Cortina de Aço | Parte 22
A cama era macia, os lençóis perfumados, mesmo assim estava ali no escuro imaginando o que Erik estaria fazendo, se estava pensando nela ou se já estaria dormindo. Levantou e foi até a porta do quarto, tudo estava quieto. Na ponta dos pés foi até a porta do quarto dele, encostou seu rosto na porta para ouvir se havia algum sinal de que ainda estivesse acordado. Levou um susto enorme quando a porta se abriu de repente e Erik com um olhar ávido a puxou para dentro do quarto. Rapidamente trancou a porta e com seus longos braços puxou-a para si.
- O que você pensa que está fazendo?- perguntou ele na penumbra do quarto enquanto Djey ainda tentava se recuperar do susto.
- Nada! Eu não conseguia dormir e vim até aqui ver se você já havia dormido. Queria conversar um pouco.
- Só conversar?- ele ainda mantinha aquele olhar ameaçador, que mesmo o quarto estando as escuras conseguia detectar. Começava a se arrepender de ter vindo até ali e temia não conseguir controla-lo. Teve uma súbita vontade de gritar por socorro.
- Está louca? Não faça isso!- sussurrou ele entendendo o que Djey estava prestes a fazer- Não sou esse tipo de homem. Jamais faria algo contra sua vontade.
Agora ele já não a segurava com tanta força, Djey poderia correr se quisesse.
- Seu perfume me enlouquece mulher.- agora no escuro ele procurava sentir o cheiro do perfume que havia borrifado atrás do lóbulo da orelha fazendo Djey arrepiar de prazer.
Um beijo doce fez com que Djey esquecesse todos os seus medos.
- Como a quero Djey- Erik murmurava em seu ouvido- Por que faz isso comigo?
Erik parecia um tanto desesperado ao mesmo tempo em seu olhar notou um pontinho de tristeza. Já não conseguia mais detectar os reais sentimentos dele, tudo estava se misturando.
- Tento me afastar de você, mas não consigo Erik. Não quero fazer nada para magoá-lo, mas tudo é tão confuso para mim quanto é para você.
- Fique comigo essa noite Djey. Preciso de você.- implorou ele.
- Por favor Erik, não quero que as coisas sejam dessa maneira, com tanta rapidez. Tenho medo que depois se esqueça de mim e acabe me deixando.
- Não vou esquecer. Só não diga que está esperando um pedido de casamento?
Djey não gostou da maneira como ele estava falando. Parecia outra pessoa.
- Não quero me casar com você. Nem o conheço direito. Não se trata disso, só não quero ser usada. Não sou um objeto.- estava ficando difícil esconder a decepção.
- Também não disse que você era.- Erik continuava abraçando-a e seu sussurro era como uma canção aos seus ouvidos. -Não pretendo usar você da forma como está falando. O que quero é o mesmo que você quer.
- E o que você acha que eu quero?- que pergunta boba era essa que acabara de fazer.
- Você me quer, eu a quero e vou ter, se não hoje, amanhã, ou depois. Você não vai resistir para sempre.
- Está bem, mas agora quero só seus abraços e seus beijos. Quero ouvir sua voz sussurrando em meus ouvidos as coisas que me diz e que me fazem bem.- Djey novamente foi baixando a guarda.
- Meu amor...- Erik a estreitou em seus braços- Quer tão pouco.
Erik era tão doce quando queria ser. Sabia que o fato de ele a chamar de "seu amor" não significava que a amava realmente, mas era apenas uma forma de carinho da parte dele.
- No momento meu querido, é o suficiente.- Djey se sentia feliz pelo simples fato de estar ali com ele, não queria correr nem um risco de perder a chance de conquista-lo. Queria que ele fosse para sempre seu.
- Então está bem.- Erik levou-a para sua cama, arrumou os travesseiros para que se recostassem. Agora ele a abraçava, o quarto permanecia escuro, Erik puxou o lençol para se cobrirem. Só agora se deu conta que ele estava sem camisa e vestia um pijama curto. Ela com uma camisola preta com renda, estava sensual- Então minha linda, sobre o que quer conversar.?
- Qualquer coisa.- Djey virou para ele- Me fala um pouco da sua vida.
Houve alguns segundos de silêncio enquanto Erik reorganizava seus pensamentos.
- Exatamente sobre que período da minha vida você quer saber.
- Sobre o presente.- Ela agora deitou sua cabeça sobre o peito dele e com isso podia ouvir o coração batendo rápido. Ficou ali sentindo o cheiro do perfume dele enquanto passava seus dedos na pele bronzeada e perfumada-
- No momento estou bem, meu trabalho ocupa a maior parte do tempo em minha vida. Os negócios vão bem, moro com vovó, mais pelo fato de não ter que deixa-la sozinha. Me sinto na obrigação de cuidar dela.
- E a vida sentimental?- Djey escutava atentamente o que ele falava enquanto o acariciava.
- Já falei para você que não estou com ninguém no momento. Não encontrei alguém que me complete.- Erik pareceu sincero.
- Mas se fala muita coisa a seu respeito, fofocas...- falou de modo malicioso.
- Que fofocas?- ele fingiu inocência.
- Ora! O que todos os jornais e revistas falam, que você é um "Don Juan".
- Isso é bobagem.- ele riu.
- Como bobagem?- Djey se mostrou desconfiada- Eu mesma vi naquele coquetel como as mulheres devoravam você com os olhos.
Erik gargalhou de modo contagiante.
- Então não sou eu o Don Juan, mas sim as mulheres que querem me seduzir.- ele continuava rindo.
- Erik, você está zombando de mim.- Djey meneou a cabeça- então o que me diz de Julia?
Ele ficou novamente em silêncio. Então houve algo realmente sério entre os dois?
- Julia e eu saímos algumas vezes, mas ela não é o tipo de pessoa para se ter por perto por muito tempo.
- Chegou a ama-la?
- Não diria que a amei. Estava numa fase meio crítica quando a conheci, no começo me pareceu uma boa pessoa, só que com o tempo começou a ter umas atitudes indesejadas e parecer um pouco vazia. Não tínhamos muita coisa em comum, não havia nada de interessante nas coisas que dizia, era muito imatura.
- Ela é mais velha do que eu e me pareceu bastante experiente.
- Prefiro muito mais conversar com você e mais ainda de beija-la.- falou isso deitando sobre ela e beijando seus lábios. Djey não resistiu e ainda retribuiu o gesto.
- Vai passar a noite aqui comigo Djey?
- Vou se prometer não me forçar a nada.
- Já prometi isso. Qualquer dia desses vai implorar para que faça amor com você e aí vou castiga-la também.
- Erik...- ela pausou por um instante- Sabe que desejo você, mas por enquanto preciso que me compreenda. Ainda é cedo.
- Está bem Djey...- suspirou- Deixe-me beija-la um pouco mais, fazer um carinho e depois dormiremos abraçadinhos, colados um ao outro.
E foi exatamente isso que fizeram, os beijos não foram poupados, as carícias foram todas as que se podia imaginar, por vezes quase perderam a cabeça. Vez ou outra conversavam sobre algo aleatório para esfriarem a cabeça, mas não adiantava. O que estavam sentindo um pelo outro era muito forte. Enfim permitiram que o cansaço os vencessem.
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