Cortina de Aço | Parte 16
Uma semana havia passado e não havia ligado para Erik, nem tão pouco ele ligara. Já na quarta feira da semana seguinte decidiu ligar para Mylena.
- Minha Menina, você anda sumida, não ligou mais. O que houve?- Mylena mostrou preocupação.
- Perdão, não tive mais tempo para nada por causa do trabalho, essa semana encerro as atividades e preciso deixar tudo encaminhado para quem vai me substituir- falou alegremente- Vou entrar em férias.
- Que boa notícia! O que está pensando em fazer durante suas férias?
- Estou pensando em viajar, não sei ainda.- estava indecisa, não gostava muito de sair sem companhia.- E Erik como está?
- Tão atarefado quanto você querida. Na semana passada esteve ausente, uma das filias estava com uma entrega grande para ser feita e ele não podia deixar que se atrasassem, por isso teve que sair da cidade. Ah!- Mylena fez uma pausa lembrando de algo- No sábado irei para o interior, temos um chalé que era do meu marido e vivíamos lá antes de mudarmos para cá. É um lugar maravilhoso para descansar. Quer ir comigo Djey?
A oferta era irrecusável, era exatamente o que precisava, um lugar de descanso, longe do tumulto, longe de tudo e de todos.
- Seria ótimo Mylena, mas não quero ser inoportuna.- Ficou alegre ao imaginar como seria bom ir para o interior.
- Nunca pensaria isso de você. Então prepare-se, final de semana pegamos você. Pode ser sábado bem cedo?
- Sim, sem problemas.
- Poderá levar roupar de banho, temos uma piscina enorme lá.
- Que delicia, adoro água. Essas serão as melhores férias que já tive. Obrigada Mylena.
Depois que desligou estava se sentindo animada, e no restante do dia não conseguia parar de pensar em como seria maravilhoso ir para o chalé. Fecharam o escritório e Djey foi direto para o apartamento. Não via a hora de entrar em sua banheira logo e relaxar.
Depois do banho resolveu por uma calça de malha e um suéter da mesma. Muito a vontade com sua pantufa nos pés, deslizava sobre o piso dançando a música que acabara de por para tocar. Foi até o balcão de bebidas e apanhou uma garrafa de vinho. No entanto, foi interrompida pelo toque da campainha e Djey foi logo atender. Abriu a porta surpresa ao ver Erik.
- Que bom ver você! Entre Erik.- abriu um pouco mais a porta para que ele pudesse entrar.
Erik veio até ela e beijou seu rosto.
- É bom ver você também. Esta parecendo uma flor de tão perfumada.- disse isso entrando no apartamento.
Djey trancou a porta enquanto se recuperava, seu coração não parava de palpitar.
- Venha Erik, vou te servir uma bebida. Estava acabando de pegar uma garrafa de vinho e ia me servir, aceita?
- Sim aceito, não pensaria algo melhor a uma hora dessas.
Serviu as taças e deu uma para ele.
- Você prefere sentar lá fora ou aqui dentro? Aqui dentro o sofá é mais confortável.
- Podemos ficar aqui mesmo ouvindo suas músicas e conversando.
Os dois sentaram no sofá grande. Erik estava de banho tomado, suas roupas informais e os cabelos molhados indicavam isso.
- Vovó falou que você irá junto com ela para o chalé, é mesmo Djey?
- Sim, é verdade.- Djey sorriu- Mylena me convidou e como estarei de férias não pude recusar. Você se importa?
- Muito pelo contrário, para vovó sua companhia será muito bem vinda. Ela fala o tempo todo em você.
- Fico feliz em saber isso, Mylena é um encanto de pessoa. Que bom que você também tenha gostado de saber que vou.
Djey levantou e buscou a garrafa para deixar mais perto deles, antes pôs mais um pouco em sua taça e na de Erik.
- Por acaso você tinha algum outro compromisso? Não quero atrapalhar você.
- Não! Hoje não tenho planos.- dificilmente sairia sozinha.
- Você quer sair pra algum lugar Djey? Comer alguma coisa?
- Só se você estiver querendo sair, por mim ficamos aqui e pedimos uma pizza.
- Claro, também prefiro assim.
E foi o que fizeram. Pediram uma pizza com dois sabores, uma de Margherita e a outra de filé ao molho madeira. Comeram e continuaram bebendo vinho. Erik tirou-a para dançar e Djey aceitou. Riam muito, não sabia de onde tinham tanto assunto para conversar. Olhava o tentando esconder sua fascinação por ele. Aquele tom de amêndoas nos olhos dele eram como imã, atraindo-a, não conseguia desviar o olhar. Erik estava sentado recostado no sofá e Djey ao seu lado virada para ele.
Erik estava com o rosto virado para ela e o pensamento a mil por hora. Desde que entrara no apartamento de Djey, vinha se controlando no máximo do seu limite para não partir para cima dela e toma-la de beijos e abraços. Até que estava se saindo bem, a não ser por agora, onde ela não parava de olha-lo, com os lábios entre abertos. Desse jeito não dava para segurar, principalmente quando ela molhava os lábios com a ponta da língua do jeitinho que estava fazendo agora.
Erik estava com aquele olhar que ela já havia visto outras vezes. Seus olhos escureciam e de repente estava sobre ela beijando sua boca. Já não estava mais segurando a vontade de cair nos braços dele, de beijar aquela boca quente e segurar o rosto dele entre suas mãos. O beijo foi enlouquecedor, acabaram caindo do sofá.
