Cortina de Aço | Parte 19

- Melhor irmos para dentro- pediu ela.

- Sim, vamos.

Erik a conduziu envolvendo-a com os braços para que não sentisse frio. Mera tolice achar que sentiria frio, perto dele seu corpo fervia. Entraram na sala e Erik pediu para que ela ficasse ali enquanto ele iria atrás de toalhas. Ao voltar entregou uma para ela que já foi se secando e ele fez o mesmo. Havia trazido uma toalha a mais e com ela passou a secar os cabelos de Djey. Ficou ali sentindo o toque suave das mãos dele em seus cabelos.

- O que houve Djey?- perguntou ele sorrindo.

- Nada não- na realidade o que ela queria era ficar ali apreciando aquele homem moreno, sensual, do qual não conseguia desviar o olhar.

Aproximou-se dele quase sentindo o hálito quente com aroma de champanhe. Sentiu que Erik estava um pouco ofegante.

- Quando olho para você, vejo seus olhos que tem a cor do mel e que me enfeitiçam, esse seu rosto- falou passando as mão no rosto de Erik- essas covinhas que aparecem cada vez que você sorri, me deixam alucinada.

- Melhor parar Djey- implorou ele segurando suas mãos.

Isso só fez com que ela se aproximasse mais colando seus lábios nos dele num beijo quente, avassalador. Podia senti-lo pulsar de desejo.

- Não vou conseguir parar- disse ele tão baixinho que mal pode ouvir. Djey afastou-se, não sabia de onde tirou forças.

- O que houve Djey?- Erik parecia desesperado, sem entender nada.

- Preciso ir para meu quarto.

- Está brincando comigo Djey? Acha que tenho idade para isso?- Erik estava transtornado.

- Não Erik, você não entende.- Djey apenas balançou a cabeça em desalento.

- Não fique me provocando Djey. Não sei até quando vou resistir.- Erik pegou suas coisas e saiu em direção a escada subindo-a.

Djey apenas ficou ali parada olhando, triste por não ter coragem de ir até o final. Foi para o chuveiro e deixou as lágrimas rolarem junto com a água. Por que não se entregava aquela paixão? Por que tanto medo? Era lógica a resposta, tinha medo de ser usada e depois descartada como fez com a Julia. Erik teria que ama-la muito para possuí-la.

Ao sair do banheiro assustou-se ao ver Erik no quarto sentado na poltrona esperando por ela.

- Aconteceu algo?- Djey tentava esconder os olhos vermelhos de chorar, deu graças a Deus por estar apenas com a meia luz ligada.

- Só vim saber se está bem e se precisa de algo, já estou indo dormir.- foi o que Erik disse.

- Não se preocupe, estou bem. Também já vou dormir. Obrigada.

Erik levantou e saiu do quarto encostando a porta. Ajeitou a cama e apagou a luz. Tentou fechar seus olhos para dormir mais rápido, mas o sono havia evaporado. A cama tão macia parecia irrita-la ainda mais. Decidiu levantar e ir procurar algo para ler na biblioteca. A luz provavelmente ficara acesa, alguém havia esquecido. Entrou e para sua surpresa Erik estava deitado no sofá com um livro em suas mãos.

- Parece que tivemos a mesma ideia.- disse ela apontando para o livro dele.

- Quer ler algo Djey?

- Sim.

- Encontre algo do seu interesse. Alguns livros são antigos, mas com boas histórias.

Escolheu um que lhe pareceu interessante e ao passar por Erik ele disse:

- Venha para cá! Deite-se ao meu lado, tem espaço para os dois aqui.

Djey olhou-o desconfiada.

- Venha! Prometo que vou me comportar.

Djey confiou nas palavras dele e se aninhou sobre um dos braços que ele estendeu para recebe-la. Ele apenas beijou sua testa.

- Comece sua leitura logo minha menininha.- sorriu ele.

Djey começou a ler, mas a princípio não conseguiu se concentrar. Estava se deliciando com a sensação de estar ali junto dele, sem medo, porque podia desfrutar da sua companhia, ao mesmo tempo que sentia o contato físico mas não precisava ficar na defensiva. Aos poucos foi se concentrando e não lembra em que momento os dois adormeceram, ali juntinhos. Não lembrava de ter dormido tão bem em tão pouco tempo nos últimos dias. Já passavam das oito horas da manhã quando sentiu alguma coisa correndo entre seus cabelos. Abriu seus olhos e viu Erik olhando para ela ternamente enquanto acariciava seus cabelos segurando pequenas mechas entre seus dedos alongados.

- Bom dia!- Erik lhe deu um sorriso.

- Bom dia Erik!- Respondeu sem se mover querendo aproveitar um pouco mais aquele momento de ternura.

- Lembra de ter conseguido ler alguma coisa?- Erik estava agora zombando dela.

- Acho que não passei das primeiras cinco páginas.- imagens da noite anterior vieram a sua mente. Começou lendo o livro, mas com o calor do abraço dele acabou adormecendo.

- Eu ainda li mais do que você, depois acabei dormindo também.

- Mylena já acordou?- perguntou preocupada com o que ela poderia pensar.

- Não ouvi, mas se acordou já deve estar caminhando pela fazenda junto com Selena e Douglas. Ela precisa ver como estão as coisas e não se preocupe, vovó não costuma julgar pelas aparências. Também ela sabe que somos adultos, que podemos fazer o que quisermos sem precisar dar satisfação para alguém.

- É que as coisas seguem muito rápidas conosco. Chega a ser estranho até, você não acha?

- Confesso que sim. Mas isso me atiça ainda mais, é intrigante, sinto uma vontade gigantesca de descobrir tudo o que você tem pra oferecer Djey. Agora o fato de duas pessoas se atraírem e acordarem na manhã seguinte juntas, mesmo na biblioteca, sem terem feito absolutamente nada é absurdamente estranho.- Ele não conteve a gargalhada.

- Não ria.- Djey acabou rindo também- Então está bem. Você pretende fazer algo durante a manhã?- perguntou Djey.

- No momento pretendo continuar conversando com você aqui mesmo onde estamos. Depois, mais tarde, após tomarmos café, vou leva-la para pescar aqui perto num rio que corta a fazenda.- Erik se ajeitou melhor para virar-se para ela e segurou suas mãos como se ela fosse tentar escapar dali.

- Eu não sei pescar Erik.

- Ensino você. Temos um barco pequeno e vou levá-la para passear também.

- Isso me parece bem divertido. Nunca fiz nada parecido.- seus olhos brilhavam entusiasmada.

- Você é uma mulher linda Djey, mesmo quando acaba de acordar.

- Está me deixando sem graça falando desse jeito,- brincou- E você com esse seu sorriso, parece nunca estar mal humorado. Seu jeito de falar me passa tranquilidade, sinto vontade de abraçar e beijar você a todo instante.

- E por que não faz?- Erik se aproximou mais.

- Porque quando começamos, fica difícil parar, não consigo raciocinar direito.

- E por que parar?- Ele já estava tão próximo que ela não iria conseguir resistir ao forte desejo de beija-lo.


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