda mais. Djey fechou a porta e esperou ansiosa. Erik virou para ela e como se estivesse sufocando, puxou-a para um abraço tão apertado que ela ficou sem respirar.
- Está me assustando Erik.
- Não sei o que está fazendo comigo Djey, mas precisava te ver, te abraçar, beijar...Me deixa ficar aqui com você hoje?
- Claro meu amor. Estou feliz que tenha vindo. Também sinto sua falta e me dói fundo ficar longe de você.- Beijou-o- Você já jantou?
- Sim. Estava deitado mas não conseguia dormir, sentia que faltava algo, você não saia da minha mente. Sua imagem, seu rosto, seus olhos, sua boca, seu corpo...Levantei e quando vi já estava aqui.
- Depois que cheguei tomei um banho, pus uma música e já estava cochilando quando você chegou, estava muito cansada.
- Se quiser volto para casa, não quero incomodar você.
- Nem seja louco fazer isso!- ameaçou-o- Agora que está aqui vou aproveitar ao máximo sua companhia. Deite-se no sofá que vou trazer um vinho para nós.
- Malvada! Quer me embebedar para se aproveitar de mim é?
- Embebedar não, mas aproveitar sim- falou em tom de malícia.
Trouxe o vinho e entregou para ele que já estava comodamente deitado. Sentou-se no chão ao lado dele.
- Vai passar o dia comigo amanhã?
- Se você quiser, passo sim Djey.
- Vibro só de pensar na ideia de acordar ao seu lado.- seu rosto estava radiante.
- Vamos dançar Djey?- levantou e pegou-a pela mão. Sem reclamar permitiu que Erik enlaçasse sua cintura e conduzisse-a no embalo suave da música. Carinhoso como sempre ele acariciava seu rosto, afagava seus cabelos, beijava suavemente seu rosto, deslizando para o pescoço e vindo pousar em seus lábios. Erik desmanchou o laço do seu roupão, percorrendo o olhar por todo seu corpo nu. As mãos dele apalparam seu seios, depois percorrem seu corpo. Sentiu a boca quente dele se saciar com seu seio enquanto a mão acariciava sua vulva. Sentia seu corpo esmorecer e não resistiu quando a levou para o quarto.
Não sabia mais como seria sua vida sem ele. Não teria sentido se não estivesse ali. O que sentiam um pelo outro era especial, mágico. Diria que foram feitos um para o outro. Os dois se completavam, sua forma de se expressar, como se divertiam, sem contar a química que tinham quando suas peles se tocavam. Estavam conectados um ao outro.
A noite foi maravilhosa. Quis que nunca acabasse. Assim adormeceram abraçados sob o lençol.
Acordaram tarde e foram logo para o chuveiro. Se amar foi inevitável. Depois do banho tomaram um café reforçado. Resolveram ficar ali mesmo no apartamento. Ouviram música e conversaram bastante. Após o almoço Erik parecia meio cansado, fruto da sexta feira de trabalho exaustivo. Levou-o para descansar em sua cama, ficou ali afagando seus cabelos até que dormisse. Ficou observando-o enquanto dormia, esse era o homem que sempre havia procurado. Um homem sensível e ao mesmo tempo decidido, determinado. Sua expressão era suave, terna, sentia vontade de afaga-lo, aperta-lo contra o peito, segura-lo no colo. Estava sendo boba, ele já estava ali, tão próximo que podia sentir cada movimento de sua respiração. Algumas marcas no rosto dele indicavam sua madureza, algumas rugas de preocupação, aquela covinha em sua face o tornava mais bonito. Reparou que estava um pouco mais magro, provavelmente por causa do trabalho. Suas mãos eram grandes com dedos compridos, diferentes das suas que eram pequenas. Os cabelos já começavam a ficar grisalhos, deixando-o mais charmoso.
Já era perto das dezesseis horas, Erik espreguiçou-se e aninhou-se em seus braços sorrindo. Como conseguia acordar de tão bem humor?
- Nossa! Dormi tão bem que descansei para uma semana de trabalho.
- Que bom!- Djey beijou sua testa- Daqui a pouco vou começar a preparar as coisas para o jantar. Meu pai virá para conhecê-lo, lembra? Você vai buscar sua avó?
- Não, ela vira com o motorista, pedi também para que trouxesse roupas para mim. Quanto ao jantar não se preocupe porque vou ajudar você a preparar.
- Não sabia que você gostava de cozinhar.- ela riu.