- Você se machucou Djey?- ele perguntou preocupado.
- Não.- Djey começou a rir e Erik também. Os dois levantaram e antes que começassem novamente uma nova sessão de beijos Djey se adiantou.
- Está ficando um pouco tarde.- ela arremedou um bocejou.
- É mesmo. Melhor eu ir, também preciso descansar.
- Vou leva-lo até a porta.
Quando estava prestes a sair Erik a olhou nos olhos.
- Foi uma noite agradável Djey.
- Que bom que gostou. Podemos fazer isso mais vezes.- ela sorriu.
Erik abraçou-a pela cintura e beijou-a mais uma vez. Djey como sempre ficava desarmada ao menor contato com ele.
- Quer tornar sua noite ainda mais interessante Djey?- Erik perguntou testando-a.
- Melhor não. Vamos encerrar por aqui.- Djey não queria correr o risco de cair naquela armadilha.
- Covarde.- ele brincou- Um beijo anjo, feche a porta e vá logo para a cama.
Depois que Erik se fora correu até a sacada para vê-lo partir. Antes de entrar no carro Erik jogou-lhe um beijo e Djey retribuiu. Agora sim iria para o quarto sentindo na boca o gosto dele.
Os dias voaram até o sábado. Conseguiu na noite anterior organizar tudo o que precisava levar. Despediu-se de seu pai. Carol estava triste por Djey ficar fora durante todo o mês, mas não quis parecer egoísta, disfarçando o máximo que conseguia. De repente ouviu o som de uma buzina, olhou pela janela do apartamento, viu um carro estacionado e Mylena estava acomodada no banco de trás. Chamou o concierge para levar suas malas, deu mais uma olhada no apartamento e seguiu para o elevador. No carro pode ver o motorista e não deixou de sentir uma pontinha de tristeza ao ver que Erik não havia vindo. Mylena estava radiante. Djey acomodou-se ao lado dela e beijou sua face.
- Como esta se sentindo Djey?- perguntou Mylena.
- Muito bem! Curiosa para saber para onde estamos indo.
- Você não irá se arrepender de me acompanhar Djey.- garantiu Mylena.
- Acredito nisso.- falou com sinceridade sorrindo.
O caminho até o chalé era longo, quase quatro horas de viagem, mas a paisagem era exuberante, belas montanhas se destacavam com os verdes campos, com gados e ovelhas aqui e ali.
O chalé rústico se destacava no meio de um grande pomar. Na entrada da fazenda um portão grande de madeira impedia que dois labradores saíssem do cercado. Os cães se transformaram em dois bebezões ao avistar Mylena. Pulavam alegremente e vieram até as duas para serem afagados.
- Estes são will e Tell- Disse Mylena referindo-se aos dois cães.
- São lindos Mylena.- Djey amava animais, o fato de morar num apartamento dificultava em muito ter um.
Uns trinta metros a frente estava o chalé de alvenaria, pintado na cor amarelo, com janelas brancas, uma varanda com bancos de madeira, redes penduradas, a piscina cercada com deck de madeira, algumas cadeiras espreguiçadeiras brancas ao seu redor. Já no interior do chalé o ambiente era acolhedor, um fogão a lenha na cozinha lembrando muito os tempos de antigamente, causavam um certo saudosismo. A grande mesa em madeira indicava o tamanho da família que morara ali. Na sala poltronas macias com uma pequena mesa de centro e uma antiga lareira para os dias de inverno.
- A casa tem dez cômodos- Mylena interrompeu seus pensamentos- são oito banheiros, seis garagens, a maior parte dos quartos fica no piso superior, três são suítes, três banheiros ficam aqui em baixo mesmo.
- É lindo Mylena. É tão tranquilo e fico imaginando como seria bom ter passado minha infância aqui.
- Erik teve essa oportunidade e ficará feliz em contar para você como foi.
Djey olhou para Mylena surpresa.
- Erik virá logo a noite- Mylena avisou- Virá para o jantar. Na realidade ele vinha hoje cedo conosco, mas precisou ficar no trabalho.
Não sabia se ficava feliz ou preocupada. Passar alguns dias na presença daquele homem imponente, sentindo a atração que sentia, seria realmente preocupante.
Mylena mostrou o quarto onde ficaria e para isso subiram as escadas, o quarto era amplo, bem arejado, com uma grande porta de vidro dando para a sacada. Essa era uma das suítes que lhe falara. Guardou suas coisas, trocou seu jeans por um shorts e uma camiseta, pôs uma sandália mais confortável e decidiu dar uma volta na fazenda.
Árvores frutíferas estavam espalhadas por toda a fazenda, laranja, goiaba, banana, acerola, limão, pitaya, manga, uva, maçã, pitanga, havia também uma grande horta muito bem cuidada. A piscina ficava numa parte mais próxima ao chalé, um lindo gramado se estendia até o deck, a água cristalina da piscina era convidativa, sentiu vontade de tomar um banho pois o dia estava quente. Continuou sua caminhada um pouco mais para os fundos do Chalé, reparou num grande açude com várias espécies de peixes de água doce. Viu também currais e estábulos, algumas aves. De repente um cheirinho de café feito na hora cortou o ar e num impulso retornou ao chalé.
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