- Sei preparar algumas coisas.- falou com orgulho.
- Sério? Não acredito!- duvidou- O que por exemplo?
- Ora, sei ferver água, fritar ovo, cozinhar ovo.- gargalhou ele e Djey o acompanhou.
- Você é incrível Erik. Vamos lá, vou preparar o prato predileto do meu pai, lasanha.
- Também gosto.
Djey praticamente preparou tudo e Erik ajudou a montar a lasanha. Deixou para assar mais perto do horário que chegariam. O concierge entregou uma pequena mala em seu apartamento. Era de Erik. Mylena pediu que fosse entregue e mandou avisar que chegaria por volta das vinte horas.
- Vovó deve ter mandado as roupas para eu poder me arrumar antes do seu pai chegar.- ele sorriu.
Após o banho Erik saiu do quarto de Djey usando uma calça de sarja Off-White com uma camisa polo amarelo ouro e um par de sapatos com cadarço marrom claro. Os cabelos do jeito que ela mais gostava, as mechas caindo sobre as sobrancelhas. A barba bem feita, o perfume delicioso e aquele sorriso acentuando as covinhas em seu rosto.
- Vou tomar banho e me arrumar, se quiser preparar algo para tomarmos fique a vontade. Não vou chegar perto de você agora, só depois.- fez uma careta.
- Está bem.- ele riu- Vou preparar.
Djey tomou um banho rápido, depois secou os cabelos usando um secador, pôs um vestido curto de alças vermelho e uma sandália vermelha de salto fino. Preferiu deixar os cabelos soltos e maquiou-se finalizando com um batom vermelho. Colocou um pouco do seu perfume atrás do lóbulo da orelha, no colo, antebraços e atrás dos joelhos.
Quando chegou na sala encontrou Erik sentado com um copo de Whisky na mão.
- Meu amor, você está linda!- falou beijando de leve seus lábios - Que cheiro delicioso.
- Você está maravilhoso também, cheiroso como sempre.- falou cheirando o pescoço dele.
- Não sei o que você viu em mim para estar tão apaixonada assim.- Erik parecia realmente não acreditar que ela o amasse tanto.
- Você tem um jeito de se expressar que me encanta, seu sorriso, seu modo de me tratar. Sempre tão carinhoso comigo.
- Meu carinho por você é tão grande que as vezes chega doer por dentro. Essa dor aumenta quando não te vejo, quando não conversamos.
- É bom ouvir isso, me faz sentir amada, importante.- tinha a impressão que seu coração iria explodir de tanta felicidade.
- Amorzinho, ia preparar algo para você beber mas, não sei se quer o que estou bebendo ou outra coisa.
- Pode ser o mesmo.
A campainha soou e Djey foi abrir a porta. Era Harold e trazia nas mãos um buquê de rosas amarelas.
- Boa noite filha.- cumprimentou entregando as flores e beijando-a.
- São lindas papai. Entre, o Erik está na sala, vou leva-lo até ele.
- Erik este é meu pai, Harold.
- Boa noite senhor Harold.- Erik estendeu a mão num cumprimento.
- Por favor Erik, me chame de Harold apenas.- sorriu simpático- Até que enfim estou tendo a oportunidade de conhecer o homem que roubou o coração da minha filhinha.
- Papai! Não fale assim.
- O coração já roubei, não tem jeito, agora vim pedir que me dê o restante. Preciso dela por inteiro.
Estava tão vermelha quanto o vestido que usava. Deu graças a Deus quando a campainha tocou e teve que atender. Os dois ficaram na sala rindo. Mylena havia chegado e levou-a para se juntar aos dois na sala.
- Como você está Mylena?- Djey perguntou.
- Ando meio solitária.- Mylena fez uma careta.
- Por que isso vovó?- Erik quis saber.
- Ainda pergunta?- Mylena brincou- Também pudera, quem seria louco de trocar a companhia de uma jovem adorável, pela de uma velha que antes das vinte e duas da noite já está dormindo.
- Vovó! A senhora está com ciúmes?- Erik riu.
- Capaz! Estou apenas brincando. Djey, fico muito feliz de saber que vocês dois estão juntos, namorando. Você sabe que sempre gostei muito de você minha menina.
- Eu também estou feliz!- Harold exclamou.
- Duvido que alguém nessa sala esteja mais feliz do que eu.- Djey foi taxativa.
- Eu!- Erik falou rapidamente levantando um das mãos e todos riram.
- Vamos logo la para a mesa antes que meu prato passe do ponto.
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